sexta-feira, 18 de outubro de 2019

311. Cientista social ou pedreiro de obra?


Jober Rocha*



                                      Estimados leitores, em primeiro lugar desejo dizer que nada tenho de pessoal contra cientistas sociais ou contra pedreiros de obra. Ambas as categorias profissionais são importantíssimas para o desenvolvimento de qualquer país, notadamente aqueles ainda em desenvolvimento como o nosso.
                                                Este tema me veio à mente ao recordar de um grande amigo, cientista social, que, interessado em temas filosóficos e científicos, gostava de escrever textos sobre tais assuntos e divulga-los por meio da internet.
                                                    Ocorre, segundo me relatou o amigo, que em algumas ocasiões ele resolvia adentrar temas com os quais não possuía muita (ou nenhuma) familiaridade. Nestas oportunidades ele se valia do Wikipedia, biblioteca e banco de dados de caráter mundial, para ajudá-lo na tarefa. Porém, muitas das informações por ele coletadas, constantes na WEB, nem sempre eram totalmente verdadeiras ou, até mesmo, atualizadas.
                                               A solução encontrada pelo meu amigo, para preservar sua boa reputação como escritor de artigos filosóficos e científicos, foi a de colocar embaixo do seu nome, na matéria divulgada, a referência de que era pedreiro de obra.
                                                     Com isto, pensava ele, os leitores valorizariam mais os seus textos, ao constatarem que um modesto pedreiro de obra, pouco afeito àqueles temas intelectualizados, havia escrito algo com tamanha profundidade. 
                                              Ao contrário, imaginava ele, se colocasse embaixo do seu nome a profissão de cientista social, os leitores, ao perceberem a superficialidade de muitos daqueles textos, diriam, de si para si: 
                                               - Mas que indivíduo ignorante e convencido, escrevendo bobagens e querendo se fazer passar por um intelectual!
                                                    Embora a ideia do meu amigo seja considerada excêntrica e meio esdruxula, depois que redigi esta breve crônica, confesso, também, fiquei tentado a fazer algumas pequenas alterações no meu currículo...


_*/ Jober Rocha é Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.


quinta-feira, 17 de outubro de 2019

310. Quando o irrelevante sobressai...


Jober Rocha*



                                      No Brasil de hoje, após décadas de lavagem cerebral promovida pelos governos de esquerda sobre um povo trabalhador, porém, crédulo, inocente e despolitizado, o irrelevante parece ter tomado a frente das coisas sérias e importantes e se transformado, assim, na chamada ‘bola da vez’.
                                                         Praticamente a grande mídia, quando não está atacando o atual presidente e sua equipe, só destina espaço para matérias irrelevantes.
                                                     Com o país à beira de uma convulsão social, a tentativa de desinformar as populações através da divulgação de mentiras ou de assuntos totalmente irrelevantes, transformou-se no objetivo principal desta grande mídia.
                                                    Parece que, após o fechamento pelo novo governo das torneiras pelas quais eram desperdiçadas descontroladamente imensas verbas públicas, os caciques da velha comunicação (que tradicionalmente ‘fazia a cabeça do povo’) decidiram, de forma unânime: - ‘se a morte é inevitável, ao menos morramos fazendo aquilo que sempre fizemos bem; ou seja, que caiamos desinformando os cidadãos’!
                                                      Tanto isto é verdadeiro que qualquer leitor pode constatar a verdade, apenas folheando os grandes jornais ou assistindo aos canais abertos de TV. Espaços que poderiam ser destinados a informações científicas, debates políticos, notícias mundiais, análises conjunturais e considerações geopolíticas e estratégicas, por exemplo, são ocupados por futebol e comentários esportivos; jogos eletrônicos; novelas, seus resumos e reedições; desenhos animados; receitas de comidas e sobremesas; horóscopos; estelionatos religiosos; crimes diários e críticas às autoridades constituídas e as suas medidas corretivas (felizmente adotadas estas pelo novo governo, após os descalabros cometidos pela esquerda no poder durante décadas). 
                                                    Na câmara, no senado e nas assembleias legislativas, por outro lado, os assuntos irrelevantes e as brigas por interesses pessoais e grupais continuam ocupando o tempo de uma plêiade de cidadãos com foro privilegiado para os inúmeros crimes, eventualmente, por eles, cometidos (81 senadores, 513 deputados federais e 1059 deputados estaduais; sem contar os 5.570 prefeitos e os 27 governadores); além de seus incontáveis assessores parlamentares. Todos eles eleitos por nós e regiamente pagos com dinheiro de nossos impostos, trabalhadores brasileiros sem voz e sem direitos. Colocados onde estão por nós, que os retiramos do ostracismo em que se encontravam, logo em seguida se transformam em nossos patrões e passam a legislar contra os nossos interesses.
                                                 Nas mais altas cortes de justiça, por sua vez, o trabalho parece girar, apenas, em torno dos interesses de meia dúzia de ex políticos, já condenados e presos, que, com suas demandas processuais, ocupam o tempo dos magistrados que ali desempenham suas funções, muitos deles nomeados por um daqueles réus cujas demandas julgam, em um evidente conflito de interesses.
                                                 Nas universidades públicas, em razão da ideologia marxista dominante e da militância política exercida por muitos alunos e professores, temas profissionais importantes deixaram de ser ensinados e aprendidos. Com isto os egressos, com a mente ideologicamente contaminada e sem os conhecimentos profissionais requeridos, dificilmente conseguem emprego em um país, ainda, capitalista. Como alternativa, tornam-se ativistas político-ideológicos e, mediante uma sinecura promovida por algum dos partidos de esquerda, encontram, no governo federal e nos municipais e estaduais, um cantinho e uma mesa de onde poderão, calmamente e bem remunerados, destilar todo o veneno que acumularam (seja mediante as críticas, abertas ou veladas, que poderão fazer contra o novo governo; seja pelas sabotagens que poderão intentar contra a implantação de novas medidas. Como rezam pela cartilha do ‘quanto pior, melhor’, tais militantes fazem como o escorpião (da fábula sobre o escorpião e o sapo) que mordeu o sapo que o ajudava a atravessar o rio, carregando-o nas costas. Ao desfalecer, sob o efeito do veneno, o sapo perguntou: - Por que fez isto? O escorpião respondeu: - É da natureza dos escorpiões matarem sapos!
                                                     Ora, por similitude, sendo da natureza dos marxistas combaterem o capitalismo, governos capitalistas deveriam (da mesma forma como fazem os governos comunistas) selecionar criteriosamente seus colaboradores. Estes deveriam ser pessoas afinadas com o pensamento e com os objetivos do governo e não pessoas contrárias ao ponto de vista e aos objetivos governamentais. O aparelhamento das instituições governamentais brasileiras, sem dúvida alguma, visava a tomada do poder, definitivamente, pela esquerda.
                                                      Manoel Soriano Neto, em um texto publicado em 2013, comentava sobre a cartilha de Antônio Gramsci (Intelectual italiano e um dos fundadores do Partido Comunista Italiano, em 1921, um dos primeiros a perceber que a implantação do comunismo nos países do Ocidente não deveria seguir o modelo russo, do uso da violência para conquistar ou tomar o Estado, mas, sim, ao contrário, primeiro conquistar o Estado e depois, então, aplicar a violência para finalizar o processo); cartilha esta  que, segundo o autor, estabelecia manobras simples, lentas e graduais, utilizando-se dos instrumentos legais e políticos da democracia para, de forma pacífica e sorrateira, minar e enfraquecer as principais trincheiras democráticas (que consistiriam no Executivo, no Legislativo, no Judiciário, nas Forças Armadas, na Religião e na Família) e, fazendo uso da propaganda subliminar, do populismo e da demagogia, entorpecerem as consciências  e criarem a sociedade massificada, pronta para a luta pela implantação do comunismo. 
                                                   Foi isso que os governantes dos partidos de esquerda e grande parte de seus membros, liderados pelo Partido dos Trabalhadores, fizeram nas últimas décadas em que reinaram soberanos em nosso país, ademais de se apropriarem de forma ilegal de recursos públicos desviados para seus partidos e para as suas próprias contas particulares. Só não conseguiram finalizar seu intento de implantação do comunismo, em razão da descoberta do Mensalão e da operação Lava a Jato, por todos conhecida, que julgou e condenou diversos políticos e empresários, e do impeachment da ex presidente Dilma Roussef.
                                                Com a assunção ao poder de Jair Bolsonaro (que possui um programa de governo radicalmente oposto ao adotado até então pelos governos de esquerda), que pegou um país totalmente enfermo em suas instituições republicanas e em suas expressões do poder nacional (psicossocial, econômica, industrial e militar), cumpre desmontar todo este aparato implantado pela esquerda, utilizando-se de uma mescla entre aqueles velhos lemas da Medicina Homeopática e da Medicina Alopática, respectivamente: Similia Similibus Curantur (Os semelhantes curam-se pelos semelhantes) e Contraria Contrariis Curantur (Os contrários se curam). 
O nosso lema, proposto para curar um país enfermo como o Brasil, seria, portanto, uma mescla dos dois lemas anteriores e teria a seguinte definição: Contraria Similibus Curantur (Os contrários curam-se de forma semelhante).
                                           Assim, utilizando-se das mesmas técnicas, artifícios e artimanhas Gramscistas (descritas por Antônio Gramsci em sua obra Cadernos do Cárcere, escrita em 1926, na prisão); porém, aplicadas de forma contraria ao que ele propunha, creio que seria possível desmontar, no todo ou em sua maior parte, o aparelhamento das instituições e das expressões do poder nacional, promovido pelas esquerdas no Brasil.
                                                   Alguns leitores poderiam questionar: - Mas você propõe a aplicação, pelo novo governo, embora em sentido contrário, das mesmas regras consideradas malignas e imorais aplicadas pelos governos de esquerda, que objetivavam a destruição da democracia para a implantação do comunismo? 
                                                  Minha resposta a esta questão é a seguinte: 
                                                     Para o Brasil retornar ao regime democrático pleno, pois estava quase em vias de transformar-se em um regime Socialista Bolivariano como o da Venezuela, pela ação nefasta de políticos antipatriotas, alguns deles já condenados e presos, o povo brasileiro, em sua maioria, elegeu Jair Bolsonaro, político liberal, de direita, totalmente desvinculado dos grupos de poder tradicionais e filiado a um partido pequeno, com poucos integrantes. 
                                                         Como ele se negou a fazer acordos com partidos envolvidos em atos de corrupção e com partidos de esquerda, contará, sem dúvida, com poucos integrantes da administração pública para ajudá-lo a enfrentar o monumental problema brasileiro da atualidade. Depois de 4 mandatos o PT deixou, para Bolsonaro, aproximadamente 6,9 trilhões em dívidas da união, tendo esta, apenas, 1,2 trilhões de ativos para pagá-los.
                                                           Existe, portanto, um déficit de 5,7 trilhões e, mesmo privatizando tudo o que for possível, segundo os economistas alertam, ainda faltarão 2,5 trilhões. O país está, pois, verdadeiramente quebrado. Bolsonaro necessitará, assim, de todo o apoio possível para consertar o desastre causado pela irresponsabilidade criminosa das esquerdas. Para isto, terá que ser inflexível em suas decisões, que necessitarão, imperiosamente, de serem integralmente cumpridas pela administração pública.
                                                     Nosso país só vem se sustentado, até agora, através da venda de ativos estatais e de títulos públicos emitidos pelo governo para cobrir este monumental déficit. Necessitamos, urgentemente, de novos investimentos, de capitais externos e de crescimento da economia, para proporcionar emprego e renda a uma população com quatorze milhões de desempregados.
                                                      Se o Estado não for desaparelhado, de forma rápida, neutralizando-se a “resistência” dos denominados “Quinta colunas”, esquerdistas infiltrados na administração e em setores estratégicos, será impossível superar os obstáculos com que nosso país se defronta e cairemos, finalmente, na recessão, na desorganização geral e no retorno da esquerda ao poder.
                                                     Portanto, queridos leitores, trata-se, apenas, de propor novas medidas, adaptadas do manual de Gramsci, visando a sobrevivência do regime democrático e não à sua destruição, como Gramsci propunha em seu manual; ou seja, trata-se de usar medidas contrárias para, de forma semelhante, curar as mazelas deixadas pelos governos de esquerda, de modo a que jamais retornem ao poder com suas nefastas ideologias. 
                                               As medidas propostas por Gramsci chegam a causar asco, só de as ler; mas, elas, acreditem, foram aplicadas pela esquerda brasileira em seus quatro governos sucessivos. Caberá às novas autoridades, liberais de direita, decidirem se as aplicarão ou não, da forma contrária como aqui prevista; embora eu as considere absolutamente necessárias.
                                                     Essa será, ademais, a única maneira de aquilo que realmente é relevante voltar a sobressair-se, alcançando as manchetes de uma grande mídia revivida, passando a ser discutido no parlamento e julgado nas altas cortes; ou seja, os temas verdadeiramente importantes retornarem das cinzas, como Fenix, no triste cenário político brasileiro da atualidade.


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.
      Membro da Academia Brasileira de Defesa.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

309. Por que os sinos dobram?


Jober Rocha*


                                       Alguns leitores, ao verem o título deste texto, logo imaginarão um erro de digitação ou, mesmo, de gramática; posto que, um conhecido romance de 1940 do escritor norte-americano Ernest Hemingway, ambientado em Segóvia durante a Guerra Civil Espanhola e considerado pela crítica uma das suas melhores obras, denominava-se ‘Por quem os sinos dobram’?
                                                        Talvez os leitores mais idosos até tenham visto o filme homônimo, feito em 1943, baseado no referido romance e tendo nos papéis principais os astros da época, Gary Cooper e Ingrid Bergman.
                                                        Não se trata, no entanto, de nenhum erro, pois o título está correto conforme perceberão mais adiante.
                                                      Desde tempos muito antigos, tanto no Oriente quanto no Ocidente, os sinos, através dos seus sons (que, propagando-se pelo espaço, alcançavam longas distâncias), eram usados como meio de comunicação entre populações isoladas e comunidades esparsas.
                                                      A Igreja Católica começou a fazer uso dos sinos a partir do século IV d.C. Naqueles tempos de comunicações difíceis, os sinos serviam, basicamente, para convocar os cristãos e para advertir as populações esparsas acerca dos principais acontecimentos da comunidade local (paróquia ou outra), mediante códigos que utilizavam os sons e determinados toques especiais. 
                                                  Os diversos toques constituíam e ainda seguem constituindo, pois, uma linguagem convencional, que pode ir de uma simples badalada até o som dobrado, ao toque picado, ao toque encadeado e ao toque repicado ou repenicado, que é utilizado em ocasiões festivas. Tal linguagem dos sinos, desde os primórdios, era perfeitamente compreendida pelos habitantes das aldeias e vilas. Na atualidade, até mesmo com o ruído constante das cidades, o som dos sinos não passa despercebido da maioria dos seus habitantes.
                                                      O toque dos sinos das igrejas católicas, desde tempos imemoriais, vem assinalando as horas do dia e da noite, os tempos de oração, a celebração da missa, o Ângelus e a oração comunitária. Ele reúne o povo para as celebrações litúrgicas, adverte os fiéis quando ocorre algum acontecimento importante que seja motivo de alegria (como a entrada de um novo bispo ou de um novo padre) ou de tristeza (a morte ou os funerais de alguém). 
                                                    Há, desta forma, toques para avisar que morreu um paroquiano, para especificar se o falecido era homem ou mulher, para convocar os fiéis, para anunciar que o cortejo fúnebre está prestes a sair da igreja, etc.  Por outro lado, os sinos, também, tocam em diversas outras oportunidades, como, por exemplo, quando os verdadeiros crentes exultam ou choram por ocasião de episódios históricos-religiosos, quando dão graças ou suplicam; como também quando se reúnem para manifestar a sua fé e a crença que possuem nos dogmas da igreja.
                                                        Isto, todavia, era o que ocorria, até então, quando a igreja funcionava como um organismo uno, quando fiéis e sacerdotes pensavam da mesma forma, tinham a mesma crença e trabalhavam para um mesmo fim. Com o advento da chamada Teologia da Libertação, que tem provocado cisma na igreja católica; bem como, com a chamada Nova Ordem Mundial e seus desdobramentos, dentre os quais o denominado Sínodo da Amazônia é um exemplo, as coisas, no entanto, estão mudando e as mudanças deverão se acentuar ainda mais nos próximos anos.
                                                 A referida teologia, segundo alguns historiadores, surgiu a partir do ano de 1971, quando o padre peruano Gustavo Gutiérrez publicou um livro denominado ‘A Teologia da libertação’.
                                               A Teologia da Libertação, ampliada e consolidada posteriormente por sacerdotes de influência marxista, parte da premissa de que o Evangelho exige uma opção preferencial pelos pobres e destaca que a teologia, para concretizar essa opção, deve se utilizar das ciências humanas e sociais. Busca, pois, a mencionada teologia, reformular todo o cristianismo com uma nova maneira de interpretar os fatos históricos, sociais, místicos e transcendentais que o originaram. 
                                                  Trata-se, portanto, de uma nova interpretação do cristianismo surgida no Continente Sul Americano, feita por alguns sacerdotes, abolindo o sentido anagogico e transcendental da fé cristã. 
                                                    A Teologia da Libertação buscaria, desta forma, explicações científicas, antropológicas e sociais para fenômenos metafísicos-religiosos, negando os dogmas do cristianismo e cortando a transcendência divina desta religião, convertendo-a, como um todo, em um novo movimento de transformação da realidade através de uma releitura sociológica dos livros sagrados à luz do materialismo histórico marxista; isto é, mediante a aplicação dos princípios do materialismo dialético ao estudo da vida social.
                                                    A Santa Sé, em 1984, condenou os principais fundamentos da Teologia da Libertação, como, por exemplo: a ênfase exclusiva desta teologia no pecado institucionalizado, coletivo ou sistêmico, e não mais nos pecados individuais; a eliminação da transcendência religiosa; a desvalorização do magistério e o incentivo à luta de classes. A partir desta condenação a importância do movimento se reduziu entre os sacerdotes locais.
                                                   Na década de 1990 e início da de 2000, no entanto, com a criação do Foro de São Paulo e o surgimento de diversos países socialistas bolivarianos (comunistas) no Continente Sul Americano; bem como, com a ascensão ao poder, em vários outros países do continente, inclusive no Brasil, de governantes de esquerda, a referida teologia ganhou novas forças, notadamente entre os sacerdotes católicos de tendência marxista que voltaram à carga contra os católicos e sacerdotes ortodoxos tradicionais.
                                                    Em nosso país, conforme bem definiu o padre católico Paulo Ricardo de Azevedo Junior (https://padrepauloricardo.org/), parte importante do clero da Igreja Católica aderiu aos partidos de esquerda, tornando-se, muitos destes sacerdotes, naquilo que o padre denomina de ‘teólogos da corte’; ou seja, padres e bispos que seguem a ideologia marxista dos partidos de esquerda, notadamente do Partido dos Trabalhadores. 
                                                     Segundo declarações do padre no YouTube, a única oposição concreta aos objetivos dos partidos de esquerda de implantarem o comunismo, em nosso país, partiria das igrejas protestantes.

                                                     - “Se o povo soubesse como se produz teologia neste país, ficaria envergonhado, como eu me envergonho ao imaginar que as pessoas olhem para mim, padre, e pensem que eu também estou no bolso do governo petista” - declarou Paulo Ricardo, em um de seus vídeos divulgados no YouTube.
                                                    O arcebispo de Aparecida do Norte, Orlando Brates, no Santuário Nacional de Nossa Senhora de Fátima, durante sermão que fez na missa solene de sábado, dia 12 de outubro de 2019, declarou, na presença do presidente Jair Bolsonaro: - “Temos o dragão do tradicionalismo. A direita é violenta, é injusta. Estão fuzilando o Papa, o Sínodo, o Concílio Vaticano Segundo”.
                                                      Alguns dias antes (domingo, 19 de setembro de 2019) o mesmo santuário havia recebido petistas dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, da Capital Federal Brasília e, também, de diversas cidades de São Paulo. O padre João Batista de Almeida pediu, durante a sua fala: “Pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que Nossa Senhora Aparecida o abençoe e dê muitas forças e se faça a verdadeira justiça para que, o quanto antes, ele possa estar entre nós, construindo com o nosso povo um projeto de país que semeie a justiça e a fraternidade, rezemos ao senhor”. 
                                                  Faixas com os dizeres Lula Livre eram vistas dentro e fora da basílica, demonstrando que a famosa Igreja da Libertação, de natureza marxista, apoiava, ostensivamente, a libertação de um ex governante, criminoso condenado por vários juízes, em várias instâncias, em vários processos, por formação de quadrilha, corrupção, desvio de verbas públicas, etc. etc. etc.
                                                   Por sua vez, do outro lado do Atlântico, o cardeal Walter Brandmüller, historiador da Igreja Católica, criticou o documento de trabalho lançado pelo Vaticano, denominado ‘Instrumentum Laboris’, para o Sínodo da Amazônia. Segundo o cardeal: “Há que se perguntar o que a ecologia, a economia e a política têm a ver com o mandato e a missão da Igreja? E, acima de tudo, que competência profissional e autoridade tem um sínodo eclesial de bispos para emitir declarações nesses campos”?
                                                   O cardeal conclui, afirmando: “Portanto, deve ser dito hoje, com força, que o ‘Instrumentum Laboris’ contradiz o ensinamento vinculante da Igreja em pontos decisivos e, portanto, deve ser qualificado como um documento herético. Dado que mesmo o fato da revelação divina é aqui questionado, deve-se, também, falar que, além disso, é um documento apóstata”.
                                                     Voltando, pois, ao título do presente texto, a pergunta que muitos católicos poderão fazer a si mesmo, diz respeito às novas razões pelas quais os sinos das igrejas passarão a dobrar, em futuro próximo, caso a corrente marxista da Teologia da Libertação (aliada aos sacerdotes e altos prelados do Vaticano que seguem a cartilha da Nova ordem Mundial, em busca de um governo único e uma religião única mundiais; religião esta que, evidentemente, não deverá ser o cristianismo, mas uma religião oriental como o islamismo, o budismo ou o hinduísmo que congregam maiores contingentes populacionais e são mais do que simples religião, pois fazem parte da vida social e institucional dos países onde predominam), saia vencedora do atual cisma que se apresenta aos olhos de todos os fiéis.
                                                     Será que, com a abolição dos velhos toques de sinos nas igrejas, que traduziam os antigos sentimentos religiosos, serão criados alguns toques novos, como, por exemplo, para indicar que o comunismo ditatorial e de partido único, finalmente, venceu o capitalismo e a democracia liberal em nosso país e no resto dos países do Ocidente? 
                                              Será que os sinos emitirão sons encadeados, nas torres das igrejas, de forma nova e diferente, para indicar que, finalmente, todos os meios de produção agora pertencem ao vitorioso (e implantado por toda parte) governo popular comunista? 
                                             Algum toque novo, repenicado, finalmente, para júbilo de alguns apóstatas, irá comunicar aos fiéis remanescentes que o cristianismo está com seus dias contados ou que  já acabou sobre a face da Terra?


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

308. Brasília será a nossa Nuremberg?


Jober Rocha*


                                    O Tribunal Internacional de Nuremberg, como sabem os leitores, consistiu em uma série de tribunais militares, organizados pelos Aliados (USA, União Soviética, Inglaterra e França) depois da Segunda Guerra Mundial, que trataram de processos instaurados contra 24 proeminentes membros da liderança política, militar e econômica da Alemanha Nazista. 

                                                     Estes julgamentos, realizados a cargo de um Tribunal Militar, ocorreram na cidade de Nuremberg, na Alemanha, entre 20 de novembro de 1945 e 1º de outubro de 1946. No entanto, até 1949, outras 117 acusações de crimes de guerra contra diversos membros da liderança nazista foram, também, julgadas em outros tribunais, em uma verdadeira devassa levada a cabo relativamente aos crimes perpetrados pelos nazistas. O tribunal de Nuremberg teve como epílogo a decretação de 12 condenações à morte, três à prisão perpétua, duas a 20 anos de prisão, uma a 15 anos, uma a 10 anos e duas absolvições. 

                                                 A criação do referido tribunal não foi, apenas, motivada em virtude daquele processo sistemático, prolongado e burocraticamente controlado pelo Estado Alemão conhecido como ‘Solução Final para o problema judeu’, levado a termo nos chamados campos de extermínio nazistas por determinação das principais autoridades governamentais da época. Outros fatores, como a perseguição implacável de adversários políticos; a selvageria na busca pela vitória a qualquer custo envolvendo o massacre, pelas armas ou pela fome, de populações civis; o saque ao tesouro da Alemanha e o daqueles diversos países por ela invadidos, bem como aos bens e propriedades de suas populações; o assassinato de dissidentes e opositores políticos, na própria Alemanha e nos países ocupados; etc.

                                                As autoridades nazistas conduzidas às barras do mencionado tribunal, tratavam-se de militares, de políticos, de juristas de executivos e de empresários. A totalidade dos réus afirmou, em sua defesa, que seguiam ordens recebidas ou desconheciam os crimes de que eram acusados. O único culpado, alegavam, se algum porventura existiu, era o Fuhrer Adolf Hitler.

                                               No Brasil, recentemente, uma equipe de juízes, procuradores federais, promotores públicos, delegados de polícia, inspetores, agentes, etc., participou de vasta operação judicial, iniciada em 2008 e, posteriormente, denominada Lava Jato. Não entrarei em detalhes sobre a mesma por ser ela demasiadamente conhecida de todos os brasileiros. Direi, apenas, que esta operação cumpriu mais de mil mandados de busca e apreensão, de prisão temporária, de prisão preventiva e de condução coercitiva, visando apurar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou bilhões de reais em propina. 

                                            A operação contou com 63 fases operacionais, autorizadas, dentre outros magistrados, pelo então juiz Sérgio Moro; durante as quais foram presas e condenadas, em primeira instância, mais de cem pessoas. Os crimes investigados tratavam de corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta de entidades públicas e privadas, lavagem de dinheiro, organização criminosa, obstrução da justiça, operações fraudulentas de câmbio e recebimento de vantagens indevidas.

                                             Em que pese todo o esforço físico e mental dispendido pelos integrantes da equipe envolvida na apuração destes crimes, bem como do montante de recursos financeiros gastos com a apuração dos fatos, poucos daqueles envolvidos até hoje condenados ainda permanecem presos, mesmo após terem sido sentenciados.

                                          A multiplicidade de recursos possíveis na nossa legislação, aliada a artifícios jurídicos falaciosos considerados por alguns magistrados das altas cortes; como, ainda, novas interpretações pessoais das leis (sobre casos com jurisprudência já firmados) por magistrados destas altas cortes (alguns deles nomeados para a função por um dos principais réus desta operação mencionada, já condenado em primeira e segunda instância), interpretações estas que tendem a favorecer o referido réu e seus cúmplices; prescrições de prazos e de crimes; etc., foram alguns dos fatores responsáveis pela atual liberdade de muitos dos criminosos condenados em instâncias anteriores.

                                               Independente disto, centenas, senão milhares, de outros criminosos, ainda não chamados às barras dos tribunais e que se tratam de empresários e autoridades dos três poderes da república responsáveis por inúmeros desvios de recursos públicos, gestão fraudulenta de órgãos do governo, concussão, etc., esperam na fila a vez de serem chamados para prestar esclarecimentos sobre denúncias ainda em apuração e processos não concluídos. Inúmeras denúncias não chegaram, sequer, a ser apuradas, quer por falta de pessoal, de recursos financeiros para investigações ou, até mesmo, por dissidia de autoridades responsáveis.

                                                A corrupção generalizada implantada no país durante os governos de esquerda das últimas décadas, segundo consenso internacional, tratou-se do maior episódio de desvio criminoso de recursos públicos da história mundial. Como tal, direta e indiretamente, os crimes perpetrados naquele período da vida brasileira podem, a meu ver, ser considerados como crimes de genocídio e delitos contra a humanidade, sendo, de certa forma, idênticos ou semelhantes àqueles que motivaram a instalação do Tribunal de Nuremberg, conforme explicarei melhor a seguir. 

                                                Milhares, se não milhões, de brasileiros padeceram em hospitais públicos carentes dos recursos, desviados que foram para as contas particulares dos envolvidos; outros tantos morreram nas estradas esburacadas e mal sinalizadas do país em virtude do assalto aos cofres públicos, perpetrados por verdadeiras quadrilhas; milhares adquiriram enfermidades endêmicas e epidêmicas motivadas pela falta de saneamento ou pela ausência de controle de vetores, em razão dos desvios de dinheiro praticados; milhares foram vitimadas pela violência urbana e rural do crime comum ou de facções criminosas organizadas (algumas delas, segundo denúncias da mídia, contando com o apoio dos governos de esquerda que as consideravam como braços armados aliados para vencer a resistência popular na implantação do comunismo no país) ou simplesmente morreram de fome em virtude do desemprego gerado pelas administrações temerárias e incompetentes que acabaram por quebrar o país, produzindo um déficit orçamentário da União, deixado para o governo Bolsonaro, no ano de 2019, da ordem de cento e quarenta bilhões de reais.  

                                             Dezenas, se não centenas, de opositores foram perseguidos ou assassinados, apenas, por discordarem dos métodos adotados pelos donos do poder. Verdadeiros crimes de lesa-pátria e de traição, ademais dos saques feitos ao Tesouro Nacional, foram cometidos contra a nação brasileira e contra o seu povo honesto e trabalhador. Como aqueles criminosos da alta hierarquia de antanho, na Alemanha, os atuais criminosos de colarinho branco, no Brasil, ainda em liberdade, também costumam argumentar que nada sabiam ou tentam imputar toda a culpa no chefe da quadrilha, atualmente preso, em que pese a delação premiada de alguns empresários, parceiros nos desvios de dinheiro público, os incriminarem com provas materiais e testemunhais.

                                                   Creio, assim, que, mais cedo ou mais tarde, por força da vontade popular e do patriotismo de muitas de nossas autoridades, o Tribunal (civil ou militar) de Brasília será, finalmente, instituído. Diferentemente do Tribunal de Nuremberg, neste nosso não deverão ser proferidas sentenças capitais, pois, além dos tempos serem outros, como cidadãos de bem respeitaremos as leis que estes nossos criminosos jamais respeitaram. 

                                                  Todavia, sem dúvida alguma, aqueles criminosos envolvidos em desvios de recursos públicos e demais crimes correlatos (eufemisticamente chamados de ‘malfeitos’ pelos próprios réus e por seus advogados; como os antigos nazistas costumavam, também eufemisticamente, chamar o massacre dos judeus de ‘Solução Final’), haverão de pagar por todo o mal que causaram ao nosso país e pelo atraso econômico e social a que, inexoravelmente, nos conduziram com as suas ganâncias por dinheiro, com as suas maquinações políticas venais e traidoras (posto que, ademais do roubo de dinheiro público, buscavam implantar no país, à revelia da população, uma ditadura comunista, mais uma vez, eufemisticamente chamada de socialismo bolivariano) e incompetências administrativas que conduziram o país quase à bancarrota e levaram a um crônico déficit orçamentário.

                                                     Semelhanças, evidentemente, existem entre as cidades de Brasília e de Nuremberg. Nesta, enormes comícios partidários foram conduzidos pelo Partido Nazista na década de 1930. Após a ascensão ao poder, Hitler declarou a cidade como a sede oficial dos Comícios do Partido Nazista (as chamadas Reuniões de Nuremberg). As áreas de desfile (Reichsparteitagsgelände) foram projetadas pelo arquiteto nazista Albert Speer, bem como outras construções monumentais no bairro Volkspark Dutzendteich, exemplo da megalomania nazista. Foram construídos diversos edifícios para acomodar os congressistas ao longo dos anos de duração do Terceiro Reich.

                                                    Na cidade, ainda, foram editadas as primeiras leis racistas do período nazista em 1935, dentre as quais as ‘leis de pureza do sangue ariano’, conhecidas como as Leis de Nuremberg. O surgimento, naquele local, destas chamadas Leis de Nuremberg, certamente, foi o principal motivo responsável pela escolha dessa cidade para a instituição do Tribunal para o julgamento dos crimes de guerra e crimes contra a humanidade praticados pelos nazistas. Outro fator responsável, com certeza, foi a existência de um grande Tribunal de Justiça naquela cidade, praticamente intacto após os bombardeios aliados, onde tanta injustiça foi praticada durante o período em que os nazistas dominaram a Alemanha.

                                                    Os perspicazes leitores já terão vislumbrado as semelhanças entre as duas cidades, sem que seja necessário mencioná-las.

                                                   Ao contrário do que fizeram os nossos governos de esquerda, ao instalarem em Brasília a chamada Comissão da Verdade para apurar supostos crimes perpetrados por militares e civis durante a vigência do Movimento Cívico Militar de 1964, quando, mediante uma transvaloração de valores (bem definida pelo filósofo Friedrich Nietzsche), tentaram vilipendiar a nossa história e os nossos vultos nacionais, distorcendo ou modificando fatos históricos, extinguindo valores morais e pondo fim às tradições do nosso povo (de modo a continuarem a exercer o poder em total descompromisso e dissintonia com o alcance e a manutenção dos nossos objetivos nacionais permanentes), este novo Tribunal da Verdade, a ser instituído talvez na Capital Federal mais cedo ou mais tarde, ademais de responsabilizar criminosos comuns de colarinho branco (que durante muitos anos contaram com o famigerado foro privilegiado que os tornava, quase sempre, impunes quanto aos crimes praticados), permitirá resgatar, aos olhos dos cidadãos de bem, a nossa verdade histórica durante duas décadas escondida ou manipulada, através da distorção de fatos mediante o aparelhamento de escolas e universidades por ativistas políticos e militantes dos partidos de esquerda e da cooptação da mídia, em geral, e do meio artístico, em particular, através da farta distribuição de verbas públicas.

                                              A instauração deste tribunal, a exemplo daquele de Nuremberg, não se tratará de pura e simples vingança praticada pelos vencedores contra os vencidos, conforme ocorreu no conhecido episódio histórico promovido pelo chefe da tribo celta dos Sênones, Breno, que dominava a costa do Adriático denominada Gália Cisalpina, na Itália, em 387 a.C., e que liderou o exército gaulês na captura e saque da cidade de Roma. Após ter vencido os romanos na Batalha do Ália, Breno, ao estipular o valor do resgate a ser pago por estes, teria proferido a frase que ficou para sempre nos anais da história: - Vae Victis! (Ai dos vencidos!).

                                                     Trata-se, no presente caso, tão somente, de fazer justiça, punindo criminosos praticantes de crimes que considero hediondos, ao levar em consideração que os recursos públicos que desviaram para seus bolsos foram a causa de milhares de mortes, bem como de sofrimentos de toda ordem, pela nossa gente, como, ainda, de enorme atraso econômico e social da nação brasileira. Por outro lado, a condenação destes criminosos servirá também de exemplo (para as futuras gerações de líderes deste país com pretensões de potência mundial) de que o crime, como uma violação do direito de todos, realmente, não compensa.


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

     Membro da Academia Brasileira de Defesa.


quinta-feira, 3 de outubro de 2019

307. O Princípio da Correspondência


Jober Rocha*



                                       Notícias recentes da imprensa mundial dão ciência de que um grupo de Astrônomos descobriu um novo planeta gigante que, de acordo com os cientistas, não deveria existir; caso as teorias atuais fossem aplicadas. 
                                                          Bem semelhante ao planeta Júpiter, aquele recentemente descoberto é extremamente grande em comparação com a sua estrela mãe, contrariando o conceito aceito sobre a forma pela qual os planetas se formam. 
                                                 “Essa descoberta nos leva a revisar nossos modelos”! – teria declarado um dos cientistas.
                                                         Recordando as sete leis do Caibalion, obra atribuída a Hermes Trimegistro (legislador egípcio e filósofo, que viveu na região de Ninus, por volta de 1.330 a.C.) e que regeria mais do que o universo, pois contemplaria igualmente a vida de cada um de nós, seres humanos, independentemente de nosso conhecimento a respeito dela; creio que o modelo político-ideológico do Estado brasileiro também deveria ser revisto. 
                                                          Digo isto por que a segunda Lei do Caibalion, denominada ‘Princípio da Correspondência’, afirma que “o que está em cima é como o que está embaixo e o que está embaixo é como o que está em cima”, indicando que as coisas no Macrocosmo se passariam iguais as do Microcosmo.
                                                        Elegemos um Presidente da República para presidir e brilhar, como uma estrela mãe, e constatamos, estupefatos, que existem planetas maiores do que ele, que não deveriam existir caso as teorias atuais do Estado fossem aplicadas, contrariando, pois, o conceito aceito de independência entre os Poderes da República. 
                                                Assim, como perceberam os brilhantes astrônomos com relação a Ciência da Astronomia, esta descoberta poderá levar, inexoravelmente e em razão de seus nefastos efeitos, a uma revisão do nosso tradicional modelo de Estado, até então, adotado pela Ciência Política.


_*/ Jober Rocha é Doutor em Economia pela Universidade de Madrid, Espanha.

306. Felizmente, a carne continua sendo fraca...


Jober Rocha*


                                       Era voz corrente no meio científico, até agora, que comer muita carne vermelha, notadamente as processadas, estaria fortemente associada a uma elevação no risco de contrair câncer, de ter inflamação intestinal e de elevação nas taxas de colesterol. Todavia, recente estudo  (Patterns of Red and Processed Meat Consumption and Risk for Cardiometabolic and Cancer Outcomes: A Systematic Review and Meta-analysis of Cohort Studies) conduzido por uma equipe mista de pesquisadores canadenses, ibero-americanos e poloneses e divulgado na revista científica Annals of Internal Medicine (publicada pelo American College of Physicians, que se trata de uma das revistas médicas especializadas mais amplamente citadas e influentes do mundo) contestou estas informações.
                                                 Concluindo o estudo, os investigadores não encontraram qualquer associação entre o consumo de carne e a chance de contrair doenças cardíacas, câncer ou qualquer outra enfermidade, não havendo, portanto, segundo eles, motivo algum para que as populações reduzam o seu consumo diário de carnes vermelhas. 
                                               Tais possibilidades aventadas pela Medicina, de chegarmos a contrair enfermidades simplesmente pelo fato de consumirmos carne, continuam, pois, sendo insignificantes ou desprezíveis; o que vem de encontro a ‘voz do povo’ quando, desde tempos imemoriais, sabiamente percebeu que a carne era fraca (em todos os sentidos, inclusive no de causar malefícios para a saúde humana).
                                                    Esta notícia, certamente, fará a alegria e a despreocupação daqueles adeptos do churrasco, como eu, que, até então, trinchavam suas suculentas picanhas com incontido remorso, imaginando caminhar a passos largos para um leito em algum CTI ou até mesmo para um cantinho isolado em algum cemitério, onde uma lápide florida recordaria o seu passado glutão através do velho epitáfio: - Mais vale um gosto do que seis vinténs! 


_*/ Jober Rocha é Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

305. Os novos e os velhos parasitas


Jober Rocha*




                                     Conforme notícias recentes da Mídia, um parasita microscópico, que até hoje não tinha sido identificado pela ciência, já infectou mais de uma centena de pessoas no Nordeste, causando lesões graves no organismo e matando pelo menos um desses pacientes.
                                                     Segundo a Mídia, a análise do DNA do micro-organismo revelou que se tratava de um parasita novo, cujos parentes mais próximos não costumam atacar os humanos.

- Mas que diabo será isso? – Teria indagado um pesquisador, quando análises iniciais de DNA indicaram que o micro-organismo não tinha parentesco próximo com as demais formas já conhecidas.


- Atualmente já percebemos que, enquanto o Leishmania é mais alongado e tem um flagelo (cauda) comprido, o novo parasita é mais achatado, com flagelo mais curto! — Teria dito outro pesquisador. 

                                                   É, pois, opinião no meio científico brasileiro, que, talvez, estejamos diante de um grande problema, em razão da presença deste novo agente infeccioso para o qual a ciência ainda não dispõe de terapêutica adequada.

                                                  Se a ciência Biológica está com este enorme problema, o que diríamos então da ciência Política? 

                                                 É fato notório que inúmeros parasitas, descendentes dos primeiros surgidos após a proclamação da república, que conseguiram se acastelar no governo em razão de nepotismo ou de alguma sinecura, têm se reproduzindo, desde então, de forma endêmica, sem, contudo, chegar a destruir seus hospedeiros governamentais conforme reza a boa tática parasitológica.
                                                         Notem, ademais, que, de forma similar aos novos parasitas biológicos, os parasitas políticos também buscam reduzir seus flagelos (rabos), mantendo-os, espertamente, ainda presos; de modo a que seja difícil identifica-los como pertencentes a alguma das diversas quadrilhas que infestam a nossa administração pública.
                                                De tanto que se proliferaram, o Estado brasileiro corre o risco de ter que parar as suas atividades por falta de numerário. Que os novos governantes encontrem um novo medicamento que consiga, ao menos, manter a infestação sob controle, sob pena da paralisia total de todas as nossas instituições republicanas...



_*/ Jober Rocha é Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

304. A Concorrência Pública


Jober Rocha*



                          Durante o início da minha carreira profissional, tive a oportunidade de estagiar em uma repartição pública na Capital. Naquele local, tendo entrado como aprendiz, passei logo a categoria de mestre, tantas foram as oportunidades que tive de conhecer a natureza humana e suas idiossincrasias. 
                                        Aquele simples estágio acabou revelando-se, para mim, mais do que um mestrado ou um doutorado, tantas foram as coisas que aprendi trabalhando junto com empregados comuns, muitos deles subalternos e alguns poucos chefes. Cheguei à conclusão, ao final do estágio de alguns meses, de que na vida pública nada é o que parece. Sob a capa da honestidade e da moralidade, em muitas repartições, praticam-se, sorrindo, as maiores venalidades e dilapidações do patrimônio público.
                                      Quem participa dos esquemas montados, de tudo sabe e recebe sempre a sua parte ou quinhão, conforme previamente combinado. Quem não participa dos referidos esquemas, evidentemente, nada percebe daquilo que se desenrola a sua volta. A minha repartição funcionava como um verdadeiro templo religioso, onde, em meio a exaltação da fé, da esperança, da caridade e das demais virtudes, de um modo geral; também operava, secretamente, uma organização esotérica maligna dedicada aos vícios e às maldades humanas. 
                                     Digo maldades por que, embora ninguém praticasse um ato considerado como tal, diretamente contra algum semelhante, indiretamente os efeitos daquelas ações que ali eram maquinadas, gestadas e concluídas prejudicavam milhares, senão milhões, de seres humanos, em virtude dos valores superfaturados e da baixa qualidade dos produtos, serviços e obras, adquiridos através de concorrências dirigidas, cujos vencedores já eram conhecidos antecipadamente. 
                                  O custo daquelas obras, mercadorias e serviços licitados, como mais tarde vim a saber, dariam para adquirir, no mínimo o dobro do que estava sendo comprado. A péssima qualidade dos materiais empregados, fazia com que tudo se deteriorasse rapidamente, tendo que ser realizada, em seguida, uma nova concorrência. Muitas vezes, adquiriam-se itens em quantidades inimagináveis, que durariam mais de cem anos para serem totalmente consumidos naquela repartição.
                               Inicialmente, por sorte minha que sempre fui muito curioso e gostava de aprender de tudo, fui lotado logo no setor de concorrências. Eu, que era um jovem totalmente inocente, despolitizado, de família humilde e religiosa, que sempre acreditara nos valores espirituais, nos bons sentimentos e princípios, na nobreza de caracteres, me vi, repentinamente, jogado em um covil de feras onde todas possuíam dentes afiados e olhar feroz. Conviviam bem entre elas próprias; a menos que alguma, com mais fome do que as demais, avançasse no pedaço da carcaça do animal abatido pertencente a alguma outra. Aí, então, o ‘pau quebrava’, sendo preciso a intervenção dos outros envolvidos para conter os ânimos. Os territórios e as porções eram sagrados entre aqueles abutres.
                       Foi naquele setor que pude conhecer com maior intimidade os nossos fornecedores. Faziam todos eles parte de uma família numerosa, cujo sobrenome era Mutreta, composta por pai e oito filhos, cada qual com sua firma individual e todas localizadas no mesmo endereço, um velho galpão em um subúrbio distante.
                                    Durante meses, eu, como simples aprendiz, apenas, observava os procedimentos internos, tomando notas mentais e sem interferir em nada. Procurava captar as conversas em voz baixa, quase sussurradas, entre vários colegas. Na hora do almoço, por vezes, algum deles deixava escapar alguma frase comprometedora que, juntando-a com outra frase dita mais tarde por outro colega, permitia que eu me inteirasse de algo que já suspeitava, mas de que não tinha plena certeza.
                                      Resolvi, finalmente, como um agente infiltrado em um ambiente hostil, oferecer-me a um amigo mais chegado para, eventualmente, participar de qualquer atividade extra ali desenvolvida, mesmo que fosse à margem da lei, pois, argumentei, estava noivo e precisava de dinheiro para adquirir o enxoval.
                                            Através deste amigo, fui apresentado a um outro que me apresentou a outro. Este último disse que iria me colocar no grupo de análise das concorrências em andamento, de modo a ser mais um empregado a referendar os resultados. Não falou em dinheiro, mas ressaltou que, se eu trabalhasse bem, só teria a ganhar fazendo parte daquele seleto grupo.
                                         A partir de então, cada vez que o meu chefe anunciava uma concorrência para aquisição de determinada mercadoria ou material, os irmãos Mutreta concorriam com o preço mais baixo e com o preço mais alto. Se algum concorrente, estranho à família, oferecesse um preço intermediário, o irmão com o preço mais baixo ganhava. Se nenhum concorrente estranho aparecesse, o irmão com preço mais baixo desistia e o ganhador era o irmão com o preço mais alto. Já forneciam para aquela repartição há muitos anos. O edital anunciando as concorrências eram afixados atrás da porta da sala do chefe, três dias antes da data da mesma, de modo a que apenas a família Mutreta, que vivia naquele gabinete do chefe, sabia da realização da mesma.
                                           Meu chefe, que frequentava assiduamente a casa deles, recebia inúmeras cestas com alimentos e bebidas, em ocasiões festivas tais como seu aniversário, natal, carnaval, finados, etc. 
                                            Notando eu a baixa qualidade das mercadorias e dos materiais que forneciam para a repartição; bem como, o alto preço unitário daqueles itens, face aos preços de mercado, iniciei por criar um banco de dados com os preços de todos aqueles bens, informações estas que eu coletava mensalmente junto aos fabricantes.
                                           Por outro lado, consultando a legislação sobre concorrências, descobri a existência de normas que impediam a participação de empresas localizadas no mesmo domicilio e pertencentes a uma mesma família.
                                             Na primeira concorrência realizada após a minha chegada, na hora da abertura das propostas, afirmei, com base nas normas por mim coligidas, que as empresas da família Mutreta não poderiam participar por serem da mesma família e estarem localizados no mesmo endereço. 
                                                Após a enorme confusão que se seguiu, fui voto vencido, pois, naquele dia, meu chefe e vários dos seus assessores fizeram parte da comissão de licitação e a única voz discordante foi a minha. Para todos os demais as normas em vigor estavam sendo respeitadas.
                                                  Ao ser posto para fora da sala aos empurrões, ainda consegui argumentar que o preço apresentado pelo irmão vencedor, estava quinhentos por cento acima do preço de mercado; porém, meu chefe, que, imagino, não entendia daqueles aspectos legais e econômicos, deixou-se, mais uma vez, enganar, ordenando que a sala das licitações fosse trancada a chave e ficando sozinho, junto com os irmãos concorrentes, incomunicável pelo resto do expediente do dia.
                                             Como era uma sexta-feira fui direto para casa estudar toda a legislação referente a concorrências e processos licitatórios, buscando uma brecha para anular aquela concorrência, que me parecia totalmente fraudulenta. 
                                                Tendo, finalmente, descoberto um caminho legal bastante promissor, ao chegar cedo na segunda-feira para comunicar o fato ao chefe, não encontrei mais a minha mesa na sala da repartição. Fui informado, por um continuo, que a mesma havia descido, na própria sexta-feira anterior, para o oitavo subsolo onde funcionava a gráfica.
                                                  No lugar onde antes ficava a minha mesa encontrei caído ao chão um bilhete, escrito a mão em uma pequena folha de caderno. Tratava-se de um soneto (ou trova) com apenas uma estrofe de quatro versos ou linhas, que guardei, até hoje, de memória. O soneto (ou trova) dizia:

Todo aquele curioso intrometido
Que se envolve onde não é chamado,
Terá seu corpo para sempre desaparecido
Ou em alguma cova será encontrado...

                                          Sempre fui um grande admirador de poesias, tendo, até mesmo, me arriscado a enveredar em alguns concursos literários com alguns poemas de minha autoria. Aquele soneto (ou trova), entretanto, falou-me logo ao coração. Ademais de apreciar a rima e a métrica do mesmo, percebi que havia sido escrito exclusivamente para mim, por algum poeta anônimo da seção, tentando me alertar sobre algo lúgubre e tenebroso com respeito ao meu futuro naquela repartição pública.
                                          Resolvi, pois, por precaução, ir trabalhar na gráfica, no oitavo subsolo do edifício.
                                    O tanto que aprendi naquele novo local, para os leitores que se interessarem pelo assunto, ficará para ser narrado em próximos textos, como capítulos de uma apostila a serem distribuídos em um curso de pós-graduação em malandragem...

_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

303. A Amazônia é nossa?


Jober Rocha*



                       Segundo o escritor português Eça de Queirós (1845 – 1900), com a proclamação da república em nosso país acabaria, também, além da monarquia, o Brasil. 
                                   Em uma obra publicada depois de sua morte, sob o título de "Cartas Inéditas de Fradique Mendes” (segundo Eça, tais cartas foram as únicas coisas que teriam restado de um grande homem – Fradique - que é apresentado na obra como se tivesse realmente existido. Para corroborar esta ideia, Eça de Queirós introduz personagens autênticas no livro, que tiveram existência verdadeira e que testemunham sobre Fradique), este personagem, criado pelo escritor, escrevendo uma carta sobre a nossa história, diria:
                                     “Daqui a pouco, o que foi o Império estará fracionado em Repúblicas independentes de maior ou menor importância. Impelem a esse resultado a divisão histórica das províncias, as rivalidades que entre elas existem, a diversidade do clima, do caráter e dos interesses, e a força das ambições locais. Por outro lado, há absoluta impossibilidade de que São Paulo, a Bahia e o Pará queiram ficar sob a autoridade do general fulano ou do bacharel sicrano, presidente, com uma corte presidencial no Rio de Janeiro. Os Deodoros da Fonseca vão-se reproduzir por todas as províncias. Cada Estado, abandonado a si, desenvolverá uma história própria, sob uma bandeira própria, segundo o seu clima, a especialidade da sua zona agrícola, os seus interesses, os seus homens, a sua educação e a sua imigração. Uns prosperarão, outros desaparecerão. Haverá talvez Chiles ricos e haverá certamente Nicaráguas grotescas. A América do Sul ficará toda coberta com os cacos de um grande império”.
                                               Diversos historiadores são acordes em afirmar que foi a manutenção da monarquia, logo após a independência de Portugal, que impediu o nosso esfacelamento em diversos países menores, conforme acabou ocorrendo na América Hispânica. Todavia, ao contrario do que previu Eça de Queirós, a república não chegou para esfacelar o Brasil. Evidentemente, a previsão do escritor português não se consumou, até agora. 
                                                Mas, creio que está em vistas de se consumar brevemente, face a escalada crescente e contínua de ações, no âmbito da chamada Guerra Híbrida ou de Nova Geração a que estamos sendo constantemente submetidos, levada a efeito pela cobiça internacional de nossos recursos minerais e de biodiversidade, existentes em profusão na Amazônia; bem como, de percentagem significativa das reservas de água potável do planeta (cerca de 15 a 20 por cento destas se encontram naquela região). Em alguns mapas que circulam pelo mundo, a Amazônia já é tida como não pertencente ao Brasil.
                                                    É fato que a região se desenvolveu bastante durante os governos militares, com a construção de usinas hidrelétricas; com a abertura de estradas como a transamazônica; com a criação da zona franca de Manaus; com o levantamento aerofotogramétrico da região; com o mapeamento dos recursos minerais; com a construção de aeroportos e portos; com a criação de empresas mineradoras; com uma maior presença das forças armadas, com a criação de novos quarteis e a com a transferência de unidades militares de outros Estados da Federação para aquela região.
                                                 Todavia, nos governos militares e naqueles que se seguiram, não se restringiu a livre implantação de ONG’s na região nem a circulação de estrangeiros, como fazem inúmeros países, notadamente aqueles comunistas e muitos dos islâmicos.
                                                     Os governos de esquerda que se sucederam no país nas últimas três décadas, ao mesmo tempo em que sucatearam as nossas forças armadas e desarmaram a população (com vistas a facilitar a implantação do socialismo bolivariano, uma forma cabocla de comunismo tropical), permitiram e incentivaram a venda de terras (inclusive terras indígenas) na Região Amazônica para cidadãos, empresas e Organizações Não Governamentais estrangeiras. 
                                                        A FUNAI (Fundação Nacional do Índio) atual considera nulas as vendas de terras indígenas feitas para estrangeiros nos anteriores governos de esquerda, por que, segundo notícias da mídia, o governo atual teria detectado 36 contratos de venda, totalizando uma área do tamanho do Estado da Bahia, vendida pelos índios (que as receberam durante os governos petistas) para estrangeiros. Uma das áreas teria sido vendida por U$ 120 milhões para uma empresa irlandesa. Embora a FUNAI atual afirme não reconhecer estas vendas, o Direito Internacional, com certeza, as reconhecerá e qualquer cerceamento de atividades de extração mineral ou de biodiversidade, nestas áreas vendidas, aos seus atuais proprietários, certamente, motivará a intervenção de uma força estrangeira dos países cujas empresas ou cidadãos tenham sido afetados pelo governo brasileiro.
                                                      Hoje um grande percentual da Região Amazônica (e também da Região Centro-Oeste e sul) já não está mais em mãos de cidadãos ou de empresas brasileiros, adquiridos que foram por estrangeiros durante os governos de esquerda. Por outro lado, a população ribeirinha de pescadores e de agricultores; bem como, os que se dedicam ao garimpo e ao extrativismo, têm (segundo informes colhidos em campo, por militares e civis, e divulgados nas redes sociais) sido doutrinados, por Organizações Não Governamentais de esquerda que ali possuem livre trânsito, no sentido de aceitar a internacionalização da região, formando um exército de guerrilheiros junto com integrantes do MST- Movimento dos Trabalhadores sem Terra, prontos a combater contra as forças armadas brasileiras no caso de uma invasão estrangeira. 
                                                    Muitas destas ONG’s recebem verbas diretamente de países europeus e através do Fundo da Amazônia. As informações que têm sido divulgadas mencionam a existência de cerca de cem mil destas organizações na Amazônia. Muitas delas foram responsáveis pela criação de verdadeiros exércitos de potenciais guerrilheiros, buscados entre os caboclos ali residentes e que foram doutrinados e treinados por muitas destas organizações. Tais habitantes da floresta andam armados e possuem experiência de sobrevivência na selva, podendo somar-se às eventuais forças armadas de potências invasoras e tornando inviável, na prática, a defesa da região; reduzindo a afirmação ufanista de que “a Amazônia é nossa” a uma simples frase, cada vez menos proferida pelas pessoas conscientes da nossa vulnerabilidade naquela região.
                                                   Crianças de escolas públicas, em vários Estados da Federação, sem ao menos saber cantar o hino Nacional e reconhecer os símbolos da pátria, falam em revolução social e em ditadura do proletariado, influenciadas por professores e doutrinadores marxistas contratados pelos anteriores governos de esquerda com esta finalidade específica de doutrinação da nossa juventude. Em diversos Estados, ademais, verifica-se a existência de fortes movimentos separatistas, que chegam até a postar matérias a respeito nas redes sociais. 
                                               O caminho para o separatismo e para a implantação de uma grande república socialista bolivariana (ou de várias delas em muitos dos Estados da Federação, notadamente nas regiões Norte, Nordeste e Sul) já se encontra, pois, preparado. A sua deflagração é uma questão de tempo e de oportunidade. Tudo isto que até aqui foi dito não se trata de Teoria da Conspiração, formulação quase sempre feita de forma sardônica e em tom de zombaria, com a qual a esquerda gosta de esconder os seus verdadeiros propósitos e maquinações; bem como, as suas atividades deletérias de cunho ideológico propostas por Marx, Lenin, Stalin, Gramsci, etc.
                                                  Por sua vez, o jornalista e historiador Laurentino Gomes, em sua obra ‘1889’, menciona logo no início que “dos 193 países que, na atualidade, compõem a Organização das Nações Unidas - ONU, 149 se definem como republicanos. A própria Coréia do Norte se intitula uma república democrática popular, embora seja, na realidade, uma monarquia absolutista governada pela dinastia dos Kim, onde o poder passa de uma geração para a outra dentro da mesma família. A China, por sua vez, se apresenta como uma oligarquia de partido único, na teoria comunista, mas, na prática, capitalista”. 
                                                Cuba se apresenta como uma república socialista. É um estado centralizado, organizado segundo o modelo marxista-leninista. O Partido Comunista Cubano é o único partido político oficial e foi comandado pelo ditador Fidel Castro durante 49 anos, isto é, desde 1959 até 2008, passando o governo, a seguir, para o seu irmão Raul Castro. A Venezuela, recentemente, transformou-se em uma República Socialista Bolivariana. Segundo a ONU, o país se encontra em 'estado de exceção'. A esquerda mundial cobra democracia dos países e governos, mas são as primeiras a suprimirem a democracia naqueles países onde alcançam o poder pelo voto ou pela força.
                                                    Inúmeros países no Sudeste da Ásia e na Áfricas se proclamam repúblicas democráticas, mas, na realidade, não passam de ditaduras de partido único ou de monarquias. A própria Rússia se apresenta como uma república semi-presidencialista constitucional, de partido único; mas, seu atual presidente, Vladimir Putin, já se encontra no poder há 12 anos. 
                                               Muitos dos países islâmicos ou são monarquias ou repúblicas democráticas socialistas de partido único. Mesmo nas repúblicas democráticas socialistas de múltiplos partidos, os militares, de uma maneira geral, como na Argélia, permanecem sendo os detentores do poder.
                                                   Portanto, embora inúmeros países ao redor do mundo se intitulem, na atualidade, como uma república (forma de governo na qual o povo é soberano, governando o Estado por meio de representantes investidos nas suas funções em poderes distintos), na prática, nada mais são do que simples ditaduras, onde famílias ou partidos políticos únicos se sucedem e eternizam no poder. 
                                                        As repúblicas verdadeiramente democráticas, com vários partidos políticos de diversos matizes e correntes ideológicas, inclusive comunistas e socialistas, como é o nosso caso, tornam-se muito vulneráveis a cizânia e a influência externa; bem como, ficam difíceis de governar devido ao fato do eventual presidente no poder ser impedido de realizar as mudanças e as reformas necessárias, caso não faça acordos com o legislativo; acordos estes que implicam, quase sempre, em desembolso de dinheiro público ou em concessões de cargos na administração direta, indireta e nas empresas públicas, autarquias, etc. 
                                                O presidente que não tiver o apoio de forte base parlamentar, nada conseguirá implementar. No caso da chamada velha política, em que o apoio parlamentar costuma ser vendido ou trocado por favores (conforme ficou provado no episódio do chamado Mensalão), se o presidente se negar a participar destes esquemas, o problema estará criado; isto é, o presidente não conseguirá aprovar praticamente nada daquilo que vier a propor, inviabilizando, desta forma, a sua administração. Ocorre, ainda,  ser comum a interferência de um poder na esfera de atuação de outro, criando uma situação esdruxula em que todos mandam, menos o presidente da república que foi eleito pelo povo para mandar.
                                           Uma das contradições flagrantes deste nosso sistema é a possibilidade de um Partido Comunista poder concorrer com candidato à Presidência da República. Na hipótese de um candidato deste partido chegar a alcançar a presidência, logo buscará transformar o país em um regime comunista, mudando a constituição, eliminando todos os demais partidos e nacionalizando a economia, como ocorre nos países comunistas. A nossa constituição, felizmente, possui artigos de salvaguarda que, bem empregados na hora certa, podem colocar o país desgarrado de volta aos trilhos novamente, quando, no plano interno, a falência das instituições e a crise social se tornarem patentes e, ainda mais, quando sofrermos ameaças externas com relação a nossa soberania sobre o território nacional, como ocorre na atualidade.
                                                   Mais recentemente, a nível mundial e como uma expansão do globalísmo, foi tentada a implantação daquilo que se chamou de Nova Ordem Mundial, cujos objetivos explícitos, dentre outros, consistiriam na criação de um governo mundial, na abolição das fronteiras entre países, na adoção de uma moeda única, de uma única religião e de sistemas jurídico, político e econômico únicos, para todos os países. Aparentemente esta tentativa, ainda, não deu certo; não estando, todavia, descartada a ideia, apenas, em virtude dos percalços até então encontrados para a sua implantação.
                                                 O Tratado de não proliferação de armas nucleares (TNP) é um acordo entre Estados soberanos assinado em 1968, vigorando a partir de 5 de março de 1970. Atualmente conta com a adesão de 189 países, cinco dos quais reconhecem ser detentores de armas nucleares: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China — que são também os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Índia, Paquistão e Israel são não signatários do tratado, mas os dois primeiros admitem que já realizaram testes nucleares enquanto Israel nunca o fez; no entanto, nunca negou que tenha armas nucleares. Se Israel nunca o fez e chegou até onde chegou, evidentemente, qualquer país que possua o ciclo completo do urânio (jazidas e tecnologia de enriquecimento próprias) também conseguirá fazê-lo. Tratados e acordos, como já disse alguém, são feitos para serem rompidos ou denunciados.
                                               Até o presente, 189 países ratificaram o documento, e nenhum deles se retirou do Pacto, exceto a Coreia do Norte, que o fez em 2003 e, atualmente, já é uma potência nuclear. O Irã segue o mesmo caminho. Em 1998, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, já no final de sua primeira gestão, decidiu assinar o acordo. A tramitação, no Congresso brasileiro, do projeto que solicitava a autorização para o país subscrever o tratado teve fim em julho de 1998, após passar pelo Senado Federal.
                                               Além da assinatura do TNP, mencionado, o Brasil tem assinado todos os tratados sobre mudanças climáticas. Na ECO-92, realizada no Rio de Janeiro, foi promovida também a implantação da Declaração sobre as florestas, que tem como principal objetivo ressaltar a necessidade de preservação das florestas existentes no planeta, e a Convenção sobre a Diversidade Biológica que estabelece uma ligação entre preservação e produção econômica a partir da extração de elementos naturais, como matéria-prima para as indústrias.
                                                  Posteriormente no Protocolo de Kyoto, em 1997, foram realizadas várias alterações em relação às metas propostas no Rio, como por exemplo, a de que o conjunto dos países mais industrializados deveria diminuir a emissão de gases de dióxido de carbono.
                                   A Segunda Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida no Brasil como Rio+10, deu origem a uma declaração que endossa e atualiza as resoluções anteriores, e trata de desenvolvimento sustentável de forma mais abrangente e menos restrita ao aquecimento global. O fato é que o Brasil tem sido um dos primeiros países a assinar tratados que nos prejudicam, coisa que muitos países não fazem quando se sentem prejudicados. Os USA deixaram de assinar estes tratados sobre meio ambiente e mudanças climáticas, bem como a China. Ambos são países responsáveis, em grande parte, pela poluição do planeta. Um dos principais objetivos não declarados destes acordos ambientais, consiste na tentativa de redução do desenvolvimento da agropecuária e da industrialização de países emergentes. A atual crise entre Brasil e frança acerca da Região Amazônica, na qual a França se recusa a aceitar o acordo Mercosul  X União Européia, supostamente, em razão das queimadas criminosamente ateadas por pessoas contrárias ao atual governo, esconde, na realidade, interesses de agricultores franceses preocupados com a exportação de produtos agropecuários brasileiros, mais baratos que os franceses, para os demais países da União Européia.
                                            Se desejamos o Brasil pertencendo aos brasileiros, de hoje e das futuras gerações, devemos seguir um exemplo protecionista similar ao do atual presidente norte-americano, que fechou o seu país à imigração, conclamou e incentivou as empresas norte americanas a saírem da China, denunciou antigos tratados de desarmamento e de não proliferação de armas nucleares; bem como, não participou de tratados globais relativos ao clima e ao meio ambiente e retirou-se da Comissão de Direitos Humanos da ONU. 
                                               Note-se que a maior potência mundial, com as forças armadas mais poderosas do planeta, se fechou e se resguardou, temendo o aumento do poderio da China e da Rússia, em aliança para ocupar espaço geoestratégico no mundo, inclusive no continente sul americano e na África. Infelizmente, temos sido dos primeiros a aderir a todo tipo de tratados e acordos internacionais, mesmo aqueles que nos prejudicam na atualidade e, também, quanto ao nosso futuro. Nossa vulnerabilidade atual, em que pese o ufanismo de muitos, é imensa e não teríamos como resistir e rechaçar uma iniciativa de internacionalização da Amazônia. A única solução para não perdermos a região e retomarmos o comando do país é agindo preventivamente, como fez os USA. Neste particular, uma aliança plena com o 'grande irmão do norte' é de fundamental importância, notadamente quando a China e a Rússia buscam aumentar suas influências no continente com a abertura de bases militares e a assinatura de tratados de defesa com alguns países latino-americanos.
                                                  Recentemente, um político brasileiro favorável ao levantamento de restrições à venda de terras para estrangeiros, na Amazônia e em outros Estados, declarou “A Constituição já tem mecanismos para assegurar a soberania nacional”, esquecendo que a soberania nacional é assegurada por forças armadas numerosas, bem armadas, bem treinadas e pela coragem e patriotismo de nossos cidadãos e não por algum documento, alguma lei ou algum decreto presidencial. Este, caros amigos leitores, como podem ver, é o nível daqueles que fazem as nossas leis.
                                                     Um país que possua as nossas dimensões e que contenha recursos minerais estratégicos e raros, aquíferos e biodiversidade em grande escala como os nossos, com forças armadas obsoletas e não sendo uma potência nuclear, certamente, será alvo da cobiça internacional, cobiça esta que acabará mais cedo ou mais tarde por obter frutos, mormente estando o país na ocasião sob o eventual controle de políticos e de autoridades dos demais poderes da república, venais e/ou ideologicamente alinhados com o marxismo apátrida e internacionalista.   
                                                         Se não quisermos ver o nosso país passando por uma convulsão social, fragmentado em vários outros países menores ou termos a nossa Região Amazônica internacionalizada em pouco tempo, creio que devemos passar da fase de irresponsabilidade esquerdista, entreguista e venal, das últimas décadas (quando os governos de esquerda, de maneira traiçoeira, forneceram recursos financeiros escassos dos brasileiros para fortalecer os movimentos comunistas do Continente, além de se beneficiarem com propinas recebidas de grandes empreiteiras de obras públicas), para uma nova fase de responsabilidade politico-militar, conservadora e patriótica.
                                            Reconheço que em época de "comportamentos politicamente corretos", pregados pela esquerda como forma de transvaloração de valores (quando os vícios passam a ser considerados como virtudes e estas consideradas como vícios), as presentes proposições podem soar como verdadeiras heresias, para aqueles mesmos esquerdistas de plantão que não respeitam as religiões...
                                                      Para que alcancemos os nossos objetivos mencionados, portanto, medidas duras e drásticas necessitariam ser tomadas, tal a ordem do aparelhamento das instituições governamentais herdadas dos governos anteriores e da oposição sistemática e antipatriótica da grande mídia, dependente de verbas públicas cujas torneiras foram fechadas pelo atual presidente, alvo, logo a seguir, de campanha difamatória por parte desta grande mídia. Para tal, deveríamos poder contar com o apoio de algumas grandes potências, nos organismos e foros internacionais, de forma a neutralizarmos as ações da esquerda internacional que, sem dúvida alguma, se farão sempre presente tentando desestabilizar um governo de direita.
                                             Teríamos, novamente, a mesma coragem e determinação de nossos ancestrais, que colonizaram e construíram este país para nós, os seus desconhecidos descendentes, os quais (por lhes faltarem visão, patriotismo e liderança) colocariam tudo a perder, no futuro ou na atualidade, entregando à sanha estrangeira um extenso e rico território a duras penas conquistado por nossos ascendentes? 

                                          Seria a nossa dependência econômica e a nossa subserviência política  de tal ordem que jamais conseguiremos romper este paradoxo impeditivo, de uma potência emergente que não emerge, de um país subdesenvolvido que não se desenvolve, de uma nação soberana que vai pegar o dever de casa em organismos internacionais como no FMI ou nas reuniões do G7? 
                                            Essas são questões a serem respondidas pelos brasileiros de todas as cores, raças e religiões. A maioria deve decidir entre sermos todos livres, em um Brasil soberano para os brasileiros, ou sermos escravos de outros povos e de ideologias comunistas espúrias, em uma servidão consentida motivada pela nossa covardia, pela nossa ignorância e pela nossa tradicional venalidade; esta última, hoje, reconhecida mundialmente após a Operação Lava à Jato, operação esta conduzida de forma brilhante e patriótica por uma equipe de juízes, procuradores da república e  agentes policiais federais, verdadeiros heróis nacionais.


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.