sexta-feira, 28 de abril de 2017

138. Sobre a indecisão no meio militar

Jober Rocha*


             “É uma coisa os soldados cumprirem ordens, outra seguirem os exemplos nobres. Os primeiros têm por paga o soldo, os outros a glória.” Esta frase, cujo autor não me recordo, povoou os primeiros anos da minha vida em uma escola militar. Escrita em uma das paredes de um dos alojamentos, era constantemente lida por quantos ali transitassem. Vejam os leitores que o autor já destacava a diferença de comportamento entre os militares; ou seja, entre aqueles com iniciativa própria daqueles que apenas cumpriam ordens. Outra frase, também escrita em uma das paredes do alojamento, dizia que “Cem anos não podem apagar um momento de perda da honra”.
                Após ter convivido durante cinco anos na vida militar, acabei tomando outro rumo que me levou a travar conhecimento com os fenômenos econômicos, com o comportamento dos agentes produtivos, com as Teorias Econômicas, com a Sociologia, com as Ideologias, com as Correntes Filosóficas, com os alicerces do Direito, com a Psicologia das Massas, com a Ciência Cognitiva, a Crítica Social, o Ativismo Político, etc. Formei-me em Economia, fiz o mestrado no país e cursei o doutorado na Espanha e na França. Tempos depois tive a oportunidade de retornar ao convívio militar através da realização do Curso de Administração do Transporte Marítimo, promovido pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, com duração de um ano. Alguns anos depois fui estagiário na Escola Superior de Guerra (vinculada ao Estado Maior das Forças Armadas), ao cursar o Curso Superior de Guerra, também, com duração de um ano.
                 Menciono isto tudo, apenas, para evitar que alguns leitores, militares ou não, fiquem a imaginar se aquele que escreveu o presente texto está habilitado a falar sobre algo que, ao longo da História, tem sido objeto da preocupação de estrategistas, de comandantes militares, de historiadores militares, de cientistas do comportamento humano e de combatentes. Por outro lado, já aposentado, fui, durante dez anos, permissionário em um quartel de Infantaria da minha cidade. Mais uma vez, retornei ao meio militar. Naquele quartel fiz grandes amizades e cheguei a presidir a Associação de Amigos e Veteranos, ali instalada, sendo, posteriormente, presidente do Conselho Deliberativo da associação.
                 Volto a destacar que tudo aquilo que até aqui relatei não visa a minha autopromoção, servindo, tão somente, para enfatizar que não falo sem conhecimento de causa ou que tento discorrer sobre algo com que não tenho intimidade. Convivi muitos anos com militares das mais variadas patentes, de soldados a oficiais generais, e creio poder fazer uma análise, embora sucinta e superficial, sobre o pensamento da grande maioria dos militares com os quais convivi, tendo a ousadia ou a temeridade de generalizar minhas conclusões.  
                  Sem a menor pretensão de querer chegar aos pés daquilo que foi deixado à posteridade por estrategistas famosos como Sun Tsu, Maquiavelli, Liddell Hart, Clauzewitz, Schilieffen, teóricos que foram da estratégia militar, estas considerações tentam evidenciar as minhas opiniões particulares sobre um tema específico, qual seja o da iniciativa ou da falta dela no meio militar. Reconheço ser este um texto polêmico, mas a polêmica é o meu objetivo maior, visando despertar a atenção dos militares e das nossas autoridades militares para a importância do problema, levando-as a aprofundarem o assunto. 
                 A minha intenção não é a de tecer críticas a pessoas ou a instituições, mas, tão somente, através de relatos de situações que presenciei evidenciar que existe algo de falho ou de errado impedindo ou tolhendo a iniciativa pessoal, extremamente necessária aos militares em suas atividades bélicas na defesa do Brasil, das nossas leis e da nossa ordem.
                  Inicialmente eu gostaria de destacar as diferenças entre as iniciativas pessoais (com as evidentes exceções de praxe) que se apresentam gritantemente distintas, em média, entre os militares das polícias militares e os das forças armadas convencionais. Os primeiros vivem, em nosso país, diuturnamente em um Teatro de Guerra real, teatro este para o qual os segundos são levados a participar, episodicamente e em situações muito específicas. A participação de nossas FFAA em combates fora do Brasil, após a WWII, ocorreu apenas, em pequena escala, na República Dominicana, em Suez e no Haiti (todas em missão de paz, pela ONU). Note-se que houve mais baixas entre os heróis anônimos das polícias militares brasileiras, no período de 1994 a 2016 (cerca de 3.000 policiais mortos em confronto), do que entre os heróis combatentes da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial (460 praças, 13 oficiais e 08 pilotos). 
                  O número de Policiais Militares mortos, apenas no Rio de Janeiro e no período citado, representa um percentual do efetivo empregado (da ordem de 3,59%) maior do que o mesmo percentual das baixas norte-americanas em guerras mundiais. “É 765 vezes mais fácil você ser ferido servindo na polícia do Rio de Janeiro do que estando em guerras", disse o coronel Fabio Cajueiro, que era um dos oficiais presentes na discussão travada no Fórum de Policiais Mortos da Polícia Militar do Rio de Janeiro, realizado na academia da Polícia Militar, em Sulacap, na Zona Norte do Rio, fórum aquele que visava diminuir a vitimização de policiais. Só no primeiro mês de 2017, 18 policiais foram mortos no Estado do Rio de Janeiro.
                      O fato de atuar, diuturnamente, em um Teatro de Guerra real (ainda que tais guerreiros, de forma errônea no meu ponto de vista, continuem sendo julgados por uma legislação cível e criminal de tempos de paz; o que é algo contraditório e deixa bem claro a fraqueza do executivo, do legislativo e do Judiciário em reconhecerem o Estado de Guerra Interna existente em muitos dos Estados da Federação, que já possuem áreas liberadas e dominadas por facções criminosas, as quais trazem o pânico e a violência às comunidades no seu entorno e à população de toda a cidade), faz com que o Policial Militar, muitas vezes atuando sozinho, em duplas ou em pequenas frações, tenha de decidir, por si mesmo, a conduta que adotará. 
                    Como a velha frase que, muitas vezes, ouvi na aviação: “A indecisão mata o piloto!”, a indecisão do policial acabará por levá-lo a óbito. A frase que vale para o piloto vale também para o policial militar em uma viela estreita e suja de uma favela na periferia, onde ele tem que decidir, na hora e sem perguntar a ninguém, qual a iniciativa que irá adotar frente à situação que se apresenta. 
                       Por sua vez, em um quartel das forças armadas convencionais brasileiras em “tempos de paz”, a forte hierarquia e o fato de os conscritos ou mesmo dos militares engajados, serem, em sua maioria, oriundos das classes de renda mais baixas, aliado a uma natural subserviência e timidez típicas destas classes menos favorecidas do nosso povo, faz com que raramente as praças militares tenham iniciativa própria em diversas situações. Assim, é comum sempre perguntarem aos superiores o que devem fazer e como devem proceder, temendo serem repreendidos ou punidos caso façam algo errado. 
                     Já presenciei inúmeros episódios em que o comandante do quartel decidia quase tudo, inclusive sobre o corte da grama do campo de futebol. Todos os pequenos problemas que poderiam ser resolvidos nos escalões inferiores, eram submetidos ao comandante, sobrecarregando-o. Não que inexista delegação de funções e de atribuições, mas, na prática, elas não costumam vigorar em razão da falta de iniciativa e do temor de punições, caso a decisão tomada não tenha sido a mais correta ou a necessária para o caso específico. A mesma situação verificada entre as praças ocorre, com freqüência, entre os subalternos e os superiores. Mesmo ao chegar aos altos postos de mando, alguns, ainda, continuam consultando os seus superiores para decisões que seriam da sua própria alçada.
                     Extrapolando um pouco a matéria e mudando de cenário, vemos que o mesmo também ocorre quando os militares que (em conformidade com o artigo 142 da Constituição da República Federativa do Brasil: “Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.) possuem a missão de defender a pátria, a lei e a ordem, contemplam estas três serem diariamente vilipendiadas, desrespeitadas e desdenhadas pelas próprias elites no poder. 
                         Como naquele quartel mencionado anteriormente, todos esperam a decisão do comandante supremo das forças armadas (do presidente ou, até mesmo, do responsável por algum dos demais poderes), para poderem agir em defesa da pátria, das leis e da ordem, esquecendo-se de que o próprio comandante supremo (presidente da república), bem como os responsáveis pela Câmara e pelo Senado federal, têm sido mencionados em depoimentos de empresários beneficiados pela delação premiada como tendo recebido, ilegalmente, recursos de caixa dois e tendo sido citados em pedidos de abertura de inquéritos no âmbito da Operação Lava-Jato conduzida pela Polícia Federal. Ademais, recentemente, o Ministro Nelson Fachin, do STF, autorizou a abertura de 76 inquéritos envolvendo 8 ministros do atual governo, 24 senadores, 39 deputados, 3 governadores e 1 ministro do TCU. E notem que estamos apenas no início das denúncias e das apurações sobre corrupção, desvio de recursos públicos e crimes de lesa pátria em nosso país. Constata-se, assim, que o Brasil já não possui mais segurança jurídica e que a máquina pública - no dizer do ministro do STF Gilmar Mendes - foi tomada por uma Cleptocracia; ou seja, um Estado governado por ladrões. 
                        Neste contexto, as leis, os decretos e as portarias, aprovados e promulgados pelo Legislativo e pelo Executivo, atuais, careceriam de credibilidade e de legitimidade; posto que, estariam sob suspeição, em razão de terem sido elaborados e aprovados por personagens, em grande parte, réus nos processos de corrupção instaurados na Justiça.
                     Enquanto isto ocorre, muitos militares, mais acostumados a cumprirem ordens do que a seguirem os exemplos nobres, aguardam por uma iniciativa, partindo dos poderes constituídos, para intervirem em defesa da pátria, das leis e da ordem. Mas, o que fazer, se a origem dos nossos problemas atuais está, justamente, em muitas daquelas ‘autoridades’ responsáveis conjunturalmente pelos poderes constituídos, personagens estas as quais, ao contrário dos militares, jamais lhes interessaram a defesa da pátria, das leis e da ordem? Creio que a resposta a este questionamento poderia ser encontrada escrita nas paredes do velho alojamento daquela escola militar em que estudei, mencionadas no início deste texto; já que, a nossa situação, além de inusitada, é incompreendida pela maioria das populações das democracias ocidentais. 
                        A instalação de uma Cleptocracia no governo é um fato inédito na maioria destes países e para nos livrarmos de uma situação destas o mecanismo eleitoral não demonstra ser suficiente; já que, o Tribunal Superior Eleitoral-TSE começa, este ano, a julgar a ação em que o PSDB pede a cassação da chapa Dilma-Temer, vencedora das eleições presidenciais de 2014, por fraude eleitoral e pelo uso de recursos originários de caixa dois, oriundos do desvio de recursos públicos em obras contratadas pelo governo com diversas empreiteiras.
                      O julgamento é considerado o mais importante da história do tribunal. Por outro lado, a utilização de urnas eletrônicas nas eleições (sistema implantado em nosso país), tem sido muito criticada por possibilitar fraudes, na medida em que o eleitor não recebe nenhum comprovante informando sobre a natureza do seu voto; isto é, em qual candidato ele votou e a que partido político pertencia. Somos, talvez, o único país do mundo a utilizar este sistema.
                       Embora muitos critiquem as intervenções militares na vida civil dos países, na atualidade e em algumas situações pontuais, elas são as únicas alternativas viáveis, para libertar as populações, de alguns deles, de uma eterna servidão à déspotas e aos seus asseclas e comparsas, travestidos de democratas, que desejam apenas perpetuar-se no poder e enriquecer ilicitamente.


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

137. O Estagio


                                  Jober Rocha*




São Petersburgo, Império da Rússia, 18 de março de 1842.

De: Aleksandr Nicolaevich Romanov, primogênito e príncipe herdeiro (czarevich), filho de Nicolau I, da Rússia e da princesa Carlota, da Prússia.

Para: Sua Alteza Imperial Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga – Dom Pedro II, mui digno Imperador Constitucional e Perpétuo Defensor do Brasil.

Assunto: Estagio não remunerado para conselhos políticos, treinamento sobre governabilidade e noções para uma boa administração de um império. 



Majestade,
Na qualidade de príncipe herdeiro do Império da Rússia e com a idade atual de 22 anos (exatamente sete anos mais velho do que Vossa Majestade, prematuramente declarado e coroado Imperador do Brasil), dirijo-me a presença de Vossa Alteza, nesta oportunidade, pelos motivos que a seguir passarei a expor:

1. Minha educação, como futuro imperador da Rússia, é feita sob a supervisão de Vasily Zhukovsky, poeta liberal e tradutor competente, muito conhecido por aqui, que incluiu em meu aprendizado várias disciplinas importantes para o desempenho da sagrada missão de um imperador; bem como, o estudo das principais línguas europeias. Imagino que Vossa Alteza esteja passando por algo semelhante no Brasil, pelas mãos do seu tutor José Bonifácio de Andrada; em que pese haver assumido o Império com apenas cinco anos de idade e coroado imperador aos quinze. 
Meu pai, o Czar Nicolau I, diferentemente do seu, D. Pedro I, não deseja abrir mão, prematuramente, do império para mim. Cuida de sua saúde com extremo rigor, alimenta-se bem, faz exercícios físicos e mantém alguns médicos de confiança sempre ao seu lado. Pelo visto, espera viver cem anos ou mais.

2. Enquanto a minha vez não chega, estudo e faço planos para o futuro da Rússia. Eu gostaria de implantar grandes mudanças em meu país, logo após ser declarado Czar, como, por exemplo: liberdade de expressão, incentivo à iniciativa privada, reforma da Administração do Império, desenvolvimento da exploração dos Recursos Naturais, expansão e melhoria da rede ferroviária, melhoria da condição de vida dos camponeses, fim da servidão em todas as províncias, implantação do serviço militar obrigatório, abolição do castigo corporal aos militares, uma nova administração judicial baseada no modelo francês, um código civil e criminal mais simplificado, um novo código penal, a criação de uma polícia rural, etc.
 Imagino que Vossa Alteza, embora comandando um império com características diferentes daquelas deste em que vivo e que, algum dia, deverá ser por mim chefiado pela graça de Deus, possui os mesmos sentimentos ou desejos semelhantes. Reconheço que qualquer reforma é muito mais fácil de ser tentada em países menos populosos e mais homogêneos, do que em grandes impérios como o da Rússia e o do Brasil; entretanto, aguardo ansioso o dia em que poderei tentar implantar as mudanças que vislumbro.

3. Vossa Majestade não imagina quanto o invejo. Aos quinze anos de idade já comanda um vasto império, enquanto eu, com vinte e dois, creio que jamais chegarei a sentar no trono do Czar. Enquanto Vossa Alteza recebe as homenagens e reverências de toda a sua corte e de todo o seu povo, eu, aqui em Moscou, sou um ilustre desconhecido e ninguém me leva a sério. 
Os ministros, os duques, arquiduques, condes e barões, passam por mim e não fazem nenhuma reverência. Acho que pensam que eu nunca chegarei a substituir meu pai ou que seus títulos de nobreza são maiores do que o meu, um simples filho de Czar. Enquanto Vossa Alteza participa de reuniões com seus ministros e conselheiros, eu fico andando pelos vastos corredores do palácio imperial, buscando alguém que me escute e que acredite em meu potencial como guerreiro e como futuro administrador de um império tão vasto quanto o russo.

4. Por vezes, durante a estação fria, nesta corte onde as pessoas somente pensam em festas e ostentações, tenho ímpetos de largar tudo, tomar um navio e, como um simples passageiro, desembarcar no Porto do Rio de Janeiro onde, certamente, encontrarei uma temperatura tropical amena e aquele sol que aquece os corpos e proporciona uma bela cor bronzeada. Por aqui todos os cortesões apresentam aquela cor pálida, que nos deixa sempre em dúvida se estão ou não doentes.  
Ao fazer minhas refeições, quase sempre compostas de carnes gordurosas, fico sonhando com as deliciosas frutas tropicais saboreadas, com toda a certeza, por Vossa Alteza. Ao banhar-me nos rios quase congelados do meu país, imagino os riachos de águas límpidas e tépidas do Brasil; por vezes, com cachoeiras maravilhosas que massageiam os corpos dos banhistas. Sonho com as areias mornas das praias que banham o território de vosso imenso império.

5. Durante as guerras, notadamente a Caucasiana (iniciada em 1817 e ainda se desenrolando); a Revolta de Dezembro de 1825 (da aristocracia militar contra a nobreza); a Guerra Russo-Persa de 1826/28 (quando tomamos a Armênia); a Guerra Russo-Turca de 1828/29, quando tomamos a foz do Danúbio e a Costa Leste do Mar Negro; e a Revolta da Polônia de 1830/31, o gasto de recursos e a perda de vidas humanas é enorme. Muitas destas guerras poderiam ter sido evitadas, caso as pessoas fossem menos ambiciosas e violentas. 
Quando exprimo estes meus pensamentos em público, na corte, sou taxado de “bonzinho”, de “inocente”, de “fraco” e de “sem ambição”. Invejo, mais uma vez, Vossa Majestade, que administra um império tão vasto quanto este daqui sem necessitar ir à guerra contra os vizinhos e sem revoltas militares internas. Como devem ser tranquilos os dias passados na corte de Vossa Alteza. Como devem viver felizes os vossos súditos.

6. Considerando o até aqui exposto, Vossa Majestade já deve imaginar como me sinto, sendo sem ser, podendo sem poder, mandando sem mandar. Dizem que represento o futuro do império, mas acho que este futuro ainda demorará muito a chegar ou pode ser, até, que nunca chegue. 
Fui informado que meus pais estão buscando uma esposa para mim, dentre as casas reais europeias, conforme é tradição da realeza russa e de outras tantas realezas. Outra vez invejo Vossa Alteza, que pode escolher, por si mesmo, aquela que o acompanhará por toda a vida, sem a necessidade de atender aos interesses políticos, estratégicos e econômicos dos pais.

7. Finalizando, chego ao motivo pelo qual tomei a liberdade de escrever à Vossa Majestade: somos jovens e temos uma grande responsabilidade pela condução dos negócios e destinos de nosso império. Eu, embora tenha tido bons mestres e tutores, não possuo nenhuma experiência sobre a administração imperial e, após a revolta de dezembro de 1825, tenho muito receio da aristocracia militar. 
Muitos destes aristocratas, pelo simples fato de terem comandado tropas vitoriosas, acham que os territórios conquistados lhes deveriam pertencer por direito. Esquecem que são, apenas, servos do Czar e servidores do império. 
Assim, gostaria de fazer uma visita ao Brasil e aprender, mediante um estagio não remunerado junto a Vossa Majestade, os meandros e as nuances da boa administração quanto aos aspectos políticos, militares, econômicos e psicossociais de um império. As noticias que aqui me chegam são muito elogiosas com respeito à capacidade administrativa de Vossa Alteza e, por esta razão, estou certo de que terei muito a aprender em vossa corte, caso me honre com a aceitação da presente solicitação. As minhas despesas nas terras do Brasil e aquelas decorrentes do séquito que me acompanhará, enquanto durar este meu período de estagio junto ao vosso império, serão todas custeadas pelo Império Russo. 
Rogo a Vossa Majestade que me ajude, neste momento difícil da minha existência.

Aleksandr Nicolaevich Romanov
Czarevich do Império da Rússia



Nota do autor:
Cópia da presente correspondência foi encontrada em um baú, no porão do Palácio de Tsarskoe Selo, no ano de 1923, onde o Czar Nicolau II, neto de Alexandre II (Aleksandr Nicolaevich Romanov), vivia com a família antes da fatídica Revolução de 1917, que eliminou, para sempre da Rússia a Dinastia Romanov.  Junto da cópia, havia uma carta de D. Pedro II alegando que, por problemas políticos conjunturais, a visita de Aleksandr teria de ser adiada. Os historiadores acham que Pedro II gostava mais de aprender do que de ensinar.
O Czar Alexandre II morreu assassinado em 13.03.1881, aos 63 anos, na cidade de São Petersburgo, pela explosão de uma bomba lançada por Ignaty Grinevetsky, membro da organização terrorista Vontade do Povo.
O imperador Pedro II foi deposto por militares em 15.11.1889, embora querido pelo povo brasileiro. Faleceu em Paris, no dia 05.12.1891, aos 66 anos, vitimado por uma gripe que evoluiu para pneumonia. Décadas depois da morte a sua reputação foi restaurada e os seus restos mortais foram trazidos de volta para o Brasil. Nos arquivos do império foi encontrada a carta de Aleksandr com o seguinte comentário de Dom Pedro II (então com quinze anos) a margem do texto: “Ora, onde já se viu. Estagio não remunerado. Era só o que faltava!”


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.




sábado, 11 de fevereiro de 2017


136. Meninos devem brincar de guerreiro e meninas de boneca


Jober Rocha*


                   Episódios ocorridos ao redor do mundo, na atualidade, deixam claro que em um passado recente os países ocidentais tomaram novo rumo, diferente daquele que tradicionalmente tinha sido seguido pelos nossos antepassados. Esse novo rumo, contemporaneamente ainda trilhado, nota-se de forma mais freqüente naquilo que está relacionado com a saúde humana e no que diz respeito ao comportamento psicossocial. 
                    Explico-me melhor: diversos alimentos, milenarmente consumidos pela humanidade e sem nenhuma restrição com relação à saúde, em razão do desenvolvimento da Ciência Médica e da Farmacologia, passaram a ser estigmatizados como agentes causadores de inúmeras patologias, por diversos estudos médicos conduzidos em universidades e grandes centros de pesquisa em todo o mundo. É o caso, por exemplo, das carnes e gorduras de origem animal (notadamente as de porco), da gordura de coco, da manteiga, do ovo, etc. O principal argumento, contrário a ingestão de tais alimentos, é o de que eles aumentariam o nível do mau colesterol, presente no sangue dos seres humanos. 
                           A redução no consumo destes alimentos foi, imediatamente, seguida da elevação no consumo das gorduras vegetais (como o óleo de soja e as margarinas) e no consumo de medicamentos (como as estatinas), enriquecendo grandes corporações industriais e laboratórios, de âmbito mundial. Sabe-se que os resultados de muitas pesquisas (realizadas estas em todos os campos da Ciência) divulgados como verdadeiros, algumas vezes não passaram de engôdos visando a interesses inconfessáveis de natureza econômica, política, religiosa ou ideológica. A massificação pela Mídia destas informações, muitas vezes falsas, objetiva a movimentação de uma indústria milionária que tudo compra em seu rastro, até mesmo reputações de cientistas, de filósofos, de pensadores religiosos e de pesquisadores.
               No campo Psicossocial ocorre o mesmo, quando os costumes e a moral tradicionalmente aceitos, através de uma transvaloração de valores (termo utilizado pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche para indicar a transformação radical ocorrida em algumas épocas, na moral vigente e nos costumes) sofrem uma total inversão, fazendo com que aquilo que antes era tido como bem passe a ser considerado como mal e vice versa. Essa transvaloração, evidentemente, também é produzida em razão de interesses econômicos, políticos, religiosos e ideológicos.
                       Recentemente, com a proliferação das ideologias de esquerda nos países ocidentais, passou a vigorar o denominado 'Comportamento Politicamente Correto'. Este termo, muito usado na atualidade, está relacionado a uma nova abordagem política que busca estabelecer linguagem e comportamento próprios (aparentemente neutros), de modo a evitar que possam ser ou que venham a ser ofensivos ou preconceituosos com relação a pessoas de determinados grupos sociais, principalmente, em razão de raça, sexo ou religião. Linguagem e comportamento, como todos sabem, fazem parte dos hábitos, costumes, usos e regras, que se materializam na assimilação social dos valores morais. 
                            Neste contexto, sem que muitos se apercebam, está sendo estabelecida uma nova moral, desvinculada daquela de origem religiosa vigente, até então no mundo ocidental, sob a ótica eufemística do Comportamento Politicamente Correto, que tenta implantar uma nova moral, em tempos de ateísmo e de materialismo incentivados e disseminados pelas ideologias de esquerda nos países ocidentais, onde o comunismo e o socialismo conseguiram chegar ao poder em muitos deles. 
                       A expressão ‘Politicamente Incorreto’, por sua vez, é a que trata de nomear formas de expressão e de comportamento que procuram externar supostos preconceitos sociais, sem receios de nenhuma espécie. Este conceito é entendido, por alguns acadêmicos, ditos de esquerda, como uma forma de se expressar e de ter um determinado comportamento, considerados incorretos e utilizados por grupos conservadores de direita. O Comportamento Politicamente Correto, neste contexto, seria aquele que deveria ser seguido por todos os cidadãos e de que se já utilizariam os liberais e os progressistas de esquerda. 
                    Os conceitos sobre aquilo que é ou não politicamente correto, entretanto, são estabelecidos pelas elites no poder e pela ideologia de esquerda dominante, sendo expressos através da Mídia, cativa e subserviente, para absorção pelas massas populacionais incultas, e inocentes com respeito à Genealogia da Moral.
                        Aqueles que criticam o ‘Comportamento Politicamente Incorreto’ o acusam de fascista, enquanto os críticos do ‘Comportamento Politicamente Correto’ o acusam de patrulhamento ideológico de tendência marxista. Como alguém já disse, em algum lugar, ambos os lados buscam denegrir um ao outro, na busca por um espaço na mente dos nossos pacatos cidadãos.
                          Na pós-modernidade no ocidente cristão, o feminismo militante, o antibelicísmo, a tipificação do assédio sexual como crime, a educação dos filhos homens pelas mulheres (que querem que eles vejam a vida da forma como elas a vêem), a insegurança masculina sobre a sua própria masculinidade (incentivada pela ideologia de gênero divulgada nas escolas), a implantação do comportamento politicamente correto, a legislação referente aos direitos humanos, a legislação referente aos direitos dos homossexuais (inclusive com relação aos casamentos e as adoções), tudo isto junto, teve o efeito perverso de deixar o ocidente em posição mais vulnerável que o oriente, notadamente neste caso presente dos refugiados islâmicos, para os quais as leis ocidentais nada valem. 
                        Os comportamentos adotados no ocidente, mencionados anteriormente, teriam, assim, efeminado os homens ocidentais frente aos árabes, notadamente os homens europeus. Isto ocorre, ademais, em outros continentes e em outras partes do mundo ocidental, onde os valores morais da sociedade foram também transvalorados. Esta transvaloração, deve ser sublinhado, não partiu do povo, que sempre vai a reboque das decisões, mas das elites no poder e em razão dos seus interesses particulares ou dos grupos a que elas estão vinculadas. As redes sociais mostraram, em diversas ocasiões, os homens europeus apanhando dos refugiados, sem nenhuma reação de defesa. As mulheres sendo estupradas e agredidas sem nenhuma reação da parte dos homens europeus e também da própria polícia. A impressão que dava era de que eles não sabiam como reagir frente a situações como aquelas a que não estavam acostumados.
                           Nos países orientais islâmicos, como nas periferias pobres das grandes cidades, o que vale é a lei do mais forte. Sabe-se que nestes países islâmicos a Igreja, o Estado e a Sociedade, são regidos por uma só lei. A mulher é considerada um ser inferior e deve obedecer ao homem, ao contrário das leis e da visão ocidental. 
                      Não desejamos uma volta à barbárie ou um retrocesso na civilização ocidental, mas o fato é que esta se viu vulnerável, perante as levas de refugiados que penetraram em suas fronteiras e que intimidaram as autoridades e as populações dos respectivos países onde se instalaram, sem uma resposta adequada aos assaltos, estupros e assassinatos cometidos pelos refugiados. Esta intimidação ainda ocorre e deverá se acentuar com a tentativa de implantação da Sharia nas regiões dos países onde os refugiados se instalaram.  A Sharia consiste em um conjunto de regras comportamentais e legais, segundo creem os islamitas, dado por Deus aos homens para que organizassem as suas vidas e é, portanto, para eles, uma lei universal. A obediência à Sharia, assim, não seria obrigatória, apenas, para os islamitas, mas, para todos os seres humanos que vivam nas áreas onde os refugiados se instalam.  
                         Vê-se, portanto, que alguma coisa terá que ser mudada, tanto nos costumes como na moral ocidentais. Os Estados Unidos da América do Norte, com a eleição de Donald Trump, já deu sinais de que tentará implantar estas mudanças. Se a Europa não reagir à altura, submetendo estes refugiados e imigrantes às suas leis, em breve, perderá, totalmente, o controle da situação, notadamente considerando que as taxas de fecundidade e de natalidade entre a população de origem árabe são muito maiores do que as da população européia. 
                     Na França de hoje, quarenta por cento dos nascimentos se dão entre famílias árabes. O ocidente, notadamente na Europa, necessita de uma nova transvaloração de valores (como aquela mencionada por Nietzsche), enfatizando a virilidade, a honra e a coragem; pois, do lado de lá, da Jihad islâmica, isto é, da guerra santa dos islamitas radicais contra os não islamitas, são estes os valores que contam. Este segundo significado da Jihad (a Jihad externa) está bem representado nas palavras de Maomé, quando nelas os muçulmanos são instruídos a usar de meios combativos para difundir a ‘paz’ e a ‘justiça’ da religião islâmica nas áreas que não estejam sob a influência do profeta Maomé.
                   Assim, acreditamos que premidos pelas circunstâncias, em futuro próximo, os meninos ocidentais deverão voltar a brincar de guerreiros e as meninas de boneca, como tradicionalmente fizeram os seus avós, bisavós, tetravós....

_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017


135. Qual será a verdadeira História da Humanidade?


Jober Rocha*


                  Creio que todos os leitores já se perguntaram, ao menos uma vez na vida: - Por que será que nada faz sentido? Por que não sabemos quem somos, de onde viemos e para onde vamos?  Dúvidas estas cruciais, que já preocupavam os filósofos gregos.
                 Depois de muito pesquisar acho que cheguei, finalmente, a uma conclusão. Esta nossa ignorância é deliberadamente programada por elites que governam os nossos destinos como habitantes do planeta. Não digo pelos nossos governantes, quaisquer que sejam eles; posto que, são, quase sempre, apenas simples gerentes destas elites; cujos verdadeiros propósitos eles mesmos com certeza, também, desconhecem.
                          A recente eleição nos EUA deixou bem claro isto. Quem poderia imaginar que em um país tão rico, com universidades tão famosas, com pessoas tão cultas, existiriam, apenas, como candidatos à Presidência da República (em substituição ao apagado e totalmente fora do contexto Barack Obama, que parecia, por suas ações e reações, apenas alguém representando mal o seu papel na peça em que o escalaram como ator da vez), dois personagens cuja única coisa que sabiam fazer bem era atacarem-se em público, como se inimigos fossem, e desempenharem, novamente, o mesmo papel de Obama no drama (ou na comédia) representada pelas eleições presidenciais em um país tão desenvolvido.
                     Será que, de tantas pessoas competentes existentes naquele grande país, só restavam aqueles dois como candidatos a presidência? Ao questionar-se a respeito, qualquer leitor inteligente, logo perceberá que existe algo de errado nisto tudo. Por que, apenas, pessoas medíocres (que estão na média, sem nenhuma intenção pejorativa) são escolhidas para função tão importante quanto a de Presidente da República? Certamente, por que não serão eles a conduzirem, com independência e vontade própria, os destinos dos países que governam. Isto não se passa apenas nos países mais desenvolvidos, mas na grande maioria de todos os demais. 
                       Se não bastasse toda uma classe de funcionários do Estado, que detém parcela importante do poder (financeiro, tecnológico, político e militar), mas não o de decidir, verdadeiramente, os caminhos políticos e estratégicos de longo prazo do Estado, sendo meros executores de ordens táticas destas elites anteriormente mencionadas; os Presidentes da República, em que pese a magnificência do cargo, também prestam contas a estas mesmas elites que, nas trevas do anonimato ou escondidas pelo Véu de Maya (aquele que cega os seres humanos com as suas ilusões), lançam os dados ou dão as cartas no jogo mundial da dominação. Quase sempre, por detrás desta prestação de contas subserviente, dos ‘Gerentes’ ou dos ‘Testas de Ferro’, encontram-se o suborno com dinheiro público e privado e a chantagem.
                              Desde a mais remota antiguidade, segundo alguns autores afirmam, estas elites têm representado interesses alienígenas; isto é, de fora do planeta, quer os leitores acreditem, quer não creiam. Não é por outra razão que, de uma maneira geral (como espécie animal que somos), nós adoramos e nos prostramos de joelhos perante supostas divindades que habitariam fora do planeta Terra, em que vivemos. 
                                  Só esta percepção já seria razão suficiente para olharmos com desconfiança os nossos passado e presente. Por que nossas divindades não poderiam residir no centro da Terra? Nas águas dos mares, rios, lagos e lagoas? Nos minerais? Nos vegetais? Nos animais, como acreditavam os antigos egípcios e ainda acreditam os indianos? Em outros planos de existência? Por que a morada delas seria, tradicionalmente, o céu, para os cristãos, os judeus e os islamitas? Certamente, por que de lá teriam vindo em suas máquinas voadoras, com os seus conhecimentos científicos, tecnológicos e espirituais.
                            Estes seres seriam de várias raças e com diferentes agendas para o nosso planeta e para os seres que aqui existiam. Alguns seriam benevolentes e interessados em ajudar-nos em nossa evolução; outros seriam indiferentes e interessados apenas em seus objetivos de raça e de espécie. Outros, ainda, seriam maléficos e interessados em manter-nos em escravidão, impedir nosso desenvolvimento e assenhorear-se de nossos recursos naturais.
                         Isto tudo pode soar como ficção científica, mas constitui-se em um fato incontroverso a passagem destes seres e de suas naves pelo nosso planeta. Figuras pintadas em cavernas e objetos esculpidos em cerâmica, argila, madeira e metal na antiguidade o atestam; da mesma forma como fotos, filmes e registros de radares de solo e de aeronaves o confirmam na atualidade.
                                 Através de um processo de sonegação de informações e de transvaloração de valores (transvaloração esta citada, pela primeira vez, pelo filósofo Friedrich Nietzsche em várias de suas obras), a humanidade tem sido conduzida, como a um rebanho, na direção determinada pelas elites já mencionadas.
                            A Ciência apresenta teorias que tentam justificar e compartimentar o conhecimento humano, retrocedendo a vida humana até uma determinada data. Não menciona, verdadeiramente, a exata idade do homem sobre a face do planeta, nem as diversas civilizações, tecnologicamente desenvolvidas, que já se sucederam e eclipsaram ao longo da existência do planeta. 
                                   Da mesma maneira, em que pesem as evidências deixadas por povos antigos da presença de seres extraterrestres na Terra, pouca importância tem sido atribuída a tais fatos pela Ciência oficial. Granitos talhados pesando dezenas de toneladas, milimetricamente cortados em épocas remotíssimas. Furos cilíndricos de vários diâmetros, perfeitos, atravessando granitos de vários metros de profundidade. Baixos e altos relevos perfeitamente talhados em granito, datados de tempos imemoriais. 
                                       Esqueletos antropomórficos de seres com cinco ou mais metros de altura, descobertos desde o século XIX e cuidadosamente escondidos ou destruídos. Marcas de pés humanos deixados em terrenos na localidade de Mpaluzi, na África do Sul, perto da fronteira com a Suazilândia, e que as eras geológicas transformaram em pegadas impressas na pedra (granito fenocristal ou granito porfiroide) com a idade de 200 milhões a três bilhões de anos. 
                                             Tais formações graníticas ostentam pegadas humanas com cerca de um metro e vinte de comprimento por cinqüenta centímetros de largura e foram descobertas em 1912 por Stoffel Coetzee, mas não tiveram nenhum destaque por parte da Ciência Oficial. Artefatos tecnológicos modernos descobertos em sítios arqueológicos antiqüíssimos e junto com esqueletos ou outras peças ancestrais. Os principais destes objetos, denominados Ooparts, são os seguintes:

1. Pilhas elétricas usadas no antigo Egito e descobertas recentemente;
2. Pilar de aço, enterrado na Alemanha, medindo dois metros e vinte para fora da terra e um metro para baixo, datado de um período da Idade Média, quando o aço ainda não havia sido descoberto;
3. Calculadora analógica mecânica, conhecida como o Mecanismo de Anticitera, datada de dois mil anos; 
4. Brinquedos para crianças, do antigo Egito, com a forma de aviões modernos e datados de um período anterior a Jesus Cristo;
5. Hieróglifos do antigo Egito, com desenhos de naves modernas, de submarinos e de carros de combate;
6. Megalitos em Balbeck, no Líbano, perfeitamente talhados e pesando dezenas de toneladas, cujos guindastes atuais não conseguem elevar do solo;
7. Lâmpadas que produzem luz elétrica, encontradas em Ondera, no Egito, e que datam do tempo dos faraós;
8. Pilar de ferro medindo sete metros, encontrado em Delhi, na Índia, datado de 400 anos antes de cristo e feito de ferro forjado com 98% de pureza;
9. Linhas de Nazca, no Peru, com figuras em grande escala, impossíveis de serem traçadas sem apoio aéreo, e que datam do ano de 400 d.C.;
10. Bateria descoberta em Bagdá, no Iraque, datada de 250 a.C e que produzia eletricidade.
11. O Mapa de Piri Reis, que foi o primeiro mapa conhecido que mostra a costa ocidental de Europa, o norte da África, a costa do Brasil, a borda leste da América do Sul, além de várias ilhas do Atlântico e a Antártica. As latitudes e as longitudes do mapa estão marcadas corretamente. Relativamente a conformação das regiões polares, o mapa retrata como elas eram, há dez mil anos antes da data atribuída ao mapa, isto é 1513. Da mesma forma muitos estudiosos afirmam que, sem uma visão da Terra vista do espaço, seria impossível construir aquele mapa naquela época. 
12. Em 1973, perto de Aiud, na Romênia, escavadores descobriram em um mesmo local, três objetos.  Dois deles eram ossos de mastodontes pré-históricos e o terceiro uma peça de metal de vinte centímetros de comprimento, doze centímetros e meio e largura e sete centímetros de profundidade. A posterior análise datou-o como sendo de 250 mil anos e a peça fazia parte de um sistema mecânico complexo. Possuía doze tipos de metais diferentes, sendo que noventa por cento dele era composto por alumínio, metal este que só nos últimos 200 anos os seres humanos conseguiram obter e trabalhar com ele.

                          A Religião, por sua vez, com os seus dogmas e as suas revelações, tenta fazer com que a credulidade e o misticismo, característicos das criaturas humanas, aflorem e dominem a razão, também esta uma característica das mesmas criaturas. A razão, em alguns humanos, acaba vencendo a credulidade e o misticismo nesta contenda milenar; mas, na grande maioria das vezes, ela se torna perdedora. Basta ver que o número de seres humanos que professam algum tipo de religião é bem maior do que aqueles que não professam.
                           Quem já leu a Fábula da Caverna, de Platão, sabe que a nossa percepção da realidade é totalmente limitada e condicionada, em razão da situação e do local em que nos encontremos. 
                             Quem já estudou Nietzsche sabe qual é a Genealogia da Moral; isto é, como ela surge ou como sofreu transvalorações ao longo da história humana. Transvaloração ou tresvaloração, segundo o filósofo, significa atribuir um novo sentido a uma velha qualidade (quer seja um vício ou uma virtude). Neste particular, os fracos, pela transvaloração transformar-se-iam nos justos que odiariam as injustiças. A impotência transformar-se-ia no mérito e na bondade, a baixeza passaria a ser a humildade e a covardia considerada paciência.                            O moderno termo ‘Comportamento Politicamente Correto’, busca esta transvaloração apontada por Nietzsche. Sem medo de ser considerado adepto da Teoria da Conspiração (que já deixou de ser teoria para aqueles que já deixaram o rebanho), por detrás destas transvalorações, que periodicamente ocorrem na história da Humanidade, estão sempre as elites subterrâneas que, como as Moiras ou as Parcas, puxam os cordéis do destino da humanidade.
                               Evidentemente, somos aquilo que aprendemos. E só aprendemos, de uma maneira geral e extensiva às massas, aquilo que se constitui na verdade oficial divulgada pelo Estado. Esta verdade (é essa a principal tese deste texto) tem sido escamoteada, falseada e escondida, com a finalidade de não permitir que conheçamos, jamais, quem somos nós, de onde viemos e para onde vamos; questionamentos tão importantes que já eram alvo da preocupação dos antigos filósofos gregos. 
                            Noam Chonsky, filósofo e cientista cognitivo, professor do MIT – Massachusetts Institute of Technology, é grande estudioso sobre os meios de comunicação de massa e de seu papel no apoio aos interesses das grandes empresas e de seus controladores, sendo, junto com Edward S. Herman, criador da Teoria da propaganda de Chomsky e Herman.
                                   Para ele, o Capitalismo nada mais é do que um Mercantilismo corporativo, controlado por empresas ajustadas com governos, que sempre intervêm a favor do capital, apesar da fantasia do livre mercado (inexistente, diz ele, nos Estados Unidos e em todas as partes do mundo), e que exercem controle sobre a Economia, a Política, a Sociedade e a Cultura. 
                              A verdade (como vêm e como já disse alguém) é libertadora dos indivíduos; razão pela qual, ela tem sido mantida escondida da quase totalidade dos seres humanos.
                               Por outro lado, todos nós sabemos da existência de sociedades secretas, que possuem objetivos exotéricos e esotéricos. Os primeiros são aqueles divulgados para o público, de uma maneira geral, e os segundos mencionados apenas para os seus membros, de uma maneira particular. Neste segundo objetivo, uns poucos dirigentes, ademais, teriam acesso a informações e objetivos não divulgados para os demais. O exoterísmo é conhecido, na vida militar e policial, como ‘História de Cobertura’. 
                                Quaisquer que sejam as Religiões, as Ideologias, as Filosofias e as Ciências, todas possuem (da mesma forma que essas sociedades secretas) determinadas proposições que as justificam a luz da moral e dos bons costumes; todavia, ademais destas denominadas ‘Histórias de Cobertura’, possuem, também, objetivos ideológicos e interesses de grupos, quase sempre inconfessáveis, que passam despercebidos da maioria dos seus adeptos e do público em geral. Existiria, assim, uma História real da humanidade e outra fictícia. A primeira guardada para muito poucos, e a segunda divulgada oficialmente para as massas humanas.
                              Se tais sociedades secretas existiram no passado ou ainda existem na atualidade comprovadamente (e, apenas, para citar algumas delas: Bilderberg; Ordo Templi Orientis; A Mão Negra; A Ordem dos Assassinos; Sociedade Teosófica; Os cavaleiros do Círculo Dourado; Sociedade Thule; Skull and Bones; Maçonaria e Illuminati); com certeza, alguma outra, bem mais oculta e bem mais poderosa existirá evidentemente.
                                       Alguns pesquisadores acreditam que esta última, bem mais poderosa, seja formada por seres alienígenas; os primeiros seres com inteligência superior a pisarem o solo do planeta, e criadores ou modificadores da raça humana, mediante trabalhos de manipulação genética. Os Deuses que nos criaram, segundo a tradição de muitos povos antigos, poderiam ser estes seres alienígenas (como hoje em dia, dado o estágio de desenvolvimento das Ciências, em escala menor e mais limitada, os nossos próprios cientistas já fazem, com algumas espécies animais, criadas ou modificadas em laboratórios).
                                         Talvez em um passado distante estes seres das sombras vivessem ao sol, isto é, fossem conhecidos e vivessem em contato com os seres humanos. Por alguma razão, até então, desconhecida, poderão ter partido para a clandestinidade, mantendo, ainda, o controle sobre a nossa espécie, através de prepostos. Sabe-se que a servidão consentida é preferível a escravidão imposta. A segunda delas, portanto, é fonte de revoltas e de tentativas de libertação; mas a do primeiro tipo, como não é percebida, torna-se aceita pelo ser humano de maneira pacifica. Quem sabe se não foi este fato que fez com que os nossos verdadeiros senhores se tornassem ocultos, deixando prepostos da nossa própria raça em seus lugares?
                                   Alguns afirmam que, da mesma forma que as antigas descobertas dos colonizadores europeus foram motivadas por interesses de ordem econômica e estratégica, os interesses de alguns dos alienígenas que nos visitam, também, podem ser os mesmos; como, certamente, serão os nossos interesses quando e se pudermos, futuramente, encetar viagens pelo Universo.
                                 Finalizando, estou convencido de que a verdadeira História da Humanidade jamais será encontrada nos livros de História e, talvez, jamais venha a ser conhecida; a não ser que um fator superveniente, algum dia, obrigue aqueles poucos que a conhecem a revelar tudo o que sabem...

_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017


134. O Analista de Curtidas, Comentários e Compartilhamentos no Facebook

Jober Rocha*


            Após cerca de quarenta anos trabalhando como analista em uma agência de pesquisas de opinião, de propaganda e de marketing, ele, já aposentado e para manter-se em forma intelectualmente, afastando-se, assim, do Mal de Alzheimer (enfermidade comum às pessoas da sua família), resolvera dedicar-se à análise e a interpretação das curtidas, comentários e compartilhamentos de seus amigos virtuais, no Facebook (FB), e também dos amigos dos seus amigos. 
               Achava que com isto poderia descobrir, antecipadamente, alguma tendência psicossocial nascente; antecipar-se a possíveis revoltas e revoluções, em andamento; perceber mudanças no comportamento moral da sociedade brasileira; identificar novas ideologias sendo implantadas sub-repticiamente no país; constatar a morte de antigas religiões ou o desabrochar de novas seitas; etc. etc. etc.
                Na realidade ele não saberia o que fazer, na prática, com o resultado das suas eventuais descobertas; mas, a preocupação maior que tinha, conforme já dito, era com a manutenção da saúde mental, evitando alguma doença que fosse fruto da ociosidade intelectual.
                      Dando início ao seu novo projeto de vida, começou, então, por pertencer ao maior número possível de grupos no FB e tentar obter a maior quantidade de amigos virtuais que se dispusessem a aceitá-lo como tal. 
                Feito isto, procurava, diuturnamente, alimentar os grupos a que pertencia com matérias polêmicas, que originassem inúmeros comentários, curtidas e compartilhamentos; os quais, ele, meticulosamente, catalogava, classificava e analisava estatisticamente, calculando a média, a moda, a mediana, a variância e o desvio padrão. 
                     Em grupos ideológicos de direita ele postava matérias de esquerda, e vice-versa. Em grupos religiosos, divulgava textos ateus, e, em grupos ateus, matérias religiosas. Uma hora ele defendia o governo e em outra o atacava. Era contra e a favor da corrupção, contra e a favor do aborto. Homofóbico algumas vezes, defensor dos Movimentos GLBT em outras ocasiões. A favor da civilização em diversas oportunidades, e da barbárie logo em seguida. A polêmica era o seu objetivo e as discussões que se seguiam (por vezes acaloradas) o seu campo de pesquisas.
                   Suas matérias e comentários eram alvo da apreciação de muitos internautas e da total execração de inúmeros outros. Ele coletava, sistematicamente, todas as respostas às suas matérias; respostas estas em que buscava significados ocultos nas entrelinhas, além de correlacionar as mesmas com a alta do dólar, a queda na bolsa e a variação na taxa de juros.
                 Em pouco tempo o local do seu escritório, na residência, tornou-se pequeno para guardar tanta informação acumulada e ele passou a ocupar, também, um dos outros quartos do apartamento em que morava, no centro da cidade.
                   Parte substancial do seu salário de aposentado passou a ser gasta com folhas de papel A4 e com cartuchos de tinta da pequena impressora. Os relatórios e gráficos eram produzidos diariamente, e em enormes quantidades, correlacionando nomes de pessoas com posições ideológicas, religiosas, filosóficas e comportamentais. As paredes da casa eram cobertas por papéis contendo gráficos em barra, em setores, histogramas, etc.
                   Em breve, as matérias polêmicas que postava passaram a ser alvo da observação acurada das agências governamentais de inteligência; dos movimentos revolucionários extremistas radicais, instalados no país e no exterior; e dos fundamentalistas religiosos, notadamente os islâmicos. Mais um pouco e os seus passos passaram a ser seguidos e vigiados, bem de perto, por uma gama enorme de indivíduos desejosos de expulsar seu corpo físico definitivamente do nosso planeta e a sua alma desta dimensão, despachando-a para outros planos de existência. 
                     Uns achavam que ele constituía uma ameaça potencial à democracia; outros que ele era uma ameaça real à ditadura do proletariado; outros, ainda, imaginavam que ele ameaçava a volta da monarquia e dos regimes autocráticos; alguns achavam que ele as incentivava. 
                       Religiosos o julgavam o próprio anticristo ou, no mínimo, um integrante graduado das hordas de Satanás. Ateus o viam como um fanático religioso, discípulo e seguidor de Antônio Conselheiro, líder da comunidade de Canudos, na Bahia, ou de James Warren ‘Jim’ Jones, fundador e líder do grupo ‘Templo dos Povos’, que se suicidou com todos os seus seguidores em Jonestown, na Guiana.
                        Alguns dos grupos a que ele se vinculara no FB, passaram, a partir de então, a exigir a aprovação prévia, por qualquer dos responsáveis pelo grupo, de todas as matérias postadas. Assim, sempre que recebiam algum texto dele, simplesmente, negavam logo a sua divulgação, sem a necessidade de maiores explicações, prévias ou posteriores.
                         Diversos amigos virtuais deixaram de seguir o seu nome ou passaram a ocultar as publicações dele, na página inicial do FB. Em pouco tempo, ele, um ilustre desconhecido perdido na multidão dos internautas, passou a ser monitorado por diversas entidades secretas, nacionais e internacionais. Sua vida esteve por um fio em inúmeras ocasiões, sendo ele, milagrosamente, salvo das mãos dos carrascos, exclusivamente, pela graça da Providência Divina.
                          Enquanto isto, as suas análises estatísticas prosseguiam. Chegou a descobrir uma alta correlação positiva entre o aparecimento, no FB, de notícias sobre a presença de naves alienígenas nos céus do país e as prisões de políticos brasileiros no âmbito da operação Lava a Jato. Isto o levou a concluir que seres extraterrestres, capturados em nosso território, em razão da alta tecnologia de que dispunham para ler as mentes e chegar aos pensamentos de políticos e empresários, estariam colaborando com a Justiça Brasileira para a análise da veracidade das delações premiadas dos envolvidos; objetivando, com isto, cair nas boas graças das nossas autoridades e facilitar as suas próprias liberações de volta ao espaço sideral de onde vieram. Ele chegou, mesmo, a preparar uma matéria a este respeito e divulgá-la em um dos grupos do FB, que tratava de assuntos relacionados com UFO’s e outros casos insólitos.
                          Em uma análise que fez encontrou correlação inversa entre o montante roubado dos cofres públicos brasileiros, pelos políticos e empresários corruptos, e a taxa de mortalidade no Zimbabwe, país da África austral anteriormente conhecido como Rodésia do Sul. Quanto mais se roubava aqui, ao longo dos anos, mais a mortalidade decrescia naquele país africano. Isto o levou a concluir que nem tudo estava perdido; já que, alguma coisa de bom resultara do roubo escancarado praticado contra o nosso erário público. Talvez, com a divulgação, na Mídia, daquele resultado que obtivera em suas análises, os políticos e empresários brasileiros envolvidos na Lava a Jato acabassem, até, por vir a receber medalhas e comendas da ONU e daquele país africano, como causadores que teriam sido (através de suas ações criminosas, ao longo dos anos) de uma maior longevidade da população do Zimbabwe.
                         Alcançou inúmeras e inéditas conclusões, ao correlacionar a mortandade de peixes nas lagoas brasileiras, com a quantidade de bombas lançadas pela coalizão no Iraque e com os preços do cacau na bolsa de Nova Iorque. Passava os dias, as tardes e as noites redigindo textos em que analisava as correlações que descobria entre as mais diversas variáveis, e as implicações políticas, econômicas, militares e psicossociais destas relações mútuas de dependência que detectava. 
                              Certo dia concluiu que o fim do mundo estava próximo, pois encontrara uma relação direta de dependência (uma correlação positiva) entre a queda de meteoros na superfície da Lua e a extinção de diversas espécies animais e vegetais em nosso planeta. Como a queda de meteoros naquele satélite natural aumentava a cada dia, supôs que todas as espécies logo se extinguiriam em nosso planeta. A partir desta conclusão, vendeu tudo o que tinha, encerrou a sua participação em todos os grupos do FB, desfez todas as amizades virtuais e desapareceu.
                           Um amigo de infância dele, em viagem de férias pelo sertão da Paraíba, afirmou ter visto um tipo muito parecido trajando bata branca encardida e suja de pó, portando um cajado e vasta cabeleira branca, além de comprida barba emaranhada, seguido por meia dúzia de adeptos andrajosos que entoavam cânticos religiosos, enquanto ele, vociferando, lançava pragas e maldições à tecnologia da Informática e a sua disseminação através das redes sociais...

-*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

133. Um dia e uma noite na velha Escola de Aeronáutica do Campo dos Afonsos, RJ.


Jober Rocha*



                      Poucas pessoas terão tido a oportunidade, única, de passar pela experiência de desfrutar, durante um dia e uma noite, a rotina da antiga Escola de Aeronáutica, (Organização Militar que ministrava o Curso de Formação dos Oficiais Aviadores da Força Aérea Brasileira), situada no Campo dos Afonsos, no subúrbio de Marechal Hermes desde o ano de 1941 até o ano de 1971. 
                      Eu passei por aquela escola no ano de 1964; ou seja, quarenta e três anos após a criação, naquele local, do Aeroclube do Brasil em 1911, primeira atividade ligada à aviação ali exercida. Pouco depois, em 1914 foi criada no local a Escola Brasileira de Aviação. Em 1919 passou a ser Escola de Aviação Militar; em 1939 transformou-se no Primeiro Regimento de Aviação; em 1941, com a criação naquele mesmo ano da Força Aérea Brasileira, transformou-se na Base Aérea dos Afonsos. Na ocasião, foi ali extinta a Escola de Aviação Militar e, em seu lugar, criada a Escola de Aeronáutica, cujos alunos passaram a ser designados Cadetes da Aeronáutica.
                    Assim, a minha turma, em 1964, terá sido a vigésima terceira a passar por aquela organização com o objetivo de alcançar o oficialato da Aeronáutica. A partir de 1971 o CFOAv passou a ser integralmente ministrado na Academia da Força Aérea, na cidade de Pirassununga, no Estado de São Paulo. Estou certo de que a vivência que tive, na velha escola de Aeronáutica do Campo dos Afonsos, terá sido a mesma, ou muito semelhante, daquelas de quantos cadetes por ali estiveram, antes e depois da minha passagem por aquela escola.
                          Em 28 de fevereiro de 1964, junto com os demais integrantes da ‘Turma Sai da Reta’, vindos da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, de Barbacena, além de novos candidatos que haviam feito concurso diretamente para a Escola de Aeronáutica; bem como, de militares bolivianos e paraguaios (participantes de um acordo entre o Brasil e aqueles dois países, para o treinamento de pilotos militares), fui matriculado no primeiro ano do Curso de Formação de Oficiais Aviadores e incluído no efetivo da Escola de Aeronáutica e do Corpo de Cadetes da Aeronáutica.
                            Na Escola de Aeronáutica do Campo dos Afonsos, cujo comandante na ocasião era o Brigadeiro do Ar Antônio Raymundo Pires, pela primeira vez tomei contato, realmente, com a aviação militar. 
                         O Campo dos Afonsos possuía uma mística que a todos contagiava. Parte da Intentona Comunista, de 1935, havia se desenrolado ali; como também no quartel do Terceiro Regimento de Infantaria, da Praia Vermelha, com muitas vitimas fatais, vários militares feridos e inúmeros prisioneiros. 
                           Os integrantes do Primeiro grupo de Caça, que combateram nos céus da Itália durante a Segunda Guerra Mundial, dali haviam partido, alguns deles para nunca mais voltarem.
                          Inúmeros aviadores famosos, no Brasil e no Mundo, haviam transitado por suas edificações e hangares e em suas pistas pousado e decolado. Charles Astor, um dos primeiros pára-quedistas do país, que, ademais disto, efetuava malabarismos nas asas de aviões em vôo, vivia no Campo dos Afonsos. 
                            Foi, portanto, com muito respeito pelo quanto de história aquela Organização Militar encerrava, que passei pelos portões da Escola de Aeronáutica para iniciar mais uma etapa da vida militar rumo ao meu destino.
                                 Ali, como cadetes aviadores do primeiro ano do CFOAv, passamos a ter instruções na aeronave ‘Fokker’ T-21.
                             As instruções do primeiro ano (Estágio Primário) consistiam em decolagem, subidas e descidas, curvas de pequena, média e grande inclinação, estol com e sem motor, parafuso, pane simulada, pouso e arremetida. 
                                 Após havermos solado (voado sozinho sem instrutor), treinávamos ‘glissada’, oito sobre marcos, oito preguiçoso e algumas outras manobras.
                            Nosso Comandante de Esquadrilha chamava-se capitão Ozolins e o Sub-Comandante Tenente Mello. Em determinada ocasião o capitão Ozolins foi substituído pelo tenente Walmik Conde Filho. Alguns dos instrutores do Estágio Primário eram os tenentes: Mayron, Gouveia, Fabio, Nogueira, Barroso, Reginaldo, Gilson, Belchior e Rego. Alguns dos capitães ‘checadores’ eram: Perlingeiro, Neves, Luiz Rosa, Lobo, Mario Martins, Aquino e Azevedo. 
                              Possuíamos excelente quadro de professores, dentre eles, destacando-se: Vilaboim, Paulino Jaques, General Armando, Miss Carney, Miss Farney e Baratta.
                            A comida na Escola de Aeronáutica era considerada, pelos cadetes, como de boa qualidade. O café da manhã era iniciado com um mingau de aveia ou de sagu, seguido de bife e ovos, uma fruta (maçã ou banana) e café com leite e pão com manteiga.
                             Pela manhã, após o café, nos dirigíamos marchando para o hangar do Estágio Primário, o último dos hangares, ao final do pátio de estacionamento das aeronaves, onde hoje está instalado o Museu Aeroespacial. Marchávamos por cerca de trezentos metros, passando pelos outros estágios (Secundário e Avançado).  O pátio e os hangares fervilhavam de mecânicos, oficiais, sargentos, cadetes e, sobretudo, de aeronaves. O ronco de tantos motores, ao mesmo tempo, era algo ensurdecedor. O vento produzido por tantas hélices, girando, fazia voar longe nossos bonés, enquanto marchávamos sob um sol forte e um céu azul.
                                Chegando, finalmente, ao hangar do Estagio Primário, tomávamos conhecimento dos nomes dos primeiros cadetes a voarem. Os demais aguardariam o retorno dos primeiros. Os instrutores (todos eles tenentes) indicavam as missões do dia e, até o dia do vôo solo, eram nossos companheiros constantes na cabine dos aviões. No hangar havia um quadro com várias placas de metal contendo os números das aeronaves. Ao sair com uma aeronave tínhamos que virar a placa do lado contrário, para que os demais soubessem que aquela aeronave não estava mais disponível no pátio de estacionamento. Em seguida, apanhávamos o pára-quedas e as almofadas de assento e nos dirigíamos para o avião estacionado no pátio.
                              Ao chegarmos junto do avião, subíamos na asa esquerda, abríamos à capota e colocávamos as almofadas e o pára-quedas, no assento do piloto. Descíamos da asa e procedíamos ao cheque externo do avião, que consistia em vistoriar toda a estrutura externa da aeronave, drenar os tanques de combustível das asas e retirar a capa do ‘Tubo de Pitot’, tubo este que permite a indicação da velocidade do avião. Subíamos novamente na asa, vestíamos o pára-quedas, arrumávamos as almofadas, sentávamos e amarrávamos o cinto de segurança. 
                                 Às vezes a aeronave necessitava de um apoio externo para dar a partida, o que era feito por um sargento com um gerador de energia portátil. Dada a partida, taxiávamos em direção a cabeceira da pista em que iríamos decolar. A pista de decolagem era determinada pelo movimento da ‘Biruta’; pois decolávamos e pousávamos, sempre, contra o sentido do vento. Às vezes, ainda no meio do caminho, tínhamos de nos dirigir para outra pista, em razão da mudança do vento. Em lá chegando, parávamos a quarenta e cinco graus com a pista e procedíamos ao cheque interno, que consistia, dentre outros procedimentos, em verificar o comportamento dos diferentes relógios indicadores no painel de instrumentos. 
                                Se estivesse tudo certo, deveríamos olhar para a Torre de Controle, a fim de esperar o sinal verde da lanterna para a decolagem ou, então, caso algum dos instrumentos apresentasse defeito ou recebêssemos sinal vermelho, retornar para o estacionamento no Estágio Primário.  Esta etapa, entretanto, apenas poucos de nós fazíamos; pois, além de estarmos sobrecarregados com o cheque interno e nos esquecermos de olhar para a torre de controle, achávamos que aquela pista era inteiramente nossa, já que havíamos chegado ali primeiro.
                                O número de horas de voo com que o cadete, normalmente, solava (voava sozinho) variava de onze a quatorze horas. Durante a manhã e a tarde, dezenas de pequenos aviões T-21 eram vistos subindo, descendo e tirando rasantes nas áreas de treinamento e sobre o Campo dos Afonsos.
                                  Nosso uniforme de voo consistia em um macacão azul escuro e botas pretas. Quando não estávamos voando eles ficavam pendurados em cabides, do lado de fora dos alojamentos, talvez pelo odor que desprendiam; já que só eram lavados uma vez por mês, no máximo.
                                Tive dois instrutores até o dia do voo solo, o primeiro deles foi o Tenente Belchior e o segundo o Tenente Rego. Ao ser levado a cheque, para o voo solo, eu possuía doze horas de voo e havia realizado quarenta pousos e decolagens.
                            O local de treinamento era a região da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes que, naquela ocasião, eram áreas praticamente desertas. Decolávamos de Marechal Hermes e nos dirigíamos para aquela região, voando visual. O Campo dos Afonsos possuía uma pista de concreto e, ao lado, em paralelo, uma pista de grama que utilizávamos para os nossos pousos e decolagens. Denominava-se 08 em um sentido, e 26 no sentido oposto. Era cortada por outra pista de grama, perpendicular, denominada 17 em um sentido e 35 no outro. Havia também uma biruta, marcando a direção do vento, que avistávamos do céu ao fazer o procedimento para o pouso.
                                  Quando eu voava solo, gostava de passar baixo por sobre as areias da praia, quase sempre desertas, e por sobre o mar, embora soubesse que se algum oficial, voando por ali, me avistasse, eu seria infalivelmente punido ou, até mesmo, desligado. 
                               Nas ocasiões em que treinávamos pane simulada, deveríamos, após cortar o motor, escolher um local para pousar, fixarmo-nos nele e fazer, planando, a aproximação para o pouso. Se víssemos que iríamos cair antes ou depois, do local escolhido, arremetíamos a aeronave com a certeza de que, se aquela fosse uma pane verdadeira, teríamos certamente nos ‘estrepado’.
                        No dia do primeiro voo solo o oficial ‘checador’, sempre um capitão aviador, informado pelo instrutor de que o cadete estava apto para voar sozinho, efetuava, com este, um voo até a área de instrução para confirmar suas condições de pilotagem e o seu nível de treinamento. Ao regressarem, após o pouso, caso o cadete estivesse aprovado, o ‘checador’ desejava-lhe boa sorte e o autorizava a decolar sozinho para o circuito do campo e o pouso.
                               A sensação experimentada, então, por cada um de nós, era um mistura de satisfação e de receio. Pela primeira vez estávamos voando inteiramente por nossa conta. Qualquer erro, porém, teria que ser remediado, exclusivamente, por nós mesmos.
                           Após regressar deste voo o cadete, já solo, era atirado pelos demais companheiros em um pequeno lago, denominado ‘Lago do Lachê’, como batismo pelo fato de ter voado sozinho.
                              Em meados do ano era dado início aos preparativos para o salto de pára-quedas, que todos os cadetes do primeiro ano eram obrigados a fazer. Os treinamentos eram ministrados na Brigada Paraquedísta, na Vila Militar, próxima do Campo dos Afonsos, e o salto era dado de uma aeronave C-82 (conhecida como Vagão Voador).
                          Quem nunca saltou, não pode avaliar o que representava para aquele que o pratica, um salto de pára-quedas. Antes do salto todos temiam a não abertura do pára-quedas; tanto é assim, que, obrigatoriamente carrega-se outro, de reserva, preso ao peito. 
                          Nos instantes que antecedem ao pulo, pensamentos negativos ocorrem a todos aqueles que saltam pela primeira vez. Todavia, vencido o temor inicial de colocar a vida em risco, a euforia desfrutada com a abertura do pára-quedas, a visão da terra, do horizonte e do firmamento, descortinada durante a queda, é algo indescritível.  Tão logo se chega ao solo, se quer de novo saltar.
                            No segundo ano (Estágio Básico) o cadete aprendia acrobacias (tounneaux, looping, over head, curva de himmelman, etc.) e voo em grupo ou formatura, ainda voando o ‘Fokker’ T-21.
                       No terceiro ano (Estágio Avançado) o treinamento que o cadete recebia, na nova aeronave North-American T-6 Texan, era a de repetir o treinamento aprendido com o T-21 e, ademais, iniciar o voo avançado (voo por instrumentos, voo noturno, navegação aérea e treinamento de voo simulado - Link Trainer). 
                             Terminando o curso e tendo sido declarado Aspirante a Oficial Aviador, o militar era enviado para realizar o Estágio de Seleção de Pilotos de Caça, na cidade de Fortaleza, no Estado do Ceará, ou de pilotos de bombardeio, em Natal, no Rio Grande do Norte.
                 Mas, voltando ao dia a dia do cadete aviador, o ambiente em que vivíamos era integralmente preenchido por inúmeras atividades que, sucedendo-se umas as outras, deixavam-nos completamente cansados ao final ao cair da noite.
                          Durante o dia, um forte odor de gasolina misturava-se ao cheiro das essências nativas, oriundas das espécies vegetais que existiam naquele campo. Inúmeros pássaros disputavam com as aeronaves militares a primazia do espaço; seus pios sendo sobrepujados pelos roncos dos motores dos aviões que saiam ou que chegavam.
                            Em cada canto, em cada alameda, em cada edifício, qualquer médium ou sensitivo poderia perceber espíritos de antigos aviadores que por ali haviam passado, contemplando, com seus velhos macacões de voo e suas toucas de couro, os novos cadetes que chegavam a cada ano, e que ali aprendiam os ‘macetes’ para sobreviver em uma profissão tão perigosa quanto a de aviador militar. 
                             A escola possuía um monumento ao Cadete Imortal, isto é, um monumento àqueles jovens que haviam perdido as suas vidas em acidentes aeronáuticos. Nele, constavam os nomes de dezenas de cadetes que haviam oferecido as suas breves existências em prol do ideal da aviação.
                          Finda as atividades diárias, e antes de mergulhar em um sono reparador, eu costumava caminhar até os hangares, onde estavam estacionadas as aeronaves, para um derradeiro voto de boa noite àquelas velhas amigas que nos mantinham nos ares, dia e noite, e que sempre nos traziam de volta, incólumes, até a nossa querida Escola de Aeronáutica. Algumas delas ainda despendiam calor de seus motores. Alguns cadetes e instrutores preparavam-se para os vôos noturnos que se iniciariam.
                        No céu de Marechal Hermes, uma lua prateada derramava seus raios sobre as aeronaves e sobre as pistas de pouso e decolagem. Um vento frio soprava de quando em vez, fazendo com que eu levantasse a gola da japona. Em uma destas ocasiões pareceu-me divisar, no circuito de tráfego da pista, uma aeronave que se aproximava para o pouso.
                               Firmando os olhos pude perceber um antigo P-47, daqueles que combateram nos céus da Itália, já na reta final, aproximando-se da pista de cimento. Aquela aeronave já não era mais usada na Força Aérea Brasileira e só existiam algumas poucas, inoperantes e tratadas como relíquias em algumas Bases Aéreas.
                            A aeronave tocou o solo e, logo em seguida, arremeteu em direção ao espaço de onde tinha vindo sumindo de vista em poucos segundos.
- Quem seria o seu piloto? – pensei com os meus botões.
- De onde viera e para onde iria? – continuei pensando.
                              Um calafrio percorreu-me o corpo todo e resolvi retornar para o alojamento, onde uma cama amiga me esperava. O meu dia havia terminado e, como sempre, esperava por uma noite agradável e sem mosquitos. Felizmente eu não tinha voo noturno e nem estava de serviço, o que me assegurava uma noite de sono ininterrupta até a manhã seguinte.

-*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017


132. Como sobreviver em um mundo de mentiras?**


Jober Rocha*


                        Recentemente o Facebook anunciou a introdução de novas medidas para combater a circulação de notícias falsas, principalmente na Alemanha.
                         É fato notório que partidos políticos e empresas ou organizações privadas (através da Mídia, de agências de marketing e de institutos de pesquisas de opinião); bem como os governos (por intermédio da Mídia e de suas agências de informação e de contra-informação) veiculam notícias falsas para alcançar os objetivos de influenciar eleitores, consumidores, contribuintes e cidadãos de uma maneira geral.
                     O Facebook pretende agora, isoladamente e por iniciativa própria, segundo divulgou, implantar um sistema que permita aos usuários marcarem notícias suspeitas; bem como, exibirá avisos junto às matérias identificadas como falsas, por organizações independentes de verificação de tais fatos, além de cortar a publicidade de sites que divulguem notícias falsas, embora se apresentem como organizações verdadeiras.
                           Muitas agências de notícias, em todo o mundo, permitem que a desinformação se propague por seus intermédios, sem nenhum controle, fazendo com que, algumas vezes, as notícias se tornem virais e influenciem o pensamento e o comportamento das populações.
                       Penso que esta falta de controle nas notícias diárias, sobre aquilo que é falso ou mentiroso, constitui o grande dilema que se coloca para a humanidade na era da informática digital global em que vivemos. Talvez as nossas leis devessem considerar como crimes a criação, a divulgação e a propagação de qualquer notícia falsa, através dos meios de comunicação (como já ocorre com a propaganda enganosa), tantos e tão graves são os malefícios que podem advir da propagação de falsas notícias e de informações mentirosas. Todavia, como fazer para separar a verdade da mentira? Esta é a grande questão que se impõe nos dias atuais.
                        Vivendo em um mundo de falsidades e sem termos, muitas vezes, como percebê-las em nosso dia a dia, corremos o risco de estar, na realidade, inseridos para sempre em uma Matrix, como aquela descrita no filme do mesmo nome. 
                        No filme o personagem Neo, pergunta ao personagem Morfeu, em um diálogo mais ou menos como o seguinte: 
- O que é Matrix?
                       Morfeu responde: - Matrix está em toda parte; é o mundo que acreditamos ser real, para que não percebamos a verdade!
- Que verdade? - pergunta Neo.
                 Morfeu responde: - A de que nós somos escravos. Como todos os demais seres humanos você, igual a mim, também, nasceu em cativeiro; isto é, nasceu em uma prisão da qual não se dá conta por ser a sua própria mente que está aprisionada!
                Assim, podemos estar presos a um Sistema de Organização Política, Social e Econômica que, constantemente alimentado por mentiras, nos sujeitariam a um modo particular de ver, de entender e de viver, diariamente, as relações sociais em que estamos inseridos. Viveríamos desta forma em uma servidão consentida e da qual, por dela não nos darmos conta, jamais pensaríamos em nos libertar.
                   Tal servidão seria alimentada por realidades fantasiosas ou falsas, de ordem religiosa, ideológica, filosófica, política, econômica, militar e psicossocial, que se sobreporiam a nossa capacidade de perceber a verdadeira realidade; notadamente por serem veiculadas, de forma constante, por todas as Mídias e de maneira planejada, segundo objetivos definidos. Não é por outra razão que, em determinadas ocasiões, todos os meios de divulgação mundiais passam a falar uma mesma linguagem, isto é, a pregar determinadas idéias em todos os países; bem como, governos de nações distintas passam a adotar procedimentos idênticos e a promulgar leis semelhantes (por exemplo: a divulgação mundial da chamada ideologia de gênero – que é na realidade uma falácia - e a promulgação de leis autorizando os casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, visando, ambas, a um controle mundial da natalidade; bem como, a divulgação de notícias tendentes a cooptar as populações mundiais para permitirem o implante subcutâneo, em seus corpos, de um chip com o suposto objetivo de beneficiá-las com facilidades e maior apoio dos serviços de saúde governamentais).
                     Por outro lado, nos países do Terceiro Mundo, a maior parte das notícias veiculadas pela imprensa falada, escrita e televisionada, diariamente, versa sobre assuntos irrelevantes para o desenvolvimento sócio-econômico destes países, como, por exemplo, propagandas de produtos ou serviços, esportes, novelas, mexericos e religião. Os espaços destinados às notícias de cunho econômico, científico, filosófico e político são mínimos e, quase sempre, de caráter tendencioso buscando influenciar o público. Nota-se, ademais, uma intenção deliberada de manter as populações destes países alheias das grandes decisões nacionais e mundiais; bem como, inteiramente massificadas por informações irrelevantes, que visam a aliená-las com respeito a estas decisões já mencionadas. A Mídia atual não está mais interessada nos aspectos jornalísticos das notícias, tendo-se transformado em verdadeiros lobbies que vendem seus serviços para aqueles que melhor pagam por eles, sejam quais forem os objetivos que estes pagadores porventura tenham. 
                 A psique humana, desta forma, estaria sendo controlada a partir de uma programação sutil, especificamente destinada a confundir e a alterar a nossa percepção da realidade, conduzindo às massas humanas, desta forma, para os caminhos desejados pelas elites mundiais.
                         Estas mentiras, inverdades, informações falsas, etc., ao serem divulgadas de forma maciça, e devido ao fato de muitas delas serem conflitantes entre si, por vezes, acabam estressando parcelas mais suscetíveis da população que, adotando pensamentos e procedimentos niilistas, se refugiam em drogas, licitas e ilícitas, como forma de superar as situações de conflito vivenciadas.
                             Os aspectos descritos até aqui conduzem aos que se empenham em descobrir as verdades fundamentais por detrás dos fatos, a que jamais cheguem a ter plena certeza sobre o que quer que seja; pois, todos nós vivemos em uma realidade cambiante. O que hoje é tido como verdade amanhã pode não o ser mais; já que, nos balizamos por tudo aquilo que assimilamos através da Mídia e esta, em sua maior parte, tem por objetivo nos confundir e direcionar, segundo objetivos quase sempre inconfessáveis. A própria Ciência e a Filosofia, oficiais, estão eivadas de conceitos e preconceitos que, muitas vezes, não representam a verdadeira realidade dos fatos, mas, sim, a realidade que as elites mundiais querem nos impor como verídica.
                      Ocorre que ao falarmos em elites mundiais, imaginamos as mesmas unidas e coesas, em torno de um objetivo comum, o que nem sempre é verdade. As principais elites dominantes, na atualidade, podem ser classificadas como as ocidentais, as sino-soviéticas e as muçulmanas ou islâmicas. Por sobre estas, no entanto, outra elite se sobrepõe e busca unir as demais em torno de uma agenda comum. Esta é conhecida como a elite illuminati, que tenta unir as demais em torno do objetivo comum de uma Nova Ordem Mundial, compreendendo esta uma única religião, em um único território (o planeta), com uma única moeda, dirigida por um único governo mundial e, talvez futuramente, falando uma única língua.
- Com que objetivo elas pretenderiam tão grande empreitada? – perguntarão os leitores. 
                       Quanto a isto, posso apenas especular, já que me faltam informações e estes propósitos não são explicitamente divulgados pela Mídia.
                      Li em algum lugar que as raças oriundas do espaço, que nos visitam com freqüência (conforme comprovado por milhares de fotos, de filmes, de imagens de radar dos aviões e dos aeroportos, depoimentos de pessoas que afirmam ter tido contatos com seres vindos do espaço, etc.), possuem uma estrutura social-administrativa distinta da nossa; isto é, se estruturaram em seus astros de origem de forma holográfica e não da forma piramidal como os seres humanos se estruturaram (com uma pequena elite no topo, detendo todo o conhecimento e a riqueza, e uma grande população na base, sem a posse do conhecimento e da riqueza).
                         O principio da holografia significa colocar o todo nas partes, através da utilização da redundância de funções, aumento da rede de conexões e obtenção de generalização e especialização simultâneas. Assim, incorporam-se funções extras a cada uma das partes para que possa executar mais funções, ao invés de uma única tarefa específica. Isto significa que no lugar de onde vêm os 'alliens', todos sabem de tudo e participam de tudo. Ademais da estrutura holografia, nos astros de origem destas criaturas extraterrestres, existiria apenas uma única raça, uma única língua, um único território (o astro) e um único governo. Os leitores mais perspicazes, a esta altura, já terão atinado aonde desejo chegar.
                             Talvez para que venhamos a nos inserir e nos tornarmos parte de uma eventual comunidade espacial, existente fora do nosso planeta e que partilhe entre si conhecimentos e tecnologia, tenhamos que nos adequar a determinados protocolos alienígenas e estes protocolos impliquem na mudança de nossa estrutura social-organizacional, da forma piramidal atual para a forma holográfica, comum a estas raças alienígenas. Todos os alienígenas detêm o mesmo conhecimento, podendo desempenhar as mesmas funções em qualquer lugar do cosmos. Da mesma forma, os bens de que necessitam são distribuídos igualmente por todos.
                           Considerando que as barreiras da língua, das raças, das religiões, dos territórios, das moedas, artificialmente impostas em nosso planeta pelos seres humanos, da mesma forma que servem para separar os indivíduos e consolidar o poder das elites, servem, também, para promover as disputas, as desavenças, as ambições e as guerras. Em um planeta como a Terra, sob a ameaça constante de guerras nucleares, guerras estas que poderão gerar impactos relevantes em nosso Sistema Solar e, por conseqüência, em todos os outros Sistemas Solares do Universo, é razoável supor que outras raças, porventura existentes, queiram manter-nos sob constante vigilância e, até mesmo, cooptar-nos para fazer parte de alguma federação de planetas e de espécies inteligentes, eventualmente existentes no Cosmos. Para tanto, todavia, poderíamos ter de nos adequar aos seus protocolos, o que implicaria nas mudanças mencionadas, que algumas elites terrestres poderiam estar tentando implantar, de forma velada e sigilosa, para continuarem mantendo a primazia sobre as demais elites e assegurar o poder sobre as massas humanas, de que desfrutam na atualidade.
                                As populações do planeta, como sempre, incultas e desinformadas, mantêm-se a margem dos acontecimentos, alijadas de qualquer participação em seus destinos. Até quando continuaremos inseridos em uma Matrix, vivendo uma servidão consentida e sobrevivendo em um mundo de mentiras?

_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

_**/ Publicado no Jornal A Palavra, edição 182, de 31.01.2017. Rio de Janeiro, RJ.
_**/ Publicado na Revista Ideias em Destaque nº 49, do INCAER-Instituto Histórico e Cultural da Aeronáutica. Rio de Janeiro, 2017.