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segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

 429. Um breve ensaio sobre como os seres humanos corromperam ainda mais o projeto divino, já corrompido em suas origens


Jober Rocha


As religiões, de um modo geral, consideram a criação do Universo como sendo um projeto divino. O Criador teria, pois, criado do nada toda a matéria existente no Universo infinito, cujos átomos, depois de criados, passaram a ser eternos. Posteriormente, ainda, segundo algumas religiões, teriam sido criados os três reinos da matéria: o mineral, o vegetal e o animal. Evidentemente, embora as religiões admitam a perfeição do Criador, as Suas criações também deveriam ser perfeitas por definição (já que um Criador perfeito só criaria coisas perfeitas); porém, na realidade elas não o são.
Milhares ou milhões de estrelas encolhem e explodem, ao terminar a fusão nuclear que as manteve vivas, até então, gerando calor e energia. Seus restos, contendo ferro, ouro e rochas, sob a forma de corpos celestes (Meteoros, que são pequenas pedras ou pedaços de metal que viajam pelo espaço e têm menos de 10 metros. Asteroides, que constituem rochas espaciais de tamanho maior, com até mais de mil quilômetros e cometas, corpos formados de poeiras, rochas e gelo) que viajam a enormes velocidades, por vezes, se chocam com planetas produzindo enormes crateras e causando grandes devastações.
Matéria e Antimatéria se anulam em explosões, ao se encontrarem no espaço; buracos negros absorvem tudo aquilo que deles se aproximam, inclusive a luz. Os próprios planetas sofrem deslocamentos e acomodações das camadas inferiores do solo, aqui chamados de terremotos e que destroem cidades e matam milhares de vidas. O clima do nosso planeta, com suas variações extremas de temperatura também dificulta, impede ou destrói a vida em diversas épocas e locais. Certamente o mesmo deverá ocorrer em outros planetas. A tão propalada perfeição do Universo não é, portanto, como aquela que nós imaginávamos e nem este Universo imperfeito teria sido feito, exclusivamente, por nossa causa e em nosso beneficio, como apregoam as religiões.  
A chamada Entropia é um conceito da termodinâmica que mede a desordem das partículas de um sistema físico. A entropia é uma grandeza na termodinâmica, representada nas formulações da física pela letra S. De acordo com a 2ª Lei da Termodinâmica, quanto maior for à desordem de um sistema maior será a sua entropia. Tal lei aponta que um sistema isolado pode ou permanecer fechado ou evoluir para um estado mais caótico, mas nunca para outro mais ordenado.
Pela 2ª Lei da Termodinâmica, em sistemas isolados onde ocorrem processos irreversíveis, a entropia sempre aumenta, pois sempre é necessário um desperdício irreversível de calor de uma fonte quente para uma fonte fria, para que o sistema volte ao estado original e, assim, continue a produzir trabalho a partir do recebimento de calor da fonte quente. Assim, entropia do Universo; ou seja, a desordem, está sempre aumentando. Isso significa que, em algum momento em um futuro distante, o nosso Universo chegará a um estado de desordem total, de entropia máxima. Os cientistas chamam a isso de "morte térmica". Teria o Criador do Universo infinito e eterno cometido algum erro em sua criação? Seria proposital ou algum lapso?
Segundo Wikipédia, a biblioteca da WEB, “Os seres vivos em sua evolução assumida historicamente foram entendidos como contrariando a lei da entropia física por se evoluírem e se manterem, pelo menos até o envelhecimento, ordenados em meio ao caos, graças a maquinarias moleculares capazes de enfrentar uma tendência a desordem. Contudo, cientistas observaram que a nível populacional, nas descendências, está ocorrendo um acúmulo contínuo e sutil de desordens (mutações deletérias) e alguns autores ao medirem quantas mutações positivas ocorriam para as deletérias negativas, chegaram a números alarmantes como de uma mutação positiva para cada milhão de mutações negativas. Pode-se inferir, com isto, que a proporção de mutações que são benéficas é de cerca de uma em um milhão explicando assim uma queda percentual na saúde e na inteligência humanas”.
Isto, de certa forma, contraria a tese de que os corpos e os espíritos existiriam para evoluir e que tais evoluções, no primeiro caso, seriam no sentido do aperfeiçoamento de suas boas características físicas, melhorando-as e as adaptando às condições meioambientais. Os mais aptos sobreviveriam, segundo a tese evolucionista de Darwin, e as mutações seriam sempre no sentido da maior sobrevivência; o que parece não estar ocorrendo. No segundo caso buscar-se-ia o aperfeiçoamento daqueles sentimentos considerados como pertencendo ao campo das virtudes, segundo as teses teosóficas, mas o que se vê é a expansão e o aperfeiçoamento dos vícios.
A civilização atual, com suas ideologias funestas, como o comunismo, o nazismo o fascismo, o anarquismo e o socialismo, vendidos todos como sendo o paraíso terrestre à populações despolitizadas, crédulas e ignorantes que seguem como um rebanho na direção do matadouro, direção está que lhes é indicada pelos donos do mundo (poucas famílias que controlam toda a economia mundial), só faz corromper o eventual projeto divino, desacreditando-o ainda mais.
Vê-se, pois, que, ademais de a própria Natureza trabalhar contra a perfeição deste Projeto Divino, os próprios seres vivos, também, laboram contra esta suposta perfeição como mostraremos ainda mais, a seguir.
Constata-se que o Criador, entidade que é puro amor segundo as religiões, criou as espécies animais e os seus predadores. Evidentemente que ‘quem pode o mais pode o menos’, como explicam os professores de Direito. Desta forma, todos os animais, inclusive os seres humanos, poderiam ser herbívoros por natureza, não necessitando matarem-se uns aos outros simplesmente para se alimentarem, sem nenhuma outra razão superveniente que o justifique.
Os vírus, as bactérias e os fungos, por sua vez, criados pela Entidade Suprema, existem, em sua maioria, apenas para agirem de forma deletéria contra os seres vivos, obra desta mesma Entidade; embora alguns poucos, como, por exemplo, as bactérias benéficas probióticas Bifidobactérias e os Lactobacilos (gêneros Bacteroides, Bifidobacterium e Lactobacillus), bem como as patogênicas Enterobacteriaceae e o gênero Clostridium, exerçam importantes papéis nos intestinos animais.
Esses poucos “organismos do bem” encontram-se no nosso intestino e recebem o nome de flora ou microbiota intestinal. Tais bactérias atuam no processo de digestão, imunidade, funcionamento cerebral e até influenciam no ganho ou perda de peso, com consequentes benefícios para o nosso corpo. Também algumas bactérias do bem que vivem na pele impedem a entrada de outras malignas. Mas, o fato é que a função principal da maioria destes microrganismos é causar o mal aos seres vivos em geral. Muitos destes microrganismos são obras do Criador, mas outros são criações dos próprios seres humanos, como alguns microrganismos que possuem patentes de propriedade registradas em órgãos governamentais. Para combater os vírus existem as vacinas, para as bactérias os antibióticos e para os fungos existem os antifúngicos. Assim, a indústria milionária dos produtos fármacoquimicos enriquece ainda mais as poucas famílias que tudo comandam.
As pragas agrícolas, por sua vez, criadas pelo Ser Supremo, existem para destruir as espécies do reino vegetal, este também criado pelo mesmo Ser Supremo, segundo as religiões. Estaria à própria Natureza trabalhando contra o seu Criador ou, na realidade, tudo isto não passaria de uma simples ilusão e seríamos apenas personagens virtuais de um jogo virtual, sendo jogado por entidades sobrenaturais sobre as quais nada sabemos nem imaginamos?
Hermes Trimegisto (1500 a.C – 2500 a.C), pensador e legislador que viveu na região de Nimus e autor da Tábua das Esmeraldas, já observando a insatisfação do povo da sua época, buscou divulgar sete princípios que descreveriam como as coisas funcionam neste Universo imperfeito. Seus princípios podem ser encontrados em um documento denominado Caibalion, publicado em 1908.
Os sete princípios que buscam explicar como as coisas se passariam no Universo, dizem:
Principio do Mentalismo: Axioma, “O todo é Mente; o universo é mental.”
A interpretação do axioma quer dizer que todo universo e as coisas que acreditamos são de natureza mental. Tudo que existe faz parte da imaginação do TODO.
Princípio da Correspondência: Axioma, “O que está em cima é como o que está embaixo e o que está dentro é como o que está fora.”
Esse conceito atribui a existência universal com a semelhança entre outros planos astrais e extrafísicos.
Princípio da Vibração: Axioma, “Nada está parado, tudo se move, tudo vibra.”
Essa lei define bem o universo e a movimentação atômica! Tudo que nele existe vibra incessantemente e projeta energia nas outras coisas e pessoas.
Princípio da Polaridade: Axioma, “Tudo é duplo, tudo tem dois polos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliáveis.”
O equilíbrio é a chave para transpor barreiras e garantir expansão.  
Principio do Ritmo: Axioma, “Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, o ritmo é a compensação.”
Esse princípio se popularizou como “Lei do Retorno”, que deriva do conceito indiano para Carma.
Princípio de Causa e Efeito: Axioma, “Toda causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade, mas nada escapa à Lei.”
O sexto princípio esclarece que nada é por acaso. As chamadas: coincidências, nada mais são do que reações de causas ainda desconhecidas.
Princípio de Gênero: Axioma, “O Gênero está em tudo: tudo tem seus princípios Masculino e Feminino; o gênero manifesta-se em todos os planos da criação.”
Toda a criação reproduz em aspectos naturais, mentais e espirituais, as energias que derivam do feminino e do masculino.
Alguns destes antigos princípios atribuídos a Hermes Trimegisto, nos quais muitos seres humanos jamais acreditaram, já podem ser observados na atualidade. O primeiro deles, o do Mentalismo, já está sendo posto em prática através do chamado Metaverso, que é a terminologia utilizada para indicar um tipo de mundo virtual que tenta replicar a realidade através de dispositivos digitais. É um espaço coletivo e virtual compartilhado, constituído pela soma de "realidade virtual", "realidade aumentada" e "Internet". A própria ideia do Metaverso significa que uma parte cada vez maior de nossas vidas, trabalho, lazer, tempo, gastos, riqueza, felicidade e relacionamentos estarão dentro de mundos virtuais, ao invés de apenas estendidos ou auxiliados por dispositivos digitais e por softwares. Terrenos, casas e veículos virtuais já são comercializados pela internet. Tais bens só existem virtualmente, mas as pessoas lhes atribuem um valor monetário e os adquirem ou vendem através de moedas virtuais, as criptomoedas. Com a implantação definitiva do 5G e o desenvolvimento da Inteligência Artificial e da robótica, novos princípios de Trimegisto poderão vir a ser, com certeza, confirmados. Estaríamos, pois, na modernidade apenas confirmando aquilo que Trimegisto já imaginava na antiguidade clássica?
O segundo princípio, o da Correspondência, também tem se demonstrado verdadeiro, notadamente quando se observa o cenário político. Na política existem os partidos de esquerda e os de direita, sustentados pela doação de empresários, verbas públicas e contribuições externas. O povo, ignorante de como as coisas se passam no submundo da política, acredita que existem, realmente, políticos e partidos que se opõem entre si. Na realidade, como bem disse Trimegisto, também o que está à esquerda é como o que está à direita. A oposição é apenas ilusória, para o povo crédulo não se dar conta de sua servidão voluntária aos mesmos senhores. O escravo já nascido em cativeiro não se imagina escravo, como dizia Étienne de la Boéthie (1530 – 1563) em sua obra Discurso sobre a Servidão Voluntária. As eleições, assim, são feitas, apenas, para que o povo não se imagine escravo, mas um cidadão liberto que pode escolher entre aqueles candidatos disponíveis. Também, para que pense viver em um regime democrático e não em uma cleptocracia autocrática. Para que pense que a Constituição é algo de valor que protege e resguarda seus direitos e não um simples pedaço de papel, rasgado todos os dias pelos donos do poder.
O quarto princípio, o da Polaridade, tem sido constantemente demonstrado pela Justiça, quando considera que o igual e o desigual são a mesma coisa; que os extremos se tocam; que todas as verdades são meias-verdades; que todos os paradoxos podem ser reconciliáveis; que para tudo existe um jeito e um casuísmo oportunista; que os criminosos podem viver soltos e que os inocentes podem viver presos em determinadas épocas, como as de pandemias, por exemplo. Que as instâncias judiciais para nada valem, pois o criminoso só pode ser preso quando esgotarem todos os recursos, que são incontáveis e que podem levar toda uma vida para se esgotarem.
O sexto princípio, o da Causa e Efeito, ao indicar que não existe o acaso e que toda causa tem seu efeito e todo efeito sua causa, esclarece bem aquelas ações sem nexo e contrárias aos interesses populares, praticadas por políticos e demais autoridades governamentais. As ações, que podem ser consideradas como efeitos, tiveram suas causas em fatos por nós desconhecidos e que podem se tratar, muitas vezes, de suborno, de chantagem, de ambição desmedida, de ausência de valores morais, de traição, etc.
O último princípio, o do Gênero, que afirma que o gênero está em tudo, já que tudo tem seus princípios Masculino e Feminino e o gênero manifesta-se em todos os planos da criação, tem sido combatido pela chamada ideologia de gênero, inventada pela esquerda e que consiste na ideia de que os seres humanos nascem iguais, sendo a definição do masculino e do feminino um produto históricocultural desenvolvido tacitamente pela sociedade. Para os defensores desta "ideologia", não existe apenas o gênero masculino e feminino, mas um espectro que pode ser muito mais amplo do que a identificação somente com masculino e feminino.
Finalizando, podemos imaginar duas hipóteses: ou o Universo e os seres vivos que ele contém surgiram devidos simplesmente ao acaso, contrariando um dos princípios de Hermes Trimegisto ou, embora feitos pelo Criador, em razão de ser o primeiro Universo e os primeiros seres por Ele criados, vieram com alguns vícios de origem difíceis de serem consertados posteriormente; principalmente, em razão das Leis Universais da Natureza criadas também por Ele mesmo. Modificar uma Lei Universal, depois de tê-la promulgado, significaria o reconhecimento do erro, da imperfeição. Imperfeição está que pode ser sentida pelas próprias criaturas que nascem com malformações ou deformações físicas e mentais. Imperfeição que pode ser sentida por aqueles que são marginalizados da vida social em razão da pobreza, da discriminação racial, religiosa, sexual ou de outra qualquer natureza.
Os seres humanos, em que pesem estes eventuais vícios de origem do Projeto Divino, ainda fizeram questão de piorá-lo com as suas maquinações maquiavélicas, de modo a transformar o planeta em que estamos aprisionados em algo muito pior do que poderia ser sem a intervenção humana: o superpovoaram; poluíram rios lagos, lagoas e mares; extinguiram espécies da fauna e da flora; consumiram desnecessariamente e de forma supérflua os recursos naturais; poluíram os ares e valorizaram mais os vícios do que as virtudes.


quinta-feira, 21 de outubro de 2021

 425. O País do Passado

 

Jober Rocha*


Com a ascensão ao poder do regime militar e o consequente desenvolvimento pelo qual o Brasil passou a partir de então, costumava-se dizer, interna e externamente, que este seria o País do Futuro.
Tudo levava a crer que sim, pois com a paz social reinante, com os novos empreendimentos promovidos pelo governo federal, com um grande número de empresas estrangeiras aqui querendo se instalar para produzir os mais variados produtos, com o empresariado nacional sendo abastecido de crédito para a expansão de seus negócios e a justiça e o parlamento se atendo às suas atribuições, o executivo podia planejar e executar os projetos de interesse do país e de sua população.
Sim, meus jovens amigos leitores, nós já tivemos um país pujante, defendido por um braço bem forte e uma mão bem amiga, durante as décadas de 60,70 e 80.
Lembro-me bem da época em que as nossas Forças Armadas eram consideradas das melhores do continente, tanto em pessoal como em adestramento, aprestamento militar, doutrina e material de guerra.
Nossos estaleiros produziam embarcações civis (SD-14, Petroleiros, Panamax, Rebocadores, Embarcações Off Shore) e militares (Fragatas, Corvetas, Embarcações fluviais, de treinamento, etc.); nossa indústria de material de defesa (Engesa e outras) produzia veículos como o Cascavel, blindado que alcançou enorme sucesso internacional desde que começou a ser feito, em 1980. O transporte de tropas Urutu, que transportava até 12 soldados – além do motorista e do comandante.  Jararaca, um veículo de reconhecimento de 4,16 metros de comprimento e ampla autonomia que, graças ao tanque com capacidade para 140 litros de diesel, podia rodar até 700 quilômetros.  O Ogum, blindado leve transportador de tropas movido por esteiras (mais eficientes que as rodas em terrenos off-road), com características similares às do alemão Wiesel. O Sucuri, baseado na plataforma do Urutu e do Cascavel, era um caça-tanques sobre rodas criado nos anos 80 e que abria mão de parte de sua capacidade de proteção para surpreender em termos de velocidade e autonomia. O Ozório, carro de combate pesado submetido a testes no deserto, onde superou os concorrentes do Reino Unido, França e Itália e ficou em pé de igualdade com o famoso tanque M1 Abrams, dos Estados Unidos.
O Sistema de Defesa Astros, um dos mais bem-sucedidos modelos militares brasileiros mundo afora. Desenvolvido em 1983, pela Avibras Indústria Aeroespacial, ele é um lançador de foguetes de saturação capaz de lançar múltiplos foguetes, de diferentes calibres, a distâncias que variam entre 09 e 300 quilômetros e teria uma versão chamada de Astros 2020, compatível com mísseis de cruzeiro. O Marruá, que atuava como veículo de carga, de transporte de pessoal e ambulância. O Gaúcho, veículo que possui autonomia de 500 quilômetros e velocidade máxima de 120 km/h. Comporta até quatro ocupantes, e oferece como opcionais uma metralhadora calibre 7,62mm. O Guarani, o mais moderno blindado de transporte médio do Exército Brasileiro, teve suas primeiras unidades entregues em 2014, e deve substituir gradualmente o Urutu. Com capacidade para até 11 ocupantes, o Guarani é um 6×6 com alcance operacional de até 600 km e que pode alcançar os 110 km/h de velocidade máxima. Seu armamento principal é um canhão automático de calibre 30 mm em uma torre estabilizada controlada remotamente.
Durante as décadas mencionadas, os nossos militares evitaram que o país fosse tomado de assalto pelo comunismo internacional fazendo uso dos inocentes úteis tupiniquins. Foram as décadas em que o país cresceu e se desenvolveu, ocorrendo o chamado Milagre Brasileiro.
Os militares de então no governo, com uma visão de futuro, possuíam um compromisso com o país e a sua gente. Foi época das grandes obras, como as usinas hidrelétricas, as extensas rodovias ligando os quatro pontos cardeais do país, o surgimento de grandes empresas industriais, comerciais e de serviços, o desenvolvimento do agro negócio, a descoberta de novas jazidas minerais e a expansão da extração e exportação de minérios.
Foi nessa época que a indústria aeroespacial se desenvolveu e o país construiu uma base para lançamento de foguetes, almejando a construção de veículos lançadores de satélites. A EMBRAER iniciou a fabricação do avião Bandeirante que, como o velho “Fusca” e substituindo os obsoletos C-47, desbravou o país decolando e pousando dos mais distantes rincões da pátria.
Nossa Força Aérea possuía uma boa quantidade de interceptadores Mirage, de caças F-5, de Xavantes e de AMX; além de Tucanos e de outras aeronaves. Os pilotos militares, de então, voavam muito mais do que os atuais.
Os militares, após passarem para a reserva, ainda continuavam colaborando com as suas experiências para o nosso desenvolvimento, seja no governo ou na iniciativa privada.
O país crescia, havia empregos para todos. Nas universidades eram formados os profissionais destinados ao mercado de trabalho e não ao ativismo ideológico e à militância política, como nas décadas seguintes (de 90 e primeira e segunda décadas de 2.000) com a ascensão ao poder da nefasta esquerda venal.
Quem queria trabalhar, produzir, empreender e criar, naquele tempo a que me refiro, jamais foi incomodado em seu labor pelas autoridades. Quem vivia do roubo, do estelionato, das falcatruas, do tráfico de drogas e conspirando contra o Estado, era combatido por uma polícia dura e uma justiça justa.
Assim, com o retorno das eleições promovido pelo presidente João Figueiredo, o povo brasileiro influenciado por uma máquina de propaganda gerida por hábeis marqueteiros e contando com dinheiro de fontes externas e internas, elegeu sucessivos governos de esquerda, objetivando alcançar o tão decantado futuro que nos conduziria ao Primeiro Mundo definitivamente.
Depois de tudo aquilo que os brasileiros constataram na própria carne, ao longo das três últimas décadas: fraude em concorrências públicas; em eleições; desvio de dinheiro público; contrabando de divisas; formação de quadrilhas; roubos; concussões; nepotismo; sinecuras; aparelhamento da máquina pública com ativistas ideológicos de esquerda, sucateamento e desmotivação das forças armadas, etc., cada vez ficou mais distante a chance de nos tornarmos um país do Primeiro Mundo.
Parece que a atual elite não foi feita da mesma matéria que a antiga. Hoje pensam muito no dia presente e não mais no futuro. Faltam estadistas e homens públicos comprometidos com o Brasil e com a nossa gente. Patriotas decididos a oferecerem as suas próprias vidas em defesa da pátria, do povo e das nossas instituições. A maioria da nossa elite pensa apenas em si próprio, em sua família e em seu grupo. As chamadas mordomias, os altos cargos nos três poderes da república são o que atraem estas últimas gerações de brasileiros. Depois de anos de advocacia em causa própria, no que se referem a salários, vantagens e mordomias, nossas autoridades públicas vivem melhor do que os mais ricos empresários; pois, além de riqueza dispõem de poder.
O atual presidente, em que pese suas boas intenções e honestidade, tem contra si a mídia e a classe artística, desmamadas ambas das verbas oficiais; os parlamentares da velha política do “é dando que se recebe”, acostumados que estavam a indicar seus apadrinhados para os cargos de chefia dos ministérios e das empresas do governo, com o intuito destes desviarem os recursos públicos para os seus partidos e suas contas particulares em paraísos fiscais; muitos empresários que preferiam as concorrências fraudulentas dos antigos governos (onde superfaturavam seus preços) do que as honestas do governo atual; as facções criminosas e os movimentos terroristas do campo, que contam ainda com a leniência de certas autoridades judiciárias; as autoridades da suprema corte, que resolveram ficar do lado da inconstitucionalidade em muitas das matérias que julgam; aqueles mestres encastelados em suas cátedras vitalícias que não desejam a volta às aulas com o fim da pandemia, preferindo passar seus dias em casa, recebendo seus altos salários e doutrinando os alunos pela via das redes sociais na internet; muitos militares que fazem meio expediente por faltar comida nos quartéis e que esperam com ansiedade o dia das suas aposentadorias, já que os equipamentos bélicos que possuem são precários ou estão sucateados.
Outros militares, mais esclarecidos e em cargos elevados, temem a mídia internacional e as ameaças veladas que esta faz contra os patriotas nacionalistas, ameaçando-os com julgamentos por tribunais internacionais caso resolvam defender o território nacional, a soberania brasileira e os nossos interesses econômicos, políticos, militares, psicossociais e tecnológicos. Louvam-se tais militares no episódio da chamada Comissão da Verdade (iniciada em 2011 e terminada em 2014), na qual muitos integrantes do Movimento Militar de 1964 foram interrogados e condenados pela referida comissão, da qual só participavam pessoas vinculadas aos movimentos de esquerda que tentaram implantar um governo comunista no país e foram vencidos pelos militares, com o apoio do povo honesto e trabalhador. O próprio povo que incentivou o Movimento Militar de 64 e as próprias autoridades militares na ativa, quando dos trabalhos da referida comissão, abandonaram ao seu próprio destino aqueles heróis da pátria que correram risco de morte para defendê-los, nos idos das décadas de 60 e 70.
Outros militares, ainda, também em elevados cargos, assimilaram a doutrinação promovida nas três décadas de governos de esquerda, aos quais imaginam dever o sucesso de suas promoções e carreiras. O mesmo ocorre no judiciário, onde muitas autoridades foram guindadas aos mais altos cargos pelas mãos de ex presidentes de esquerda, aos quais ainda hoje servem sem nenhum pejo.
Em vista disto tudo, meus queridos leitores, já não desejo mais que o Brasil seja o país do futuro; o que dificilmente irá ocorrer com a permanência deste aparelhamento do Estado e com a manutenção da conjuntura internacional, que tem guindado ao poder, da maioria dos países, presidentes comunistas ou socialistas. Sofremos, ademais, a possibilidade da interferência de países estrangeiros em nossas próximas eleições, em nossa economia, em nossas forças armadas e em nossa vida política e psicossocial. Portanto, desejo mais é que sejamos o país do passado; um passado que já vivemos e no qual éramos felizes, podendo dormir com as janelas abertas, andar pelas ruas nas madrugadas sem correr risco de morte, ter emprego com facilidade, programar nosso destino e imaginar que algum dia nós seriamos o país do futuro.

 
_*/ Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha e membro da Academia Brasileira de Defesa.

 


segunda-feira, 27 de setembro de 2021

 424. Um breve ensaio sobre a feiura humana


Jober Rocha


Recentemente, em uma roda de amigos, discutia-se acerca do casamento de um jovem das vizinhanças com uma mulher horrivelmente feia. A crítica era geral: todos falavam mal de alguma particularidade física ou psicológica da vítima. Ninguém entendia a razão pela qual o vizinho, jovem bem apessoado, elegante e rico, houvesse escolhido como consorte logo aquela mulher por todos criticada pela sua feiura.

Saí dali pensando no assunto e, chegando a casa, fui direto para a biblioteca, onde fica meu gabinete de trabalho, e dei início a este breve ensaio sobre a feiura e as razões pelas quais muitos preferem unir-se afetivamente, para sempre, aos feios.

Para que não me chamem de parcial, tudo aquilo que aqui for dito para as mulheres vale também para os homens e para aqueles que não se enquadram em nenhum destes dois gêneros. 

Em primeiro lugar, sua parceira jamais será cobiçada em reuniões sociais ao ar livre ou em ambientes fechados, deixando-o livre para algumas incursões pelos arredores sem medo de que ao retornar ela esteja conversando amigavelmente com algum desconhecido.

Em segundo lugar, a feia, por saber-se feia, costuma ser carente de afeto e é capaz de dedicar-se de corpo e alma ao primeiro que demonstre não se importar com sua feiura e demonstrar interesse pelo seu espírito, mais do que pela sua aparência.

Em terceiro, por que a sábia Natureza jamais coloca todas as feiuras em um mesmo corpo, da mesma forma que não coloca também todas as belezas. A de nariz e de boca feias possui, quase sempre, olhos maravilhosos e cabelos lindos.

A toda feia de rosto possui, quase sempre, um corpo escultural. E por aí vai...

Vejam que as culturas mais antigas como a árabe, por exemplo, costumam proteger as feias colocando burcas ou véus em todas as mulheres. Assim, os homens só podem ver os olhos delas, olhos estes que procuram transmitir malícia, desejo e beleza aqueles que os fitam. 

Com este simples costume, tanto as feias quanto as bonitas arranjam seu par; pois o homem só irá conhecer, verdadeiramente, a cônjuge com a qual se uniu para sempre após o casamento efetivado.

 Por vezes, os pais destas jovens mulheres costumam colocar tabuletas, nas portas de suas casas, nas quais se lê: “Não aceitamos reclamações posteriores”.

Pensando bem, as vantagens da união com mulheres feias quase sempre supera as desvantagens. Uma mulher bonita certamente ficará feia no futuro. Uma mulher feia jamais passará por isso.

A feia será de uma dedicação integral e compulsiva, pois sabe que foi contemplada na loteria do amor e isto é o que mais lhe importa.

As feias, por outro lado, como passaram, sempre, a maior parte do tempo dentro de seus quartos, sem frequentar festas ou reuniões sociais, costumam ter uma bagagem literária muito maior do que as bonitas, que de tantas festas e passeios jamais tiveram tempo para a leitura.

Você poderá se instruir e manter conversas agradáveis com uma mulher feia. Com uma bonita isto já não é possível, pois você só pensará em sexo o tempo todo.

A mulher bonita sabe que arranjará outro homem melhor que você, basta ela querer. A feia sabe que você foi o único que se interessou por ela e que se perdê-lo não conseguirá outro facilmente.

Em geral, além de costumar ter um corpo escultural, as feias são boas cozinheiras e boas donas de casa, pois passaram a maior parte de suas vidas em casa e, evidentemente, aprenderam a cozinhar com suas mães.

As belas, além de passarem suas vidas em festas, bailes, passeios e praias, jamais se interessaram por essas coisas caseiras, pois, dada a sua beleza, sempre imaginaram casar com alguém rico que manteria diversas pessoas ao seu serviço e só comeria em restaurantes, razão pela qual não sabem fritar um ovo.

As feias, com seus magníficos corpos, costumam ser excelentes e sensuais amantes. Como na maioria das vezes as luzes estão apagadas, é só deixar a imaginação seguir livre que você terá incontáveis noites de luxúria.

As belas, ao contrário, por pensarem apenas em si e na sua beleza dispensam pouco interesse para o seu parceiro, que se sentirá frustrado na maior parte do tempo.

A manutenção de uma mulher feia, por sua vez, será muito menor, em termos financeiros, do que uma mulher bonita. A bela necessita de cremes caros e tratamentos caríssimos para manter a beleza no mesmo patamar. A feia não mudará nunca com cremes e tratamentos. Como ela sabe disso, é pouco exigente quanto a despesas dessa ordem.

A verdade é que na velhice ambas se equipararão em feiura. Com a despesa extra que você teve com uma mulher bonita ao longo do casamento, poderia, caso tivesse casado com uma feia, ter viajado pelo mundo, comprado um apartamento em Nova York, possuir um iate de luxo, etc. Na velhice, ninguém acreditará que a sua mulher que era bonita já foi bonita, mas todos acreditarão que a sua feia já foi bonita.

E por último, saibam que filhos de mulheres feias costumam ser bonitos, pois o gene da feiura, segundo Mendel, é recessivo.

Finalizando, segundo meu modo de ver a questão, mulheres bonitas são para serem vistas e apreciadas nas fitas de cinema, nas novelas, nas revistas e nas ruas e avenidas do mundo. Mulheres feias são para um relacionamento duradouro e feliz, longe da cobiça alheia...




segunda-feira, 30 de agosto de 2021

 423. Um breve ensaio sobre a Profissão de Carrasco


Jober Rocha*


Ao longo da História, muito já se escreveu sobre os condenados à morte e sobre os encarcerados. O escritor Victor Hugo, no ano de 1829, publicou a obra ‘Le dernier jour d'un condamné’. Vários outros escritores publicaram obras sobre o dia a dia de um prisioneiro, como Graciliano Ramos (Memórias do Cárcere), Dostoievski (Recordações da casa dos mortos), etc. Todavia, são raras ou inexistentes obras tratando da profissão de carrasco, o indivíduo responsável por executar uma sentença de morte.

O meu objetivo, neste breve ensaio, é discorrer sobre esta estranha profissão ao longo da história, sobre os principais carrascos que se tornaram conhecidos mundialmente e sobre as eventuais motivações ideológicas, religiosas e psicológicas que conduzem alguns indivíduos a buscar esta profissão. 

O carrasco, também conhecido como algoz ou verdugo, é aquele indivíduo incumbido pelo Estado de executar, oficialmente, as sentenças capitais e recebem um salário, às vezes, bem elevado pelo trabalho que executam. Existem, ainda, os carrascos que trabalham por conta própria; isto é, como profissionais autônomos, executando, de forma mercenária, pessoas em troca de dinheiro e servindo a diversos senhores na execução de sentenças de morte oriundas das justiças particulares destes e os carrascos que o são sem o saberem, como os soldados na guerra, os policiais quando em confronto com criminosos e os assassinos, todos estes executando sentenças de morte ditadas por eles mesmos. Todos aqueles que matam alguém são os verdugos de suas vítimas. Uns o fazem por profissão, outros por ideologia, outros por religião, outros ainda por distúrbios psicológicos, outros por prazer e outros como uma simples profissão, como qualquer outra.

Dentre os carrascos que deixaram seu nome e sua fama gravados na História, os principais foram:

. Hajj Abd Al-Nabi, que realizou mais de 800 execuções;

. Lady Betty, uma irlandesa que trabalhou mais de 30 anos nesta profissão;

. Albert Pierrepoint, inglês que matou pelo menos 400 pessoas em uma carreira que começou em 1932 e durou mais de duas décadas;

. Charles-Henri Sanson, francês que chegou a executar três mil vítimas durante o reinado do rei Luís XVI.

. Antonina Makarova, russa que chegou a executar cerca de 1.500 alemães nazistas usando uma metralhadora, durante a Segunda Guerra Mundial;

. Franz Schmidt, alemão que foi o executor oficial de Nuremberg de 1578 a 1618. Chegou a executar quase 400 pessoas;

. Souflikar, otomano que no século 17 realizou mais de cinco mil execuções.

Nesta relação não estão incluídos os carrascos que executaram pessoas por motivos religiosos, os serial killers e os assassinos por dinheiro (mercenários). 

Relativamente às motivações que conduzem alguém a adotar tal profissão, destaco em primeiro lugar a de ordem religiosa, em seguida a ideológica, em terceiro a psicológica e em quarto a mercenária, com certeza a única que pode causar futuramente arrependimento e sentimento de culpa pelos atos praticados, já que nas motivações anteriores os carrascos ou estão convencidos de que operam do lado do bem ou sofrem de distúrbios psicológicos que os impedem de avaliar os atos que cometeram. 

É de todos os leitores conhecido o episódio da Inquisição. A Inquisição, ou Santa Inquisição foi um grupo de instituições dentro do sistema jurídico da Igreja Católica Romana cujo objetivo era combater a heresia, a blasfémia, a bruxaria e os costumes considerados desviantes. No Concílio de Verona, em 1184, foi criado o Tribunal da Inquisição, sendo que a instituição da Inquisição persistiu até o início do século XIX.

A chamada inquisição medieval durou do século XIII ao final do XIV e a feroz Inquisição moderna, concentrada em Portugal e Espanha, durou do século XV ao XIX.

A pena de morte foi empregada não somente na Inquisição, mas praticamente em todos os outros sistemas judiciários da Europa.

Os historiadores divergem quanto às estatísticas de morte durante a inquisição, mas alguns consideram que os inquisidores portugueses fizeram 40 mil vítimas, das quais 2 mil foram mortas na fogueira. Na Espanha, até a extinção do Santo Ofício, em 1834, estima-se que quase 300 mil pessoas tenham sido condenadas e trinta mil executadas. Na Alemanha, durante a inquisição, aproximadamente 25 mil pessoas foram mortas.

Isto, sem falar nas execuções por motivos religiosos, perpetradas entre católicos e protestantes ou pelos islâmicos, ao longo da História.

Estou convencido que os verdugos que operaram durante a inquisição estavam certos de que suas vítimas eram bruxos e feiticeiras que mantinham contato com demônios, visando destruir as obras da igreja. Por esta razão faziam o seu trabalho com convicção de que trabalhavam do lado certo; isto é, estavam do lado do bem. Em razão disto não tinham piedade pelas vítimas, nem remorsos sobre os atos cruéis que praticavam, ficando em paz com suas consciências não importa a quantidade de vitimas que tenham sacrificado. O mesmo ocorre com os muçulmanos quando sacrificam os hereges; isto é, aqueles que não adotam a religião islâmica.

Relativamente à motivação ideológica, podemos constatar as ações praticadas pelos comunistas para a implantação do comunismo na Rússia em 1917.

Para conseguirem implantar o Comunismo na Rússia (primeiro país onde esta experiência foi tentada), apenas no período de 1937-38, três milhões de pessoas foram fuziladas. Oito milhões estiveram presos em campos de trabalhos forçados. Cerca de vinte milhões de pessoas tiveram suas existências devastadas em nome dos “mais belos ideais da humanidade”. Na Revolução Cubana, de ideologia comunista, calcula-se em cerca de 85.675, o número de vítimas entre assassinados, desaparecidos, feridos e fugitivos para o exterior. Adicionalmente, cerca de dezesseis mil mortes, ocorreram em combates durante a revolução. Ao final, a ideologia marxista e a forma de governo comunista acabaram ruindo na URSS, após a Glasnost e a Perestroika, ficando restrita à Rússia, Cuba e alguns países africanos.

No referente à implantação do Nazismo, na Alemanha, informações disponíveis indicam a morte, por assassinato, desnutrição, trabalhos forçados e doenças, de cerca de seis milhões de judeus, dois milhões de poloneses, um milhão de ciganos, quatro milhões de prisioneiros soviéticos, duzentos mil deficientes físicos e mentais, cem mil maçons e cinco mil testemunha de Jeová. Note-se que estes dados são estimativas, pois os valores reais podem chegar ao dobro. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Nazismo deixou de existir como forma de governo no mundo.

Com relação ao Capitalismo, Gilles Perrault, em seu “O Livro Negro do Capitalismo”, estima em 58 milhões, o número de mortos na Primeira e na Segunda Guerra Mundiais; além de mortes nas várias guerras coloniais, repressões, conflitos étnicos e vitimas da fome e da desnutrição, chegando a uma cifra estimada da ordem de cem milhões de mortes atribuídas ao Capitalismo e a sua implantação no mundo, durante o século XX. O Capitalismo tem sobrevivido em meio a crises cíclicas, tem consumido o meio ambiente de uma forma sem precedentes na história da humanidade, tem proporcionado inúmeras guerras motivadas por disputa de matérias primas e de mercados consumidores, tem acumulado déficits fiscais na maior parte dos países e gerado uma legião de pobres e miseráveis nos países periféricos do Terceiro Mundo.

Relativamente ao Fascismo, após 1922 diversos países foram influenciados pela sua ideologia: Itália, Hungria, Suíça, Bulgária, Áustria, Albânia, Brasil, África do Sul, Espanha, Portugal, Romênia, Finlândia, Bélgica, Grã Bretanha, Japão, China, Iraque e Argentina. Embora não disponhamos do número total de mortes causadas pelo Fascismo em todo o mundo, apenas na Campanha da Abissínia (atual Eritréia), meio milhão de africanos morreram, além de cinco mil italianos. Formalmente, o Fascismo como forma de governo não mais existe; existindo alguns governos Neo-Fascistas, que se escondem por detrás de uma capa democrática.

No relativo ao Anarquismo, movimento inspirado pelo russo Mikhail Bakunin, em meados do século XIX, o mesmo influenciou diversos acontecimentos políticos, como as Comunas de Lyon e de Paris, a Insurreição Anarquista de 1918, no Rio de Janeiro, e a Revolução Espanhola de 1936. Não saberíamos dizer quantos morreram ou foram sacrificados na tentativa vã de sua implantação, que não chegou a concretizar-se.

Movimentos de cunho Nacionalista têm se verificado, ao longo da história, em diversos países do mundo. Na Europa, destacam-se o Pan-Eslavismo, o Pan-Germanismo e o Revanchismo Francês. Na Irlanda, o Movimento Nacionalista Irlandês, colocou em lados opostos católicos e protestantes (dominados e dominadores). Desde 1846, milhares de vítimas têm sido contabilizadas, nesta disputa pelo poder naquele país. Os movimentos nacionalistas antiocidentais, surgidos no oriente Médio, na África, na Ásia Meridional (incluindo Índia, Paquistão e Sudeste Asiático), têm suas origens nos grupos fundamentalistas existentes no século XIX. No século XX, os Estados Unidos da América e o Reino Unido, no âmbito da Guerra Fria, apoiaram a ascensão destes grupos no Oriente Médio e na Ásia Meridional, como forma de oposição à expansão soviética na região. Após a ascensão destes movimentos, voltaram-se eles contra os países ocidentais. Ainda durante o período da Guerra Fria, na América Latina, surgiram diversos Movimentos de Libertação Nacional que, embora de cunho nacionalista, tinham por base a ideologia comunista.

O Socialismo existe em alguns poucos países desenvolvidos da Europa que, no entanto, ainda fazem uso do sistema capitalista de produção. Nestes países, a renda é bem distribuída, os serviços sociais e de infraestrutura funcionam bem; principalmente, por serem países ricos, com poucas populações e com elevados níveis educacionais, características estas encontradas em apenas poucos países ao redor do mundo.

Se levarmos em consideração os holocaustos indígenas (durante a colonização do Continente Americano); a Revolta Circasiana, de 1860 (Cáucaso e Chechênia); o Massacre dos Hererós e dos Namaquas (1904/1907), na África; o holocausto Ucraniano (1932/1933), pelos soviéticos; o holocausto dos Curdos (1937/1938), pela Turquia; o massacre dos Armênios (1915/1917), pela Turquia; o massacre dos Sérvios, pelos Alemães, durante a Segunda Guerra Mundial; o genocídio dos Bengalis (1971), pelo Paquistão; o massacre do Timor - Leste (1975/1999), pela Indonésia; o genocídio da Bósnia (1992/1995), pelas forças da Sérvia; o massacre dos Tutsis (1994), em Ruanda; o massacre dos Tibetanos (a partir de 1950), pela China; o genocídio Cambojano (1975/1979), pelo Khmer Vermelho; a Guerra do Vietnam; a Guerra do Afeganistão; a Guerra do Golfo Pérsico e a Guerra da Palestina; além de inúmeras outras não consideradas, veremos que milhões de seres humanos têm perdido a vida em nome de ideologias e de suas implantações em todo o mundo. Os carrascos que matam por ideologia, igual àqueles que matam por religião, não sentem remorsos nem imaginam ter praticado um crime; mas, apenas, um justiçamento necessário de um inimigo ideológico que faria o mesmo com eles.

No que respeita ao lado psicológico da questão, todos nós conhecemos a existência dos chamados ‘serial killers’, os assassinos em série psicóticos, sádicos e bárbaros.

No artigo ‘O perfil psicológico dos assassinos em série e a investigação criminal’ encontramos: “A maioria das pessoas tende a imaginar o serial killer como uma pessoa louca ou doente mental, o que se verifica não ser verdade na maioria dos casos. Há, no entanto, consenso de que os assassinos seriais possuem ligações íntimas com a psicopatia e a psicose, que são desvios mentais distintos. A psicose é uma doença mental que provoca uma alteração na noção da realidade, onde um mundo próprio se forma na mente do psicótico, ou seja, ele vive num delírio e sofre alucinações, ouvindo vozes e tendo visões bizarras. As formas mais conhecidas de psicose são a esquizofrenia e a paranoia. Apenas uma reduzida parcela dos assassinos em série se enquadra no lado dos psicóticos, o que derruba a crença popular de que todo serial killer é louco. Por outro lado, a psicopatia afeta a mente do assassino de forma diversa. Não cria nenhum tipo de ilusão na mente, ou seja, o indivíduo vê claramente a realidade e sabe que é proibido matar, porém suas perturbações mentais os fazem ser frios e sem empatia. Basicamente o serial killer psicopata vive uma vida dupla, mantendo uma aparência voltada para a sociedade, muitas vezes sendo uma pessoa gentil, racional e que interage com o meio social, porém, sua verdadeira identidade é mostrada somente para suas vítimas: um ser dissimulado e incapaz de sentir pena e de obter satisfação com tortura, estupro e assassinato”.

Vigora, pois, um instinto assassino nestas pessoas, que matam sem sentir prazer em matar, mas, somente, por uma compulsão interna incontrolável.

Existem, ainda, aqueles indivíduos que sentem prazer em matar; talvez em razão da descarga de adrenalina que se produz antes e durante o ato e do sentimento de poder que experimentam na ocasião. É o caso de muitos policiais em seus enfrentamentos com criminosos, de muitos soldados em operações de guerra, de criminosos durante suas ações, etc.

Ademais, pessoas também são levadas a cometer abusos por não saberem dizer não a uma ordem recebida ou por não terem coragem de contrariar um superior hierárquico que temem.

Uma experiência científica desenvolvida pelo psicólogo Stanley Milgram, relativamente à execução de tortura e a morte do torturado, tinha como objetivo responder à questão de como é que os participantes observados tendem a obedecer às autoridades, mesmo que as suas ordens contradigam o bom-senso individual. A experiência pretendia inicialmente explicar os crimes bárbaros do tempo do Nazismo. Em 1964, Milgram recebeu por este trabalho o prémio anual em psicologia social, atribuído pela American Association for the Advancement of Science. Os resultados da experiência foram apresentados no artigo Behavioral Study of Obedience no Journal of Abnormal and Social Psychology (Vol. 67, 1963 Pág. 371-378) e, posteriormente, no seu livro Obedience to Authority: An Experimental View 1974.

Milgram resume o seu experimento da seguinte maneira:

“Os aspectos jurídicos e filosóficos da obediência têm enorme significado, mas dizem muito pouco sobre como as pessoas realmente se comportam numa situação concreta e particular. Eu projetei um experimento simples em Yale, para testar quanta dor um cidadão comum estaria disposto a infligir a outra pessoa somente por um simples cientista ter dado a ordem. Foi imposta autoridade total à cobaia [ao participante] para testar as suas crenças morais de que não deveria prejudicar os outros, e, com os gritos de dor da vítima ainda zumbindo nas orelhas das cobaias [dos participantes], a autoridade falou mais alto na maior parte das vezes. A extrema disposição para seguir cegamente o comando de uma autoridade mostrada por adultos foi o resultado principal do experimento, e que ainda necessita de explicação”.

O último aspecto da questão, o do verdugo mercenário, trata daqueles que matam por dinheiro, como se a sua fosse uma profissão como qualquer outra. A principal característica deste carrasco é que não se interessa em saber o crime que o condenado cometeu, ficando alheio aos pedidos de clemência da vítima. Apenas exerce o seu trabalho como forma de se manter e a sua família, conseguindo dormir tranquilamente à noite. Sua própria esposa (se a tem), quase sempre não sabe a profissão do marido, que viaja com frequência executando a pena capital em várias localidades.

Exerce sua profissão sem qualquer problema, até que o envelhecimento e a maturidade façam despertar sua consciência para os atos que praticou. A partir de então passa a se constituir em uma pessoa amargurada e corroída pelo remorso.

Eu, certa feita, presenciei uma entrevista com um ‘Sniper’ norte americano responsável pela morte de centenas de Vietcongs durante a guerra do Vietnam. A entrevista foi realizada nos USA, anos depois de seu retorno do teatro de guerra. 

O ‘Mariner’ declarou que não conseguia conciliar o sono à noite. Em sua mente via sempre as centenas de cabeças que explodiu com seu fuzil de franco atirador. Tinha plena convicção de que, após a sua morte, responderia, junto ao Criador, por aqueles atos que havia cometido. Tinha, naquela ocasião, que tomar tranquilizantes e remédios para poder dormir, somente, algumas horas por dia.

Embora se tratasse de um soldado voluntário, imagino que não estivesse plenamente convencido de que lutava do lado do bem, razão do seu tardio remorso.   

_*/ Economista, MS e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.



terça-feira, 6 de julho de 2021

 422. Sobre juramentos, tratados e acordos 

Jober Rocha


No ano de 1939, pouco antes de começar a Segunda Guerra Mundial, Hitler e Stálin assinaram um acordo de paz e de não agressão, com duração de dez anos, denominado Pacto Germano-Soviético; entretanto, o pacto foi rompido pelos nazistas em 1941. 

Dizem muitos historiadores que alguns assessores de Hitler, na ocasião dos preparativos para a invasão da União Soviética, teriam lembrado ao líder nazista sobre a existência do tratado de não agressão. Hitler, naquela oportunidade, teria declarado: - Para que servem os acordos senão para serem rompidos?

Antes deste fato inúmeros líderes de reinos, impérios, cidades estado, países, nações, tribos e bandos, já haviam agido da mesma forma. Depois dele, ainda, continuam agindo. A atitude de Hitler, portanto, não chegou a me surpreender, evidentemente.

Da mesma forma ocorre com os juramentos, como aqueles proferidos, por exemplo: 

Pelos amantes católicos que se casam (Eu aceito você como meu legítimo esposo/esposa e prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe); 

Por profissionais de algumas atividades liberais, como a Medicina (Exercerei a minha arte com consciência e dignidade. A Saúde do meu Doente será a minha primeira preocupação. Mesmo após a morte do doente respeitarei os segredos que me tiver confiado. Manterei por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão médica), o Direito (Prometo manter, defender e cumprir os princípios e finalidades da minha organização, exercer com dedicação e ética as atribuições que me são delegadas e pugnar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização da advocacia), a Economia (Perante Deus, eu juro fazer da minha profissão de Economista um instrumento de não valorização pessoal, mas sim utiliza-la para a promoção do bem-estar social e econômico do meu povo e minha nação, cooperar com o desenvolvimento da Ciência Econômica e suas aplicações, observando sempre os postulados da ética profissional), outras profissões liberais;

Por organizações esotérico-religiosas (Juro e prometo de minha livre vontade e por minha honra e pela minha fé, em presença de Deus e perante esta assembleia, solene e sinceramente, nunca revelar quaisquer dos mistérios que me vão ser confiados; nunca os escrever, gravar, imprimir ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los);

Pelos militares (Incorporando - à Marinha; ao Exército; ou à Força Aérea - prometo cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado, respeitar os meus superiores hierárquicos, tratar com afeição os irmãos de armas, com bondade os subordinados e dedicar-me inteiramente ao serviço da pátria; cuja honra, integridade e instituições, defenderei com o sacrifício da própria vida);

Pelos políticos (Prometo manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo e sustentar a união, a integridade e a independência do país).


Tais juramentos, com algumas variações locais decorrentes das idiossincrasias de cada povo, são repetidos, anualmente, por aqueles que contraem matrimônio católico, por todos os profissionais liberais que se formam ou por todos os militares que iniciam a carreira das armas, nos 195 países do mundo, fato que não os impede de serem rompidos tão logo se apresentem razões supervenientes ou que a vida se encarregue de demonstrar, a cada um de seus atores, que juramentos, pactos e acordos, nada mais representam que demonstrações momentâneas de intenções.

Tanto é assim, que os desquites, divórcios e separações ocorrem frequentemente em todos os países, em que pesem os juramentos feitos pelos noivos com os olhos brilhantes e, por vezes, rasos d’água e o coração batendo forte de emoção.

Tanto é assim que médicos, advogados, economistas, etc., violam, diariamente, em todos os países, os juramentos profissionais que, com voz embargada, efetuaram em suas formaturas; sem culpa e sem remorso de atos praticados depois e que conflitam com o velho e já esquecido juramento. 

Tanto é assim que, com o advento da WEB e das redes sociais, todos aqueles considerados segredos esotérico-religiosos podem ser encontrados na Internet;

Tanto é assim que militares observam as constituições de seus países sendo rasgadas por políticos e magistrados, diariamente, sem nenhuma reação; como se a manutenção da integridade da Carta Magna não fosse atribuição suas e em defesa da qual ofereceram a própria vida em um passado distante.

Tanto é assim que muitos políticos trabalham contra os interesses dos seus eleitores e da nação, preocupados que estão, apenas, em angariar para si dinheiro público e privado e em conspirar contra o presidente e seus ministros, rasgando a Constituição, tornando-nos dependentes do exterior e conspirando contra a nossa integridade territorial.

Tanto é assim que os países conspiram uns contra os outros visando seus interesses particulares, que se sobrepõem, fazendo com que, muitas vezes, cheguem ao auge de iniciarem guerras entre si; embora possuam acordos comerciais e tratados de não agressão com o novo inimigo.

Todos os dias a Mídia divulga alguma notícia sobre tais fatos, aos quais já nos acostumamos e deixamos, a muito, de sentir revolta e de demonstrar nossa indignação publicamente.

O silêncio das maiorias honestas, porém acomodadas e desinteressadas por política, é que permite a ocorrência de fatos desta natureza, que, quase sempre, as prejudicam e que só beneficiam seus autores e os grupos de interesses ideológicos e/ou quadrilhas de assaltantes dos cofres públicos das quais alguns fazem parte.

É preciso que como consumidores, eleitores, fiéis, telespectadores, leitores, contribuintes, trabalhadores, alunos, cidadãos façamos valer os nossos direitos, exigindo que as autoridades cumpram com seus deveres e obrigações. Somos nós que mantemos as engrenagens, que muitas vezes nos massacram, funcionando. Temos o poder de pará-las, mas nos falta coesão necessária e entendimento sobre como proceder para tanto.

Devemos ser menos crédulos com respeito a promessas e juramentos alheios, sabendo que os interesses pessoais e de grupos têm o poder de transformá-los em pó. Devemos procurar fazer escolhas melhores, notadamente em se tratando de candidatos a cargos políticos eletivos. Devemos ser mais céticos com respeito às notícias veiculadas pela mídia venal, cuja verdade proclamada é aquela de quem paga mais. Devemos nos precaver contra os estelionatários da fé e contra os vendilhões do templo, que vêm na religião e no esoterismo simplesmente uma forma de ganhar dinheiro. 

Os militares e servidores do Estado devem ter sempre em mente aquilo que já vigora no ordenamento jurídico; isto é, a determinação de que ordem manifestamente ilegal não se cumpre. Tal situação configura causa excludente de culpabilidade, qual seja, inexigibilidade de conduta diversa, conforme preconiza o artigo 22 do Código Penal Brasileiro, que tem como rubrica legal “Coação irresistível e obediência”.

Lembremo-nos que o filósofo guerreiro e general estrategista chinês Sun Tzu (544 a.C – 496 a.C), em sua obra ‘A Arte da Guerra’, já mencionava: "Os generais são servidores do Povo. Quando seu serviço é completo, o povo é forte. Quando seu serviço é defeituoso, o povo é débil”. 


domingo, 6 de junho de 2021

 421. Considerações Extemporâneas* 



Jober Rocha**


Um dia desses li no Whatsapp um artigo escrito por um coronel de infantaria, da Turma Marechal Castelo Branco, falando acerca do pronunciamento de um general. O coronel criticava uma nota do general divulgada pela grande mídia e o acusava de arrogância, deslealdade, desunião, desrespeito e ingratidão com relação ao exército, aos seus comandantes e ao Presidente da República.

As forças armadas, todos sabemos, sempre tiveram, ao longo da nossa história, papel importante na manutenção da soberania brasileira, da união nacional, da ordem e do progresso. Algumas vezes funcionou como um quarto poder, moderador, visto que naquelas ocasiões a sua intervenção tornou-se necessária para colocar o país no rumo.

Embora sejam vedados aos oficiais generais pronunciamentos políticos e a politização das forças sob seus comandos, é óbvio que o generalato se trata de um cargo político. Como tal, nem sempre os melhores e mais aptos são os escolhidos, pois esta escolha é feita pelo Presidente da República do momento em uma lista tríplice onde, normalmente, coronéis opositores e ideologicamente contrários ao seu governo, não costumam entrar.

Muitas vezes, excelentes coronéis operacionais não fazem parte desta lista, preenchida que é por coronéis medíocres (no sentido de estarem na média da turma a que pertencem), mas bajuladores e afinados ideologicamente com o partido no governo. Essa é a verdade, com inúmeras e honrosas exceções que faço questão de destacar, embora muitos se recusem a nela acreditar. Em países mais desenvolvidos, o generalato é muito mais um cargo técnico que político, ao contrário daqui onde é muito mais político do que técnico.

A explicação é simples: tais países, desde o fim da Segunda Guerra Mundial até os dias atuais, sempre estiveram envolvidos em guerras localizadas onde puderam testar seus próprios equipamentos bélicos e suas novas tecnologias táticas e estratégicas. Neste contexto, os generais devem ser mais técnicos que políticos. A política fica para o parlamento e a diplomacia, já que em democracias fortes não existe a necessidade de um quarto poder moderador.

O Brasil, depois de pequena participação naquele conflito mundial já mencionado, só se envolveu, desde então, em umas poucas e eventuais missões de paz promovidas pela ONU. A nossa doutrina constitucional (Art.4º, VII, da Constituição Federal) repudia a guerra, quando reza: “Defesa da paz e solução pacífica dos conflitos”. Ao contrário da dos USA, que diz: “Defender os interesses norte americanos em qualquer lugar do planeta”. Estes se tratam, como podemos ver, de pontos de vista totalmente opostos.

Por esta razão, as indicações ao generalato, aqui, dão-se ao luxo de serem políticas e não técnicas. País que não se envolve em guerras não necessita de generais “técnicos em guerra”. Ademais, durante os quase trinta anos de governos de esquerda, os governantes se ocuparam em sucatear as forças armadas, tanto em equipamentos bélicos quanto em pessoal. Objetivavam enfraquecer militarmente o país para a implantação, sem reação, de um governo comunista. Tanto é assim que, mesmo contra a vontade do povo manifestada em um plebiscito, os governos de esquerda desarmaram a população e deixaram as facções criminosas se armarem e controlarem partes do território nacional; ou seja, as comunidades periféricas aos grandes centros urbanos.

Ao mesmo tempo, os governantes de esquerda também politizaram o STM e o STF com suas indicações de ministros, muitos dos quais jamais foram juízes, desembargadores ou mesmo chegaram a advogar. Em poucos anos, todo o estamento burocrático do Estado, que comanda o ramo civil e militar da administração, com aparelhamento próprio, invadiu e dirigiu as esferas econômica, militar, judicial, política e financeira do país.

O governo Bolsonaro, embora contasse com o apoio do povo que o elegeu, defrontou-se, de início, com um enorme contingente de servidores muito bem remunerados, dos três poderes, totalmente contra o seu governo de moralidade e honestidade. Aos poucos, todavia, o presidente foi se livrando das más companhias que havia escolhido para ajuda-lo a administrar o país e conseguindo vencer inúmeras barreiras que lhe impunham os demais poderes, impedindo-o de governar. Suas obras falam por si mesmo. Em pouco tempo conseguiu terminar obras inacabadas dos governos de esquerda, que consumiam rios de dinheiro. O próprio jornal Wall Street, que tantas críticas fez ao governo Bolsonaro, recentemente relatou em matéria na página principal que a economia brasileira voltou ao patamar de antes do Covid 19, com a criminalidade despencando aos níveis mais baixos da história recente do país, recordes na produção de grãos e tendo-se tornado o maior exportador de carne do mundo. Empresas estatais que antes davam prejuízos hoje estão dando lucros jamais vistos, obras estruturais de ferrovias e rodovias em pleno vapor.

A grande imprensa nacional, que costuma vender sua opinião aos que pagam mais, ao ver estancarem-se as verbas públicas para divulgação dos atos do governo, como era tradicional nos governos passados, começou uma campanha firme para derrubar o presidente através de impeachment.

Esta campanha ainda está em andamento; mas já não conta com a força inicial de que dispunha segundo penso.  O povo brasileiro está mais consciente das armadilhas contra o presidente e percebe que ele é a pessoa indicada para fazer o país retornar ao crescimento e livrar-se, de vez, dos corruptos e dos comunistas ainda encastelados no poder.


_*/ Título de uma obra do filósofo Friedrich Nietzche

_**/ Da Academia Brasileira de Defesa. Economista, M.S e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.


domingo, 11 de abril de 2021

 419. Estranho, muito estranho...


Jober Rocha*


O Brasil conta, na atualidade, com 212 milhões de habitantes. Do total de eleitores, que monta a 148 milhões, cerca de cinquenta e oito por cento votaram em Jair Bolsonaro; certamente, por se sentirem insatisfeitos com as três décadas de governos de esquerda, onde a tônica foi o roubo de recursos públicos, a formação de quadrilha, o aparelhamento do Estado em seus três poderes, o tráfico de divisas e de drogas, as concorrências fraudadas, o nepotismo e a tentativa de implantação de um governo socialista bolivariano, eufemismo de um governo comunista.

A vitória de Bolsonaro, candidato sem recursos, de partido pequeno, com dificuldades para obter um vice, contra a corrupção institucionalizada, vítima de uma tentativa de assassinato; considerando que o governo de então detinha o controle das eleições e de suas apurações, e que inúmeras denuncias apontaram fraude na eleição passada de Dilma Roussef, foi, de certa forma, muito fácil. Digo isto por que, caso o sistema de esquerda, já implantado no país através do Foro de São Paulo, desejasse outro resultado na eleição de 2018, seria muito fácil obtê-lo. A própria prisão de Luís Inácio Lula da Silva, como a de Sergio Cabral, parece ter sido vingança por acordos espúrios não cumpridos. Tantos roubaram tanto, desde há muito, reconhecidamente, e nada lhes aconteceu por isto.

Fico imaginando se, há vários anos, já estivesse previsto, pelos donos do mundo, o lançamento de um vírus fabricado, que daria um reset em todo o planeta, reduzindo o consumo dos recursos naturais e ambientais e, notadamente a população, da ordem de 7 bilhões de seres humanos. Consequentemente, o número de indústrias e a produção mundial seriam reduzidos, o comércio e os empregos também, além de eliminar parcela substancial da humanidade que pesa nas folhas de pagamento e na previdência social. A robótica e a inteligência artificial já chegaram para substitui-los eficazmente, assim pensam aqueles que comandam o planeta. A esquerda, evidentemente, não gostaria que seus governos fossem responsabilizados pelo caos que se seguiria.

Certamente, iriam querer atribuir todo caos e confusão à direita. Isto, caso a minha hipótese seja verdadeira e o plano para o lançamento do vírus já estivesse pronto para ser desfechado, desde há algum tempo.

Inúmeros especialistas em informática já afirmaram que as máquinas eleitorais aqui utilizadas e fabricadas na Venezuela, são facilmente fraudáveis. Não vejo razão plausível para que os partidos políticos não recebam comprovantes dos votos que seus candidatos receberam nas urnas. A não ser o desejo de os organizadores esconderem os verdadeiros resultados. E assim, o sistema implantado elegeu Jair Bolsonaro como boi de piranha.

Eleito presidente Jair Bolsonaro, o governo do país se transferiu, a sua revelia, para o STF, para a Câmara e para o Senado. Os 58 milhões de eleitores sentiram-se totalmente frustrados. A parceria entre o judiciário e o parlamento assumiu o controle do país de forma ilegal e inconstitucional, mas, de fato.

Com a retirada dos poderes do presidente no que tange a atual Pandemia de Covid 19 (poderes que não sejam, unicamente, os de liberar recursos federais) e as suas outorgas aos governadores e prefeitos, o presidente viu-se de mãos amarradas para impedir o descalabro, a prepotência, a má fé de muitos políticos desejosos de aprofundar a crise em seus Estados, de forma a macular e comprometer o governo federal atribuindo-lhe a culpa pela recessão econômica, pelo desemprego, pela inflação e pelo desabastecimento da população.

Digo isto por que na maioria dos países as autoridades Estaduais e municipais buscam combater o vírus, sem a implantação do chamado lockdown; enquanto aqui se busca, ademais de desviar dinheiro público destinado ao combate da pandemia, combater o governo federal e o seu presidente, provocando recessão econômica e desemprego.  Tanto è assim que o Brasil é a única grande economia que aparece com desaceleração, enquanto em todas as outras a situação varia entre “crescimento constante” ou “aumento da expansão”.

Por outro lado, também acho muito estranho o fato de que a parcela maior dos prejudicados com o lockdown não se manifeste através de seus sindicatos e órgãos de classe e que estes não convoquem seus membros para passeatas pelas ruas das cidades, reivindicando o fim do lockdown. Inúmeros profissionais liberais e comerciantes tiveram que cerrar suas atividades, por falta de clientes ou por não poderem manter abertos seus comércios, escritórios e consultórios. Reclamam entre si, mas não vão para a porta dos conselhos regionais, OAB, sindicatos, associações de classe, etc. reclamar o fim do lockdown, cujo caráter, sabemos, é meramente político. Será que os sindicatos existentes encontraram novas fontes de recursos que, agora, já prescindem de seus associados? Será que o crime organizado e as fações criminosas estão sustentando os desempregados da periferia, agora que os criminosos foram libertados das cadeias por ordem superior, sob o argumento frágil de não se contaminarem com o vírus, posto que as autoridades estabeleceram o lockdown para os cidadãos de bem enquanto soltaram os criminosos já confinados? Serão, esses criminosos soltos, os lideres dos moradores das periferias desempregados, em alguma convulsão social que se avizinha em futuro próximo?

A taxa de desempregados no Brasil, hoje, é de 14.2%, representando 14,3 milhões de pessoas, a maioria oriunda das classes mais pobres. Estes, no entanto, não são vistos nas inúmeras passeatas e movimentos populares já realizados no governo Bolsonaro. Será que os recursos do Bolsa Família e do Auxílio Emergencial são suficientes para mantê-los em casa? Estes recursos, no entanto, não poderão ser mantidos por muito tempo mais.

Por causa da queda de receita e dos gastos extras decorrentes da pandemia de covid-19, o governo projeta que a União fechará o ano com déficit recorde de R$ 812,2 bilhões, o equivalente a 11,3% do Produto Interno Bruto. A dívida brasileira monta a cerca de 5 trilhões de reais. Em breve não haverá dinheiro para pagar o funcionalismo, nem para investimentos públicos.

As manifestações que se veem, na atualidade, parecem mais movimentos partidos da classe média, de donos de empresas, de comerciantes e de profissionais liberais, do que de empregados da periferia que perderam os seus empregos e estão famintos e desabastecidos. A crise, parece, ainda não ter atingido o fundo do poço.

Evidentemente, nós, os escritores que não fazemos parte nem dos donos do mundo, nem das autoridades governamentais, apenas podemos especular e trabalhar com a ficção, dando vazas a imaginação.

No entanto, creio que existe alguma verossimilhança em tudo aquilo mencionado, embora eu não possa afirmar serem verdadeiras todas as suposições levantadas.

O nosso povo, além de acomodado, é crédulo, inocente, despolitizado e subserviente. A esquerda aparelhada nos três poderes sabe bem disso, razão pela qual não tem nenhum receio de agir da forma temerária como age. Se não for contida, agora, em suas pretensões, logo a miséria tomará conta do nosso país, como ocorreu com a nossa vizinha Venezuela.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.


sexta-feira, 9 de abril de 2021

418.  A Humanidade precisa de novas religiões ou as religiões precisam de uma nova humanidade?


Jober Rocha*


Em um texto anterior, lembro-me de tê-lo iniciado com a seguinte afirmação: 

    “Na sociedade humana dos dias atuais, entorpecida em virtude da corrupção, dos males da pobreza e do desemprego, da degradação ambiental, da extinção de recursos naturais, das epidemias e enfermidades, da violência, etc., muitos indivíduos sentem-se inclinados a abraçar alguma religião ou, até mesmo, a se dedicarem a uma vida monástica, de modo a se subtraírem de um mundo cuja estruturação e modo de administração não lhes agrada, cuja repartição das riquezas lhes repugna a razão e cuja existência quotidiana não lhes oferece senão padecimentos”.  “O caminho natural para estes indivíduos é o da busca por uma religião que realmente os reconforte, tanto para os que são ateus quanto para aqueles que já possuem alguma religião; religião esta, porém, que não satisfaz plenamente aos seus anseios”.

O que se nota é que muitas pessoas religiosas seguem uma tendência da raça humana, qual seja, a de acreditar em um Criador de todas as coisas e de prestar-lhe homenagens, reconhecimento e servidão, entregando aos seus sacerdotes a responsabilidade por fazer a ponte entre ambos. Dependendo do continente onde hajam nascido e da religião de seus pais, o costume natural deles, desde criança, é o de adotarem esta mesma religião dos pais, devido a pressão que sofrem na família e na sociedade.

Ocorre que todas as religiões existentes no planeta, pregam aos seus seguidores, que, somente por intermédio dela e de suas práticas, conseguirão a cura de enfermidades, o sucesso nas vidas particular e profissional; um lugar no céu das divindades; em suma, promessas de felicidade plena que nenhuma delas está apta a cumprir. Em retribuição por esta suposta prestação de serviços, são regiamente remunerados pelos fiéis. De uma maneira geral, as religiões que servem a um mesmo Deus, deveriam se ajudar mutuamente e se unir em prol de um objetivo comum. Paradoxalmente, são inimigas entre si e cada uma se proclama como a única verdadeira, aquela que conduzirá o adepto ao reino dos Céus.

Aqueles que as seguem, por sua vez, apresentam-se como pessoas corretas, honestas, caridosas, humildes, bondosas etc. , virtudes estas que a maioria delas não possui e que está longe de possuir. Ao não alcançarem o sucesso que almejavam, o seu insucesso passa a ser creditado à pouca fé que possuíam ou ao pouco recurso que desembolsaram para consegui-lo junto às divindades.

O cenário atual, no meu modo de ver, transformou-se, com o passar do tempo, em um jogo de faz de conta: As religiões em seus cultos, a troco de dinheiro, prometem aquilo que não podem cumprir e seus seguidores fazem de conta que são boas pessoas e que desejam prestar homenagens ao Criador de todas as coisas, através dos cultos daquela religião, em troca dos favores que pensam irão receber deste mesmo Criador.

Desta forma, as consciências culpadas, tanto de um lado quanto do outro, se aplacam e todos podem colocar suas cabeças nos travesseiros e dormir em paz, sonhando com um futuro glorioso...

Imagino, todavia, que grande parcela da humanidade atual já não acredita em mais nada. De tanto ver as autoridades se locupletando e agindo contra o povo, de tanto ver religiosos se aproveitando da crendice, ingenuidade e ignorância popular, de tanto ver a justiça vendendo sentenças e o parlamento se prostituindo, a Mídia propagando mentiras diariamente e produzindo desinformação e contrainformação a favor daqueles que pagam mais; qualquer ser humano, por mais medíocre que seja, percebe que algo está errado e que este sistema atualmente implantado já não o satisfaz.

O tão falado Contrato Social, que no passado foi firmado entre as autoridades e o povo, hoje já não faz mais sentido devido às suas clausulas leoninas, onde um lado pode tudo (Três Poderes) e o outo lado não pode nada (povo).

Ocorre-me, nesta hora, uma famosa frase atribuída a Santo Agostinho: "Se não há Justiça, o que é o governo senão um bando de ladrões”?

Creio que grande parte dos seguidores das religiões o faz, na atualidade, por uma ou mais destas razões; por ingenuidade; por desconhecimento histórico de suas origens; pela necessidade de uma crença em dias melhores, nesta época de crise; objetivando receber benesses e favores do Criador; etc.

No texto de número 267 deste blog, existe um resumo sobre todas as religiões, onde os leitores interessados poderão melhor se informar sobre os diversos aspectos de cada uma.

Entretanto, a se acreditar nos princípios 4, 5 e 6 do Caibalion, princípios estes herméticos que regeriam todas as coisas do Universo e que foi atribuído a Hermes Trismegisto, que exerceram grande influência na filosofia grega do século III e voltaram à tona durante a Idade Média e o Renascentismo, podemos, seguramente, imaginar, para o futuro da raça humana, novas formas de religião.

 4 - O Princípio da POLARIDADE: "Tudo é duplo, tudo tem dois polos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliáveis”.

(Na quarta lei hermética, entendemos que vivemos em um mundo polarizado. Tudo tem uma dualidade: o quente e o frio, o claro e o escuro, esquerda e direita, bem e mal... Quando associamos o princípio da polaridade com o da vibração, porém, compreendemos que as dualidades são duas faces da mesma moeda - em graus diferentes. O escuro não é nada além da luz ausente; a saúde é ausência de doença. A dualidade é, também, a unidade).

A se acreditar neste principio, mal e bem, virtude e vício, crença e descrença são a mesma coisa. Todos os paradoxos são reconciliáveis; ou seja, não existem. Logo, todas as religiões nada mais são do que fábulas, mitos ou mitologias criadas pelo homem. Assim, nada impede que surjam outras no futuro.

5 - O Princípio do RITMO: "Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, o ritmo é a compensação”.

(Na quinta lei hermética, entendemos que vivemos em uma dinâmica de ciclos. Tudo o que vai, volta, e vivemos em uma vibração eterna de atração e repulsão, de inspiração e expiração. Assim como podemos estar por cima, certamente voltaremos para baixo, e isso vale tanto para movimentos físicos como o dos astros, frequências mentais e padrões de relacionamento. Por meio da Neutralização, é possível conquistar maior estabilidade dos ritmos).

A se acreditar neste principio, as épocas e seus costumes sempre mudam. O que já ocorreu retorna e o que hoje ocorre retornará algum dia; logo, novas religiões poderão surgir futuramente enquanto as atuais poderão fenecer.

6 - O Princípio de CAUSA E EFEITO: "Toda causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade, mas nada escapa à Lei”.

(Na sexta lei hermética, compreendemos que as coincidências nada mais são do que acontecimentos nos quais as causas ainda não foram esclarecidas. Toda ação tem uma reação e nada é por acaso. Ao dominar os princípios desta lei, é possível ser o agente causador e não apenas sentir os efeitos, de modo que possamos propagar o bem. Quando tal mecanismo é dominado, nos tornamos mestres de nós mesmos).

A se acreditar neste principio, vemos que nada acontece por acaso e que toda ação possui uma reação. Logo, a vida humana estará sempre em mudança e nada do que hoje ocorre durará para sempre, inclusive as religiões.

Ainda, segundo este princípio, imagino que a própria raça humana deverá evoluir física e mentalmente, transformando-se em uma espécie distinta da atual. Qualquer efeito atual, embora tenha uma causa, provocará a causa para novo efeito e assim sucessivamente.

Finalizando, creio que ambas as coisas deverão ocorrer futuramente, A Raça humana se modificará e as religiões também. Muitas delas já não resistem às novas questões suscitadas pela Ciência, pela Tecnologia e pela Filosofia, demonstrando que se fossem criadas por um Deus seriam, para sempre, coerentes e atuais. Como elas foram criadas por seres humanos; possuem inúmeros erros factuais e conceituais atinentes ao nível de conhecimento da época em que foram escritas, que são encontrados nos diversos livros considerados sagrados pelas várias religiões, e explicações que não convencem e, por isso, são consideradas como dogmas (ponto fundamental de uma doutrina religiosa, apresentado como certo e indiscutível; porém, sem nenhuma prova).

Espero que a espécie humana caminhe para a sua expansão com respeito à conservação e a preservação do planeta que habitamos e das demais espécies que conosco convivem. Espero que a nova religião atinja o coração e a mente de todos nós e não de somente alguns. Que aqueles que nos governam parem de pensar, apenas, no bem estar de si mesmo e de seus grupos, para pensar no bem estar de todos os habitantes.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.





sábado, 3 de abril de 2021

 417. A História sempre se repete. A primeira vez como tragédia e a segunda como farsa (Karl Marx)

Jober Rocha*


Na obra “Guerreiros de Hitler”, de Guido Knopp, nós encontramos que antes e durante o Julgamento de Nuremberg, após o fim da Segunda guerra Mundial, a maior parte dos militares nazistas alegou obediência militar e negou qualquer culpa nos eventos criminosos de que participaram.

Um general chamado Beck, todavia, desde o início da guerra declarara: “A obediência de um soldado tem limites, que é quando o conhecimento, a consciência e a responsabilidade proíbem o cumprimento de uma ordem”. Muito poucos militares, no entanto, tiveram coragem de oferecer resistência ativa aos criminosos que controlavam o país, naquela ocasião.

Buscando ascensão nas carreiras, a maioria deles se apegou ao dubio conceito de dever e a tradicional obediência do soldado, que no dizer do teólogo Dietrich Bonhoeffer “O homem que é guiado por deveres e obediências acabará servindo ao próprio diabo”.

A única forma de por um fim a catástrofe nazista, naquela ocasião, era reconhecida pelos militares como alta traição, pois, conforme conceito da época, generais não se rebelam.

O livro de Knopp tenta desvendar por que os principais marechais e generais de Hitler usaram de suas habilidades a serviço de um déspota assassino; o que eles sabiam sobre os crimes do regime; até que ponto eles estavam implicados nestes crimes; quais os limites da obediência militar.

Não me deterei nos comentários do livro, pois são extensos e, certamente, ultrapassariam as quatro ou cinco páginas de um artigo como este.   

Meu objetivo é o de enfatizar que estes comportamentos não findaram com o término da guerra. Em inúmeros países, comandados por déspotas ou por cleptocracias, eles continuam a existir, exatamente da mesma forma como na Alemanha Hitlerista.

Uma única diferença eu percebo, todavia, nestes comportamentos: Os marechais e generais de Hitler provinham da nobreza e das classes de renda mais altas da Alemanha, enquanto que na atualidade, na maioria dos países dominados por déspotas ou por cleptocracias, os generais são oriundos das classes populares. Costuma-se dizer em nosso país que “as forças armadas são o povo fardado”.

Em seu Art. 1º, a Constituição Federal de 1988, declara: A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I - a soberania;

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa

V - o pluralismo político.

Em seu artigo 1º, parágrafo único, a Constituição Federal de 1988, menciona: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Em seu artigo 2º, a Constituição Federal de 1988 dispõe sobre a corrente tripartite, ao prever que “são poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.

Em seu artigo 3º, menciona: Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Em seu artigo 5º. A Constituição Federal assegura:

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;

XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;


Quantas vezes estes artigos foram pisoteados por membros do legislativo e do judiciário, sob o olhar complacente dos militares? Quantas vezes a independência entre os poderes deixou de existir, com o judiciário tomando a frente do executivo e impedindo o presidente eleito, por maioria de votos, de cumprir a missão para a qual foi eleito em sufrágio universal? Quantas vezes o povo que elegeu o presidente foi às ruas, em passeatas contando com milhões de pessoas em todos os Estados da Federação, pedindo uma intervenção nos desmandos praticados pelos outros poderes, sob os olhares complacentes dos militares, para os quais “reinava a calma em todo o território nacional”.

Quantas vezes funções e decisões que são especificas do presidente da república, constitucionalmente, foram delegadas a governadores e a prefeitos, pelo judiciário, sob os olhares complacentes das Forças Armadas? 

Criminosos condenados, traficantes de drogas e chefes de facções criminosas cumprindo penas, confinados em suas celas, foram libertados pelo judiciário sob o argumento frágil de que deviam fazer confinamento em suas casas, para não contrair o covid 19. O maior criminoso do país, condenado em segunda instância, já cumprindo pena, foi libertado através de um casuísmo e, na atualidade, possui transito livre pelo país e pelo exterior, viajando as expensas do erário público, sem nenhuma manifestação crítica por parte das Forças Armadas.

Certamente, em futuro próximo, quando eclodir a convulsão social que já se antevê e muitos forem chamados a responder pelos seus atos, usarão os mesmos argumentos falaciosos usados em Nuremberg pelos generais e marechais de Hitler: cumprimento do dever e obediência aos chefes.

O cel Vitor Filho, da PMMG, está divulgando uma nota em que menciona:

CHAMADA ÀS POLÍCIAS MILITARES DO BRASIL*

(Por um Coronel Veterano da PMMG)

*Senhoras e Senhores Policiais Militares,*

Não é segredo pra ninguém que enfrentamos uma das maiores crises que o Brasil já experimentou. Estudamos isso nas nossas Academias e, por força da nossa profissão, nos mantemos bem informados sobre a ordem geopolítica do mundo. 

Está claro como o sol, que existe um concerto comunista para desestabilizar o Brasil e derrubar o nosso atual Presidente, que elegemos com mais de 60 milhões de votos. A pandemia da Covid 19 caiu como uma luva para os comunistas. Através dela, governadores de estados conspiram contra o Presidente, estabelecendo medidas inconstitucionais para oprimir a população ordeira e destroçar a nossa economia. E pior, estão usando as Polícias Militares como instrumento de força, para levarem à cabo essa opressão. 

Não é sobre salvar vidas! É sobre desestabilizar a economia e derrotar o nosso Presidente em 2022, senão inviabilizar o seu governo e quiçá, promover o seu impeachment, ainda no atual mandato! As forças contrárias são numerosas. Contam com políticos, a maior parte da grande mídia e do próprio Judiciário! Não fossem esses atores, o Brasil estaria experimentando crescimento expressivo em sua economia. Estaríamos voando! 

O nosso Presidente tem lutado bravamente para repelir toda sorte de ataques e pressões! Mas ele está basicamente sozinho! Apenas o povo, que não sabe direito o que fazer, apesar de assustado e aturdido, o apoia. 

Em momentos outros no passado, as Polícias Militares do Brasil tiveram papel preponderante na retomada dos rumos da lei e da ordem, quando ameaças comunistas rondavam nossa Nação. Recordemos 1924, 1932 e 1964, quando as Polícias Militares pegaram em armas e tiveram papel preponderante no restabelecimento da ordem, contra políticos comunistas que se alinharam aos governos da antiga URSS e da própria China. Hoje, no entanto, ainda não precisamos pegar em armas, por enquanto. 

O nosso Presidente está acuado, sob pressão de todos os lados e não tem muito o que fazer, a não ser resistir bravamente à frente do Comando do Brasil. Claramente, ele pede nossa ajuda, como cidadãos! As Forças Armadas não nos parecem atentas ao que acontece, senão por alinhamento contrário, talvez por preguiça. 

Mas nós, Policiais Militares podemos fazer muito e quiçá, tenhamos também a parceria das Polícias Civis e Federal, de todo o Brasil nessa nossa luta, que deve começar agora. E nem precisamos pegar em armas! Basta que não façamos qualquer intervenção policial relativa à pandemia, a não ser na prestação de socorro. Não vamos, a partir de hoje, intervir em: lock-dows, toques de recolher, fechamento de comércio ou qualquer outro ramo da economia, fiscalização de transeuntes sem máscara ou aglomeração, apoio à fiscais das prefeituras em cumprimento de decretos estaduais ou municipais relativos à pandemia, ou quaisquer outras atividades correlatas. 

Se os Governadores pretendem continuar com a opressão ao cidadão de bem e trabalhador, eles que o façam sem a participação das Polícias! Até então, todas as nossas ações nesse sentido estão indo de encontro à tudo que aprendemos em nossas Academias. Fomos forjados para servir e proteger o cidadão de bem. Oprimi-lo, em cumprimento a ordens manifestamente ilegais e até inconstitucionais, vai de encontro à nossa essência! Somos instituições de Estado e não de Governo! Devemos ser leais ao cidadão de bem e ao Estado brasileiro, mas nunca à governos autoritários! Nossas liberdades, que juramos defender, estão sendo suprimidas à conta-gotas! Toda sorte de proibições nos estão sendo impostas. Do uso obrigatório de máscaras, passando por lock-dows, toque de recolher e até o nosso direito de propriedade já está ameaçado, como decretou, recentemente, o Governador de Sergipe. Tudo, contando com a nossa cega obediência como instituições de força! Basta que não participemos desses projetos autoritários! Que os Governadores e Prefeitos inescrupulosos e mal intencionados façam cumprir suas ordens autoritárias por outros meios! Menos com a parceria das Polícias! 

Não é necessário nos amotinar e nem nos rebelar. Vamos continuar defendendo e socorrendo o cidadão e combatendo a criminalidade, como sempre fizemos! Mas cumprir ordens ilegais, não! Ordem ilegal não se cumpre!

*Esse é o chamamento que faço! Não atuar em quaisquer questões relativas à pandemia.*

Ontem, perdemos um companheiro na Bahia, abatido pelos próprios colegas! Não entro aqui no mérito da ação que vitimou nosso companheiro. Mas o que levou o militar àquela situação é assombrosamente relevante: o conflito psicológico entre o que aprendeu nos quartéis e o que estava executando em seus dias de serviço! 

Isso tem que parar! 

Não sejamos instrumentos de força desse projeto, nefasto e desumano, de poder. 

Sem a força de suas Polícias Militares e Civis, não há como os Governadores continuarem solapando e atacando nosso Presidente e arruinando nossa economia. 

Não existe poder sem força! E nós somos a força! Basta direcionar nossos esforços para os caminhos da Lei e da Ordem! 


*Concesso Vítor Filho*

*Coronel Veterano da PMMG*

P.S: Fineza compartilhar, até que essa mensagem chegue a outros estados da Federação. Precisamos de todas as Polícias irmanadas nesse objetivo