quarta-feira, 13 de novembro de 2019

326. Onze respostas de improviso, para autoridades brasileiras surpreendidas por jornalistas em aeroportos.



Jober Rocha*



                                     Acompanhando o desenrolar dos acontecimentos relativos ao chamado Escândalo da Operação Lava a Jato, quando diretores e um doleiro, sob o manto da delação premiada, denunciaram empreiteiros, políticos e membros do executivo em um enorme esquema de desvio de dinheiro da empresa estatal de petróleo, para comprar corações e mentes de políticos e de membros do executivo, além de enriquecer os patrimônios pessoais de todos os envolvidos, chamou-me a atenção as contestações e negativas, apresentadas pelos denunciados quando entrevistados pela imprensa. 
                                                     Todos afirmaram, gaguejando e nervosos, serem mentirosas as acusações que pesavam sobre eles, embora, dentre as regras da delação premiada os delatores devessem apresentar provas concretas daquilo que denunciavam - e, certamente, eles as haviam apresentado. Com a atual libertação de inúmeros envolvidos, já condenados e presos, após o atual voto do STF de que só poderiam ser presos após haver transitado em julgado os seus casos, sabendo-se lá quando isso se daria, resolvi redigir este texto, pois sei que muitos daqueles ex condenados andarão livremente pelo país inteiro, a partir de agora, fazendo proselitismo político e criticando o atual governo e as autoridades responsáveis por suas prisões.
                                                Lembrei-me, para tanto, daquela entrevista concedida por um ex-governador paulista, quando jornalistas lhe perguntavam sobre suas contas na Ilha Jersey (uma das ilhas do Canal da Mancha, para onde havia transferido, segundo acusação que fazia o Ministério Público, o dinheiro arrecadado em obras públicas durante a sua administração à frente do governo paulista), onde teria depositado a ‘suposta bolada’, louvando-se no tradicional sigilo bancário daquele paraíso fiscal:

                                                -“Desafio que provem que aquele dinheiro é meu! Quem conseguir provar pode ficar com ele para si”! – Teria dito o ex governador na ocasião.
                                                 Como sei que nossos políticos, tal qual o ex-governador paulista, jamais serão réus confessos, apresento, a seguir, onze desculpas que, convenientemente decoradas, poderão ajudá-los durante suas entrevistas na mídia, mormente agora que foram libertados e sabe-se lá se, algum dia, retornarão as celas de onde saíram livres, leves e soltos.
                                                    Ao serem surpreendidos por algum jornalista bisbilhoteiro em busca de uma matéria para o seu jornal, durante a espera de voo em algum aeroporto nacional, poderão, simplesmente, utilizar-se de um destes onze argumentos, fornecidos por mim gratuitamente, para desvencilhar-se de maneira rápida e elegante:

1. “Jamais recebi qualquer centavo das mãos daqueles que me acusam.  Vocês estão me confundindo com alguém. Vivi durante toda a minha vida nas montanhas do Tibete e cheguei ao Brasil apenas ontem. Não sei de nada sobre este assunto de que me acusam. Vim ao Brasil para realizar uma palestra sobre levitação, destinada a monges brasileiros. Por favor, me deem licença que estou muito cansado da viagem”!

2. “Desafio a estes que hoje me acusam, que mostrem uma única nota de real com a minha impressão digital gravada. Isto é uma mentira que assacam contra a minha pessoa e, estejam certos, vou processar aqueles que me denigrem na Corte Internacional de Haia, pois, infelizmente, não confio na justiça brasileira”!

3. “Prezados jornalistas, sou deputado há várias legislaturas e já formei, desde muito tempo atrás, o meu patrimônio pessoal. Eu não teria mais necessidade, hoje em dia, de entrar em um esquema milionário como este, que pouco acrescentaria ao meu patrimônio já bilionário”!

4. “Meus caros senhores jornalistas, são absolutamente inverídicas estas acusações que me atribuem. Minha fortuna foi conseguida tanto no setor elétrico, quanto através de advocacia administrativa junto aos bancos oficiais. Todos os projetos do interesse do governo (e das empreiteiras) que aprovei, foram feitos, apenas, com base na possibilidade de poder indicar parentes para cargos de direção na administração pública e jamais por dinheiro”!

5. “Depois destas denúncias, assacadas contra mim e a minha honra, prometo que jamais me candidatarei novamente a um cargo eletivo. Estou enojado destes promotores, delegados e juízes, que, em um simulacro de Inquisição moderna, só pensam em colocar na fogueira aqueles que pensam de maneira diferente da deles e possuem outras convicções mais maleáveis de ordem moral”!

6. “A posteridade me dará razão. Segundo os autores econômicos clássicos, se você não sabe cuidar do seu dinheiro deixe que outro que saiba se aproprie dele e o faça multiplicar em benefício da coletividade. Foi o que fiz com o dinheiro do povo, inexperiente em matéria de finanças. Isto não é um reconhecimento de culpa; mas, apenas, uma afirmação de caráter filosófico, que faço com base nos pensadores gregos os quais admiro”!

7. “Estas denúncias, que me fizeram os delatores premiados, nada mais são do que um grande complô armado contra a nossa Democracia, engendrado pelos Illuminatis, contando com o apoio da maçonaria internacional, abençoado pelo Vaticano, financiado pelos USA e contando com a ajuda de seres extraterrestres infiltrados em nossa justiça e na polícia federal”!

8. “Pensem bem, meus caros jornalistas, raciocinem comigo, simplesmente, com base na lógica formal: Se eu tivesse, realmente, ganhado esta montanha de dinheiro de que me acusam os delatores, vocês não acham que eu teria comprado todos os policiais, promotores e juízes deste caso e o meu nome nem apareceria no processo? Logo, não é verdadeira a acusação que me fazem, pois, meu nome ainda está lá e com destaque no processo”!

9. “Fazendo uma autocrítica sobre o meu mandato, encontrei um único motivo relevante para que os delatores pudessem envolver meu nome nas denúncias: votei contra o casamento de homoafetivos. Não sei não, mas aqueles que me denunciaram parecem jogar no time deles. Um deles tinha até as unhas esmaltadas de vermelho e sombra nos olhos”!

10. “Denúncias irresponsáveis como estas que me assacaram já ocorreram no pretérito e nunca foram apuradas ou tiveram qualquer corolário. Nossos suspicazes promotores e juízes não se deixarão embair ou esbulhar por qualquer rufião leviano que, intempestivamente, levante, a sorrelfa, alguma aleivosia malévola acerca da altivez, decência e apreço de nossos políticos pátrios, dentre os quais me incluo”!

11. “Nego-me a tocar neste assunto com a imprensa, a não ser que seja bem remunerado. Notícias como as que disponho, em primeira mão, envolvendo vários colegas e altas autoridades do governo, valem bem uma centena de dólares. Voltem as suas redações e conversem com seus editores; se estes aprovarem o pagamento, me procurem em meu gabinete parlamentar na quinta-feira, pois não trabalho na segunda, terça, quarta e sexta, já que nestes dias estou junto às bases eleitorais em meu Estado”!


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

domingo, 10 de novembro de 2019

325. Depressão e ansiedade no Brasil da atualidade



Jober Rocha*



                                      Depressão é uma doença crônica e recorrente que produz alteração do humor e é caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a outros sentimentos negativos. Ansiedade é um estado de apreensão ou medo, provocado pela antecipação de uma situação desagradável ou perigosa. Embora doenças distintas, segundo informações divulgadas, quase dez por cento da nossa população possui uma ou outra ou, até mesmo, ambas.
                                                   Causa estranheza, a meu ver, um índice tão baixo destas patologias no seio da nossa população. Explico-me melhor: o cenário político brasileiro é tão imprevisível e destoante da vontade popular que as alterações de humor, as tristezas profundas, as amarguras, os desencantos, as desesperanças, os sentimentos de culpa, as sensações de inutilidade, as apreensões e os medos, fazem parte do quotidiano da vida de grande parte dos nossos cidadãos, ao constatarem os casuísmos praticados diariamente por juristas e legisladores.
                                                 Em sendo assim, o número de casos de depressão e de ansiedade deveria ser bem mais elevado. Acredito mesmo que o seja, já que as estatísticas oficiais nem sempre representam a realidade dos fatos e muitos indivíduos convivem com tais doenças sem buscar auxílio médico.
                                               Por vezes, quando o indivíduo se imagina curado, após meses de tratamento, vem uma notícia como está recente, que deixou arrepiado até a medula muitos cidadãos de bem, ao verem abertas as portas das celas para aqueles criminosos condenados, apenas, em primeira e segunda instâncias. Alguns pessimistas calculam na soltura de cerca de 190 mil condenados. Outros, otimistas, falam em aproximadamente 5 mil. 
                                              Com certeza, daqui por diante, os consultórios psiquiátricos terão seus horários integralmente preenchidos e as farmácias esgotarão, rapidamente, os seus estoques de remédios de tarja preta.


_*/ Economista e doutor em Economia pela Universidade de Madrid, Espanha.

sábado, 9 de novembro de 2019

324. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades


Jober Rocha*



                                O poeta português Luís Vaz de Camões (1524- 1580), in "Sonetos", escreveu sabiamente:

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades”.

“Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades”.

                                    Luís de Camões, a meu ver, além de poeta era também um excelente vidente, que poderia ocupar um lugar de destaque ao lado de videntes famosos, como Michel de Nostradamus, Rasputin, Madame Lenormand, W.A.Criswel, Joan Quigley e Edgar Cayce.
                                                Nestes seus versos citados, podemos inferir a sua acurada visão prospectiva, já naquela ocasião, com relação ao cenário político brasileiro atual. Em seu primeiro quarteto fala, certamente, da esperança popular em um novo país, renascido das cinzas qual fênix, após ter sido conduzido nas últimas décadas de forma temerária por seus ex governantes. No segundo quarteto, o poeta, com certeza, menciona a frustração popular com o desfecho ocorrido em novembro de 2019, quando criminosos condenados e presos foram soltos mediante uma decisão do Supremo Tribunal Federal. Senão, vejamos:

                                                “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Refere-se o poeta, evidentemente, às eleições de 2018, que deram vitória ao liberal conservador Jair Bolsonaro, depois de quase duas décadas de governos de esquerda. A vontade avassaladora do povo brasileiro, naquela ocasião, foi a de expurgar da vida política nacional os partidos de esquerda, alguns deles comprometidos com desvio de recursos públicos, com o aparelhamento do Estado e com a tentativa de implantação de um governo comunista no Brasil.

                                             “Muda-se o ser, muda-se a confiança”. Após a posse de Jair Bolsonaro, a confiança retornou ao povo e ao meio empresarial. Novas empresas se instalaram, investimentos novos foram feitos, empresas estrangeiras para cá se transferiram, o dólar caiu e as ações nas bolsas de valores subiram, reformas foram apresentadas ao parlamento e a confiança em nossa recuperação econômica retornou.

                                             “Todo o mundo é composto de mudanças”. O poeta se refere, com certeza, às mudanças ocorridas em todo o mundo, na mesma época. A Inglaterra ter sido contrária a sua participação na União Europeia, a eleição de Donald Trump como presidente dos USA, etc.

                                             “Tomando sempre novas qualidades”. As mudanças ocorridas no plano geral, segundo as palavras do poeta, foram no sentido do aperfeiçoamento da sociedade. Vejam que a Nova Ordem Mundial perdeu a força que tinha; o surgimento das redes sociais, por sua vez, possibilitou às populações dependerem cada vez menos da grande mídia assalariada formadora de opiniões. 


                                                  O recente episódio, no meu entendimento de casuísmo jurídico, no qual o Supremo Tribunal Federal permitiu libertar criminosos já condenados em primeira e segunda instância, parece, realmente, haver sido antevisto de forma premonitória por Luís de Camões, ao escrever que: “continuamente temos novidades, diferentes em tudo da esperança: do mal ficam as mágoas na lembrança e do bem (se algum houve, as saudades”. Analisemos, pois, os versos do poeta:

                                              “Continuamente temos novidades”. Parece que Camões teve uma visão antecipada dos autos do processo de Luís Inácio Lula da Silva, pois, neste, as novidades, quase diárias, se sucediam umas às outras, como se aquela suprema instituição tivesse apenas um cliente com que se ocupar. Assim, alguém que se dispôs a levantar as movimentações do referido processo, encontrou:

80 recursos só no caso triples, 9 agravos de decisão de recursos especial e extraordinário, 9 habeas corpus, 5 recursos especiais, 5 recursos extraordinários, 3 agravos em habeas corpus, 3 agravos internos em habeas corpus, 3 exceções de suspeição criminal, 2 mandados de segurança, 2 embargos de declaração, 1 recurso criminal em sentido estrito, 1 apelação criminal, 1 embargo de declaração contra acórdão,1 embargo de declaração em apelação criminal,1 agravo regimental, 7 habeas corpus, 3 agravos regimentais, 2 agravos em recurso especial, 1 reclamação,1 embargo de declaração, 1 pedido de reconsideração, 1 pedido de tutela provisória, 1 recurso extraordinário ao habeas corpus, 4 agravos regimentais, 2 reclamações, 2 habeas corpus, 1 ação civil originária, 1 embargo de declaração em habeas corpus, 1 petição, 1 recurso extraordinário em agravo, 2 exceções de suspeição criminal, 1 embargo de declaração, 1 exceção de incompetência criminal 1 incidente de falsidade criminal.

                                        “Diferentes em tudo da esperança”. Evidentemente, o poeta se referia ao fato de que as novidades jurídicas, que continuamente ocorriam, desde a prisão dos envolvidos na Operação Lava a Jato, eram diferentes, em tudo, daquilo que esperava o povo de bem deste país. Matérias pacíficas, com jurisprudência já formada, retornavam para ser novamente discutidas em plenário, como, por exemplo, a possibilidade de prisão em segunda instância (adotada por todos os países do mundo e também no Brasil desde o ano de 1934 até o ano de 2009, quando, então, começou a ser rediscutida, em virtude da condenação em primeira e segunda instâncias e da prisão, logo em seguida, de políticos poderosos no âmbito da Operação Lava a jato).

                                             “Do mal ficam as mágoas na lembrança”. Evidentemente que a decisão tomada não poderá ser revertida pelo parlamento, como imaginam alguns ainda esperançosos. Mesmo que o parlamento aprove uma emenda a constituição, incluindo a prisão após a condenação em segunda instância, está só atingirá os novos casos, não retroagindo. Ficarão, pois, apenas, as mágoas na lembrança dos cidadãos de bem deste país e daqueles juízes, promotores e procuradores patriotas que, corajosamente (pois enfrentavam gente poderosa e sem escrúpulos) participaram da Operação Lava a Jato.

                                               “E do bem (se algum houve) as saudades”. As saudades do bem a que o poeta se refere (bem este que, certamente, houve), dizem respeito às recordações que teremos daquelas notícias alvissareiras sobre a desarticulação da organização criminosa (envolvendo políticos, governantes, empresários e executivos) que roubava dinheiro público, ainda durante a fase de apuração dos desvios milionários. Infelizmente, julgávamos, em nossa inocência de povo simples, crédulo e conformado, que seriam todos eles punidos exemplarmente. Todavia, isso não ocorreu e hoje, desanimados com a decisão tomada pelo STF, somos forçados a concluir que neste país o crime, realmente, compensa. O transito em julgado, pré-requisito necessário ao encarceramento de criminosos, para aqueles que possuem recursos financeiros que possibilitem ações protelatórias infinitas, não passa, meus caros leitores, de uma simples figura de retórica.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha. Membro da Academia Brasileira de Defesa – ABD e do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos – CEBRES.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

323. O que dizem sobre a cor roxa só vale para as cabeças de alho...


Jober Rocha*



                                     Conforme antiga tradição nordestina, quando alguma criança do sexo masculino nasce, os presentes à cena logo observam se ela tem o “saco roxo”. Em caso afirmativo, todos se alegram, pois, aquilo, era indicativo de que seria um homem forte, viril e corajoso.Outra tradição brasileira é a de que as cabeças de alho de cor roxa são melhores do que as de cor branca; isto é, são mais saborosas e duram mais.
                                           Em 03 de abril de 1991, logo após uma manifestação de protesto contra o seu governo, o ex presidente Fernando Collor de Mello, em uma solenidade em Juazeiro do Norte, declarou: “Não nasci com medo de assombração, não tenho medo de cara feia. Isso o meu pai já me dizia desde pequeno, que havia nascido com aquilo roxo, e tenho mesmo, para enfrentar todos aqueles que querem conspirar contra o processo democrático”. A manifestação de protesto, na ocasião, era organizada pelo PT, PSB, PDT e PC do B.
                                           Collor, em 30 de dezembro de 1992, foi condenado à perda do mandato e à inelegibilidade durante oito anos, por crime de responsabilidade. Saiu da presidência, junto com a esposa, de cabeça baixa e vaiado pelo público que assistia a lamentável cena.
                                             O Brasil, como muitos já notaram, é o país da conversa fiada, da negociação de bastidores, das bravatas. Aqui, quando se deseja extravasar a raiva e a frustração, busca-se um cachorro morto para chutar. Cachorro vivo, nem pensar...
                                                Assistimos com um ar de resignação tudo aquilo que nos prejudica, como se fosse inexorável o nosso destino de povo sofredor. A nossa história está plena de episódios de revoluções sem tiros nem mortes, de mudanças de formas de governo sem a participação popular, como, por exemplo, a da monarquia para a república. 
                                              O nosso povo aceita tudo de forma tão pacífica, que eu chego a imaginar se o fato não poderia ter implicações psicológicas fundamentadas no longo período em que perdurou a escravatura no país, criando raízes psicossociais de aceitação do sofrimento, raízes estas que perduram ainda hoje. Libertos, na atualidade, dos grilhões que nos tolhiam durante a colonização, viveríamos, ainda hoje, em uma servidão consentida.
                                                Desfeitos os laços físicos que nos prendiam ao pelourinho, permaneceram os laços psicológicos, frutos dos reflexos condicionados de um povo, reflexos estes que o mantêm imóvel, mesmo depois de liberto, como se ainda se sentisse preso à picota (sinônimo de pelourinho).
                                                 É o que podemos deduzir dos fatos ocorridos em 07 de novembro de 2019, data que passará a fazer parte da nossa história política. Após três vezes haver confirmado a prisão em segunda instancia de condenados (entendimento jurídico vigente nos últimos vinte anos, após a constituição de 1988), o Supremo Tribunal Federal, em um casuísmo desmedido, decidiu em contrário na data de ontem. 
                                                Estimativas preliminares indicam que cerca de cinco mil condenados, já presos, sairiam das cadeias, livres, após seus advogados peticionarem suas liberdades. Investigações ainda em andamento seriam, pois, grandemente prejudicadas, já que muitos dos réus que serão libertados respondem a outros processos, ainda em tramitação na justiça.
                                                  É o caso daqueles presos na Operação Lava a Jato, cuja necessária e premente libertação motivou toda esta mudança de posicionamento por parte do STF, onde muitos ministros deveriam se declarar impedidos de votar, em razão de vínculos conhecidos com alguns dos réus a serem imediatamente libertados em decorrência de seus votos.
                                                    A impunidade, finalmente, parece ter triunfado sobre a justiça brasileira.
                                                     Os desdobramentos desta decisão do STF são imprevisíveis, pois aquilo tudo de mal que parecia ter sido afastado, após a eleição de Jair Bolsonaro pela maioria dos votos dos eleitores brasileiros que desejavam mudanças, ameaça voltar. 
                                                   Com a libertação do ex presidente preso, sem ter transitado em julgado o seu processo (o que, evidentemente, jamais ocorrerá), ele poderá se candidatar, fazer campanha e ser eleito novamente, trazendo de volta, em doses bem mais fortes, tudo aquilo que já vimos ocorrer no passado recente (má gestão, aparelhamento do governo pela esquerda e corrupção desenfreada) e que acabou por levar o nosso país à bancarrota, com milhões de desempregados e milhares de empresas fechadas.
                                                    A administração Bolsonaro ensaiava mudar este quadro, quando foi surpreendida por esta decisão casuística do supremo. O que resultará disto tudo creio que nem Michel Nostradamus poderia nos dizer, caso ainda fosse vivo.
                                                   A única coisa que, estou certo, ele iria dizer com um sorriso irônico nos lábios, caso seu espírito viesse a se incorporar em algum médium nativo, seria: - “No Brasil, aquilo que dizem sobre a cor roxa só vale para as cabeças de alho”...


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha. Membro da Academia Brasileira de Defesa - ABD e do Centro Brasileiro de Estudos estratégicos – CEBRES.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019


322. Casuísmos, etc. e tal**


Jober Rocha*


                           Casuísmos, segundo os dicionários, são formas pelas quais se criam regras ou se adotam um conjunto de regras associadas, para justificar um ato ou algum acontecimento exclusivo; não importando se prezam pelos interesses coletivos ou se acatam as virtudes.
                                   Podem ser, também, entendidos como os argumentos ou as medidas fundamentadas em raciocínios enganadores ou falsos, especialmente em direito e em moral, baseados, muitas vezes, em casos concretos e não em princípios fortemente estabelecidos.
                                  Podemos dizer que o Brasil é o país dos casuísmos, tantas foram as vezes em que foram utilizados pelas autoridades dos três poderes da república ao longo da nossa História.

                               Nossas leis, decretos, portarias, etc., raramente são normatizados; isto é, têm as suas regras ou padrões de aplicação estabelecidos de maneira definitiva. 

                               Tal estratégia é adotada, justamente, para facilitar a aplicação de algum casuísmo pelas autoridades do momento encarregadas de aplica-las. Os Casuísmos, nestes casos, ficam evidentes pelas maneiras simplistas, tendenciosas e com fraco embasamento jurídico ou argumentativo, com que são tratados assuntos importantes, alguns deles até vitais para o país, para as suas instituições republicanas e para o seu povo.

                              Uma população pacífica como a nossa, dificilmente adota medidas radicais contra os casuísmos frequentemente utilizados para esclarecer questões e as autoridades sabem muito bem disto; razão pela qual, continuam deles se utilizando de forma contumaz e sem sentimento de culpa.  

                                    Ocorre que um velho ditado popular, tão antigo quanto o início dos tempos, reza que ‘não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe’...


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

_**/ Publicado no Jornal O Vale Gazeta. S. José dos Campos,         SP.08.11.2019


quarta-feira, 6 de novembro de 2019

321. As Conspirações do Silêncio e do Ruído


Jober Rocha*



                             Ouvi falar pela primeira vez em conspiração do silêncio ao assistir ao filme ‘Bad Day at Black Rock’, de 1954, do diretor norte-americano John Sturges, que tinha Spencer Tracy no papel principal e cujo título, no Brasil, foi ‘A Conspiração do Silêncio’. Foi este o primeiro filme em Cinemascope, produzido pela MGM e também o último filme de Spencer Tracy para a referida empresa cinematográfica e com a peculiaridade de que o roteiro do filme foi considerado subversivo pelo então presidente da MGM, Nicholas Schenck.
                                       A magistral interpretação de Tracy, no entanto, foi premiada no Festival de Cannes de 1955.
                                           A história do filme se passa em 1945, dois meses após o fim da 2ª Guerra Mundial. No vilarejo de Black Rock chega um idoso desconhecido, John MacReedy (Spencer Tracy), que tem só um braço. Apesar da sua idade e deficiência física, sua presença incomoda cada vez mais os moradores do local, em parte por ser o primeiro visitante que ali aportava em 4 anos (literalmente o trem nunca parava naquela estação) e, também, por ficar cada vez mais claro que todos os habitantes estavam escondendo algo do visitante. Quando ele diz que está procurando Komoko, um japonês residente no local e que está desaparecido, a tensão aumenta e parece que todos obedecem a Reno Smith (Robert Ryan), o "dono" de Black Rock.
                                          O filme em questão tratava da má consciência de uma comunidade de indivíduos que, por medo, covardia, ignorância e maldade, havia feito um pacto de silêncio sobre determinado crime desprezível por eles cometido.
                                   Os espectadores do filme, segundo pesquisas feitas durante e após o lançamento da película, torciam o tempo todo pelo sucesso do visitante e personagem principal, John MacReedy.
                                         Qualquer leitor mais perspicaz já terá percebido aonde desejo chegar. A semelhança desta história com a do atual presidente Jair Bolsonaro é bastante significativa. A história recente, em que Bolsonaro é o personagem principal, se passa alguns meses após o impeachment de Dilma Roussef, com o nosso país destruído como se tivesse participado em uma verdadeira guerra e perdido. 
                                              Por ser o primeiro presidente liberal de direita, após anos de governos de esquerda (em que a máquina pública dos três poderes da república fora, efetivamente, aparelhada com muitos militantes e ativistas dos partidos de esquerda, partidos estes formadores das bases parlamentares dos governos petistas), ficou cada vez mais claro para o novo presidente que inúmeros de seus subordinados e colaboradores forçados (sim, pois, embora funcionalmente subordinados ao atual presidente, tinham sido nomeados pelos presidentes anteriores – um deles já preso por crime de corrupção – de quem eram eleitores e a quem deviam favores) lhe escondiam algo e, até mesmo, sabotavam as suas decisões. Não é necessário ser presidente da MGM, como   Nicholas Schenck, para perceber que essa atual conspiração do silêncio contra o presidente, como aquela do velho filme, possui um caráter nitidamente subversivo. 
                                             Quando Bolsonaro mencionava na mídia estar procurando por alguém honesto e patriota para ajudá-lo na tarefa que tinha pela frente, como no filme mencionado, a tensão aumentava; ficando claro que muitos servidores escondiam a verdade e não obedeciam ao presidente, mas, sim, a alguns outros personagens, que dividiam com ele o comando dos denominados ‘três poderes da república’.
                                                 Paralelamente a isto, desenvolvia-se uma outra sedição, que denomino a Conspiração do Ruído, promovida pela grande mídia nacional e estrangeira, por membros do setor artístico e estudantil e por alguns governadores de Estado, vinculados a partidos de esquerda e insatisfeitos com a eleição majoritária de um governo liberal de direita, que passaria, dali em diante, a fiscalizar com rigor a concessão de verbas públicas.
                                                       Diariamente, desde que o presidente tomou posse e fechou as torneiras por onde escoava, descontroladamente, o dinheiro público, os principais grandes meios de comunicação deram início a uma campanha de críticas, de acusações e de difamação, contra ele e a sua equipe, visando desestabilizar aquele governo que se iniciava e usando, para tanto, o ruído das críticas traiçoeiras e inverídicas, produzidas e veiculadas através de milhares de mídias menores, de entrevistas, de filmes, etc., realizados no país e no exterior por grandes grupos midiáticos prejudicados pelo atual governo, como já dito, em seus interesses espúrios.
                                                A conspiração do silêncio que hoje se observa existir nos três poderes da república é dirigida contra o presidente e sua equipe e consiste, portanto, em um processo de ocultação de informações verdadeiras e de distorção de fatos e de dados, de modo a tumultuar e confundir a nova administração, buscando, assim, um mau desempenho desta que a incompatibilize com os anseios da população. 
                                                  A conspiração do ruído, por seu turno, é que tem como público alvo toda a população brasileira e objetiva, também, através da sonegação de informações verdadeiras e mediante a divulgação maciça das chamadas ‘Fake News’, desinformar e produzir contrainformação, de modo a que os brasileiros jamais saibam o que se passa, na realidade, nos campos político, econômico, militar e psicossocial brasileiros.
                                               O nosso povo de bem, que pagou muito caro para ver o novo espetáculo do Brasil sendo alçado ao Primeiro Mundo e livre do comunismo de uma vez por todas, torce pelo sucesso do protagonista principal, Jair Bolsonaro, da mesma forma como os espectadores do antigo filme torciam para John MacReedy.
                                              Entendo que a construção de uma relação de verdade, com a destruição das conspirações de silêncios e de ruídos, embora conduza à angustias e sofrimentos iniciais, torna-se absolutamente necessária para o sucesso da administração Bolsonaro e para o desenvolvimento econômico e social do nosso país. Para este objetivo, minha opinião é a de que a participação popular é indispensável e fundamental.
                                               Em primeiro lugar, deixando o povo de acompanhar as notícias da grande mídia e de acreditar nas informações por ela divulgadas. Em segundo, os cidadãos participando ativamente dos movimentos de massa promovidos pelos apoiadores do atual governo. Em terceiro, todos denunciando as ações e as informações, sobre as quais tiverem conhecimento ou ciência, promovidas pelas esquerdas e seus aliados criminosos, de colarinho branco, de colarinho sujo, de camisa sem colarinho ou, até mesmo, descamisados, que sejam contrárias aos interesses dos cidadãos de bem, à preservação da moral e dos bons costumes.
                                                  A participação popular é fundamental por que, por definição, os seres humanos são considerados racionais e as únicas situações em que podem perder a racionalidade são aquelas em que se vêm dominados pelas paixões ou pulsões (impulsos funcionando sob o Princípio do Prazer, isto é, buscando, sempre, aquilo que produza prazer e evitando o que cause dor), coisa comum em seres humanos ambiciosos pelo poder e pela riqueza, como costuma ocorrer com os políticos e com aqueles que têm como meta galgar os mais altos postos nos três poderes da república e na vida privada.
                                                  Neste sentido, as paixões (ambição, antipatia, ciúme, egoísmo, fanatismo, frieza, interesse, inveja, mágoa, medo, orgulho, raiva, soberba, etc.) podem ser entendidas como vícios, que debilitam a mente do indivíduo; pois este se foca, apenas, no objeto de seus pensamentos, sendo todos os demais momentâneos e irrelevantes. 
                                               Creio ser esta uma característica intrínseca dos atuais conspiradores do silêncio e do ruído, que, ademais de ideologicamente doutrinados de forma nefasta, sempre se moveram pelas paixões espúrias e já torciam para o novo governo dar errado, desde antes de ter começado; ainda que o seu objetivo fosse o de buscar consertar todo o mal deixado pelos governos anteriores.
                                               Seria uma ilusão imaginar que estes tradicionais conspiradores, eventualmente tocados por um sopro divino nesta nova gestão, abandonassem suas paixões e mudassem as maneiras malignas de agir, se transformando, de uma hora para outra, em anjos do bem interessados em construir, com seus trabalhos, o nosso futuro como potência; deixando de lado seus interesses particulares mesquinhos de construir os próprios futuros e os de suas famílias com o dinheiro público.
                                                  Tendo em vista esta constatação, urge que o novo governo tenha pessoas da sua mais absoluta confiança nos três poderes, cujas vidas pregressas sejam limpas, transparentes e suas lealdades comprovadas. É mandatório o rápido desaparelhamento das instituições públicas, livrando-as dos sabotadores e dos quintas colunas, remanescentes ideologicamente contaminados das passadas administrações de esquerda. 
                                                   É imprescindível ao novo governo contar com o apoio de algumas grandes mídias, já existentes ou a serem criadas, ademais do apoio que já recebe de seus eleitores através das redes sociais. É fundamental ao novo presidente possuir uma assessoria pessoal de inteligência, de alto nível e bem treinada no que respeita às modernas técnicas de segurança das comunicações eletrônicas e computacionais.

_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha. Membro da Academia Brasileira de Defesa – ABD e do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos – CEBRES.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

320. O tempo passou na janela...


Jober Rocha*



                              No II Festival Internacional da Canção Popular, realizado na cidade do Rio de Janeiro em outubro do ano de 1967, o compositor Chico Buarque de Holanda teve a sua música ‘Carolina’ classificada em terceiro lugar. A canção, dentre outros, continha os seguintes versos:

"Eu já lhe expliquei, que não vai dar
Seu pranto não vai nada ajudar"
...............................................
"Eu bem que avisei, vai acabar
De tudo lhe dei para aceitar"
.................................................
"Eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela
E só Carolina não viu"


                                          Chico Buarque, eleitor declarado do Partido dos Trabalhadores, faz parte de um grupo de artistas nacionais a clamarem, ainda hoje, pela libertação do ex presidente Lula, condenado à prisão, no âmbito da Operação Lava a Jato, por seu envolvimento em episódios de corrupção e de desvio de dinheiro público.
                                         A canção de Chico dos idos 1967, época quando ainda ninguém sonhava com a subida ao poder do Partido dos Trabalhadores, possuía estes versos citados que considero premonitórios e que tomei a liberdade de destacar.
                                         Digo premonitórios, por que em uma matéria de 04.11.2019, o blog https://www.oantagonista.com/brasil/o-povo-vai-se-levantar-muito-antes-do-que-o-bolsonaro-imagina/   destacou as palavras de João Pedro Stedile, líder do MST, para o UOL:

                                             “Vocês viram aí no Chile. Foi aumentando, aumentando a panela de pressão. Aí quando eles aumentaram em 20 centavos a passagem do metrô, explodiu. Ou seja, todo aquele tensionamento vai explodindo. Assim aconteceu no Peru, assim aconteceu no Equador. Aqui no Brasil também vai ser assim. Em algum momento esse povão vai se dar conta e ele vai se levantar por algum motivo que não sei por que nem quando, mas tenho certeza, olhando a história do Brasil e a história da América Latina, que certamente o povo brasileiro vai se levantar e vai se levantar muito antes do que o Bolsonaro imagina”.

                                                  A ilação entre a fala de Stedile e a canção de Chico Buarque pode ser vista em cada um dos versos premonitórios mencionados, culminando com aquele que o autor da música diz que o tempo passou na janela e só Carolina, no caso o Stedile, não viu.
                                                Olhando a História do Brasil e a História da América Latina, conforme recomenda o líder do MST em sua fala, o povo brasileiro (da mesma forma como outros povos, no Continente, dominados por ideologias socialistas bolivarianas fizeram) já se levantou contra os desmandos, contra a má gestão, contra a corrupção e contra o autoritarismo dos sucessivos governos de esquerda, no poder em nosso país desde há quase três décadas. 
                                                  O levantamento do povo brasileiro contra o Partido dos Trabalhadores e seus aliados, como o MST, por ele financiado e protegido, culminou com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, no ano de 2018; realmente, muito antes do que Bolsonaro imaginava, pois ele jamais poderia cogitar de conseguir ser eleito presidente com expressiva maioria de votos, sem fazer uso de verbas partidárias e contando, apenas, com a colaboração de eleitores patriotas nas redes sociais. Justamente o oposto do que fez o seu opositor, do Partido dos Trabalhadores, em uma campanha milionária que contou com dinheiro público abundante, destinado ao partido através do Fundo Partidário. 
                                                   A vitória de Bolsonaro, muitos acreditam, foi um verdadeiro milagre divino. Tratou-se, sem dúvida alguma, de novo episódio histórico e mítico de um pobre David lutando contra um rico Golias.
                                               Seria, pois, o caso de algum daqueles militantes mais lúcidos do MST (e com certeza alguém já deve ter feito isto) dizer para seu líder, após a declaração dele ao UOL: 

               “Eu já lhe expliquei, que não vai dar,
                 Seu pranto não vai nada ajudar”!

                                              Até mesmo algum companheiro de algum dos grupos vinculado aos movimentos populares latino americanos ou, talvez, um cardeal amigo ligado à Teologia da Libertação, presentes ao 3º Encontro Mundial dos Movimentos Populares (realizado este ano no Vaticano e no qual Stedile compareceu como convidado especial do Papa), poderia (e deveria) ter-lhe dito:

              “Eu bem que avisei, vai acabar,
                De tudo lhe dei para aceitar”!

                                              O fato é, queiram ou não os opositores de Bolsonaro, que o tempo passou no Continente Sul Americano. O tempo em que muitos povos subdesenvolvidos eram manipulados por uma grande mídia venal que vivia e prosperava às custas de verbas públicas, fazendo apologia aos governos de esquerda e escondendo seus desmandos e desvios de recursos públicos em benefício próprio.
                                               As redes sociais, ao tornarem públicas e acessíveis à milhões de indivíduos as maquinações de verdadeiras quadrilhas cleptocráticas existentes no comando de diversos países, não só em nosso continente, mas ao redor do mundo, despertaram a consciência adormecida de pessoas enganadas por anos de doutrinação marxista e que, sem se darem conta, mediante a adoção do ‘comportamento politicamente correto’, promoviam uma transvaloração de valores da sociedade, ao mesmo tempo em que facilitavam a implantação dos postulados de Antônio Gramsci, visando a implantação do comunismo pela via pacífica. 
                                           Assim, como bem dizia o compositor em uma visão premonitória, o tempo passou na janela e só aquelas espertas 'Carolinas' (que por terem sido muito beneficiadas, ainda, sonham em reviver um período nefasto na vida política, econômica e social brasileiras) não viram...



_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha. Membro da Academia Brasileira de Defesa e do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos.

sábado, 2 de novembro de 2019

319. A Caneta Azul

Jober Rocha*



                                  Recente sucesso nas paradas musicais, de autoria do compositor e vigilante maranhense Manoel Gomes, a canção Caneta Azul foi elaborada e postada nas redes sociais de maneira amadorística, segundo dizem. Por essas sutilezas do destino, caiu no gosto popular e já superou a marca de doze milhões de visualizações na WEB. Sua letra, simples, fala sobre a perda de uma caneta azul por um estudante a caminho do colégio.
                                            Acredito que o estrondoso sucesso da música, inexplicável quando se considera a forma como foi produzida e divulgada, possa ter algo a ver, de forma subliminar, com a imagem da velha caneta BIC azul, usada pelo novo presidente ao assinar o ato da sua posse e, posteriormente, os atos de nomeação de seus ministros. 
                                               Os eleitores brasileiros já haviam se acostumado aos presidentes e demais autoridades políticas fazerem uso de suas canetas Mont Blanc Great Characters John F. Kennedy de R$ 16.000,00, ao assinarem suas posses como representantes de um povo pobre, sofrido e trabalhador. Causou, pois, surpresa, quando o novo presidente tirou do bolso sua caneta de plástico azul e, calmamente, assinou seu nome no livro de posse.
                                           Uma simples caneta azul passou a ser, naquela ocasião e desde então, símbolo de austeridade da equipe que assumia; austeridade que se faz imprescindível e mandatória quando se trata de administrar a coisa pública de um país rico, onde o povo é pobre, o desemprego é grande e a renda desigualmente distribuída.
                                                Se a caneta azul do estudante, cantada pelo povo, ainda está perdida, ao menos a caneta azul de plástico, que representa de forma simbólica o comedimento, o despojamento e a frugalidade, perdidos há muito tempo por nossas autoridades, está, finalmente, parece já ter sido encontrada na mão do novo presidente.


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

318. Celacanto pode provocar maremoto...



Jober Rocha*


                                     No ano de 1977 uma frase enigmática começou a aparecer escrita nos muros e paredes da cidade do Rio de Janeiro. A frase dizia, simplesmente: ‘Celacanto provoca maremoto’.
                                                      Inicialmente pensou-se tratar de algum código entre traficantes e usuários de droga, para combinar entregas. Finalmente descobriu-se o autor da mesma: um jovem de 16 anos adepto de filmes e desenhos de TV. A frase havia sido, por ele, ouvida em uma película japonesa da década de 1960, chamada National Kid. Em um de seus episódios, denominado ‘A Revolta dos Seres Abissais’, um dos vilões, chamado Dr. Sanada, menciona o fato de que os Celacantos, quando se enfurecem, provocam maremotos.
                                          O jovem, mais tarde jornalista, passou, naquela ocasião, a pichar muros e paredes da cidade com a frase que se tornou famosa no país e no exterior.
                                              Celacanto, para quem não sabe, é o nome dado à peixes pertencentes ao grupo dos Sarcopterígios, parentes de várias espécies que foram extintas no período devoniano, compreendido entre 416 milhões e 359 milhões de anos atrás. Dentre suas principais características destacam-se as de poder criar impulso para partidas rápidas e de possuir alta manobrabilidade.
                                             Este prólogo teve por objetivo destacar que, embora já considerados extintos, no ano de 1938 foi encontrado um deles no litoral da África do Sul e, certamente, devem existir alguns outros espalhados pelos oceanos e mares de todo o mundo.
                                               A constatação, mudando o atual enfoque, também se aplica no campo da ideologia política. Eventuais ‘políticos celacantos’, que podem criar impulso para partidas rápidas e que possuem alta manobrabilidade em caso de necessidade (como faz o raro peixe usando as suas nadadeiras caudais e devido ao elevado número de barbatanas que possui), já festejados como espécimes políticos extintos por muitos ideólogos e pensadores de esquerda, vinculados ao Foro de São Paulo e à Nova Ordem Mundial; em razão de uma capacidade de sobrevivência continuada, típica dos celacantos, ainda podem ser encontrados em alguns países dominados durante muitos anos pela ideologia marxista, como o nosso por exemplo, conforme poderão ver a seguir.
                                                 Embora a denominada Nova Ordem Mundial tenha feito enormes progressos no sentido de disseminar a ideologia marxista nos países ocidentais, cooptando para a mesma enorme parcela da juventude pouco esclarecida, ademais de uma legião de oportunistas vários e de uma multidão de aventureiros sem nada a perder (que vislumbravam com a militância partidária e com o ativismo político a oportunidade de um enriquecimento fácil e a possibilidade de obtenção de poder ilimitado); em alguns locais do mundo ocidental, notadamente na América do Sul e mais especificamente no Brasil, em que pese todo o efeito deletério e nefasto do Foro de São Paulo, seus objetivos foram temporariamente (e eu espero que definitivamente) obstaculizados. 
                                                  A Nova Ordem Mundial – NOM, como todos sabem, trata-se de uma iniciativa partida de um grupo poderoso de financistas internacionais que têm por objetivo o fim da competição que julgam predatória, por mercados em expansão e por recursos naturais em esgotamento, vigente entre a elite empresarial capitalista ocidental e que buscam, através da implantação do comunismo em todo o mundo, o fim desta competição. Eles, evidentemente, comandariam este processo e seriam os seus beneficiários finais, após a coletivização do planeta e a apropriação dos meios de produção e dos recursos naturais mundiais pelos regimes comunistas. Partem do pressuposto de que continuariam sendo os donos dos recursos financeiros que movem as engrenagens da Economia Mundial. Para alcançar estes objetivos, financiam cerca de 120 movimentos de esquerda em todo o mundo. 
                                                      Em nosso país, em que pesem quase três décadas das esquerdas no poder, finalmente, o povo se deu conta da armadilha que estava sendo preparada pelos ideólogos do Foro de São Paulo, a serviço da NOM, no sentido de transformar o nosso país em uma república socialista bolivariana, nos mesmos moldes da falida Venezuela, atualmente em processo de convulsão social com milhares de refugiados deixando aquele país em direção ao nosso, em busca de socorro, de alimentos e de emprego. A longo prazo pretendiam comunizar todo o Continente Sul Americano, transformando-o na União das Repúblicas Socialistas da América Latina – URSAL.
                                                   Nas eleições de 2018, no Brasil, foi eleito presidente o deputado Jair Bolsonaro, um liberal de direita (considerado por mim como um ‘político celacanto’, espécime raro e que vivia isolado como parlamentar por adotar posições contrárias àquelas da maioria dos deputados pertencentes aos partidos de esquerda e que formavam a base dos governos petistas, que se sucederam desde 2003 até 2016) cujo mandato começou em primeiro de janeiro de 2019 e que veio interromper décadas de governos de esquerda.
                                               Seu governo, desde o início, sofreu toda a sorte de oposição por parte da esquerda venal, ainda aparelhada nos três poderes da república.
                                            A grande mídia, em virtude das verbas públicas que a sustentava terem sido cortadas pelo novo presidente, deu início a uma campanha difamatória, dele e de seus colaboradores, visando dificultar seu governo, causar cizânia entre a equipe governamental e provocar o seu impeachment. 
                                                         O mesmo ocorreu no meio artístico com o corte das verbas que sustentava grande parte dos seus integrantes e cuja distribuição visava cooptá-los para que apoiassem toda e qualquer medida emanada dos governos de esquerda. A partir do fechamento das torneiras que esbanjavam verbas públicas, diversos artistas começaram a promover durante suas atuações nos palcos e nas telas, campanhas sistemáticas contra o presidente.
                                              No parlamento, por não ter feito o jogo dos velhos políticos leiloando cargos para os ministérios, demais organismos públicos e empresas estatais (tática usada pelos governos anteriores de esquerda), criou-se uma grande oposição de deputados e senadores às suas medidas e proposições, fundamentais para fazer o país voltar a crescer depois da má gestão e do desvio de dinheiro público dos governos petistas, que quase levaram o país à bancarrota.
                                                No plano internacional o novo presidente tem sido violentamente atacado pela NOM e seus prepostos, principalmente, após o seu discurso na Organização das Nações Unidas – ONU, no qual denunciou a campanha da esquerda internacional para a tomada do poder no Continente Sul Americano; como também, através da campanha desfechada contra o Brasil, na mesma ocasião, por alguns países europeus preocupados com o acordo firmado entre o Mercosul e a Comunidade Europeia, no qual o Brasil colocaria naquela região produtos agropecuários mais baratos que os produtos franceses e alemães; bem como, pela ação da esquerda mundial financiada pela NOM e mobilizada para impedir e tentar sabotar o seu governo liberal de direita.
                                                    No dia 30 de outubro do corrente ano, quando em viagem oficial à Arábia Saudita, o presidente gravou, às três horas e cinquenta minutos da manhã, um vídeo para os seus seguidores no Twitter, no qual se mostrava verdadeiramente indignado com matéria divulgada na noite anterior por uma rede de televisão brasileira que o acusava, com inverdades, de envolvimento na morte de uma vereadora, ocorrida em março de 2018 na cidade do Rio de Janeiro. 
                                             Tal fato, aliado ao despejo, aparentemente intencional, de petróleo venezuelano nas costas brasileiras da Região Nordeste; bem como, a interferência do Vaticano em assuntos internos do Brasil e a campanha mundial desfechada pela esquerda pedindo a intervenção na Região Amazônica, sob o pretexto de que a floresta estaria sendo dizimada por irresponsabilidade ambiental do governo Bolsonaro, levou o presidente a uma explosão natural e compreensível de revolta, desabafada frente à câmera que o filmava.
                                              O fato é que muitos pescadores que tradicionalmente sonham em fisgar grandes peixes quanto mais escura for a água, ainda não se deram conta de que o surgimento de um novo celacanto enfurecido, nas águas turvas da política nacional contemporânea, pode, realmente, provocar um grande e inesperado maremoto.
                                               Este maremoto, por trazer águas novas e límpidas para o nosso cenário político, em que pesem eventuais transtornos que possa vir a ocasionar, terá o grande mérito de limpar o território brasileiro das águas podres e fétidas que o banharam nas últimas décadas em que o nosso destino foi conduzido por algumas elites cleptocratas e narco-marxistas.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha. Membro da Academia Brasileira de Defesa e do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos.

317. Quem tudo quer, tudo perde


Jober Rocha*



                                    A Agência Nacional de Energia Elétrica pretende taxar o valor da energia solar que o consumidor obtém através de painéis solares particulares, hoje subsidiados. Se for confirmado, será um enorme desincentivo à instalação de sistemas privados de geração de energia solar fotovoltaica. 
                                             Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica existem cerca de 120 mil consumidores que usam esta geração.
                                                Alguns deputados criticaram, no Plenário, a redução gradual de subsídios para consumidores que geram a própria energia elétrica, geralmente com painéis solares. No entanto, senadores da Região Nordeste querem aproveitar a discussão da reforma tributária no Congresso para buscar mais receitas para os seus Estados, grandes produtores de energia renovável e que enfrentam dificuldades de caixa, sugerindo a criação de royalties sobre energia solar e eólica, na forma de uma emenda à proposta de simplificação dos impostos.
                                            Todavia, engenheiros da marinha dos USA e da empresa Power Light criaram processo para transmitir energia a grandes distâncias, através de lazer ultravioleta. De um lado existe um transmissor e do outro um receptor que converte a luz em energia elétrica. Um sistema de segurança desliga o lazer se algum objeto cruzar o feixe. 
                                         A tecnologia tem inúmeras aplicações civis e militares. Uma delas é levar energia elétrica a regiões rurais distantes. Outra, é transportar a energia solar, captada em painéis em órbita da Terra, para qualquer lugar do planeta e transformá-la em energia elétrica. Uma versão comercial estará disponível em breve.
                                          Não será de estranhar se, em pouco tempo, os consumidores brasileiros vierem a comprar energia de outros países, de forma privada, sem a interferência do Estado. 
                                       Como dizia o velho ditado: - Quem tudo quer tudo perde!


_*/ Jober Rocha é Doutor em Economia