segunda-feira, 30 de agosto de 2021

 423. Um breve ensaio sobre a Profissão de Carrasco


Jober Rocha*


Ao longo da História, muito já se escreveu sobre os condenados à morte e sobre os encarcerados. O escritor Victor Hugo, no ano de 1829, publicou a obra ‘Le dernier jour d'un condamné’. Vários outros escritores publicaram obras sobre o dia a dia de um prisioneiro, como Graciliano Ramos (Memórias do Cárcere), Dostoievski (Recordações da casa dos mortos), etc. Todavia, são raras ou inexistentes obras tratando da profissão de carrasco, o indivíduo responsável por executar uma sentença de morte.

O meu objetivo, neste breve ensaio, é discorrer sobre esta estranha profissão ao longo da história, sobre os principais carrascos que se tornaram conhecidos mundialmente e sobre as eventuais motivações ideológicas, religiosas e psicológicas que conduzem alguns indivíduos a buscar esta profissão. 

O carrasco, também conhecido como algoz ou verdugo, é aquele indivíduo incumbido pelo Estado de executar, oficialmente, as sentenças capitais e recebem um salário, às vezes, bem elevado pelo trabalho que executam. Existem, ainda, os carrascos que trabalham por conta própria; isto é, como profissionais autônomos, executando, de forma mercenária, pessoas em troca de dinheiro e servindo a diversos senhores na execução de sentenças de morte oriundas das justiças particulares destes e os carrascos que o são sem o saberem, como os soldados na guerra, os policiais quando em confronto com criminosos e os assassinos, todos estes executando sentenças de morte ditadas por eles mesmos. Todos aqueles que matam alguém são os verdugos de suas vítimas. Uns o fazem por profissão, outros por ideologia, outros por religião, outros ainda por distúrbios psicológicos, outros por prazer e outros como uma simples profissão, como qualquer outra.

Dentre os carrascos que deixaram seu nome e sua fama gravados na História, os principais foram:

. Hajj Abd Al-Nabi, que realizou mais de 800 execuções;

. Lady Betty, uma irlandesa que trabalhou mais de 30 anos nesta profissão;

. Albert Pierrepoint, inglês que matou pelo menos 400 pessoas em uma carreira que começou em 1932 e durou mais de duas décadas;

. Charles-Henri Sanson, francês que chegou a executar três mil vítimas durante o reinado do rei Luís XVI.

. Antonina Makarova, russa que chegou a executar cerca de 1.500 alemães nazistas usando uma metralhadora, durante a Segunda Guerra Mundial;

. Franz Schmidt, alemão que foi o executor oficial de Nuremberg de 1578 a 1618. Chegou a executar quase 400 pessoas;

. Souflikar, otomano que no século 17 realizou mais de cinco mil execuções.

Nesta relação não estão incluídos os carrascos que executaram pessoas por motivos religiosos, os serial killers e os assassinos por dinheiro (mercenários). 

Relativamente às motivações que conduzem alguém a adotar tal profissão, destaco em primeiro lugar a de ordem religiosa, em seguida a ideológica, em terceiro a psicológica e em quarto a mercenária, com certeza a única que pode causar futuramente arrependimento e sentimento de culpa pelos atos praticados, já que nas motivações anteriores os carrascos ou estão convencidos de que operam do lado do bem ou sofrem de distúrbios psicológicos que os impedem de avaliar os atos que cometeram. 

É de todos os leitores conhecido o episódio da Inquisição. A Inquisição, ou Santa Inquisição foi um grupo de instituições dentro do sistema jurídico da Igreja Católica Romana cujo objetivo era combater a heresia, a blasfémia, a bruxaria e os costumes considerados desviantes. No Concílio de Verona, em 1184, foi criado o Tribunal da Inquisição, sendo que a instituição da Inquisição persistiu até o início do século XIX.

A chamada inquisição medieval durou do século XIII ao final do XIV e a feroz Inquisição moderna, concentrada em Portugal e Espanha, durou do século XV ao XIX.

A pena de morte foi empregada não somente na Inquisição, mas praticamente em todos os outros sistemas judiciários da Europa.

Os historiadores divergem quanto às estatísticas de morte durante a inquisição, mas alguns consideram que os inquisidores portugueses fizeram 40 mil vítimas, das quais 2 mil foram mortas na fogueira. Na Espanha, até a extinção do Santo Ofício, em 1834, estima-se que quase 300 mil pessoas tenham sido condenadas e trinta mil executadas. Na Alemanha, durante a inquisição, aproximadamente 25 mil pessoas foram mortas.

Isto, sem falar nas execuções por motivos religiosos, perpetradas entre católicos e protestantes ou pelos islâmicos, ao longo da História.

Estou convencido que os verdugos que operaram durante a inquisição estavam certos de que suas vítimas eram bruxos e feiticeiras que mantinham contato com demônios, visando destruir as obras da igreja. Por esta razão faziam o seu trabalho com convicção de que trabalhavam do lado certo; isto é, estavam do lado do bem. Em razão disto não tinham piedade pelas vítimas, nem remorsos sobre os atos cruéis que praticavam, ficando em paz com suas consciências não importa a quantidade de vitimas que tenham sacrificado. O mesmo ocorre com os muçulmanos quando sacrificam os hereges; isto é, aqueles que não adotam a religião islâmica.

Relativamente à motivação ideológica, podemos constatar as ações praticadas pelos comunistas para a implantação do comunismo na Rússia em 1917.

Para conseguirem implantar o Comunismo na Rússia (primeiro país onde esta experiência foi tentada), apenas no período de 1937-38, três milhões de pessoas foram fuziladas. Oito milhões estiveram presos em campos de trabalhos forçados. Cerca de vinte milhões de pessoas tiveram suas existências devastadas em nome dos “mais belos ideais da humanidade”. Na Revolução Cubana, de ideologia comunista, calcula-se em cerca de 85.675, o número de vítimas entre assassinados, desaparecidos, feridos e fugitivos para o exterior. Adicionalmente, cerca de dezesseis mil mortes, ocorreram em combates durante a revolução. Ao final, a ideologia marxista e a forma de governo comunista acabaram ruindo na URSS, após a Glasnost e a Perestroika, ficando restrita à Rússia, Cuba e alguns países africanos.

No referente à implantação do Nazismo, na Alemanha, informações disponíveis indicam a morte, por assassinato, desnutrição, trabalhos forçados e doenças, de cerca de seis milhões de judeus, dois milhões de poloneses, um milhão de ciganos, quatro milhões de prisioneiros soviéticos, duzentos mil deficientes físicos e mentais, cem mil maçons e cinco mil testemunha de Jeová. Note-se que estes dados são estimativas, pois os valores reais podem chegar ao dobro. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Nazismo deixou de existir como forma de governo no mundo.

Com relação ao Capitalismo, Gilles Perrault, em seu “O Livro Negro do Capitalismo”, estima em 58 milhões, o número de mortos na Primeira e na Segunda Guerra Mundiais; além de mortes nas várias guerras coloniais, repressões, conflitos étnicos e vitimas da fome e da desnutrição, chegando a uma cifra estimada da ordem de cem milhões de mortes atribuídas ao Capitalismo e a sua implantação no mundo, durante o século XX. O Capitalismo tem sobrevivido em meio a crises cíclicas, tem consumido o meio ambiente de uma forma sem precedentes na história da humanidade, tem proporcionado inúmeras guerras motivadas por disputa de matérias primas e de mercados consumidores, tem acumulado déficits fiscais na maior parte dos países e gerado uma legião de pobres e miseráveis nos países periféricos do Terceiro Mundo.

Relativamente ao Fascismo, após 1922 diversos países foram influenciados pela sua ideologia: Itália, Hungria, Suíça, Bulgária, Áustria, Albânia, Brasil, África do Sul, Espanha, Portugal, Romênia, Finlândia, Bélgica, Grã Bretanha, Japão, China, Iraque e Argentina. Embora não disponhamos do número total de mortes causadas pelo Fascismo em todo o mundo, apenas na Campanha da Abissínia (atual Eritréia), meio milhão de africanos morreram, além de cinco mil italianos. Formalmente, o Fascismo como forma de governo não mais existe; existindo alguns governos Neo-Fascistas, que se escondem por detrás de uma capa democrática.

No relativo ao Anarquismo, movimento inspirado pelo russo Mikhail Bakunin, em meados do século XIX, o mesmo influenciou diversos acontecimentos políticos, como as Comunas de Lyon e de Paris, a Insurreição Anarquista de 1918, no Rio de Janeiro, e a Revolução Espanhola de 1936. Não saberíamos dizer quantos morreram ou foram sacrificados na tentativa vã de sua implantação, que não chegou a concretizar-se.

Movimentos de cunho Nacionalista têm se verificado, ao longo da história, em diversos países do mundo. Na Europa, destacam-se o Pan-Eslavismo, o Pan-Germanismo e o Revanchismo Francês. Na Irlanda, o Movimento Nacionalista Irlandês, colocou em lados opostos católicos e protestantes (dominados e dominadores). Desde 1846, milhares de vítimas têm sido contabilizadas, nesta disputa pelo poder naquele país. Os movimentos nacionalistas antiocidentais, surgidos no oriente Médio, na África, na Ásia Meridional (incluindo Índia, Paquistão e Sudeste Asiático), têm suas origens nos grupos fundamentalistas existentes no século XIX. No século XX, os Estados Unidos da América e o Reino Unido, no âmbito da Guerra Fria, apoiaram a ascensão destes grupos no Oriente Médio e na Ásia Meridional, como forma de oposição à expansão soviética na região. Após a ascensão destes movimentos, voltaram-se eles contra os países ocidentais. Ainda durante o período da Guerra Fria, na América Latina, surgiram diversos Movimentos de Libertação Nacional que, embora de cunho nacionalista, tinham por base a ideologia comunista.

O Socialismo existe em alguns poucos países desenvolvidos da Europa que, no entanto, ainda fazem uso do sistema capitalista de produção. Nestes países, a renda é bem distribuída, os serviços sociais e de infraestrutura funcionam bem; principalmente, por serem países ricos, com poucas populações e com elevados níveis educacionais, características estas encontradas em apenas poucos países ao redor do mundo.

Se levarmos em consideração os holocaustos indígenas (durante a colonização do Continente Americano); a Revolta Circasiana, de 1860 (Cáucaso e Chechênia); o Massacre dos Hererós e dos Namaquas (1904/1907), na África; o holocausto Ucraniano (1932/1933), pelos soviéticos; o holocausto dos Curdos (1937/1938), pela Turquia; o massacre dos Armênios (1915/1917), pela Turquia; o massacre dos Sérvios, pelos Alemães, durante a Segunda Guerra Mundial; o genocídio dos Bengalis (1971), pelo Paquistão; o massacre do Timor - Leste (1975/1999), pela Indonésia; o genocídio da Bósnia (1992/1995), pelas forças da Sérvia; o massacre dos Tutsis (1994), em Ruanda; o massacre dos Tibetanos (a partir de 1950), pela China; o genocídio Cambojano (1975/1979), pelo Khmer Vermelho; a Guerra do Vietnam; a Guerra do Afeganistão; a Guerra do Golfo Pérsico e a Guerra da Palestina; além de inúmeras outras não consideradas, veremos que milhões de seres humanos têm perdido a vida em nome de ideologias e de suas implantações em todo o mundo. Os carrascos que matam por ideologia, igual àqueles que matam por religião, não sentem remorsos nem imaginam ter praticado um crime; mas, apenas, um justiçamento necessário de um inimigo ideológico que faria o mesmo com eles.

No que respeita ao lado psicológico da questão, todos nós conhecemos a existência dos chamados ‘serial killers’, os assassinos em série psicóticos, sádicos e bárbaros.

No artigo ‘O perfil psicológico dos assassinos em série e a investigação criminal’ encontramos: “A maioria das pessoas tende a imaginar o serial killer como uma pessoa louca ou doente mental, o que se verifica não ser verdade na maioria dos casos. Há, no entanto, consenso de que os assassinos seriais possuem ligações íntimas com a psicopatia e a psicose, que são desvios mentais distintos. A psicose é uma doença mental que provoca uma alteração na noção da realidade, onde um mundo próprio se forma na mente do psicótico, ou seja, ele vive num delírio e sofre alucinações, ouvindo vozes e tendo visões bizarras. As formas mais conhecidas de psicose são a esquizofrenia e a paranoia. Apenas uma reduzida parcela dos assassinos em série se enquadra no lado dos psicóticos, o que derruba a crença popular de que todo serial killer é louco. Por outro lado, a psicopatia afeta a mente do assassino de forma diversa. Não cria nenhum tipo de ilusão na mente, ou seja, o indivíduo vê claramente a realidade e sabe que é proibido matar, porém suas perturbações mentais os fazem ser frios e sem empatia. Basicamente o serial killer psicopata vive uma vida dupla, mantendo uma aparência voltada para a sociedade, muitas vezes sendo uma pessoa gentil, racional e que interage com o meio social, porém, sua verdadeira identidade é mostrada somente para suas vítimas: um ser dissimulado e incapaz de sentir pena e de obter satisfação com tortura, estupro e assassinato”.

Vigora, pois, um instinto assassino nestas pessoas, que matam sem sentir prazer em matar, mas, somente, por uma compulsão interna incontrolável.

Existem, ainda, aqueles indivíduos que sentem prazer em matar; talvez em razão da descarga de adrenalina que se produz antes e durante o ato e do sentimento de poder que experimentam na ocasião. É o caso de muitos policiais em seus enfrentamentos com criminosos, de muitos soldados em operações de guerra, de criminosos durante suas ações, etc.

Ademais, pessoas também são levadas a cometer abusos por não saberem dizer não a uma ordem recebida ou por não terem coragem de contrariar um superior hierárquico que temem.

Uma experiência científica desenvolvida pelo psicólogo Stanley Milgram, relativamente à execução de tortura e a morte do torturado, tinha como objetivo responder à questão de como é que os participantes observados tendem a obedecer às autoridades, mesmo que as suas ordens contradigam o bom-senso individual. A experiência pretendia inicialmente explicar os crimes bárbaros do tempo do Nazismo. Em 1964, Milgram recebeu por este trabalho o prémio anual em psicologia social, atribuído pela American Association for the Advancement of Science. Os resultados da experiência foram apresentados no artigo Behavioral Study of Obedience no Journal of Abnormal and Social Psychology (Vol. 67, 1963 Pág. 371-378) e, posteriormente, no seu livro Obedience to Authority: An Experimental View 1974.

Milgram resume o seu experimento da seguinte maneira:

“Os aspectos jurídicos e filosóficos da obediência têm enorme significado, mas dizem muito pouco sobre como as pessoas realmente se comportam numa situação concreta e particular. Eu projetei um experimento simples em Yale, para testar quanta dor um cidadão comum estaria disposto a infligir a outra pessoa somente por um simples cientista ter dado a ordem. Foi imposta autoridade total à cobaia [ao participante] para testar as suas crenças morais de que não deveria prejudicar os outros, e, com os gritos de dor da vítima ainda zumbindo nas orelhas das cobaias [dos participantes], a autoridade falou mais alto na maior parte das vezes. A extrema disposição para seguir cegamente o comando de uma autoridade mostrada por adultos foi o resultado principal do experimento, e que ainda necessita de explicação”.

O último aspecto da questão, o do verdugo mercenário, trata daqueles que matam por dinheiro, como se a sua fosse uma profissão como qualquer outra. A principal característica deste carrasco é que não se interessa em saber o crime que o condenado cometeu, ficando alheio aos pedidos de clemência da vítima. Apenas exerce o seu trabalho como forma de se manter e a sua família, conseguindo dormir tranquilamente à noite. Sua própria esposa (se a tem), quase sempre não sabe a profissão do marido, que viaja com frequência executando a pena capital em várias localidades.

Exerce sua profissão sem qualquer problema, até que o envelhecimento e a maturidade façam despertar sua consciência para os atos que praticou. A partir de então passa a se constituir em uma pessoa amargurada e corroída pelo remorso.

Eu, certa feita, presenciei uma entrevista com um ‘Sniper’ norte americano responsável pela morte de centenas de Vietcongs durante a guerra do Vietnam. A entrevista foi realizada nos USA, anos depois de seu retorno do teatro de guerra. 

O ‘Mariner’ declarou que não conseguia conciliar o sono à noite. Em sua mente via sempre as centenas de cabeças que explodiu com seu fuzil de franco atirador. Tinha plena convicção de que, após a sua morte, responderia, junto ao Criador, por aqueles atos que havia cometido. Tinha, naquela ocasião, que tomar tranquilizantes e remédios para poder dormir, somente, algumas horas por dia.

Embora se tratasse de um soldado voluntário, imagino que não estivesse plenamente convencido de que lutava do lado do bem, razão do seu tardio remorso.   

_*/ Economista, MS e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.



terça-feira, 6 de julho de 2021

 422. Sobre juramentos, tratados e acordos 

Jober Rocha


No ano de 1939, pouco antes de começar a Segunda Guerra Mundial, Hitler e Stálin assinaram um acordo de paz e de não agressão, com duração de dez anos, denominado Pacto Germano-Soviético; entretanto, o pacto foi rompido pelos nazistas em 1941. 

Dizem muitos historiadores que alguns assessores de Hitler, na ocasião dos preparativos para a invasão da União Soviética, teriam lembrado ao líder nazista sobre a existência do tratado de não agressão. Hitler, naquela oportunidade, teria declarado: - Para que servem os acordos senão para serem rompidos?

Antes deste fato inúmeros líderes de reinos, impérios, cidades estado, países, nações, tribos e bandos, já haviam agido da mesma forma. Depois dele, ainda, continuam agindo. A atitude de Hitler, portanto, não chegou a me surpreender, evidentemente.

Da mesma forma ocorre com os juramentos, como aqueles proferidos, por exemplo: 

Pelos amantes católicos que se casam (Eu aceito você como meu legítimo esposo/esposa e prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe); 

Por profissionais de algumas atividades liberais, como a Medicina (Exercerei a minha arte com consciência e dignidade. A Saúde do meu Doente será a minha primeira preocupação. Mesmo após a morte do doente respeitarei os segredos que me tiver confiado. Manterei por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão médica), o Direito (Prometo manter, defender e cumprir os princípios e finalidades da minha organização, exercer com dedicação e ética as atribuições que me são delegadas e pugnar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização da advocacia), a Economia (Perante Deus, eu juro fazer da minha profissão de Economista um instrumento de não valorização pessoal, mas sim utiliza-la para a promoção do bem-estar social e econômico do meu povo e minha nação, cooperar com o desenvolvimento da Ciência Econômica e suas aplicações, observando sempre os postulados da ética profissional), outras profissões liberais;

Por organizações esotérico-religiosas (Juro e prometo de minha livre vontade e por minha honra e pela minha fé, em presença de Deus e perante esta assembleia, solene e sinceramente, nunca revelar quaisquer dos mistérios que me vão ser confiados; nunca os escrever, gravar, imprimir ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los);

Pelos militares (Incorporando - à Marinha; ao Exército; ou à Força Aérea - prometo cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado, respeitar os meus superiores hierárquicos, tratar com afeição os irmãos de armas, com bondade os subordinados e dedicar-me inteiramente ao serviço da pátria; cuja honra, integridade e instituições, defenderei com o sacrifício da própria vida);

Pelos políticos (Prometo manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo e sustentar a união, a integridade e a independência do país).


Tais juramentos, com algumas variações locais decorrentes das idiossincrasias de cada povo, são repetidos, anualmente, por aqueles que contraem matrimônio católico, por todos os profissionais liberais que se formam ou por todos os militares que iniciam a carreira das armas, nos 195 países do mundo, fato que não os impede de serem rompidos tão logo se apresentem razões supervenientes ou que a vida se encarregue de demonstrar, a cada um de seus atores, que juramentos, pactos e acordos, nada mais representam que demonstrações momentâneas de intenções.

Tanto é assim, que os desquites, divórcios e separações ocorrem frequentemente em todos os países, em que pesem os juramentos feitos pelos noivos com os olhos brilhantes e, por vezes, rasos d’água e o coração batendo forte de emoção.

Tanto é assim que médicos, advogados, economistas, etc., violam, diariamente, em todos os países, os juramentos profissionais que, com voz embargada, efetuaram em suas formaturas; sem culpa e sem remorso de atos praticados depois e que conflitam com o velho e já esquecido juramento. 

Tanto é assim que, com o advento da WEB e das redes sociais, todos aqueles considerados segredos esotérico-religiosos podem ser encontrados na Internet;

Tanto é assim que militares observam as constituições de seus países sendo rasgadas por políticos e magistrados, diariamente, sem nenhuma reação; como se a manutenção da integridade da Carta Magna não fosse atribuição suas e em defesa da qual ofereceram a própria vida em um passado distante.

Tanto é assim que muitos políticos trabalham contra os interesses dos seus eleitores e da nação, preocupados que estão, apenas, em angariar para si dinheiro público e privado e em conspirar contra o presidente e seus ministros, rasgando a Constituição, tornando-nos dependentes do exterior e conspirando contra a nossa integridade territorial.

Tanto é assim que os países conspiram uns contra os outros visando seus interesses particulares, que se sobrepõem, fazendo com que, muitas vezes, cheguem ao auge de iniciarem guerras entre si; embora possuam acordos comerciais e tratados de não agressão com o novo inimigo.

Todos os dias a Mídia divulga alguma notícia sobre tais fatos, aos quais já nos acostumamos e deixamos, a muito, de sentir revolta e de demonstrar nossa indignação publicamente.

O silêncio das maiorias honestas, porém acomodadas e desinteressadas por política, é que permite a ocorrência de fatos desta natureza, que, quase sempre, as prejudicam e que só beneficiam seus autores e os grupos de interesses ideológicos e/ou quadrilhas de assaltantes dos cofres públicos das quais alguns fazem parte.

É preciso que como consumidores, eleitores, fiéis, telespectadores, leitores, contribuintes, trabalhadores, alunos, cidadãos façamos valer os nossos direitos, exigindo que as autoridades cumpram com seus deveres e obrigações. Somos nós que mantemos as engrenagens, que muitas vezes nos massacram, funcionando. Temos o poder de pará-las, mas nos falta coesão necessária e entendimento sobre como proceder para tanto.

Devemos ser menos crédulos com respeito a promessas e juramentos alheios, sabendo que os interesses pessoais e de grupos têm o poder de transformá-los em pó. Devemos procurar fazer escolhas melhores, notadamente em se tratando de candidatos a cargos políticos eletivos. Devemos ser mais céticos com respeito às notícias veiculadas pela mídia venal, cuja verdade proclamada é aquela de quem paga mais. Devemos nos precaver contra os estelionatários da fé e contra os vendilhões do templo, que vêm na religião e no esoterismo simplesmente uma forma de ganhar dinheiro. 

Os militares e servidores do Estado devem ter sempre em mente aquilo que já vigora no ordenamento jurídico; isto é, a determinação de que ordem manifestamente ilegal não se cumpre. Tal situação configura causa excludente de culpabilidade, qual seja, inexigibilidade de conduta diversa, conforme preconiza o artigo 22 do Código Penal Brasileiro, que tem como rubrica legal “Coação irresistível e obediência”.

Lembremo-nos que o filósofo guerreiro e general estrategista chinês Sun Tzu (544 a.C – 496 a.C), em sua obra ‘A Arte da Guerra’, já mencionava: "Os generais são servidores do Povo. Quando seu serviço é completo, o povo é forte. Quando seu serviço é defeituoso, o povo é débil”. 


domingo, 6 de junho de 2021

 421. Considerações Extemporâneas* 



Jober Rocha**


Um dia desses li no Whatsapp um artigo escrito por um coronel de infantaria, da Turma Marechal Castelo Branco, falando acerca do pronunciamento de um general. O coronel criticava uma nota do general divulgada pela grande mídia e o acusava de arrogância, deslealdade, desunião, desrespeito e ingratidão com relação ao exército, aos seus comandantes e ao Presidente da República.

As forças armadas, todos sabemos, sempre tiveram, ao longo da nossa história, papel importante na manutenção da soberania brasileira, da união nacional, da ordem e do progresso. Algumas vezes funcionou como um quarto poder, moderador, visto que naquelas ocasiões a sua intervenção tornou-se necessária para colocar o país no rumo.

Embora sejam vedados aos oficiais generais pronunciamentos políticos e a politização das forças sob seus comandos, é óbvio que o generalato se trata de um cargo político. Como tal, nem sempre os melhores e mais aptos são os escolhidos, pois esta escolha é feita pelo Presidente da República do momento em uma lista tríplice onde, normalmente, coronéis opositores e ideologicamente contrários ao seu governo, não costumam entrar.

Muitas vezes, excelentes coronéis operacionais não fazem parte desta lista, preenchida que é por coronéis medíocres (no sentido de estarem na média da turma a que pertencem), mas bajuladores e afinados ideologicamente com o partido no governo. Essa é a verdade, com inúmeras e honrosas exceções que faço questão de destacar, embora muitos se recusem a nela acreditar. Em países mais desenvolvidos, o generalato é muito mais um cargo técnico que político, ao contrário daqui onde é muito mais político do que técnico.

A explicação é simples: tais países, desde o fim da Segunda Guerra Mundial até os dias atuais, sempre estiveram envolvidos em guerras localizadas onde puderam testar seus próprios equipamentos bélicos e suas novas tecnologias táticas e estratégicas. Neste contexto, os generais devem ser mais técnicos que políticos. A política fica para o parlamento e a diplomacia, já que em democracias fortes não existe a necessidade de um quarto poder moderador.

O Brasil, depois de pequena participação naquele conflito mundial já mencionado, só se envolveu, desde então, em umas poucas e eventuais missões de paz promovidas pela ONU. A nossa doutrina constitucional (Art.4º, VII, da Constituição Federal) repudia a guerra, quando reza: “Defesa da paz e solução pacífica dos conflitos”. Ao contrário da dos USA, que diz: “Defender os interesses norte americanos em qualquer lugar do planeta”. Estes se tratam, como podemos ver, de pontos de vista totalmente opostos.

Por esta razão, as indicações ao generalato, aqui, dão-se ao luxo de serem políticas e não técnicas. País que não se envolve em guerras não necessita de generais “técnicos em guerra”. Ademais, durante os quase trinta anos de governos de esquerda, os governantes se ocuparam em sucatear as forças armadas, tanto em equipamentos bélicos quanto em pessoal. Objetivavam enfraquecer militarmente o país para a implantação, sem reação, de um governo comunista. Tanto é assim que, mesmo contra a vontade do povo manifestada em um plebiscito, os governos de esquerda desarmaram a população e deixaram as facções criminosas se armarem e controlarem partes do território nacional; ou seja, as comunidades periféricas aos grandes centros urbanos.

Ao mesmo tempo, os governantes de esquerda também politizaram o STM e o STF com suas indicações de ministros, muitos dos quais jamais foram juízes, desembargadores ou mesmo chegaram a advogar. Em poucos anos, todo o estamento burocrático do Estado, que comanda o ramo civil e militar da administração, com aparelhamento próprio, invadiu e dirigiu as esferas econômica, militar, judicial, política e financeira do país.

O governo Bolsonaro, embora contasse com o apoio do povo que o elegeu, defrontou-se, de início, com um enorme contingente de servidores muito bem remunerados, dos três poderes, totalmente contra o seu governo de moralidade e honestidade. Aos poucos, todavia, o presidente foi se livrando das más companhias que havia escolhido para ajuda-lo a administrar o país e conseguindo vencer inúmeras barreiras que lhe impunham os demais poderes, impedindo-o de governar. Suas obras falam por si mesmo. Em pouco tempo conseguiu terminar obras inacabadas dos governos de esquerda, que consumiam rios de dinheiro. O próprio jornal Wall Street, que tantas críticas fez ao governo Bolsonaro, recentemente relatou em matéria na página principal que a economia brasileira voltou ao patamar de antes do Covid 19, com a criminalidade despencando aos níveis mais baixos da história recente do país, recordes na produção de grãos e tendo-se tornado o maior exportador de carne do mundo. Empresas estatais que antes davam prejuízos hoje estão dando lucros jamais vistos, obras estruturais de ferrovias e rodovias em pleno vapor.

A grande imprensa nacional, que costuma vender sua opinião aos que pagam mais, ao ver estancarem-se as verbas públicas para divulgação dos atos do governo, como era tradicional nos governos passados, começou uma campanha firme para derrubar o presidente através de impeachment.

Esta campanha ainda está em andamento; mas já não conta com a força inicial de que dispunha segundo penso.  O povo brasileiro está mais consciente das armadilhas contra o presidente e percebe que ele é a pessoa indicada para fazer o país retornar ao crescimento e livrar-se, de vez, dos corruptos e dos comunistas ainda encastelados no poder.


_*/ Título de uma obra do filósofo Friedrich Nietzche

_**/ Da Academia Brasileira de Defesa. Economista, M.S e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.


quinta-feira, 6 de maio de 2021

 420. A Visão de Michel de Nostradamus


 Jober Rocha*


    Nestes tempos de pandemia, em uma noite quente em que havia tomado um tranquilizante para poder dormir, tive a sensação de que caia em um precipício e, logo a seguir, que acordava sobressaltado na cidade do Rio de Janeiro, onde realmente morava. Não saberia dizer se estava verdadeiramente acordado ou se sonhava, pois o que passarei a narrar foi, para mim, tão real que até hoje ainda estou em dúvida se não se tratou de um sonho ou de uma premonição acerca de algo que, certamente, está bem próximo de ocorrer no futuro ano de 2025.

    Acordei com estampidos vindos da rua. Isso já era uma coisa normal em todos os bairros da cidade; mas, naquela manhã, os tiros eram tantos e acompanhados de muita gritaria, razão pela qual resolvi olhar por trás da persiana fechada do meu quarto e ver do que se tratava.

  Antes, porém, quero dizer que meu nome é Michel de Nostradamus de Castro e Silva e moro com a família, mulher e dois filhos, em um apartamento de três quartos em um bairro de classe média alta, na cidade do Rio de Janeiro.

  A última eleição presidencial havia transcorrido três anos antes, em 2022. Nela havia sido eleito um candidato de extrema esquerda. O anterior presidente, um liberal de direita candidato a reeleição, embora tenha feito um bom governo, por haver se recusado a utilizar os recursos do Fundo Partidário nas eleições de 2022, não conseguiu mobilizar seus tradicionais eleitores nem aqueles outros que lhe faziam oposição. 

  Sua campanha foi pobre e totalmente superada pela dos partidos de esquerda, que se uniram em torno do nome de um único candidato. Este candidato, tendo sido anteriormente condenado e preso, por casuísmos das mais altas cortes do país fora solto e tivera a sua condenação anulada. Os demais processos a que respondia foram todos paralisados e arquivados, possibilitando, com isso, que ele se apresentasse candidato nas eleições de 2022.

     Naquela eleição, o dinheiro do fundo correu solto para a mídia venal e para a compra de corações e mentes dos formadores de opinião, fazendo com que a população ignorante, submissa e interesseira, mais uma vez, fosse engambelada com promessas do paraíso terrestre construído pelas mãos daquele candidato esperto e bem falante, dono de uma retórica invejável  com a qual ainda supera todos os demais políticos de esquerda, oportunistas, do país.

     Enfim, foi eleito aquele velho candidato da esquerda que, paradoxalmente, além dos votos dos mais pobres, contou também com os votos e o apoio de grandes empresários, de autoridades religiosas, de intelectuais, de artistas e de militares graduados das mais altas patentes.

     Tendo transcorrido três anos da posse do candidato eleito, em 2025, praticamente, já vivíamos em um governo ou regime narco-comunista. Os líderes das facções criminosas, até então presos incomunicáveis em presídios federais, haviam sido todos soltos, seus negócios haviam prosperado e se expandido. Plantações de maconha e destilarias de cocaína funcionavam abertamente em vários Estados da Federação, depois que tanto a produção quanto o consumo de drogas haviam sido liberados pelas autoridades parlamentares.

     Os militantes e os ativistas da esquerda, que estavam infiltrados no governo anterior, de direita, sabotando decisões do presidente e de sua equipe de governo e fornecendo informações privilegiadas para seus partidos e que, por isso mesmo, haviam sido demitidos, retornaram todos no novo governo de esquerda eleito, agora com muito mais força política e um ódio muito mais intenso contra o capitalismo.

  As facções criminosas que agiam livremente, haviam recrutado milhares de ‘soldados’, que intimidavam a inoperante polícia e amedrontavam a população trabalhadora, temerosa de sair às ruas e vivendo trancada em suas casas, por força do chamado lockdown, torcendo para que dela se esquecessem.

     Esses ‘soldados’ do crime, anteriormente desunidos e em guerra entre eles mesmos, já haviam superado suas divergências e se unido em torno de um líder único, conhecido como Mariozinho Beira Rio, que chefiava com mão de ferro aquele exército de criminosos.

  Nas reuniões e solenidades no palácio do novo governo de esquerda, na capital federal, via-se, constantemente, a presença de inúmeros assessores fardados de alguns países comunistas, tanto do nosso continente quanto de fora dele.

    Os uniformes visíveis, nestas ocasiões, cada qual mais colorido que o outro, demonstravam que nossas autoridades nada mais eram que simples representantes fantoches e lacaios de países comunistas mais antigos e mais poderosos, que, aproveitando-se da saída dos USA dos acordos e foros internacionais; do protecionismo e do fechamento daquele país em torno de suas fronteiras; da ausência de ideólogos de direita que contrabalançassem os ideólogos de esquerda junto ao meio intelectual e artístico (que, tradicionalmente, orientam a juventude e as massas trabalhadoras) e do trabalho desenvolvido por entidades internacionais e pelos representantes de algumas religiões que adotaram as chamadas Teologia da Libertação e a Ecoteologia ou Teologia Ambientalista (está última uma forma disfarçada de panteísmo, mas, que, visava, na prática, assenhorear-se dos recursos naturais da Região Amazônica para grupos econômicos a elas ligados), visando à implantação da Nova Ordem Mundial, tinham, finalmente, conseguido chegar ao poder em inúmeros países sul americanos e africanos.

  Assim, tendo eu feito uma breve síntese dos fatos ocorridos após a derrota nas urnas do candidato liberal de direita, seguirei com a narração do que ocorreu naquele dia e nos demais que se seguiram ao meu ‘suposto’ sonho.

  Olhando por detrás da persiana, vi muitas pessoas armadas saqueando os transeuntes e as lojas abertas, algumas delas já cerrando-as rapidamente. Resolvi descer até a portaria do prédio e ver como estavam as coisas lá embaixo, isto é, nas ruas.

  No térreo fui alertado pelo porteiro a não sair do prédio, mas minha curiosidade era grande demais e resolvi sair e caminhar pelas ruas.

     A primeira coisa que notei foi a total ausência da polícia. Está havia, simplesmente, sumido. Caminhando por várias ruas não vi nenhum policial, como, também, nenhum bombeiro para combater os inúmeros incêndios que grassavam pelo bairro, ateados com coquetéis Molotov jogados pelos criminosos e revoltosos.

     Pelo que pude perceber, as facções criminosas haviam ordenado aos moradores das comunidades pobres que se rebelassem contra as autoridades constituídas e fossem às ruas para roubar e saquear o comércio e as residências particulares, visando a instauração do caos social. 

     Essas facções agiam sob ordem do partido político no poder, que encontrou forte resistência da parte de alguns civis e militares patriotas, que não compactuam com a tentativa de implantação do comunismo no país. O objetivo dos criminosos era implantar o caos nas cidades e no campo para que o governo pudesse agir com mão forte, reprimindo os patriotas com o auxílio das forças armadas e das forças policiais cooptadas.

     Notei, caminhando pelas ruas, as lojas fechadas, a ausência de transportes públicos e, apenas, um ou outro veículo circulando. Muita fumaça partindo dos prédios incendiados e as ruas quase todas desertas.

    Ao longe eu ouvia rajadas de fuzis e de metralhadoras e disparos de pistolas. Resolvi retornar para casa, me esgueirando rente às paredes das lojas e dos edifícios.

     Fiquei cerca de três ou quatro dias em casa com meus familiares, comendo aquilo que tínhamos na despensa. A situação nas ruas, pelo que imagino, não se modificará. Nenhuma polícia, nem elementos das forças armadas eram vistos circulando pela cidade. As lojas permaneciam fechadas e os gêneros alimentícios já faltavam em todas as residências. Uma ocasião, durante a noite, a luz foi cortada em um ato de sabotagem junto às torres de distribuição, segundo fiquei sabendo por intermédio do porteiro. Pouco depois, cortaram o fornecimento de água.

     Resolvi que não valia mais a pena esperar ali, no apartamento, a normalização da situação, pois, pelo visto, ela jamais se normalizaria.

     Decidi que tentaria me deslocar com a família para uma casa de fim de semana que comprara a prestação, localizada em região montanhosa do interior, afastada da capital.

     Antevendo eu a possibilidade de uma futura convulsão social no país, há alguns anos adquiri esta casa em região montanhosa isolada, onde poderia estocar alimentos, armas e munições, em um porão previamente construído, e tentar sobreviver com o que dispunha.

  Ali eu poderia resistir durante muito tempo, até as coisas se definirem e o país voltar ao seu rumo, com ordem e segurança.

  Com calma e tempo, eu preparei previamente uma horta, plantei árvores frutíferas, montei um galinheiro onde viviam cerca de trinta e poucas galinhas e iniciei uma criação de coelhos. O terreno possuía em seus limites um pequeno córrego de águas limpas, que abastecia a casa.

     A energia da casa vinha de células captadoras de energia solar. O gás da cozinha vinha de uma pequena usina produtora de gás, a partir de rejeitos orgânicos. Havia também estocado diesel para a caminhonete. 

    Em suma, se eu conseguisse chegar até a minha propriedade nas montanhas, ali poderia sobreviver durante muito tempo, resistindo pela força das armas a alguma invasão ou assalto de bandos ou turbas revoltosas.

  O grande problema era chegar até lá, pois a convulsão social havia se estendido por todos os Estados da Federação e, naquela situação, transitar pelas ruas das cidades transformou-se em uma aventura arriscada, ainda mais com mulher e filhos.

    De qualquer forma, dei início a preparação para sair daquele apartamento. Minha caminhonete Toyota estava estacionada na garagem do prédio com o tanque de diesel cheio. 

     Recolhi os mantimentos que ainda restavam em casa, enchi várias garrafas de plástico com água potável, apanhei vários cobertores, meus documentos e os dos demais membros da família e coloquei tudo na parte de trás do veículo.

    Peguei minha pistola Beretta mod. 92, calibre 9mm, com quatro carregadores de 15 tiros cada, cheios; minha pistola Colt 1911, calibre .45, com cinco carregadores de 7 tiros cada, cheios; uma escopeta Mossberg, calibre 12, semiautomática, com capacidade para 10 cartuchos, carregada, e diversas caixas de munição que possuía em casa.

    Coloquei as caixas com as munições no porta luvas, as pistolas na cintura, os carregadores nos bolsos da calça e a escopeta ao meu lado no banco da caminhonete, reuni a família e deixei a garagem do prédio sem nem olhar para trás e sem saber quando ali voltaria novamente.

    Sai do prédio e transitei por várias ruas desertas, tomando o rumo do Aterro do Flamengo. Avisei aos familiares que, quando me vissem sacando alguma das armas, eles deveriam se jogar no chão do veículo e dali só sair com ordem minha. 

     Pretendia atravessar a Ponte Rio Niterói, seguir pela Avenida do Contorno, já em Niterói, até atingir a BR 101, passando pelo município de Itaboraí e, mais adiante, seguir pela RJ 116 em direção ao município de Nova Friburgo. Dali, depois de atingir Muri no quilômetro 73, pegaria a estrada à direita em direção ao município de Lumiar. 

    Minha propriedade fica próxima de São Pedro da Serra, em uma alta montanha, quase sempre coberta pela cerração, entre este município e o de Benfica.

  Pelo caminho por onde passávamos, o panorama era de uma guerra declarada: casas, lojas e edifícios em chamas ou enegrecidos pelo fogo já apagado. Buracos de balas em muitas paredes, ruas desertas, esparsos veículos circulando, nenhuma viatura policial ou das forças armadas.

     Entrei no Aterro do Flamengo e segui em direção ao Aeroporto Santos Dumont, de onde seguiria através do túnel Marcello Alencar até a Praça Mauá.

     Nas proximidades do aeroporto, ainda de longe, notei que haviam feito uma barreira na pista e algumas pessoas armadas faziam sinais para que eu parasse. Parar, naquela situação, significaria morte certa. Mandei que todos no veículo se abaixassem, saquei a pistola 9 mm e desci os vidros da frente do veículo. Fiz que ia parar na barreira, o que tranquilizou os seus integrantes.

     Com os olhos procurei rápido o ponto mais fraco da barreira e logo o encontrei. Alguns caixotes de madeira jogados na pista bloquearam o lado esquerdo da via e percebi que por ali poderia passar, quebrando aqueles caixotes com as rodas do veículo.

    Quando um dos que ali estavam se aproximou pela direita, atirei em seu peito com a pistola. Ele caiu e os outros se aproximaram. Descarreguei meio carregador neles, joguei o veículo em direção aos caixotes e, passando por eles, pisei fundo no acelerador, pois eles começaram a atirar em minha direção. Felizmente não acertaram nenhum tiro. 

     Entrei no túnel Marcello Alencar e rumei célere em direção à Praça Mauá. Ali chegando, tomei a direção da subida da Ponte Rio Niterói. Eventualmente, cruzava com algum veículo em sentido contrário, pois aquela parecia uma cidade fantasma, embora possuísse cerca de 6,2 milhões de habitantes.

    A travessia da ponte foi tranquila. De cima dela pude avistar partes da cidade do Rio de Janeiro, que ficavam para trás e parte da cidade de Niterói, para onde eu me dirigia. Em ambas a fumaça negra dos incêndios turvava o céu azul daquele belo dia de sol.

     O posto de pedágio estava vazio e as cancelas todas abertas. Não vi nenhum funcionário no local. Tomei o rumo da Avenida do Contorno, local perigoso pois passava por cerca de quinze comunidades carentes, a pior delas entre os quilômetros 307 e 309 da BR 101 (Rodovia Niterói-Manilha), chamada Complexo do Salgueiro e mais conhecida como Faixa de Gaza.

     Nesta rodovia parei o veículo e pedi a minha esposa que ocupasse o volante. Passei para o banco de trás da caminhonete, arriei ambos os vidros laterais, segurei nas mãos a escopeta Mossberg semiautomática, engatilhei o mecanismo e fiquei atento à estrada.

     Mais à frente, justamente na altura da Faixa de Gaza, duas motocicletas atravessadas na pista impediam o trânsito de veículos. Minha mulher ficou nervosa, sem saber o que fazer. Mandei que seguisse devagar e mirasse com a nossa caminhonete a parte do meio da pista que separava ambas as motos, pois entre elas havia um espaço de cerca de um metro.

    Em volta das motocicletas haviam cerca de dez pessoas conversando, algumas com fuzis nas mãos e outras com suas armas penduradas nos ombros pelas bandoleiras. No acostamento da rodovia notei mais algumas pessoas.

     Nenhuma delas esperava reação, pois foram completamente surpreendidas pelos meus disparos repetidos em suas direções. Muitos deles, atingidos pelos inúmeros chumbos projetados dos cartuchos, caíram ao chão. Minha mulher jogou o veículo entre as duas motos, que foram atiradas para o lado. Ao mesmo tempo eu seguia disparando em todas as direções, vendo gente cair por todos os lados, todos atingidos pelos meus disparos.

    Mais uma vez passamos incólumes por uma barreira de revoltosos sublevados. Seguimos até perto de Itaboraí, quando pedi a ela que parasse o veículo e eu assumi o volante. Recarreguei todas as armas e seguimos em frente.

    Meus filhos, dois meninos, um com doze anos e o outro com quatorze, participavam daqueles acontecimentos como se estivessem vivendo na vida real algum dos jogos de guerra que costumavam acessar com seus Smartphones. Eu me recordava dos velhos filmes de faroeste em que os colonizadores, em carroções puxados por parelhas de cavalos, eram assediados pelos índios revoltosos.

  Lembrei-me, naquela ocasião, do maquiavelismo dos governantes de esquerda que desarmaram a população do país, já prevendo a chegada destes dias trágicos que viveríamos. Os cidadãos desarmados tornavam-se presas fáceis das organizações criminosas que importavam fuzis, pistolas e munições em quantidade, pelas fronteiras desguarnecidas do país.

     Eu, desde longa data, havia me filiado a um clube de tiro e caça e, como atirador desportivo e caçador, havia adquirido diversas armas e munições, além de praticar com frequência o tiro sob as mais diversas modalidades.

  Sempre achei que a esquerda não desistiria enquanto não tomasse o poder em nosso país. Os episódios da Intentona Comunista de 1935 e da Guerrilha Urbana e Rural, iniciada após o Movimento Militar de 1964, reforçaram esta minha crença e fizeram com que eu me preparasse pessoalmente para essa eventualidade. 

     Aprendi técnicas de sobrevivencialismo e procurei construir um refúgio isolado e distante dos centros urbanos, para viver com a família em uma eventualidade como a que agora se apresentava. Quantos cidadãos de bem irão perecer nessa convulsão social, por não terem feito o mesmo?

     Uma coisa que notei agora, e que jamais pensei que fosse ocorrer, é que os primeiros a sumirem das ruas nas convulsões sociais são as autoridades públicas. As ruas tornam-se desertas de uma hora para a outra. A polícia, os bombeiros, os militares, os serviços públicos, todos desaparecem da vida da cidade. O transporte público para de funcionar, os lixos não são mais coletados e se amontoam pelas ruas, a luz e a água são cortadas, o comércio fecha as suas portas, surge o desabastecimento e com ele a fome.

    Quem antecipadamente não se preparou para uma eventualidade deste tipo é apanhado de surpresa e, infelizmente, acaba perecendo. A situação geral de destruição é muito parecida com aquela que ocorre nos grandes cataclismos; todavia, nestes existe um espírito de cooperação entre os sobreviventes. Na convulsão social e na guerra civil o espírito é de antagonismo e de guerra entre os participantes dos dois lados em contenda.

    Você seguirá vivendo tão somente enquanto dispuser de armas, munições, água e comida. Ninguém estará preocupado com a sua situação, a não ser você mesmo.

     Minha mulher é uma pessoa prática e fatalista. O que tiver de ser será, segundo ela pensa. Vive bem com aquilo que tiver, não sendo ambiciosa nem gastadeira. Se adapta perfeitamente à vida simples do campo, como eu também. Espero que possamos seguir sobrevivendo enquanto durar esta terrível situação pela qual estamos passando, exclusivamente, por descaso de algumas autoridades, políticas, militares, econômicas e religiosas, não comprometidas com a ideologia marxista nem com o narcotráfico, nas últimas décadas de governos esquerdistas, mas ineficientes e desinteressadas.

     Tais autoridades sempre acharam que, em nosso país, as coisas poderiam ser negociadas entre os grupos que disputavam o poder, visando chegar a um acordo que fosse bom para todos os grupos; sempre foram pacifistas; sempre tiveram receio da opinião mundial. 

     Pouco ou nada entendiam de política, de ideologia, de estratégia geopolítica e se deixaram iludir pelo canto das sereias marxistas-gramscistas, que almejavam alcançar o poder, inicialmente de forma pacífica, subvertendo a moral e os bons costumes como fizeram na realidade nos anos em que governaram, antes de partir para o golpe final na democracia mediante a revolta que ora vivenciamos envolvendo, de um lado, as facções criminosas e o povo pobre das periferias, armados e incentivados pelos ideólogos e intelectuais de esquerda, e do outro a população dos profissionais liberais e dos empresários da classe média (os pequenos burgueses odiados pelos comunistas), desarmados pelos governos de esquerda. 

     As elites envolvidas com o narcotráfico, com o desvio de dinheiro público, com concorrências fraudadas, com a compra de leis e decretos que os favorecia, com a compra de sentenças quando julgadas pelos crimes cometidos, eram declaradamente favoráveis aos governos de esquerda venais, que roubavam e deixavam roubar.

     Com o início da convulsão social, os ricos e oportunistas seguiram em seus aviões particulares para as grandes capitais no exterior e para os paraísos fiscais, onde aguardariam a poeira assentar, vivendo nababescamente, para retornarem, futuramente, com seus esquemas e maquinações tradicionais, tão logo os novos e poderosos governantes comunistas controlassem totalmente  a situação.  

    Terminada esta digressão, face a impaciência que já percebo em alguns leitores para conhecer o desenrolar dos acontecimentos daquele dia, seguirei narrando a nossa viagem. 

    Após atravessarmos o município de Itaboraí, viramos à esquerda e seguimos pela RJ 116 em direção a Nova Friburgo. Já estávamos, praticamente, bastante longe dos principais focos de rebelião, que eram os centros urbanos populosos, como o Rio de Janeiro e Niterói.

     Passamos por Sambaetiba, Agrobrasil, Papucaia e Cachoeiras do Macacu, antes de atingir Nova Friburgo. Esse trajeto foi feito sem nenhum incidente, pois a estrada estava praticamente deserta. 

  Não vimos nenhum veículo da Polícia Rodoviária, nem pessoas andando nas margens da estrada. Parecia que éramos os únicos habitantes vivos do planeta. Nos municípios em que penetramos, as lojas estavam todas fechadas e as ruas vazias. Notamos alguns veículos queimados e marcas de disparos de armas de fogo nas paredes das casas. A situação, realmente, parecia muito grave.

     Os pedágios da estrada, da mesma forma que o da Ponte Rio Niterói, estavam vazios e com as cancelas abertas.

     Finalmente, mais tranquilizados, pudemos apreciar um pouco da bela paisagem que se descortinava e respirar aquele ar puro que sentíamos ao subir a serra. Matas com grandes árvores se perdiam no horizonte. Por vezes, ao fazer alguma curva, avistávamos um fio de água escorrendo pelas encostas rochosas que a estrada margeavam. Aspirávamos um cheiro de essências florestais quando descíamos os vidros das janelas do veículo.

    Os meninos brincavam no banco de trás, minha mulher dormia no assento do meu lado. Aquele parecia mais com um dia de férias do que com um dia de guerra, no qual eu já havia matado e ferido diversas pessoas. Chegamos ao alto da serra de Friburgo e começamos a descer.

     Passamos pelo posto fechado da Polícia Rodoviária, na entrada do município, e seguimos em frente. Pouco depois de Muri, viramos à direita e entramos na estrada que conduzia a Lumiar.

     Esta estrada, como as demais, estava totalmente deserta. Pensei comigo mesmo: será que só eu tive a ideia de construir um abrigo fora de casa na cidade e afastado, para me esconder e tentar sobreviver? Todos os demais se escondiam em suas próprias casas nas cidades? Só podia ser isto, para as estradas se acharem todas desertas.

     Depois de rodar algumas horas, nos aproximamos da minha propriedade. A casa ficava na parte alta da montanha e era acessada por uma estrada de terra. Na época das chuvas, mesmo usando a tração nas quatro rodas era difícil chegar ao alto, pois o barro ficava escorregadio.

     Chegamos a casa em um dia de semana, de surpresa. Todavia, quem foi surpreendido fui eu, pois um indivíduo estava sentado na varanda.

    Ao descer da caminhonete, notei que ele portava um revólver na cintura, de um lado, e um facão, do outro. Já desci com a Colt .45 na mão, engatilhada, e mandei que deitasse no chão com as mãos na nuca. Ele, vendo a minha disposição, seguiu a ordem que recebeu. Perguntei o que fazia ali e ele respondeu que a casa estava vazia e que ele resolveu pegá-la para si, pois o país estava em guerra e o comunismo havia sido implantado. Segundo ele, tudo era de todos e aquela propriedade agora era dele.

     Percebi que corria um risco enorme ao deixá-lo ir embora, naquela situação de guerra civil em que nos encontrávamos; pois ele poderia voltar com outros companheiros seus e tomar a casa pela força, matando a mim, minha mulher e meus filhos. Mandei que a esposa e os filhos permanecessem na caminhonete, aproximei-me e, com ele ainda deitado de costas no chão, apontei para a sua nuca e disparei. A morte foi instantânea e eu diria que até indolor. A varanda ficou, imediatamente, toda suja de sangue.

    Arrastei o corpo dele, segurando-o pelas pernas, para fora da varanda, em direção ao chão de terra, vendo um rastro de sangue que escorria da sua cabeça esfacelada seguir o mesmo trajeto do seu corpo.

     Minha mulher e as crianças, saindo correndo do carro, entraram na casa pela porta dos fundos e eu fui cavar um buraco razoavelmente grande para depositar aquele corpo.

     Escolhi um local distante da casa e, com uma picareta, uma pá e uma enxada comecei a cavar. Depois de horas, o buraco estava com uma profundidade razoável. Arrastei o corpo até lá e joguei-o dentro. A seguir comecei a tapá-lo, jogando terra com a pá. Em breve o buraco estava totalmente fechado. Coloquei alguns troncos secos e arbustos em cima, bem como algumas pedras.

     Voltei para a casa, guardei as ferramentas e fui limpar a varanda e os rastros de sangue.

     Em breve tinha terminado tudo e estava com as costas e os braços doloridos. Descarreguei a caminhonete, acendi as luzes da casa, pois já escurecia, e preparei-me para comer algo. Minha mulher já tinha feito um arremedo de jantar e as crianças já haviam comido e estavam dormindo.

    Tomei um banho rápido e sentei-me à mesa, junto com ela.

 Minha mulher me olhou e vi que dos olhos molhados escorriam lágrimas. Peguei em sua mão e, depois de algum tempo, disse baixinho olhando-a firme nos olhos: 

     - É a vida. Temos de sobreviver. Não temos mais a quem recorrer neste país do salve-se quem puder. As autoridades deixaram de existir. Estamos por nossa própria conta e risco.  

    No dia seguinte começaria a vida da minha família no campo, que duraria cerca de três anos; período este que durou a guerra civil em nosso país. 

    Pouco depois acordei no apartamento do Rio de Janeiro, com uma forte dor de cabeça. A casa estava ainda às escuras e no maior silêncio. Teria eu feito uma viagem ao futuro enquanto dormia? Seria aquilo tudo verdade?

    Aquilo tudo me parecia mais um conto de ficção, destes que lemos em revistas especializadas no assunto; todavia, estou convencido de que no Brasil e no mundo de hoje, ninguém poderá distinguir, sem medo de errar, o que é ficção daquilo que é a pura realidade...

_*/ Da Academia Brasileira de Defesa


domingo, 11 de abril de 2021

 419. Estranho, muito estranho...


Jober Rocha*


O Brasil conta, na atualidade, com 212 milhões de habitantes. Do total de eleitores, que monta a 148 milhões, cerca de cinquenta e oito por cento votaram em Jair Bolsonaro; certamente, por se sentirem insatisfeitos com as três décadas de governos de esquerda, onde a tônica foi o roubo de recursos públicos, a formação de quadrilha, o aparelhamento do Estado em seus três poderes, o tráfico de divisas e de drogas, as concorrências fraudadas, o nepotismo e a tentativa de implantação de um governo socialista bolivariano, eufemismo de um governo comunista.

A vitória de Bolsonaro, candidato sem recursos, de partido pequeno, com dificuldades para obter um vice, contra a corrupção institucionalizada, vítima de uma tentativa de assassinato; considerando que o governo de então detinha o controle das eleições e de suas apurações, e que inúmeras denuncias apontaram fraude na eleição passada de Dilma Roussef, foi, de certa forma, muito fácil. Digo isto por que, caso o sistema de esquerda, já implantado no país através do Foro de São Paulo, desejasse outro resultado na eleição de 2018, seria muito fácil obtê-lo. A própria prisão de Luís Inácio Lula da Silva, como a de Sergio Cabral, parece ter sido vingança por acordos espúrios não cumpridos. Tantos roubaram tanto, desde há muito, reconhecidamente, e nada lhes aconteceu por isto.

Fico imaginando se, há vários anos, já estivesse previsto, pelos donos do mundo, o lançamento de um vírus fabricado, que daria um reset em todo o planeta, reduzindo o consumo dos recursos naturais e ambientais e, notadamente a população, da ordem de 7 bilhões de seres humanos. Consequentemente, o número de indústrias e a produção mundial seriam reduzidos, o comércio e os empregos também, além de eliminar parcela substancial da humanidade que pesa nas folhas de pagamento e na previdência social. A robótica e a inteligência artificial já chegaram para substitui-los eficazmente, assim pensam aqueles que comandam o planeta. A esquerda, evidentemente, não gostaria que seus governos fossem responsabilizados pelo caos que se seguiria.

Certamente, iriam querer atribuir todo caos e confusão à direita. Isto, caso a minha hipótese seja verdadeira e o plano para o lançamento do vírus já estivesse pronto para ser desfechado, desde há algum tempo.

Inúmeros especialistas em informática já afirmaram que as máquinas eleitorais aqui utilizadas e fabricadas na Venezuela, são facilmente fraudáveis. Não vejo razão plausível para que os partidos políticos não recebam comprovantes dos votos que seus candidatos receberam nas urnas. A não ser o desejo de os organizadores esconderem os verdadeiros resultados. E assim, o sistema implantado elegeu Jair Bolsonaro como boi de piranha.

Eleito presidente Jair Bolsonaro, o governo do país se transferiu, a sua revelia, para o STF, para a Câmara e para o Senado. Os 58 milhões de eleitores sentiram-se totalmente frustrados. A parceria entre o judiciário e o parlamento assumiu o controle do país de forma ilegal e inconstitucional, mas, de fato.

Com a retirada dos poderes do presidente no que tange a atual Pandemia de Covid 19 (poderes que não sejam, unicamente, os de liberar recursos federais) e as suas outorgas aos governadores e prefeitos, o presidente viu-se de mãos amarradas para impedir o descalabro, a prepotência, a má fé de muitos políticos desejosos de aprofundar a crise em seus Estados, de forma a macular e comprometer o governo federal atribuindo-lhe a culpa pela recessão econômica, pelo desemprego, pela inflação e pelo desabastecimento da população.

Digo isto por que na maioria dos países as autoridades Estaduais e municipais buscam combater o vírus, sem a implantação do chamado lockdown; enquanto aqui se busca, ademais de desviar dinheiro público destinado ao combate da pandemia, combater o governo federal e o seu presidente, provocando recessão econômica e desemprego.  Tanto è assim que o Brasil é a única grande economia que aparece com desaceleração, enquanto em todas as outras a situação varia entre “crescimento constante” ou “aumento da expansão”.

Por outro lado, também acho muito estranho o fato de que a parcela maior dos prejudicados com o lockdown não se manifeste através de seus sindicatos e órgãos de classe e que estes não convoquem seus membros para passeatas pelas ruas das cidades, reivindicando o fim do lockdown. Inúmeros profissionais liberais e comerciantes tiveram que cerrar suas atividades, por falta de clientes ou por não poderem manter abertos seus comércios, escritórios e consultórios. Reclamam entre si, mas não vão para a porta dos conselhos regionais, OAB, sindicatos, associações de classe, etc. reclamar o fim do lockdown, cujo caráter, sabemos, é meramente político. Será que os sindicatos existentes encontraram novas fontes de recursos que, agora, já prescindem de seus associados? Será que o crime organizado e as fações criminosas estão sustentando os desempregados da periferia, agora que os criminosos foram libertados das cadeias por ordem superior, sob o argumento frágil de não se contaminarem com o vírus, posto que as autoridades estabeleceram o lockdown para os cidadãos de bem enquanto soltaram os criminosos já confinados? Serão, esses criminosos soltos, os lideres dos moradores das periferias desempregados, em alguma convulsão social que se avizinha em futuro próximo?

A taxa de desempregados no Brasil, hoje, é de 14.2%, representando 14,3 milhões de pessoas, a maioria oriunda das classes mais pobres. Estes, no entanto, não são vistos nas inúmeras passeatas e movimentos populares já realizados no governo Bolsonaro. Será que os recursos do Bolsa Família e do Auxílio Emergencial são suficientes para mantê-los em casa? Estes recursos, no entanto, não poderão ser mantidos por muito tempo mais.

Por causa da queda de receita e dos gastos extras decorrentes da pandemia de covid-19, o governo projeta que a União fechará o ano com déficit recorde de R$ 812,2 bilhões, o equivalente a 11,3% do Produto Interno Bruto. A dívida brasileira monta a cerca de 5 trilhões de reais. Em breve não haverá dinheiro para pagar o funcionalismo, nem para investimentos públicos.

As manifestações que se veem, na atualidade, parecem mais movimentos partidos da classe média, de donos de empresas, de comerciantes e de profissionais liberais, do que de empregados da periferia que perderam os seus empregos e estão famintos e desabastecidos. A crise, parece, ainda não ter atingido o fundo do poço.

Evidentemente, nós, os escritores que não fazemos parte nem dos donos do mundo, nem das autoridades governamentais, apenas podemos especular e trabalhar com a ficção, dando vazas a imaginação.

No entanto, creio que existe alguma verossimilhança em tudo aquilo mencionado, embora eu não possa afirmar serem verdadeiras todas as suposições levantadas.

O nosso povo, além de acomodado, é crédulo, inocente, despolitizado e subserviente. A esquerda aparelhada nos três poderes sabe bem disso, razão pela qual não tem nenhum receio de agir da forma temerária como age. Se não for contida, agora, em suas pretensões, logo a miséria tomará conta do nosso país, como ocorreu com a nossa vizinha Venezuela.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.


sexta-feira, 9 de abril de 2021

418.  A Humanidade precisa de novas religiões ou as religiões precisam de uma nova humanidade?


Jober Rocha*


Em um texto anterior, lembro-me de tê-lo iniciado com a seguinte afirmação: 

    “Na sociedade humana dos dias atuais, entorpecida em virtude da corrupção, dos males da pobreza e do desemprego, da degradação ambiental, da extinção de recursos naturais, das epidemias e enfermidades, da violência, etc., muitos indivíduos sentem-se inclinados a abraçar alguma religião ou, até mesmo, a se dedicarem a uma vida monástica, de modo a se subtraírem de um mundo cuja estruturação e modo de administração não lhes agrada, cuja repartição das riquezas lhes repugna a razão e cuja existência quotidiana não lhes oferece senão padecimentos”.  “O caminho natural para estes indivíduos é o da busca por uma religião que realmente os reconforte, tanto para os que são ateus quanto para aqueles que já possuem alguma religião; religião esta, porém, que não satisfaz plenamente aos seus anseios”.

O que se nota é que muitas pessoas religiosas seguem uma tendência da raça humana, qual seja, a de acreditar em um Criador de todas as coisas e de prestar-lhe homenagens, reconhecimento e servidão, entregando aos seus sacerdotes a responsabilidade por fazer a ponte entre ambos. Dependendo do continente onde hajam nascido e da religião de seus pais, o costume natural deles, desde criança, é o de adotarem esta mesma religião dos pais, devido a pressão que sofrem na família e na sociedade.

Ocorre que todas as religiões existentes no planeta, pregam aos seus seguidores, que, somente por intermédio dela e de suas práticas, conseguirão a cura de enfermidades, o sucesso nas vidas particular e profissional; um lugar no céu das divindades; em suma, promessas de felicidade plena que nenhuma delas está apta a cumprir. Em retribuição por esta suposta prestação de serviços, são regiamente remunerados pelos fiéis. De uma maneira geral, as religiões que servem a um mesmo Deus, deveriam se ajudar mutuamente e se unir em prol de um objetivo comum. Paradoxalmente, são inimigas entre si e cada uma se proclama como a única verdadeira, aquela que conduzirá o adepto ao reino dos Céus.

Aqueles que as seguem, por sua vez, apresentam-se como pessoas corretas, honestas, caridosas, humildes, bondosas etc. , virtudes estas que a maioria delas não possui e que está longe de possuir. Ao não alcançarem o sucesso que almejavam, o seu insucesso passa a ser creditado à pouca fé que possuíam ou ao pouco recurso que desembolsaram para consegui-lo junto às divindades.

O cenário atual, no meu modo de ver, transformou-se, com o passar do tempo, em um jogo de faz de conta: As religiões em seus cultos, a troco de dinheiro, prometem aquilo que não podem cumprir e seus seguidores fazem de conta que são boas pessoas e que desejam prestar homenagens ao Criador de todas as coisas, através dos cultos daquela religião, em troca dos favores que pensam irão receber deste mesmo Criador.

Desta forma, as consciências culpadas, tanto de um lado quanto do outro, se aplacam e todos podem colocar suas cabeças nos travesseiros e dormir em paz, sonhando com um futuro glorioso...

Imagino, todavia, que grande parcela da humanidade atual já não acredita em mais nada. De tanto ver as autoridades se locupletando e agindo contra o povo, de tanto ver religiosos se aproveitando da crendice, ingenuidade e ignorância popular, de tanto ver a justiça vendendo sentenças e o parlamento se prostituindo, a Mídia propagando mentiras diariamente e produzindo desinformação e contrainformação a favor daqueles que pagam mais; qualquer ser humano, por mais medíocre que seja, percebe que algo está errado e que este sistema atualmente implantado já não o satisfaz.

O tão falado Contrato Social, que no passado foi firmado entre as autoridades e o povo, hoje já não faz mais sentido devido às suas clausulas leoninas, onde um lado pode tudo (Três Poderes) e o outo lado não pode nada (povo).

Ocorre-me, nesta hora, uma famosa frase atribuída a Santo Agostinho: "Se não há Justiça, o que é o governo senão um bando de ladrões”?

Creio que grande parte dos seguidores das religiões o faz, na atualidade, por uma ou mais destas razões; por ingenuidade; por desconhecimento histórico de suas origens; pela necessidade de uma crença em dias melhores, nesta época de crise; objetivando receber benesses e favores do Criador; etc.

No texto de número 267 deste blog, existe um resumo sobre todas as religiões, onde os leitores interessados poderão melhor se informar sobre os diversos aspectos de cada uma.

Entretanto, a se acreditar nos princípios 4, 5 e 6 do Caibalion, princípios estes herméticos que regeriam todas as coisas do Universo e que foi atribuído a Hermes Trismegisto, que exerceram grande influência na filosofia grega do século III e voltaram à tona durante a Idade Média e o Renascentismo, podemos, seguramente, imaginar, para o futuro da raça humana, novas formas de religião.

 4 - O Princípio da POLARIDADE: "Tudo é duplo, tudo tem dois polos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliáveis”.

(Na quarta lei hermética, entendemos que vivemos em um mundo polarizado. Tudo tem uma dualidade: o quente e o frio, o claro e o escuro, esquerda e direita, bem e mal... Quando associamos o princípio da polaridade com o da vibração, porém, compreendemos que as dualidades são duas faces da mesma moeda - em graus diferentes. O escuro não é nada além da luz ausente; a saúde é ausência de doença. A dualidade é, também, a unidade).

A se acreditar neste principio, mal e bem, virtude e vício, crença e descrença são a mesma coisa. Todos os paradoxos são reconciliáveis; ou seja, não existem. Logo, todas as religiões nada mais são do que fábulas, mitos ou mitologias criadas pelo homem. Assim, nada impede que surjam outras no futuro.

5 - O Princípio do RITMO: "Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, o ritmo é a compensação”.

(Na quinta lei hermética, entendemos que vivemos em uma dinâmica de ciclos. Tudo o que vai, volta, e vivemos em uma vibração eterna de atração e repulsão, de inspiração e expiração. Assim como podemos estar por cima, certamente voltaremos para baixo, e isso vale tanto para movimentos físicos como o dos astros, frequências mentais e padrões de relacionamento. Por meio da Neutralização, é possível conquistar maior estabilidade dos ritmos).

A se acreditar neste principio, as épocas e seus costumes sempre mudam. O que já ocorreu retorna e o que hoje ocorre retornará algum dia; logo, novas religiões poderão surgir futuramente enquanto as atuais poderão fenecer.

6 - O Princípio de CAUSA E EFEITO: "Toda causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade, mas nada escapa à Lei”.

(Na sexta lei hermética, compreendemos que as coincidências nada mais são do que acontecimentos nos quais as causas ainda não foram esclarecidas. Toda ação tem uma reação e nada é por acaso. Ao dominar os princípios desta lei, é possível ser o agente causador e não apenas sentir os efeitos, de modo que possamos propagar o bem. Quando tal mecanismo é dominado, nos tornamos mestres de nós mesmos).

A se acreditar neste principio, vemos que nada acontece por acaso e que toda ação possui uma reação. Logo, a vida humana estará sempre em mudança e nada do que hoje ocorre durará para sempre, inclusive as religiões.

Ainda, segundo este princípio, imagino que a própria raça humana deverá evoluir física e mentalmente, transformando-se em uma espécie distinta da atual. Qualquer efeito atual, embora tenha uma causa, provocará a causa para novo efeito e assim sucessivamente.

Finalizando, creio que ambas as coisas deverão ocorrer futuramente, A Raça humana se modificará e as religiões também. Muitas delas já não resistem às novas questões suscitadas pela Ciência, pela Tecnologia e pela Filosofia, demonstrando que se fossem criadas por um Deus seriam, para sempre, coerentes e atuais. Como elas foram criadas por seres humanos; possuem inúmeros erros factuais e conceituais atinentes ao nível de conhecimento da época em que foram escritas, que são encontrados nos diversos livros considerados sagrados pelas várias religiões, e explicações que não convencem e, por isso, são consideradas como dogmas (ponto fundamental de uma doutrina religiosa, apresentado como certo e indiscutível; porém, sem nenhuma prova).

Espero que a espécie humana caminhe para a sua expansão com respeito à conservação e a preservação do planeta que habitamos e das demais espécies que conosco convivem. Espero que a nova religião atinja o coração e a mente de todos nós e não de somente alguns. Que aqueles que nos governam parem de pensar, apenas, no bem estar de si mesmo e de seus grupos, para pensar no bem estar de todos os habitantes.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.





sábado, 3 de abril de 2021

 417. A História sempre se repete. A primeira vez como tragédia e a segunda como farsa (Karl Marx)

Jober Rocha*


Na obra “Guerreiros de Hitler”, de Guido Knopp, nós encontramos que antes e durante o Julgamento de Nuremberg, após o fim da Segunda guerra Mundial, a maior parte dos militares nazistas alegou obediência militar e negou qualquer culpa nos eventos criminosos de que participaram.

Um general chamado Beck, todavia, desde o início da guerra declarara: “A obediência de um soldado tem limites, que é quando o conhecimento, a consciência e a responsabilidade proíbem o cumprimento de uma ordem”. Muito poucos militares, no entanto, tiveram coragem de oferecer resistência ativa aos criminosos que controlavam o país, naquela ocasião.

Buscando ascensão nas carreiras, a maioria deles se apegou ao dubio conceito de dever e a tradicional obediência do soldado, que no dizer do teólogo Dietrich Bonhoeffer “O homem que é guiado por deveres e obediências acabará servindo ao próprio diabo”.

A única forma de por um fim a catástrofe nazista, naquela ocasião, era reconhecida pelos militares como alta traição, pois, conforme conceito da época, generais não se rebelam.

O livro de Knopp tenta desvendar por que os principais marechais e generais de Hitler usaram de suas habilidades a serviço de um déspota assassino; o que eles sabiam sobre os crimes do regime; até que ponto eles estavam implicados nestes crimes; quais os limites da obediência militar.

Não me deterei nos comentários do livro, pois são extensos e, certamente, ultrapassariam as quatro ou cinco páginas de um artigo como este.   

Meu objetivo é o de enfatizar que estes comportamentos não findaram com o término da guerra. Em inúmeros países, comandados por déspotas ou por cleptocracias, eles continuam a existir, exatamente da mesma forma como na Alemanha Hitlerista.

Uma única diferença eu percebo, todavia, nestes comportamentos: Os marechais e generais de Hitler provinham da nobreza e das classes de renda mais altas da Alemanha, enquanto que na atualidade, na maioria dos países dominados por déspotas ou por cleptocracias, os generais são oriundos das classes populares. Costuma-se dizer em nosso país que “as forças armadas são o povo fardado”.

Em seu Art. 1º, a Constituição Federal de 1988, declara: A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I - a soberania;

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa

V - o pluralismo político.

Em seu artigo 1º, parágrafo único, a Constituição Federal de 1988, menciona: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Em seu artigo 2º, a Constituição Federal de 1988 dispõe sobre a corrente tripartite, ao prever que “são poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.

Em seu artigo 3º, menciona: Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Em seu artigo 5º. A Constituição Federal assegura:

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;

XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;


Quantas vezes estes artigos foram pisoteados por membros do legislativo e do judiciário, sob o olhar complacente dos militares? Quantas vezes a independência entre os poderes deixou de existir, com o judiciário tomando a frente do executivo e impedindo o presidente eleito, por maioria de votos, de cumprir a missão para a qual foi eleito em sufrágio universal? Quantas vezes o povo que elegeu o presidente foi às ruas, em passeatas contando com milhões de pessoas em todos os Estados da Federação, pedindo uma intervenção nos desmandos praticados pelos outros poderes, sob os olhares complacentes dos militares, para os quais “reinava a calma em todo o território nacional”.

Quantas vezes funções e decisões que são especificas do presidente da república, constitucionalmente, foram delegadas a governadores e a prefeitos, pelo judiciário, sob os olhares complacentes das Forças Armadas? 

Criminosos condenados, traficantes de drogas e chefes de facções criminosas cumprindo penas, confinados em suas celas, foram libertados pelo judiciário sob o argumento frágil de que deviam fazer confinamento em suas casas, para não contrair o covid 19. O maior criminoso do país, condenado em segunda instância, já cumprindo pena, foi libertado através de um casuísmo e, na atualidade, possui transito livre pelo país e pelo exterior, viajando as expensas do erário público, sem nenhuma manifestação crítica por parte das Forças Armadas.

Certamente, em futuro próximo, quando eclodir a convulsão social que já se antevê e muitos forem chamados a responder pelos seus atos, usarão os mesmos argumentos falaciosos usados em Nuremberg pelos generais e marechais de Hitler: cumprimento do dever e obediência aos chefes.

O cel Vitor Filho, da PMMG, está divulgando uma nota em que menciona:

CHAMADA ÀS POLÍCIAS MILITARES DO BRASIL*

(Por um Coronel Veterano da PMMG)

*Senhoras e Senhores Policiais Militares,*

Não é segredo pra ninguém que enfrentamos uma das maiores crises que o Brasil já experimentou. Estudamos isso nas nossas Academias e, por força da nossa profissão, nos mantemos bem informados sobre a ordem geopolítica do mundo. 

Está claro como o sol, que existe um concerto comunista para desestabilizar o Brasil e derrubar o nosso atual Presidente, que elegemos com mais de 60 milhões de votos. A pandemia da Covid 19 caiu como uma luva para os comunistas. Através dela, governadores de estados conspiram contra o Presidente, estabelecendo medidas inconstitucionais para oprimir a população ordeira e destroçar a nossa economia. E pior, estão usando as Polícias Militares como instrumento de força, para levarem à cabo essa opressão. 

Não é sobre salvar vidas! É sobre desestabilizar a economia e derrotar o nosso Presidente em 2022, senão inviabilizar o seu governo e quiçá, promover o seu impeachment, ainda no atual mandato! As forças contrárias são numerosas. Contam com políticos, a maior parte da grande mídia e do próprio Judiciário! Não fossem esses atores, o Brasil estaria experimentando crescimento expressivo em sua economia. Estaríamos voando! 

O nosso Presidente tem lutado bravamente para repelir toda sorte de ataques e pressões! Mas ele está basicamente sozinho! Apenas o povo, que não sabe direito o que fazer, apesar de assustado e aturdido, o apoia. 

Em momentos outros no passado, as Polícias Militares do Brasil tiveram papel preponderante na retomada dos rumos da lei e da ordem, quando ameaças comunistas rondavam nossa Nação. Recordemos 1924, 1932 e 1964, quando as Polícias Militares pegaram em armas e tiveram papel preponderante no restabelecimento da ordem, contra políticos comunistas que se alinharam aos governos da antiga URSS e da própria China. Hoje, no entanto, ainda não precisamos pegar em armas, por enquanto. 

O nosso Presidente está acuado, sob pressão de todos os lados e não tem muito o que fazer, a não ser resistir bravamente à frente do Comando do Brasil. Claramente, ele pede nossa ajuda, como cidadãos! As Forças Armadas não nos parecem atentas ao que acontece, senão por alinhamento contrário, talvez por preguiça. 

Mas nós, Policiais Militares podemos fazer muito e quiçá, tenhamos também a parceria das Polícias Civis e Federal, de todo o Brasil nessa nossa luta, que deve começar agora. E nem precisamos pegar em armas! Basta que não façamos qualquer intervenção policial relativa à pandemia, a não ser na prestação de socorro. Não vamos, a partir de hoje, intervir em: lock-dows, toques de recolher, fechamento de comércio ou qualquer outro ramo da economia, fiscalização de transeuntes sem máscara ou aglomeração, apoio à fiscais das prefeituras em cumprimento de decretos estaduais ou municipais relativos à pandemia, ou quaisquer outras atividades correlatas. 

Se os Governadores pretendem continuar com a opressão ao cidadão de bem e trabalhador, eles que o façam sem a participação das Polícias! Até então, todas as nossas ações nesse sentido estão indo de encontro à tudo que aprendemos em nossas Academias. Fomos forjados para servir e proteger o cidadão de bem. Oprimi-lo, em cumprimento a ordens manifestamente ilegais e até inconstitucionais, vai de encontro à nossa essência! Somos instituições de Estado e não de Governo! Devemos ser leais ao cidadão de bem e ao Estado brasileiro, mas nunca à governos autoritários! Nossas liberdades, que juramos defender, estão sendo suprimidas à conta-gotas! Toda sorte de proibições nos estão sendo impostas. Do uso obrigatório de máscaras, passando por lock-dows, toque de recolher e até o nosso direito de propriedade já está ameaçado, como decretou, recentemente, o Governador de Sergipe. Tudo, contando com a nossa cega obediência como instituições de força! Basta que não participemos desses projetos autoritários! Que os Governadores e Prefeitos inescrupulosos e mal intencionados façam cumprir suas ordens autoritárias por outros meios! Menos com a parceria das Polícias! 

Não é necessário nos amotinar e nem nos rebelar. Vamos continuar defendendo e socorrendo o cidadão e combatendo a criminalidade, como sempre fizemos! Mas cumprir ordens ilegais, não! Ordem ilegal não se cumpre!

*Esse é o chamamento que faço! Não atuar em quaisquer questões relativas à pandemia.*

Ontem, perdemos um companheiro na Bahia, abatido pelos próprios colegas! Não entro aqui no mérito da ação que vitimou nosso companheiro. Mas o que levou o militar àquela situação é assombrosamente relevante: o conflito psicológico entre o que aprendeu nos quartéis e o que estava executando em seus dias de serviço! 

Isso tem que parar! 

Não sejamos instrumentos de força desse projeto, nefasto e desumano, de poder. 

Sem a força de suas Polícias Militares e Civis, não há como os Governadores continuarem solapando e atacando nosso Presidente e arruinando nossa economia. 

Não existe poder sem força! E nós somos a força! Basta direcionar nossos esforços para os caminhos da Lei e da Ordem! 


*Concesso Vítor Filho*

*Coronel Veterano da PMMG*

P.S: Fineza compartilhar, até que essa mensagem chegue a outros estados da Federação. Precisamos de todas as Polícias irmanadas nesse objetivo