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terça-feira, 30 de novembro de 2021

427.  Quo Vades et Quo Vides?

Jober Rocha


“Quo vadis?”, como sabemos, é uma frase latina que significa ‘Para onde vais?’.
A frase deu nome a um filme épico norte-americano de 1951, do gênero drama, dirigido por Mervyn LeRoy e contando com Robert Taylor e Deborah Kerr como artistas principais.
Segundo a Wikipédia, a biblioteca da WEB, “o uso moderno da frase refere-se a um relato do evangelho apócrifo conhecido como ‘Atos de Pedro’ (Manuscrito Vercelli XXXV), no qual, ao fugir de uma provável crucificação em Roma, São Pedro encontra Jesus ressuscitado e pergunta: - Quo vadis?
E Jesus responde: - Romam vado iterum crucifigi (Vou a Roma para ser crucificado de novo).
Prontamente Pedro ganha coragem para continuar seu ministério e acaba por se tornar um mártir, após ser também crucificado; porém, agora, com a cabeça para baixo”.
“Quo vides”, por sua vez, significa ‘Para onde você vê?’ ou, de modo livre, ‘Para onde você olha’. A frase completa que dá título ao presente texto “Quo vades et Quo vides?”, poderia, assim, de forma livre, ser traduzida por ‘Para onde você está indo e para onde você olha?’.
Está frase cai como luva em épocas de pandemias, como esta do Covid 19 que agora vivenciamos; quando quase ninguém sabe para onde estamos indo e poucos enxergam o que nos está vindo pela frente.
Não somente para onde estamos indo, mas, também, para onde a comunidade das nações está indo, é o que muito poucos indivíduos conseguem saber e outros poucos conseguem intuir, já que estes últimos não dispõem das informações dos primeiros.
A maioria da população mundial não faz nem ideia de para onde está indo nem aonde chegará num futuro próximo: se terá um lugar ao sol, com uma renda mínima vitalícia, proporcionada pelo Estado, ou se será simplesmente dizimada pelas elites mundiais, no afã desta em estabelecer uma Nova Ordem Mundial que busque, dentre outras coisas, estabelecer o equilíbrio populacional e o consumo meio ambiental.
Leis, decretos, portarias e regulamentos, feitos a revelia das populações às quais são destinados, quase sempre, têm servido, apenas, para reduzir ou acabar com direitos já existentes, objetivando implantar o mais rápido possível a referida ordem.
Quanto ao que nos vem pela frente, estou certo de que qualquer cidadão comum nem é capaz de imaginar o que mentes malignas maquinam em seus gabinetes e em reuniões secretas, realizadas na calada da noite, fora das agendas de cada um dos seus participantes.
Quando um repórter investigativo levanta alguma hipótese ou recebe denúncia sobre determinados assuntos secretos que são objetos do interesse, apenas, das elites mundiais, estas usam de seus controles e domínios sobre a grande imprensa e sobre a mídia, em geral, para classificar a hipótese levantada ou denuncia apresentada como fazendo parte de uma ‘Teoria da Conspiração’, consistindo está em alguma hipótese fictícia levantada por indivíduos mal intencionados, ignorantes e imaginativos.
A primeira coisa que coloca sob uma névoa o raciocínio lógico e racional das pessoas comuns é o medo, notadamente o medo de algo desconhecido; porém, considerado mortal como um vírus, por exemplo, que pode surpreender qualquer pessoa a qualquer hora do dia e da noite, em qualquer lugar.
Esse vírus, segundo as notícias divulgadas no mundo inteiro, possui a capacidade de rápida mutação, bem como de apresentar novas cepas e variantes, fugindo à ação das anteriores vacinas, supostamente criadas para destruí-lo. A Ciência oficial ao tempo que produz vacinas e induz os seres humanos a tomá-las, demonstra total ignorância sobre as origens e o comportamento do vírus; bem como, evita divulgar publicamente os efeitos colaterais nocivos ou restritivos do uso das vacinas e a sua quase sempre ineficácia. Incontáveis seres humanos morreram de Covid ou de efeitos colaterais das vacinas, após terem tomado as três doses das mesmas recomendadas pela Ciência oficial, que já recomenda uma quarta.
Em muitos países a aplicação da vacina é obrigatória, mesmo que as pessoas estejam morrendo de Covid, após terem tomado as doses obrigatórias, evidenciando, com isso, haver algo desconhecido intrínseco nestas vacinas que as tornam obrigatórias mesmo não surtindo efeito contra o vírus. Aqueles que não se vacinaram por razões próprias de convicção acerca dos malefícios e efeitos colaterais destas, são ameaçados de perderem seus empregos, em uma decisão inédita na história mundial desde a invenção das vacinas.
Por outro lado, legisladores e juristas proibiram médicos de aplicarem preventivamente os medicamentos que julgavam melhor para seus pacientes sujeitos a contaminação ou já contaminados com Covid, em uma verdadeira censura e tirania sobre a profissão médica e os profissionais da Medicina. Apenas as vacinas estavam liberadas, sugerindo, mais uma vez, a existência de algo desconhecido intrinsecamente a estas vacinas.
Ao mesmo tempo os governos dos países do mundo inteiro foram instados a fazer o chamado ‘lockdown’ ou confinamento; Isto é, o bloqueio, imposto pelo Estado, que restringe a circulação de pessoas em áreas e vias públicas, incluindo o fechamento de fronteiras, de fábricas e do comércio, com o intuito de evitar a disseminação do vírus.
Muitos países obedeceram a esta determinação dos organismos da ONU, causando enorme desemprego e acentuado desabastecimento de matérias primas e produtos industrializados, sem, contudo, conseguir conter a disseminação do vírus e seus efeitos danosos sobre as populações.
Informação que circulou recentemente pelas redes sociais, dava conta de que a indústria mundial de vacinas faturava mil dólares por segundo, desde que estas começaram a ser adquiridas pelos governos mundiais.
Enquanto isto, seguimos todos caminhando sem saber para onde vamos e sem saber para onde olhar, guiados por uma elite mundial cujos interesses e objetivos são totalmente distintos daqueles dos demais seres humanos. Somos considerados simplesmente como gado em uma boiada que deve seguir seus pastores, calma e tranquilamente, sem nem imaginar para onde eles a estão conduzindo; mas, acreditando em seus bons princípios, em suas boas intenções e, ainda mais, que aquelas verdes pastagens foram plantadas pelo fazendeiro, exclusivamente, para o deleite daquele rebanho.
Voltando ao início do texto e relembrando o enredo do filme “Quo Vadis?”, encontramos que retornando de uma campanha militar no exterior, o general Marcus Vinicius (Robert Taylor) descobre que uma nova religião se apoderou de Roma: o cristianismo. Quando Vinicius encontra Lygia (Deborah Kerr), seguidora da estranha religião, rapidamente se apaixona e tenta conquistar seu carinho. Lygia está relutante devido às suas crenças divergentes. Para complicar as coisas está o enlouquecido imperador Nero (Peter Ustinov), que culpa os cristãos pelo incêndio de Roma, dando início a uma onda de perseguições.
Em uma simples analogia ao filme podemos imaginar que uma Nova Ordem Mundial se instalou no planeta, objetivando implantar mundialmente o comunismo. Aqueles da elite mundial que, eventualmente, não participaram da sua elaboração, acabaram a ela aderindo após conhecerem seus objetivos e as vantagens que iriam auferir com a sua implantação. Alguns poucos, todavia, mantiveram-se relutantes, devido a crenças em sistemas econômicos divergentes, como o capitalismo por exemplo.
Em nosso país, dois dos poderes da república dão, então, início a uma onda de perseguições aos críticos nacionais desta nova ordem. Para complicar as coisas, um capitão de infantaria assume a Presidência da República e tenta, da maneira como pode e imagina, mudar este cenário caótico.
Conseguirá? (Eritne succedet?)

sábado, 30 de outubro de 2021

 426. Meu primeiro ato de corrupção

Jober Rocha


Lembro-me muito bem daquele dia. Jamais conseguiria esquecê-lo. Eu tinha oito anos na ocasião e morava numa vila de casas em um subúrbio carioca. Minha casa era a de número dez e ficava no meio da vila.
Nós, as crianças da vila, costumávamos brincar na rua em frente às nossas casas e também nos terrenos baldios das redondezas ou na rua que passava em frente à vila, esta com um tráfego razoável para a época; isto é, um carro a cada quinze ou vinte minutos.
Não havia perigos maiores do que espetar os pés descalços em pregos ou cacos de vidros, levar quedas dos velocípedes, patinetes e bicicletas.
A vila era repleta de crianças. Algumas da minha idade, outras maiores e muitos adultos. Tinha o seu Siqueira e suas três filhas, o seu Léo com duas meninas e um menino, além de outras crianças maiores. Ao lado da minha casa morava um casal sem filhos. A mulher era nova, bonita, elegante e sempre se vestia com roupas caras e que lhe caiam bem. Passarei a chama-la de Madame X, até por que já não me recordo do seu nome. O marido dela trabalhava em algum lugar, onde o expediente iniciava cedo e acabava tarde. Ela, portanto, passava a maior parte do tempo sozinha, em sua casa.
Em uma bela tarde de verão, eu me encontrava na calçada da rua que passava em frente à vila, brincando com outros amigos, quando um automóvel preto parou perto de mim. Dele desceu um homem bem apessoado, vestido com um belo terno claro e um chapéu na cabeça. O homem me chamou e perguntou se eu conhecia a Madame X. Ante minha afirmativa, estendeu-me a mão e me entregou uma moeda de 25 centavos, dizendo: - Isto é para você ir correndo a casa dela e dizer-lhe que o Roberto está no automóvel esperando.
Embora com apenas oito anos, eu, como sempre fui ‘galinha’, percebi logo que havia algo de estranho no ar: um homem desconhecido, sem querer ser notado na vila, pagar a uma criança para chamar uma bela mulher que com ele iria sair de automóvel na ausência do marido. Mesmo nos meus oito anos, já percebia que havia alguma coisa de errado nisto tudo.
De qualquer forma, ao mesmo tempo, me veio à mente a enorme quantidade de balas com figurinhas que poderia adquirir com aqueles 25 centavos. Talvez, até, completar o álbum que a duras penas vinha preenchendo.
Sem pensar duas vezes sai em desabalada carreira para o interior da vila, em direção à casa de Madame X. Quase atingindo a casa, pelo excesso de velocidade em que vinha, escorreguei e fui ao chão. Ralei o joelho e a palma das mãos no pavimento do solo. Todavia, a moeda continuava no fundo do bolso da curta calça que vestia.
Toquei a campainha. Madame X veio atender a porta. Dei o recado e pude sentir no ar um agradável cheiro de perfume. Ela já estava pronta, mas, talvez por charme, mandou que eu retornasse e dissesse que estava se aprontando e logo sairia.
Voltei correndo na mesma velocidade da ida. Quase chegando a calçada onde estava parado o homem, novamente fui ao chão. Desta vez, porém, a moedinha saiu do meu bolso e foi rolando em direção a uma boca de lobo que recolhia as águas da chuva, caindo lá dentro.
A tal boca de lobo era de ferro e estava firmemente presa. O homem vendo minhas tentativas frustradas de levantá-la veio me ajudar. Também não conseguiu. Dei-lhe o recado de que Madame X já estava vindo e tentei, mais algumas vezes, pegar de volta a moeda. Não consegui. Aquela tampa pesada de ferro não se movia.
Finalmente chegou Madame X, toda elegante e perfumada. O homem sorriu e deu-lhe um beijo na boca, por ela correspondido. Entraram no automóvel e partiram, não sei para onde.
A partir daquele dia, toda vez que eu passava pelo bueiro, olhava para dentro e contemplava a moedinha, ainda quieta no mesmo lugar. Fiquei imaginando que aquilo fora obra do Criador de Todas as Coisas: vendo uma criança se corromper por vinte e cinco centavos, para participar de uma traição conjugal, resolvera fazer com que eu não pudesse aproveitar o fruto do meu ato de corrupção.
Os anos se passaram, me formei e como era muito popular no bairro entrei para a política. Fui eleito vereador e, mais tarde, deputado.
Hoje sou uma autoridade na capital federal, ocupando um cargo proeminente, com autoridade para mandar e desmandar.
Fiquei multimilionário, pois, aprendendo aquela lição que tive quando criança, eu jamais deixei qualquer valor, ganho de forma fraudulenta, escapar de minhas mãos, aplicando-o sempre fora do país em algum paraíso fiscal.
Hoje, na velhice, tendo conhecido e provado de tudo, meus únicos prazeres são os vinhos caros de boas safras, as viagens aos bancos internacionais nas Ilhas Cayman para conferir meus saldos e extratos e as rachadinhas, tanto no meu gabinete  quanto fora dele...


domingo, 27 de dezembro de 2020

 413. Perdendo o Bonde da História...


Jober Rocha*



Estimados leitores, creio que todos nós, seres humanos, em alguma ocasião na vida, já tivemos a nítida impressão de haver perdido o Bonde da História. Explico-me melhor. Perder o ‘Bonde da História’ deve ser entendido como perder-se no contexto de algo ou de alguma situação e pode ser sentido de diversas maneiras, em distintas ocasiões. 

       Na juventude, por exemplo, quando não aceitamos um novo emprego ou um novo cargo que nos foi oferecido ou desistimos de algum outro que tínhamos anteriormente e descobrimos, pouco tempo depois, que um conhecido nosso tendo aceitado aquela nova oportunidade que se descortinava para ele ou que lhe havia sido oferecida em razão da nossa desistência, estava em situação profissional e financeira muito boa e com um belo futuro pela frente; isto é, em melhor posição do que aquela que nós desfrutávamos no momento. 

     Na idade adulta, por exemplo, quando nós, homens, terminamos o relacionamento com uma jovem mal produzida, cujo corpo na ocasião possuía apenas linhas retas e constatamos, logo após ela haver saído de nossa vida e se relacionado com outro, que surgiram nela, a partir de então, belas curvas antes inexistentes e, tendo passado a usar roupas de ‘griffe’ e a cuidar da sua beleza em salões apropriados, era outra pessoa totalmente diferente daquela que conhecêramos anteriormente e, agora, era constantemente desejada por todos aqueles que a viam ou que com ela se relacionavam. 

    Na idade madura, por exemplo, perdemos o Bonde da História ao constatar que muitos dos nossos sonhos e aspirações da juventude não chegaram a se concretizar na maturidade; além de não possuirmos mais a esperança de que aquilo venha ocorrer algum dia, em razão da idade avançada ou de algum outro motivo superveniente. 

    Perdemos o tal bonde, também, quando constatamos que nosso passado está pontilhado de escolhas erradas que viemos acumulando ao longo de toda uma existência, sejam elas de caráter afetivo, profissional, pessoal, etc. 

     Mais tarde, na Terceira Idade, sentimos que perdemos o respectivo bonde, por exemplo, ao constatar que a evolução tecnológica foi bem mais rápida do que a nossa capacidade em assimilá-la. Quando já não entendemos mais como as coisas e as instituições funcionam e/ou como são operadas, tendo, apenas as alternativas de passar a conviver sem elas ou solicitar a ajuda dos mais novos para resolver problemas anteriormente por nós considerados simples. 

      Da mesma forma, quando nos sentimos desatualizados com respeito a tudo aquilo que nos cerca e a nossa única preocupação passa a ser com os remédios que tomamos ou com os que deixamos de tomar. 

     Perdemos, ainda, o bonde ao nos sentirmos sozinhos, isto é, quando percebemos que a maior parte de nossos contemporâneos de geração já se foi para os sagrados campos de caça pertencentes à Metafísica sobre a vida e a morte de muitas tribos e nações indígenas ou, simplesmente, para o território do além segundo outras Metafísicas.

Em qualquer idade ou etapa de nossas vidas, podemos sentir o bonde passando e as pessoas embarcando ou desembarcando de seus vagões. Creio eu que a sensação de felicidade que percebemos nas faces de alguns passageiros, quando ainda estão na estação, indica que aqueles são os que estarão embarcando no comboio e as feições de tristeza e de desânimo, notada em outros, que são aqueles os que acabaram de desembarcar. 

      Tomar o Bonde da História, segundo a minha maneira de ver a questão, não significa, entretanto, obter poder ou sucesso material a qualquer preço, nem conseguir saciar as paixões humanas ou obter a realização de todos os desejos do EGO. 

      Subir no Bonde da História, no meu modo de entender, é sentir-se realizado e satisfeito com aquilo que o Destino lhe reservou, não importa se teve grandes ou pequenas aspirações em sua existência. 

     Embarcar no Bonde da História é estar feliz consigo mesmo, sem a necessidade de que algo ou alguém seja a origem da sua felicidade. Perdê-lo, significa justamente o contrário. A todo o momento passa um novo bonde e o fato de havermos chegado atrasados à estação e perdido o que acabara de passar, não significa que não possamos embarcar no próximo.

A viagem pela nossa existência, cujo trajeto, eventualmente, pode fazer parte do caminho percorrido pelo Bonde da História, possui, todavia, a propriedade de poder ser modificada, por nós mesmos, em qualquer fase da vida em que estejamos, de modo que, ao havermos embarcado naquele comboio ao menos uma vez na vida, dele jamais desembarquemos até o fim de nossos dias. 

     Com apenas um mesmo bilhete de ida, pegando outros ramais ou fazendo algumas baldeações planejadas, conseguiríamos permanecer, ainda por muito tempo, trafegando naquele bonde. 

       Talvez, não o tenhamos tentado com a necessária vontade, quando ainda poderíamos fazê-lo com certa facilidade, seja por excessiva timidez, por medo, por comodismo, por descaso ou, seja lá por que razão tenha sido e, assim, fomos obrigados a desembarcar, prematura e definitivamente, sem conseguir percorrer nele o trecho total da nossa existência. 

      Talvez se houvéssemos tomado algumas decisões contrárias aos nossos impulsos e desejos na ocasião; isto é, diferentes ou mesmo opostas àquelas que tomamos no passado, ainda hoje pudéssemos estar como passageiros do bonde, desfrutando da bela paisagem e da companhia de passageiros tão felizes quanto nós. 

    Com isto não teríamos descido antecipadamente para seguir caminhando a pé pelo leito da via férrea os caminhos das nossas vidas como, de fato, já ocorreu com inúmeros seres humanos e ainda continua ocorrendo.

Embora as nossas existências se desenrolem no plano físico, o trecho deste percurso percorrido como passageiros do Bonde da História é sempre sentido nos planos emocionais e mentais dos indivíduos, seja através da sensação de felicidade desfrutada em razão da satisfação pessoal com aquilo que o Destino lhes reservou, sensação esta visível na fisionomia daqueles passageiros contemplados com um assento em um dos vagões; como também em razão da sensação de missão cumprida, sensação esta de cumprimento da missão que eles trouxeram ao encarnar nesta existência, vivendo uma vida plena, saudável, bem sucedida e, eventualmente, virtuosa. 

      Por sua vez, aqueles que desembarcaram prematuramente ou que jamais chegaram a embarcar no referido bonde, carregam também, visível com eles, marcas da tristeza e do desânimo, características de sonhos e planos abortados em razão, talvez, de decisões erradas e ou da incapacidade que tiveram de concretizar a missão que trouxeram para esta vida. 

     Tudo isto até aqui mencionado, evidentemente, se refere ao caso daquelas pessoas consideradas como seres humanos normais; isto é, nossas considerações não atingem os casos daqueles indivíduos que, por possuírem alguma patologia mental que as afastem da realidade ou serem portadores de desvios de caráter e de conduta que as conduzam a viver fora da lei, podem considerar o errado como certo e o correto como lhes parecendo errado, fazendo com que está nossa atual análise se distorça.

      Países e nações, da mesma forma que os seres humanos, também possuem espaços nos compartimentos de carga do Bonde da História; todavia, dele são desembarcados por razões distintas daquelas já mencionadas para os humanos: desembarcam quando perdem o rumo estabelecido por razões de má gestão, descaso ou incúria das autoridades que os governam; quando são dominados por organizações criminosas, que agem apenas visando seus interesses imediatos; quando são povoados por um povo de natureza fraca, que não se opõe a viver sob um regime de servidão consentida.

       Creio, infelizmente, que isto ocorreu nas últimas décadas com o nosso país. Devido à má gestão e ao desenfreado desvio de recursos públicos motivados pela excessiva ambição dos governantes, ademais de um plano macabro de estabelecer bases para a implantação de um governo socialista bolivariano (uma versão latinizada do comunismo), nosso país parou de se desenvolver e começou a regredir em diversos indicadores socioeconômicos, deixando claro que já havíamos desembarcado do bonde da história como país.

        Mesmo com a vitória nas eleições de 2018 de um presidente liberal, inimigo da corrupção e do comunismo, as forças do mal encasteladas em postos chaves dos três poderes da república têm nos impedido de retomar o nosso lugar no referido bonde. Com isto, décadas de desenvolvimento e de progresso foram perdidas. Inúmeros outros países, neste intervalo de tempo, nos superaram em indicadores dos quais já chegamos a ocupar os primeiros lugares. Os responsáveis por este estado de coisas, presos em um primeiro momento, já estão todos soltos, gozando a vida e usufruindo da parte que conseguiram salvar daquilo que desviaram dos cofres públicos.

        Nosso presidente, embora contando com apoio popular, encontra-se de pés e mãos amarrados pela interferência, inconstitucional, dos demais poderes no poder executivo. Inúmeras medidas propostas pelo presidente são barradas no parlamento ou impedidas, pelo STF, de serem executadas. Nosso presidente eleito não consegue governar, está é a triste realidade. Uma aliança tácita entre o judiciário e o legislativo retirou, na prática, os poderes presidenciais.

       Com isto, o Brasil caminha a pé pela via férrea. Já não é mais um integrante do Bonde da História. Se algum dia voltará ou não a nele de novo embarcar é algo que foge a minha capacidade de prever o futuro. Creio, mesmo, que Michel de Nostradamus caso ainda vivesse também não saberia dizê-lo, tamanha é a malignidade e o espírito conspiratório daqueles brasileiros que se agarraram ao poder e não desejam mais soltá-lo e daqueles estrangeiros que almejam nossas riquezas e, para obtê-las, fizeram dos primeiros seus prepostos, impedindo que o país tenha um lugar na composição.

        Em síntese é bem possível que, por falta de passageiros neste país, os responsáveis pela companhia de carris desativem a linha que por aqui passava, despeçam os motorneiros, mecânicos e cobradores, retirem os trilhos e vagões e os levem para outra parte do planeta, onde poderão ter maior utilidade.

       Só não farão isto se notarem a vontade popular de reativar novamente as viagens de bonde; se perceberem o surgimento de cidadãos decididos e de coragem que desejem lutar para que o Brasil retorne ao seu tradicional lugar no compartimento de carga de um dos comboios; se os passageiros aqui embarcados solicitarem ao chefe da estação a colocação de mais um vagão no comboio; ou seja, um vagão prisão, com grades, para nele colocarem aquelas ex autoridades, indesejáveis, que foram responsáveis pelo anterior desembarque do país e que serão levadas no vagão prisão para responder, perante algum tribunal internacional, pelos seus desmandos e pelos crimes contra a humanidade que cometeram quando estiveram no poder.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.



sábado, 28 de novembro de 2020

 407. Escrevendo para si mesmo


Jober Rocha*



                          Todo escritor, seja de simples comentários políticos até de contos, crônicas, romances, novelas e ensaios, gosta de ter aquilo que escreve lido pelo maior número possível de pessoas. Os seus textos são como filhos queridos, que qualquer escritor deseja sejam constantemente observados e elogiados pela finura dos traços, pela educação aprimorada, pelo caráter imaculado, pelas ricas vestimentas, pela rara inteligência e pela beleza destacada.

                                          Assim tem sido desde os tempos em que o homem inventou a escrita. Ocorre, entretanto, que se os livros e textos eram disputados avidamente quando existiam em pouca quantidade, na atualidade, na era da informação, da WEB e das redes sociais, quando milhões de textos estão diariamente disponíveis, as coisas se passam de outra maneira.

                                            Recente estudo da Nielsen Norman Group, empresa norte americana, revelou que, em média, as pessoas leem, apenas, um quinto de todo o conteúdo que existe dentro de uma página da web. Outra pesquisa também mostrou índices que chamam a atenção: oito a cada dez pessoas leem, tão somente, a ‘headline’; ou seja, o título da matéria, mas, apenas, duas a cada dez pessoas leem o restante do texto. Isto tem feito com que os editores invistam em manchetes ou títulos persuasivos, buscando despertar nos leitores o interesse necessário para que continuem lendo o restante da matéria. Ademais, paradoxalmente, na era da informação, segundo as pesquisas indicaram, apenas vinte por cento de qualquer conteúdo literário é lido, seja por falta de tempo, seja por que a atenção do leitor já foi despertada por outro título ou manchete mais interessante.

                                          Em nosso país, segundo pesquisa do Instituto Pró-Livro denominada Retratos da Leitura, quarenta e quatro por cento da população não lê nada e trinta por cento jamais comprou um livro. A média de livros lidos anualmente, pelos eventuais leitores, é de 4,96. Destes, apenas, 2,43 foram lidos integralmente até o final e 2,53 foram lidos, tão somente, de forma superficial. Isto sem mencionar textos políticos, científicos e filosóficos, cujo eventual público leitor é muito mais reduzido.

                                          Por sua vez o PISA – Programa Internacional de Avaliação de Alunos, que consiste em uma prova levada a efeito em setenta países, com estudantes entre quinze e dezesseis anos, evidenciou que cinquenta e um por cento dos estudantes brasileiros estão abaixo do nível dois, considerado este um patamar básico. A média atual obtida no PISA pelos estudantes brasileiros foi de 407 pontos, bastante inferior a dos estudantes dos demais países participantes.

                                        Nota-se a existência de um enorme contingente de analfabetos funcionais formados, ao longo das três últimas décadas de governos de esquerda, por mestres ativistas ideológicos e militantes políticos. São jovens que, embora sabendo ler, não possuem conhecimentos suficientes para interpretar aquilo que leram. Ao se formarem não conseguem emprego, pois não foram preparados para o mercado de trabalho e sim para o proselitismo político e ideológico.

                                             Ademais, em conformidade com outra pesquisa, cerca de trinta por cento dos professores brasileiros se declararam não leitores.

                                             Imagino que este quadro todo, em nosso país, possua duas componentes: uma natural, fruto do nosso tradicional subdesenvolvimento intelectual e outra artificial e planejada, criada pelos intelectuais de esquerda que se assenhoraram da educação pública em nosso país nas últimas décadas, como forma de preparar a juventude para a aceitação da ideologia marxista que precederia a um governo socialista bolivariano, que pretendem ainda implantar, sendo esta uma versão cabocla do comunismo.

                                             Por este motivo, tem sido tão difícil ao presidente Jair Bolsonaro, liberal de direita, nomear um Ministro da Educação que promova as necessárias mudanças tendentes a retirar a ideologia política dos currículos escolares, afastar da educação pública os ativistas e militantes de esquerda e nomear reitores das universidades públicas que as transformem naquilo para o qual foram criadas e mantidas com recursos públicos: entidades destinadas a formar profissionais de nível superior para o mercado de trabalho e não para manter, com dinheiro de impostos retirados do povo em geral, ativistas políticos, drogados e viciados em práticas sexuais antinaturais, as quais consumam nas próprias salas de aula e nos corredores das universidades, mantidas estas, a duras penas, com recursos de todo o povo trabalhador brasileiro.

                                           Foi, pois, com um sentimento de desânimo que iniciei a escrever este artigo. Imagino que os demais escritores conscientes da nossa triste realidade, também, estejam desanimados. Com o advento das redes sociais, a maioria dos indivíduos passa grande parte do dia olhando a telinha de seus aparelhos smartphones em busca de mexericos, esportes, vídeos, jogos eletrônicos e ‘Fake News’ de ordem política e psicossocial, plantados por empresas regiamente contratadas por uma elite para desinformar, confundir e contrainformar os internautas. 

                                                Neste contexto, já não se sabe mais o que é verdade e o que é mentira, objetivo este daquela elite venal que ainda se encontra encastelada no poder, mesmo após a recente mudança de governo.

                                              O povo brasileiro, ao não saber mais qual a verdade, passou a aceitar tudo o que lê, vê e ouve como verdade e a não se importar mais com as mentiras. Vive em um mundo de ‘faz de conta’, onde tudo pode ser ou não ser, não importando mais as consequências de um ou de outro caso.

                                               Neste paraíso psicossocial, as elites venais e ideologicamente comprometidas com o desvio de recursos e com a implantação do comunismo no país, se esbaldam com seus casuísmos, já que mesmo a Constituição Federal Cidadã, promulgada para beneficiar a própria esquerda, foi deixada de lado pela esquerda que a violenta constantemente sem nenhum pudor. Chegaram ao cúmulo de declarar a Constituição, em vigor, inconstitucional...

                                               Criminosos já condenados em segunda instância são soltos, as celas dos presídios são abertas e milhares de condenados, cumprindo pena, são libertados supostamente em razão da pandemia, enquanto, paradoxalmente, se mantêm presos em quarentena nas suas casas milhões de pessoas trabalhadoras, também, supostamente, em razão da pandemia.

                                            Por mais que autores sérios, patriotas e comprometidos com o bem do país, se esforcem para esclarecer à nossa população sobre a realidade em que está vive, parece que falam a ouvidos moucos. As recentes eleições municipais mostraram que candidatos comprovadamente desonestos, comprovadamente comprometidos com a implantação do comunismo, com a extinção da religião, com a ideologia de gênero, com a prática do aborto, muitos deles membros de partidos que causaram rombos nas contas públicas por desvios criminosos que quase quebraram a nossa economia, foram eleitos ou ainda disputam o segundo turno com chances de vitória. 

                                            Isto só confirma que o nosso povo está desinformado em razão da pouca leitura; bem como, da acentuada crendice, da despolitização, da subserviência e da reduzida cultura geral a que tem sido conduzido por um ensino fraco, que estabelece cotas raciais e que, normalmente, aprova todos ao final do ano letivo, mesmo sem o nível de conhecimentos necessários para tal. Convenhamos que qualquer tentativa de mudar uma conjuntura como esta é um trabalho Hercúleo para os poucos patriotas com larga visão do panorama nacional e internacional; patriotas estes em sua grande parte incompreendida e difamada pela esquerda atuante e, ainda, aparelhada na mídia, no governo, no meio artístico e entre os falsos intelectuais que se apresentam, perante o público, como filósofos e cientistas políticos. 

                                             Qualquer texto honesto, esclarecedor e que aponte caminhos, será lido por muito poucos leitores formadores de opinião e será incapaz de mudar o cenário em que vivemos através da pequena influência que exercerão, em geral, sobre o grande público inculto e, em particular, sobre aqueles que decidem.

                                            Assim meus caríssimos leitores, restam, apenas, aos escritores que adoram escrever diariamente, redigirem para si mesmos. Muitos guardam em suas gavetas o produto de suas mentes, sem se atreverem a divulgar aquilo que colocaram no papel, por saberem que não serão lidos ou, caso o sejam de modo superficial, não serão compreendidos pela maioria de leitores, que param apenas no título e, quase sempre, não ultrapassam a primeira página. Nosso povo prefere os discursos ou as exposições orais, em razão da tradição cultural e de ser mais fácil de assimilar; já que a leitura, para aqueles que não a amam, cansa os olhos e a mente.

                                                Tenho participado de alguns grupos de escritores que se reúnem no WhatsApp para conversar sobre Literatura. A maioria deles, eu constatei entristecido, escreve para si mesmo, guardando seus escritos para o futuro; talvez para uma geração que surja após a Terceira Grande Guerra entre a China e os USA, quando a Web não mais exista e os textos em papel voltem a ter, para os sobreviventes, a importância que tiveram no passado. Tempos aqueles em que a mentira, o falso testemunho e o roubo de dinheiro público eram, veementemente, criticados pelas populações e punidos pelos monarcas e governantes, no mínimo, com as galés ou com a prisão perpétua nos calabouços dos castelos, e não agraciados com comendas, altos salários e cargos vitalícios nos palácios da capital do reino.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.






quinta-feira, 22 de outubro de 2020

 402. “Vamos passear no bosque, enquanto o Covid não vem...”


Jober Rocha*



                    Nos meus tempos de criança era costume no bairro em que eu morava as brincadeiras de roda entre meninos e meninas: várias crianças davam as mãos e se punham a rodar, cantando alguma ‘cantiga de roda’. Uma delas dizia: “Vamos passear no bosque, enquanto o seu lobo não vem. Seu lobo está aí? Não! Então, vamos passear no bosque, enquanto o seu lobo não vem”! 

                        A canção se repetia indefinidamente, até que as crianças cansassem e fossem brincar de outra coisa. 

                      A cantiga parece ter-se originados da estória dos Três Porquinhos, uma fábula antiga contada na Europa no século XVIII, cujos personagens são exclusivamente animais, um lobo e três porcos. A fábula foi, posteriormente, objeto de um conto divulgado por Joseph Jacobs, escritor australiano (1854 - 1916). Entre seus diversos livros infantis destaca-se, pois, "A História dos Três Porquinhos”, que viviam trancados em suas casas (uma casa de palha, uma casa de madeira e outra casa de pedra) e estavam sempre sendo ameaçados pelo lobo que vivia na floresta.

                         De forma similar, quase duzentos anos depois de Jacobs, todos nós, brasileiros, somos obrigados a viver trancados em nossas casas, como os porquinhos da fábula, enquanto o Covid 19 não vem. O vírus que assola o mundo inteiro, quase tão mortal quanto o lobo, pois alguns seres humanos vitimados pelo vírus conseguem escapar ilesos, nos mantêm prisioneiros em nossas residências, temerosos da sua nefasta presença pelas imediações.

                       Por vezes nós damos algum passeio pelas ruas do bairro, sempre temerosos, usando máscaras obrigatórias que, de fato, não nos protegem de contrair o temido vírus, mortal para alguns e inofensivo para outros. Segundo as autoridades apregoam, o vírus sobrevive nas roupas, na pele, na sola dos sapatos, nos esgotos, nas embalagens. As máscaras, portanto, apenas dificultam a nossa respiração, pois não evitam a contaminação. 

                       Os meios de transporte públicos seguem lotados, mas as escolas continuam vazias, o que me faz pensar que algumas das nossas autoridades parecem que fazem parte da torcida organizada para o sucesso do vírus, ademais de possuírem interesses, talvez, inconfessáveis em prejudicar o setor de ensino; principalmente, por terem liberado os jogos de futebol, os bares e as casas de espetáculos, bem como outros setores empresariais como shoppings, grandes lojas, etc. Só as escolas permaneceram de fora. Nos demais países, pelo que sei, os alunos continuam frequentando as aulas presenciais em suas escolas, sem nenhum problema. Aqui as aulas são pela internet e parece que alguém ganha muito dinheiro com a transmissão das aulas de forma virtual.

                        Muito já se escreveu sobre esse episódio da chamada Pandemia, que agora já denominam Sindemia; isto é, a interação, mutuamente agravante, entre problemas de saúde em populações, em seu contexto social e econômico. O fato é que tudo leva a crer ser este episódio algo mais do que uma simples epidemia mundial, como tantas já ocorridas ao longo da história humana.

                              Esta parece ter componentes políticos muito fortes. Parece fazer parte de um episódio da guerra bacteriológica, travada em um contexto da Guerra Assimétrica (em que os oponentes apresentam diversas diferenças, tais como: nível de organização, objetivos, recursos financeiros, recursos militares, comportamento-obediência a regras, etc.), da Guerra Hibrida (estratégia militar que mescla táticas de guerra política, guerra convencional, guerra irregular, e ciberguerra, com outros métodos de influência, tais como a desinformação, a diplomacia, lawfare e intervenção eleitoral externa) e da Guerra de Quinta Geração (considerada como tal toda tentativa de origem externa, por quaisquer meios, que objetive desestabilizar um cenário de atuação, seja político, econômico, tecnológico, psicossocial, ambiental e ou militar e cujo resultado venha fragmentar ou minar a soberania de um país através de agentes internos).

                     Inúmeros analistas viram nesta atual pandemia uma tentativa de alguma entidade maligna, com objetivos mundiais de domínio e de conquista, de reduzir drasticamente a população mundial, de quebrar as principais economias mundiais; enfim, de implantar o caos econômico, social, político, religioso e militar, visando, ao final da contenda, sair vitoriosa e comandar, definitivamente, os destinos do planeta Terra.

                        Ocorre, entretanto, como dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade em seu poema ‘No meio do caminho, publicado em 1930’: 


No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.


Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.


                             Esta pedra ou pedras, já mencionada por Drummond na década de 30, inseriu-se no caminho desta maligna entidade em 2020, certamente, atirada(s) por mão divina nos caminhos tortuosos utilizados pela entidade malígna para alcançar a primazia econômica e o domínio da raça humana, em um cenário mundial de conflito de interesses.

                      A eleição de Donald Trump nos USA, e de Jair Bolsonaro no Brasil, podem ser consideradas duas pedras atuais, onde tropeçaram os integrantes da maligna entidade, pedras estas que constituíram rudes golpes sofridos por aqueles interessados na hegemonia e na redução drástica da população mundial, em benefício de seus mesquinhos e egoístas interesses.

                    Uma grande parte da população mundial tem consciência do cenário atual, da catástrofe iminente da qual escapamos há pouco com a eleição destes dois personagens mencionados e do futuro que nos espera se o mal vencer o bem. Outra parte dos seres humanos faz parte do problema, ou seja, trabalha para o mal. Outra parte, ainda, não se interessa nem por política e nem por adquirir conhecimentos sobre estratégia, geopolítica, etc., pensando, apenas, em esportes, em divertimentos, em consumir ou em assuntos de ordem religiosa. Esta parte acredita em que tudo aquilo que publicam nas redes sociais não passa de uma suposta Teoria da Conspiração ou de Fake News.

                          Caso Trump e Bolsonaro sejam reeleitos e a consciência das pessoas de bem desperte, para que enxerguem as verdadeiras variáveis em jogo e o que elas representam em termos de uma futura escravidão compulsória ou de uma servidão consentida, ainda vejo um futuro promissor para a raça humana, nesta encruzilhada em que hoje nos encontramos.

                           Caso contrário, se ambos perderem as eleições, a entidade maligna e seus seguidores tomarão conta do planeta. Não sei se isto ocorrerá com ou sem resistência por parte de alguns países nucleares e de autoridades patrióticas e do bem, que ainda existem em quantidade em muitos lugares. 

                           Enquanto isto tudo ocorre, igrejas cristãs são queimadas e cristãos mortos em diversos países, sem nenhuma manifestação contundente por parte do pontífice máximo, preocupado que está com outros acontecimentos, como a vida dos índios da rica floresta amazônica e o destino das ONG’s que por ali vicejam aos milhares, enquanto inexistem no árido nordeste brasileiro.

                             Relativamente a alguma eventual vacina contra o Covid 19, como o caçador das estórias infantis cujo objetivo é eliminar o lobo, determinados políticos brasileiros querem torna-la obrigatória, sem levar em consideração efeitos colaterais danosos que possam acarretar àqueles que a tomarem. A própria China, que está em vias de produzir uma vacina, não a testou nem a aplicará em sua população, preferindo usar uma vacina europeia da AstraZeneca (Sueca/Britânica). A chinesa Shenzhen Kangtai Biological Products, poderá fabricar pelo menos 100 milhões de doses da vacina da AstraZeneca até o final deste ano.

                             Por outro lado, pretende a China testar e aplicar a sua vacina própria, desenvolvida em parceria com o Instituto Butantã, no Brasil, mediante um contrato bilionário com o governo do Estado de São Paulo. 

                              O presidente Jair Bolsonaro já se pronunciou a respeito, dizendo: “Para o meu governo, qualquer vacina antes de ser disponibilizada à população, deverá ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela ANVISA. O povo brasileiro não será cobaia de ninguém. Não se justifica um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem Diante do exposto, minha decisão é a de não adquirir a referida vacina”.

                           Espero que, da mesma forma como ocorre na fábula de Joseph Jacobs, os porquinhos vençam o lobo mau, representado pelo vírus, com a ajuda do caçador que, evidentemente, não deve ser nem amigo nem sócio do lobo mau...


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha


terça-feira, 15 de setembro de 2020

 397. Onde estarão os nossos Policarpos Quaresma?


Jober Rocha*



                              Policarpo Quaresma foi um personagem do escritor Lima Barreto (1881-1922), cuja literatura sempre esteve a serviço da indignação, seja contra o preconceito aos pobres e mestiços ou contra a insensibilidade dos mais ricos, a superficialidade dos burocratas, a corrupção dos políticos e a esterilidade criativa dos falsos artistas. Para ele a função mais importante da Literatura era desmascarar os falsos valores e as instituições que exploram a inconsciência popular.
                                 O seu personagem Policarpo Quaresma pode ser identificado com muitos de nós, brasileiros patriotas, que ainda acreditam no futuro do país como potência; em que pese uma parcela importante da nossa sociedade, notadamente ocupando altos postos nos três poderes da república pensar de modo diferente e contrário, preferindo ver nossas riquezas drenadas para potências estrangeiras em troca de dinheiro e de apoio político para seus sonhos megalomaníacos de poder.
                                     Policarpo era um modesto funcionário público que tinha um projeto de desenvolver o país, na época do governo de Floriano Peixoto, através, inicialmente, de uma revolução cultural (que se mostrou impraticável), depois de uma revolução na agricultura (que também se mostrou impraticável) e, finalmente, de uma revolução política, como voluntário na revolta da Armada em 1893, onde encontrou seu fim.
                                     Policarpo, puro de coração e patriota convicto, via o país como um celeiro de farturas, de possibilidades, de amor, de entendimento, de experiências novas.
                                  Infelizmente, tudo aquilo que tentou mostrou-se infrutífero, demonstrando o abismo existente, já naquela época, entre o sonho dos homens bons e do bem e a dura realidade praticada pelos homens maus e do mal.
                                       A obra de Lima Barreto, cujo título é “Triste Fim de Policarpo Quaresma” consistiu, segundo os críticos da época, em uma sátira contra o Brasil oficial, onde dominavam generais sem batalhas e almirantes sem navios. O livro corresponde ao período da história do Brasil, em que o Marechal Floriano Vieira Peixoto governou o país como o segundo presidente do Brasil, desde 23 de Novembro de 1891, com a renúncia de Deodoro da Fonseca, até 15 de Novembro de 1894, com a entrega do cargo para o presidente Prudente de Morais, após as primeiras eleições diretas do Brasil republicano.
                                    A obra, segundo os críticos, consiste em uma alegoria contra a burocracia, formada por pessoas sem consistência moral ou profissional, contra uma política em que predominavam os corruptos e entreguistas, contra a passividade e tolerância do povo (que se deixava conduzir como rebanho ao matadouro), contra a falta generalizada de objetivos de longo prazo. Vivia-se o dia de hoje.
                                        Cerca de cento e vinte anos depois (pois o livro foi publicado em folhetim em 1911) nós podemos afiançar que quase nada mudou, embora a população tenha evoluído de 24 milhões de habitantes para 209 milhões e o Produto Interno Bruto - PIB de 18.481 milhões de reais, de 2008, para 3.338.702. 
                                             O país continua enormemente burocratizado, os corruptos predominam na política nacional e o povo do bem continua tolerante e passivo, as forças armadas sucateadas, as polícias e o Ministério Público impedidos de combater os crimes das elites, embora o povo do mal se mantenha, cada vez mais, violento e ativo.
                                           Um fator novo, todavia, foi introduzido no país neste intervalo de tempo: a ideologia autoritária marxista, que, de forma sub-reptícia e a sorrelfa, dominou corações e mentes de inocentes brasileiros com propostas mentirosas e mirabolantes do alcance de um paraíso terrestre pelas mãos dos ativistas e militantes dos partidos de esquerda, inicialmente clandestinos e depois legalizados. O paraíso ocorreu, sim, mas para os dirigentes, ideólogos e ativistas destes partidos de esquerda, a maioria deles hoje sem problemas financeiros, muitos aposentados com vultosos salários, outros com polpudas contas correntes em paraísos fiscais espalhados pelo mundo. O povo? Continua como sempre, passando necessidades, desempregado ou com baixos salários, sem assistência médica, sem transportes, sem saneamento, sem educação e sem segurança.
                                           A partir dos primeiros governos de esquerda no país, em 1995, até o último, em 2018, a administração pública, nos três poderes, foi inflada com militantes e simpatizantes dos partidos de esquerda, em um verdadeiro aparelhamento visando à implantação de um regime comunista no país, eufemisticamente chamado de socialismo bolivariano nos demais países do continente.
                                                Em que pese tudo isto ocorrido nas últimas três décadas, acrescido do roubo, puro e simples, do dinheiro público, através de concorrências fraudadas; dos crimes de lesa pátria e de traição cometidos por muitas autoridades, da sonegação fiscal, do contrabando de divisas; da formação de quadrilhas exclusivamente destinadas à pilhagem da coisa pública; da formação de uma cleptocracia que governa o país, extraoficialmente, tolhendo as ações do presidente eleito que começou a governar em 2019; ainda existem,, no mínimo, cinquenta e sete milhões de Policarpos Quaresma em nosso país e que, com seus votos, elegeram Jair Bolsonaro presidente. 
                                       Estes são aquelas pessoas do bem que acreditam na possibilidade de nos desenvolvermos e chegarmos a fazer parte do Primeiro Mundo, tanto econômica quanto socialmente. São aqueles que trabalham e se esforçam para que progridamos econômica, política, militar e psicossocialmente. Fazem parte de uma multidão silenciosa que necessita de um líder tão patriota quanto eles, disposto a enfrentar todo um exército do mal infiltrado e treinado, durante décadas, nas táticas subversivas dos costumes e dos valores da nacionalidade.
                                          Este exército do mal que terão de enfrentar está acostumado ao desvio de recursos públicos; às sinecuras; ao nepotismo; ao apadrinhamento político; às mentiras; as sabotagens; a venda de terras, empresas e consciências a países estrangeiros; bem como, a traições e crimes de lesa pátria. Algum dia, que espero não demore muito, todos eles serão levados aos bancos dos réus e pagarão por seus crimes perpetrados contra o povo brasileiro.
                                             Como disse Abraham Lincoln: “Pode-se enganar a todos, por algum tempo; se pode enganar alguns, por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos, durante todo o tempo”.
                                                  Em breve o povo brasileiro se dará conta de que tem sido enganado, ao longo de décadas, por gente má, traiçoeira e vil cujo único objetivo na vida é enriquecer de modo fácil através da política, desviando dinheiro público em benefício próprio. Esta é a verdadeira causa da miséria e da pobreza existentes em nosso Brasil, “país rico por natureza” como costumava dizer Policarpo Quaresma, que imaginava um governo forte, respeitado, inteligente, que removesse todos esses óbices e entraves ao nosso desenvolvimento econômico e social.
                                          As eleições se aproximam. Este ano teremos que escolher os novos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.
                                        Que saibamos selecionar os nossos novos representantes, não reelegendo ninguém. Política não é profissão. Um mandato é mais do que suficiente, principalmente, por que os políticos, votando em causa própria, estabeleceram suas aposentarias após dois mandatos. Aposentam-se com elevados salários e diversas 'mordomias' em apenas oito anos, muitos deles sem jamais terem apresentado nenhum projeto de lei ao parlamento e diversos tendo apoiado projetos contrários aos interesses do povo e do Estado brasileiros. 
                                           Que não votemos em candidatos que sempre tomaram partido contra os interesses de seus eleitores e do povo, em geral. Que não votemos em candidatos de partidos que, historicamente, em vários países do mundo, se aproveitam da democracia neles existente para instaurar regimes ditatoriais que, logo após eleitos, extinguem os demais partidos e instauram o partido único, comunista.
                                           Que sejamos todos nós, cidadãos de bem, espalhados por todo o território nacional, novos Policarpos Quaresma em defesa do nosso país, das nossas instituições republicanas, de nossos tradicionais costumes e da nossa tradicional moral, fazendo com que, desta vez, proporcionemos, com os nossos votos em urnas livres de fraudes, um final diferente daquele da obra de Lima Duarte.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

395. Quando as Cerejeiras florescerem de novo...


Jober Rocha*



                      A sakura, flor da cerejeira, na cultura japonesa traduz a natureza efêmera da vida. É uma flor que vive pouco tempo, pois uma lufada de vento mais forte pode levar todas elas embora.
                          O simbolismo da flor da cerejeira é, pois, muito intenso na vida japonesa, demonstrando, tradicionalmente, a vontade da Natureza e do povo japonês em jamais se deixar abater. 
                              Todos os anos as sakuras aparecem para uma vida que, embora breve, demonstra aos seres humanos que devemos aproveitar todos os momentos da existência, pois, para muitos de nós, como para as sakuras, estes momentos poderão ser muito breves.
                               Digo isto em razão da pandemia que grassa em todo o mundo e, notadamente, no Brasil. Milhares de brasileiros que possuíam sonhos e esperanças, de uma hora para outra os perderam, ceifados que foram pelo vírus cruel cuja origem pode ter sido natural ou não, como ainda discutem muitos cientistas, biólogos, virologistas e infectologistas ao redor do mundo.
                             Similarmente, em países com as características psicossociais e politicas como as nossas, a democracia também costuma ter vida curta como as flores da cerejeira. Ao invés de ser esperada, avidamente, por toda a população, como ocorre no Japão com as sakuras, a democracia é indesejada e combatida por substancial parcela do nosso povo. 
                                Muitos países se intitulam democracias para serem aceitos mais facilmente no Concerto das Nações, serem consideradas Economias de Mercado e participarem de organismos e de foros internacionais, mas, na verdade, se tratam de regimes autoritários de esquerda, comandados por políticos venais em uma verdadeira cleptocracia que tudo pode, pois integrada por membros do parlamento, do poder judiciário e do executivo, que adota a tradicional e conhecida ideologia marxista oportunista (implantar o comunismo para dominar o povo e ficar rico, comandando o rebanho)
                                  Voltando ao parágrafo em que dizíamos ser a democracia combatida por uma parcela do nosso povo, esses brasileiros que assim procedem são aqueles que vivem e prosperam no crime comum; na corrupção e no desvio de dinheiro público; nas sinecuras e nos nepotismos; na tentativa de ascender de vida, financeiramente, de ter poder e de ditar as ordens no país através da implantação, via partidos políticos de natureza comunistas (que deveriam ser proibidos de existir, como ocorre com os partidos nazistas e fascistas por serem, fundamentalmente, antidemocráticos), que adotam a ideologias marxista espúria, internacionalista e antipatriótica.
                                  Diversos países do Continente Latino Americano optaram por manter uma democracia de fachada enquanto instauravam regimes eufemisticamente chamados de socialistas bolivarianos, face ao desgaste mundial da palavra comunismo.
                                Nestes países, da mesma forma que acontece aqui, também, os governantes sérios, porventura ainda existentes ficam totalmente sem controle da economia e do país, comandados que são por cleptocratas infiltrados nos três poderes da república em uma associação criminosa entre eles. O confinamento forçado foi imposto em razão da pandemia (medida desnecessária segundo cientistas sociais, infectologistas, biólogos, etc.); milhares de empresas faliram em decorrência e milhões de cidadãos estão desempregados; os criminosos foram soltos e as polícias têm sido impedidas de dar-lhes combate; empresas internacionais estão saindo destes países, temendo a nacionalização; a agroindústria, a mineração e as fontes de energia têm sido vendidas para determinado país interessado em garantir alimentos para abastecer sua população da ordem de alguns bilhões de seres humanos; as redes sócias e a mídia são totalmente controladas por pessoas e organizações de esquerda; testemunhas de atos criminosos de ex-governantes e de políticos atuais têm sido assassinadas em um processo de queima de arquivos, igual àqueles que costumam ocorrer em todos os países comunistas quando se tratam de dissidentes, de opositores, de testemunhas de crimes de autoridades ou da sucessão pelo poder.
                                         Recentemente, segundo a mídia internacional, o dissidente, líder da oposição russa e crítico do Kremlin, Alexei Navalny foi internado na Rússia com suspeita de envenenamento, nesta quinta-feira (20/8/2020). De acordo com o "Sun", o garçom que serviu o chá a Navalny no bar do aeroporto de Tomsk, na Rússia, está "desaparecido". Transferido para um hospital na Alemanha, foi confirmado o seu envenenamento.
                               Dentre as modernas táticas psicológicas de dependência, de lavagem cerebral e de doutrinação utilizadas pelos ideólogos do comunismo e seus agentes, destacam-se oito passos, definidos pelo psicólogo Albert Biderman e expostos no trabalho de I.E.Farber “Lavagem cerebral, condicionamento, debilidade, dependência e Pavor” - Brainwashing, Conditioning and DDD (debility, Dependency, and Dread). Sociometry, 1957, University of Indiana. I.E.Farber:

1. Isolamento da vítima (isolamento social ou quarentena, fazendo com que a vítima perca o contato com o mundo externo);
2. Controlar a percepção da vítima sobre a realidade (mantendo o monopólio da informação);
3. Levar a vítima à exaustão física ou mental (longos períodos de confinamento, ócio forçado, cenários apocalípticos eminentes);
4. Alimentar a ansiedade e o estresse com ameaças (ameaças econômicas, de desemprego, de aumento nos casos de vítimas mortais do vírus circulante, de novo contágio, etc.);
5. Praticar indulgências ocasionais (liberar certas proibições desnecessariamente implantadas anteriormente);
6. Exibir manifestações de onipotência (passar por cima das leis e da constituição);
7. Fomentar a degradação do ser humano (tratar cidadãos honestos como se fossem bandidos de alta periculosidade);
8. Remover ou dispersar as demandas triviais (as permissões e as liberdades podem ser retiradas a qualquer momento).

                                 Tais medidas estão sendo aplicadas em nosso país (e em muitos outros), notadamente nesta época de pandemia, por algumas autoridades atuais comprometidas com a ideologia marxista e com os ex-governos de esquerda das três últimas décadas, em um experimento de controle social sem precedentes na história da humanidade.
                               Como eu disse no início, a democracia é algo tão frágil quanto às folhas da cerejeira, principalmente por aceitar, como aquela aceita a praga de forma pacífica e consentida, o vírus da ideologia marxista que a irá contaminar e destruir.
                                O sonho de todos os brasileiros do bem é ver, de novo, seu país progredindo; as empresas funcionando e gerando empregos; os políticos eleitos serem pessoas honestas e competentes; as eleições se tornarem à prova de fraudes e as verbas públicas destinadas à infraestrutura de caráter social, como Saúde, Segurança, Transportes, Habitação, Saneamento e Educação. Ver os criminosos comuns e políticos; bem como, seus protetores, todos presos e cumprindo longas penas em presídios de segurança máxima no interior do país. O comunismo e sua nefasta ideologia, o marxismo, expulsos do país e do continente sul americano. As leis imorais e antipatrióticas, votadas por parlamentos anteriores comandados pela esquerda, revogadas e substituídas por leis que promovam a paz social e o desenvolvimento socioeconômico. Uma nova constituição que não contenha cascas de banana, para que as autoridades que desejam o bem do país nelas venham a escorregar; nem que retire do chefe do executivo todo o poder, deixando-o como um mero serviçal do parlamento e do judiciário.
                                      Nós, os brasileiros do bem, ansiosos, esperamos o florescimento da democracia em nosso país, da mesma forma como os japoneses esperam o florescimento das sakuras. 
                                  Ao contrario do que ocorre sempre com a flor da cerejeira, nós desejamos que a nossa democracia não tenha uma vida curta como a dela e que, como também costuma ocorrer com a sakura, não seja levada pelos ventos da discórdia, da incompreensão, da ignorância, da ambição, da ganância e da traição, promovidos ou soprados por maus brasileiros.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.








terça-feira, 25 de agosto de 2020

394. Contaminados com Fakenews lotam hospitais de campanha no Brasil


Jober Rocha*

                   Com a redução dos casos de Covid 19 no país, muitos Estados da Federação deram inicio a desmobilização dos hospitais de campanha, montados às pressas para atender aos milhares de casos previstos pelas autoridades e que não chegaram a ocorrer. 
                          Todavia, uma nova doença tem se revelado, fazendo com que os governadores e prefeitos interrompessem bruscamente as medidas de desmobilização já em andamento.
                           Trata-se de milhares de brasileiros contaminados com fakenews (notícias falsas que consistem em uma forma de imprensa marrom que produz e distribui, deliberadamente, desinformação ou boatos via jornal impresso, televisão, rádio, ou ainda online, como nas mídias sociais) contraídos na mídia nacional e que, em estados mórbidos de depressão e com sintomas físicos patológicos de falta de apetite, cansaço, dores de cabeça, pressão alta, etc.; têm buscado as Unidades de Pronto Atendimento – UPAs.
                         Face à gravidade dos casos, tais pacientes têm sido transferidos para hospitais de campanha espalhados por vários Estados da Federação.
                     O tratamento prescrito pelos médicos consiste em deixa-los em quartos totalmente isolados, sem aparelhos de rádio, TV, Smartphones, jornais, revistas e sem receberem visitas de amigos e de parentes, durante três semanas. Com a gradativa melhora, aos poucos vão sendo liberados para lerem livros religiosos, revistas em quadrinho, assistirem lutas de MMA na TV. 
                           Segundo prescrições médicas, só poderão voltar a operar seus smartphones, lerem jornais ou assistirem os jornais da TV depois de transcorrido o prazo de um ano. Dizem os doutores que esta enfermidade pode acometer novamente os pacientes mal curados, razão pela qual o prazo estipulado para ficarem sem receber notícias políticas, econômicas, militares e psicossociais é de um ano.
                            Alguns cientistas adeptos da Teoria da Conspiração falam na criação de vírus psicológicos que, através das fakenews, lesam a psique dos indivíduos, transformando-os em verdadeiros zumbis, em uma operação no âmbito da chamada Guerra Híbrida (estratégia militar que mescla táticas de guerra política, guerra convencional, guerra irregular, e ciber-guerra com outros métodos de influência, tais como desinformação, ações diplomáticas, mentiras divulgadas na mídia e intervenção eleitoral externa via WEB).
                                    Segundo relatos médicos, os pacientes afirmavam terem sido acometidos destes sintomas após receberem, constantemente, através da mídia, notícias de caráter alarmante sobre a situação brasileira. Ora diziam que haveria o impeachment do presidente, ora que seus filhos seriam presos, ora que a equipe econômica pediria demissão, ora que o presidente Trump perderia as eleições norte-americanas, ora que a Venezuela invadiria o Brasil com o apoio da China, do Irã e da Rússia, ora que os mortos pelo Covid 19 já passariam da casa dos milhões.
                                     Muitos pacientes, notadamente os mais sensíveis, ao serem acometidos começam logo a tremer, a apresentar calafrios e sintomas que se assemelham ao do vírus que acomete atualmente o país e o mundo. Como alguns dos sintomas eram bastante semelhantes, muitos pacientes se dirigiram para as UPAs, formando grandes filas. Lá chegando, após a anamnese e os exames realizados, os médicos diagnosticaram esta nova síndrome, que tem acometido a cada novo dia, um número maior de brasileiros.
                           Profissionais da OMS – Ordem dos Mentirosos e Sacanas, em declaração pública, já afirmaram nada ter a ver com a criação e com a propagação desta nova patologia que acomete os brasileiros e cuja forma de contaminação e de disseminação costuma ocorrer mediante a divulgação de calunias, embustes, trapaças, balelas, imposturas, burlas e lorotas.
                             Os remédios populares mais utilizados, por aqueles que não buscam as redes públicas de atendimento e se medicam com remédios caseiros, têm sido a desconfiança, a descrença, a incredulidade e a suspeita, com relação a tudo o que veem, leem ou ouvem através da mídia. 
                              As autoridades, até agora, têm feito vistas grossas para a nova epidemia. Governadores e prefeitos já pediram mais verbas, pois alegam que aquelas anteriormente concedidas para o combate ao Covid 19 já se esgotaram.
                               Países estrangeiros já ofereceram ajuda, mas fizeram questão de mencionar que montariam suas bases na Região Amazônica, onde parece ser maior o número de casos.
                              As forças armadas, até agora, não se pronunciaram. Talvez aguardem que os casos acabem por se extinguirem sem a necessidade de qualquer intervenção militar.
                          O STF parece já ter declarado que este tipo de patologia foge a esfera de competência do poder executivo. O parlamento já cogita em uma lei específica que confira à câmara e ao senado o controle das verbas que deverão ser alocadas, impositivamente, para o combate da referida síndrome.
                        Enquanto isto, milhares, se não milhões, de brasileiros continuam sendo submetidos, diuturnamente, as fakenews geradas por empresas, agências de desinformação e de contrainformação, profissionais free lancers, nacionais e internacionais; com o único objetivo de inviabilizar, desgastar, dificultar, atrapalhar, embaraçar e tolher o atual governo e suas ações em prol do nosso desenvolvimento. 
                                  Como dizem que Deus é brasileiro, esperemos por alguma ajuda da parte dele, principalmente pelo fato do nosso presidente sempre afirmar, em seus pronunciamentos, que o Brasil está acima de tudo, mas que Deus está acima de todos...


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.





sábado, 15 de agosto de 2020

392.  Mentecaptos e Mequetrefes


Jober Rocha*



                        O vocábulo mentecapto, dizem os dicionários, vem do latim mentecaptu, indicando falso juízo. No Brasil significa doido, idiota, alienado, aquele que perdeu a razão ou o juízo.
                              A título de simples curiosidade, ‘O Grande Mentecapto’ é um romance do escritor brasileiro Fernando Sabino, publicado em 1979 e que virou filme, narrando as aventuras de Geraldo Viramundo, espécie de Dom Quixote brasileiro, que percorre Minas Gerais em busca de aventuras, como Quixote fazia em La mancha, na Espanha. Mentecapto era, também, um vocábulo empregado com frequência pelo ator cômico, já falecido, Ronald Golias, em seus quadros humorísticos.
                               Já mequetrefe, talvez, venha também do latim moechus, indicando libertino, adultero. Em espanhol significa pessoa inconveniente, imprestável, intrometida, trapaceira, não confiável, tendo conservado em português estes mesmos sentidos.
                                      Mequetrefe, também a título de curiosidade, foi um jornal brasileiro, ilustrado e humorístico, publicado no final do século XIX, com claro teor republicano e pelo qual passaram grandes nomes da literatura e da caricatura do país na época.
                                      Fundado em 1875 no Rio de Janeiro (então a capital do país), teve duração até 1893, quando, após a morte de seu proprietário, veio finalmente a deixar de circular.
                                     Quem em nosso país não conhece algum mentecapto ou, ao menos, um mequetrefe? Talvez não por estes nomes pouco usados, mas, sem dúvida alguma, por suas características aqui já descritas.
                                  Eles, certamente, estarão presentes em todas as principais expressões do poder nacional: na vida política, na vida econômica, na vida militar e na vida psicossocial. 
                                Quantitativamente, devem representar milhares, senão milhões, de brasileiros que, diariamente, se mostram inconvenientes, imprestáveis, libertinos, alienados, trapaceiros, intrometidos, patifes, não confiáveis.
                                Qualitativamente, uns possuem maiores graus de acometimento que outros, variando desde um grau pequeno, passando pelo mediano e chegando até ao grau extremo, superior ou ápice. 
                                    Eles poderão ser encontrados em todos os Estados da Federação, em todas as profissões, em todos os poderes da república. Notadamente são encontrados em grande quantidade na carreira política para a qual nenhum pré-requisito é exigido, a não ser o de possuir a capacidade de convencer os eleitores de que o próprio candidato se trata de uma pessoa honesta e de que vai trabalhar pelo bem da nação, do estado ou do município pelo qual se candidata, embora, quase sempre, não pretenda cumprir o que promete.
                                    Suas capacidades mais comuns, depois de eleitos ou de nomeados para um cargo na administração pública, são as de prejudicar o desenvolvimento do país; de entravar a administração; de fazer com que a economia regrida; de promulgar leis, decretos, normas, portarias, pareceres, laudos, sentenças que não servem para nada, a não ser para ocupar o tempo ocioso de que dispõem frequentemente e para impedir ou dificultar a liberdade de expressão do pensamento, de livre negociação, de livre atividade econômica, criando barreiras para tal. 
                                      Seus objetivos, como já mencionado, são os de burocratizar, cada vez mais, todas as atividades, criando dificuldades que a principio parecem ser intransponíveis ao cidadão comum; mas, que, pouco tempo depois, são facilmente superadas por aqueles que se dispõem a consultar determinados escritórios de assessoria técnica jurídica, econômica, financeira, de engenharia e contábil, vinculados à parentes, à amigos ou ‘laranjas’ de alguns destes brasileiros fabricantes e vendedores de leis, decretos, normas, portarias, sentenças, laudos, pareceres, relatórios, decisões, etc.
                                    Todavia, eles não se consideram nem mentecaptos nem mequetrefes. Julgam-se, certamente, autoridades judiciosas, ponderadas, criteriosas, qualificadas, sóbrias, honestas, e, finalmente, espertas, imaginando-se verdadeiras ‘águias de Haia’ na administração pública.
                                    Quando alguma denúncia da mídia os atinge, dizem que sofrem perseguições políticas de opositores ou tentam se livrar da denúncia transferindo-a para a instituição em que trabalham, afirmando que forças ocultas estão tentando desqualificar o organismo público onde serve, com acusações levianas, ofensas, aleivosias, acusações infundadas, calúnias, injúrias, etc. 
                                 Muitos deles, depois de vários anos de conluio em fraudes e desvios de recursos, conseguem deixar a política ou a vida pública, saindo completamente impunes e com patrimônios milionários.
                                    Antes da existência da WEB e das redes sociais, quando as informações eram privilégio de poucos brasileiros e dos mais ricos, o povo desconhecia grande parte dos verdadeiros escândalos proporcionados pelos mentecaptos e pelos mequetrefes em mais alto grau e nos mais altos cargos.
                               Com o advento destas duas fontes de informação, as noticias se espalham com a velocidade da luz por todo o território nacional, sendo muito difícil que as ações deletérias de um mequetrefe ou de um mentecapto, seja no mais baixo ou no mais alto grau, passem, hoje, despercebidos do grande público, em geral, e dos eleitores, em particular.
                                      As palavras, mentecapto e mequetrefe, podem ter caído em desuso e não ser mais reconhecidas pelas gerações que se sucedem; porém, as características intrínsecas das personalidade daqueles que ostentam seus títulos, ou seja, os caráteres de um mentecapto ou de um mequetrefe, estes jamais deixarão de ser notados em todas as épocas e lugares.
                                     Estas duas figuras já mencionadas, encontradas na vida pública, também são encontradas na vida privada em seus diversos graus.
                                    Podem ser reconhecidas na figura daqueles patrões que não respeitam seus empregados, que gostam de enganá-los. Daqueles comerciantes que roubam no peso, na quantidade e no troco, vendendo produtos fora do prazo de validade e sonegando impostos mediante a não emissão de notas fiscais. Daqueles industriais que falsificam produtos e que também roubam no peso e na qualidade. Daqueles gerentes ou simples empregados que desviam recursos (ou clientes) da empresa em que trabalham, visando prejudicar os patrões e se beneficiarem. Daqueles que trabalham em relações públicas e que, despreparados para os cargos e sem aptidão para a função, destratam os clientes, fornecem informações erradas ou nem se dão ao trabalho de atender ao telefone quando este toca ao lado.
                                      Nenhum deles, mequetrefes ou mentecaptos, percebe que prejudicando aos demais, na tentativa de se beneficiar, estará prejudicando à si próprio, à sua família, aos seus amigos, ao seu país.
                                      O grande problema, no entanto, consiste em fazer com que aqueles que o são, se deem conta de se enquadrarem nestas características que os definem. É fácil perceber tais características nos outros, mas é muito difícil percebê-las em si mesmo.
                                   Creio que seja, talvez, esta a razão pela qual existem tantos mequetrefes e mentecaptos em nosso país e o motivo pelo qual em todas as expressões do poder nacional, nas últimas três décadas de governos de esquerda, como em uma ordem unida tresloucada,  mais parecendo a  coreografia demoníaca de um carnaval satânico, que nos afasta cada vez mais dos objetivos nacionais permanentes, a cada passo que damos para a frente damos sempre dois passos para trás.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.