sábado, 18 de janeiro de 2020

351. Atualizando fábulas antigas: O Pomo da Discórdia

Jober Rocha*


                                     Todos haviam recebido convite para a posse do Secretário de Cultura do Monte Olimpo, morada oficial dos Deuses, menos a ativista política de esquerda Éris (Discórdia, em grego antigo), que, todavia, estava presente à cerimônia em andamento por possuir crachá de jornalista.
                                            -  Que posse poderá dar certo com essa intrigante por perto? – Pensou, ao vê-la na ocasião, o assessor encarregado da expedição dos convites, lembrando-se que ela, especificamente, não havia sido convidada por ele.
                                               Éris, realmente, havia ficado furiosa por não receber o convite para a posse e resolvera honrar o seu nome, criando uma intriga de tal ordem que jamais seria esquecida.
                                                Ao saber, previamente, que não seria uma das convidadas, redigiu um discurso de posse (Pomo, em grego antigo) enaltecendo a ideologia dos Titãs (que haviam caído em desgraça depois de uma sangrenta guerra) e citando frases de antigos discursos destes.
                                                  Substituiu, nos bastidores da secretaria, o discurso original do secretário (elaborado por um Herói encarregado dos discursos oficiais dos Deuses) pelo novo texto dela. 
                                           O secretário desconhecia o teor do texto que iria ler, pois, como de praxe, limitar-se-ia a falar, apenas, aquilo previamente escrito pelo  Herói (filho de Deuses com seres humanos) encarregado oficialmente desta missão.
                                                  O conflito não demorou muito a estourar, tão logo o secretário terminou de ler o discurso redigido por Éris.
                                                Esta já havia preparado, anteriormente, diversas pastas contendo cópias das frases dos Titãs por ela citadas e que, incontinente, passou a distribuir para os jornalistas e convidados presentes. 
                                          A matéria logo depois estava em todas as mídias do Universo, acusando o secretário de apologia aos Titãs (jovens Nacional Socialistas, em grego antigo), filhos de Gaia (Direita, em grego antigo) e de Urano (Esquerda, em grego antigo), que este, todavia, embora comprovadamente pai dos jovens, jamais assumira como seus filhos.
                                              O atual Deus supremo Cronos, que havia derrotado Urano em combate nas eleições passadas, observando calmamente o desenrolar dos acontecimentos, resolveu exonerar o secretário por ele recém nomeado, principalmente, em virtude deste ter caído em um golpe tão manjado quanto aquele conhecido como Boa Noite Cinderela.
                                           As fábulas gregas, passadas quando os Deuses conviviam com os humanos, ainda continuavam sendo escritas pelos velhos narradores gregos em uma época em que os demais povos da Terra ainda não haviam surgido. Vejamos qual será a próxima fábula a ser por nós atualizada.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

350. O sequestro e o desaparecimento de nossos jovens


Jober Rocha*



                                  No Brasil as estatísticas psicossociais são falhas e desatualizadas. Todavia, no ano de 1999, isto é, há vinte anos, portanto, o Ministério da Justiça e o Movimento Nacional de Direitos Humanos, ao se unirem para fazer um levantamento sobre pessoas desaparecidas, constataram o sumiço anual de cerca de duzentas mil pessoas. Destas, quarenta mil eram jovens; isto é, crianças e adolescentes, indicando que de cada dez pessoas desaparecidas nas ruas do país duas eram crianças. Dados de 2016, no entanto, já indicavam que para cada 10 pessoas desaparecidas no país, quatro eram crianças, mostrando um crescimento no número de crianças desaparecidas com relação ao total.
                                                  As crianças e adolescentes desaparecidos em nosso país, segundo os especialistas, podem ter sido vítimas de adoção ilegal; de exploração sexual infantil e de trabalho escravo doméstico, em campos, minas e plantações; bem como, terem sido sequestradas para a venda de órgãos destinados à transplantes, realizados no país e no exterior; de terem se filiado espontaneamente a grupos e fações que comercializam drogas ou por gostarem de viver pelas ruas simplesmente vadiando.
                                            Para estes tipos de desaparecimentos, os organismos policiais, embora contando com muita precariedade de meios e de profissionais especializados, alguma ação ainda realizam no sentido de tentar localizar e recuperar os jovens desaparecidos e de punir os responsáveis pelos seus sequestros.
                                            No entanto, existe um outro tipo de sumiço de crianças e adolescentes que mortificam e martirizam o dia a dia dos pais e responsáveis: é aquele em que os jovens desaparecem dentro das suas próprias casas, no interior de seus quartos. Estes desaparecimentos, ao contrário daqueles já mencionados onde os jovens têm seus corpos sequestrados, possuem outra peculiaridade: desta vez trata-se das suas mentes que foram sequestradas. Este número, certamente, é muito maior do que o anteriormente citado da ordem de quarenta mil anual.
                                                As mentes juvenis têm sido sequestradas, nas duas últimas décadas, principalmente, pela ideologia marxista propagada nas escolas e nas universidades, por intermédio de intelectuais orgânicos formadores de opinião; isto é, professores, militantes políticos dos partidos de esquerda e ativistas ideológicos, infiltrados nestas instituições com a missão específica de se assenhorarem das mentes dos jovens estudantes. Para tanto contribuem, ainda, jornalistas e autores literários que divulgam matérias em que ressaltam qualidades e vantagens que o marxismo teórico não possui e que o comunismo prático jamais possuiu.
                                          As mentes juvenis são, também, sequestradas por seitas religiosas permitidas (e até incentivadas pelas autoridades) e por seitas satânicas, algumas delas protagonistas de sacrifícios humanos eventualmente noticiados na Mídia. Ademais, o tráfico de drogas alucinógenas e estupefacientes também é responsável pelo sequestro das mentes de significativa parcela de jovens em nosso país.
                                                  Contra o sequestro das mentes juvenis o combate torna-se muito mais difícil, pois, mesmo o consumo de drogas (que não é mais tipificado como crime), foge da alçada das autoridades policiais e judiciais.
                                              Os pais e responsáveis sofrem muito quando perdem os seus filhos, tanto de uma forma quanto de outra e as armas de que dispõem para trazê-los novamente de volta ao lar e ao convívio social familiar, em ambos os casos, são muito escassas ou inexistentes. 
                                                 Muitos pais perguntam a si mesmo, com os olhos marejados de lágrimas: - Onde está aquele filho alegre, amigo de todas as horas e companheiro de brincadeiras que, até então, vivia nesta casa? 
                                                   A resposta triste e crua é de que aquele jovem já não mais existe, desapareceu ceifado pelas drogas, pela ideologia marxista ou por seitas radicais. O Estado, embora pouco atuante no primeiro caso, o do sequestro físico, mostra-se totalmente ausente no segundo, o do sequestro mental.
                                              Os jovens cujas mentes foram sequestradas começam por apresentar um comportamento estranho no meio familiar. Passam a ser taciturnos, a não conversarem mais com os familiares, a vê-los como seus inimigos ou como pessoas retrógradas. Trancam-se em seus quartos e não desejam contato com nenhum familiar. 
                                                  Nos poucos encontros que mantêm com membros da família só fazem por criticá-los, ofendê-los e, até mesmo, agredi-los. Alguns saem de casa espontaneamente, rompendo definitivamente os laços afetivos com a família e indo viver em ‘cracolândias’ (locais onde se consome drogas e se negocia a sua compra e a sua venda); se alojam em estabelecimentos onde são praticadas seitas religiosas ou, então, partem para uma vida clandestina na qual são mantidos por organizações ligadas a aplicação da doutrina marxista para a tomada do poder, através da prática de atos terroristas, de guerrilha urbana ou rural, cometidos contra pessoas e instituições. 
                                               E o pior de tudo isto, para aqueles que se preocupam com o assunto, é que, à exceção dos traficantes de drogas, que podem ser punidos pelo Estado por fornecerem substâncias proibidas que sequestram as mentes dos jovens, viciando-os; os demais responsáveis pelo sequestro de mentes juvenis, como os ideólogos intelectualóides do marxismo e os sacerdotes estelionatários de seitas radicais e/ou demoníacas, escapam às malhas da lei pelo fato de suas atividades de proselitismo ideológico ou religioso, em si mesmo, não constituírem crimes na nossa atualidade.
                                               Lembro aos leitores que tanto na Alemanha Nazista quanto na Rússia comunista e na China de Mao Tse Tung quando da chamada Revolução Cultural, os filhos eram conclamados a denunciarem seus país e familiares à polícia política, quando estes não fossem fiéis seguidores da ideologia adotada e proclamada pelo Estado.
                                                  O mesmo ocorreu com a Igreja de Roma na época da Inquisição, quando aqueles que não rezassem pela cartilha da igreja eram denunciados como hereges, torturados e mortos pela espada ou queimados nas fogueiras. Desta forma foi eliminado totalmente o povo Cátaro, que vivia na região de Montségur, no Languedoc, sul da França. O Islã, por sua vez, em sua expansão pelo mundo continua também fazendo vítimas entre os chamados hereges; isto é, aqueles que não professam a sua crença.
                                                    As mentes e os corações dos jovens, nos dias atuais, são constantemente assediados pela mídia, que divulga tanto notícias verdadeiras quanto falsas, tentando cooptá-los para que adotem determinadas ideologias, façam parte de determinados partidos políticos, pertençam a determinadas religiões, consumam determinados produtos, valorizem determinados comportamentos sociais e costumes morais.
                                               Com isto, face a ação da propaganda, do marketing e da massificação, criam-se gerações de jovens que pensam de forma unânime sobre determinados temas, notadamente morais, provocando aquilo que Friedrich Nietzsche chamou de transvaloração de valores; isto é, quando as virtudes passam a ser consideradas vícios e os vícios considerados virtudes, em uma nova genealogia da moral.
                                                    Em muitas comunidades e regiões, hoje em dia o consumo de drogas é generalizado e todos acham o fato comum e normal. Da mesma forma ocorre com o movimento gay, com a traição entre casais, com a corrupção, com o desarmamento, com o aborto, com a eutanásia, com a aceitação dos movimentos guerrilheiros e das facções criminosas, com a inculpação social pelos crimes individuais (quando parte da população e, inclusive, autoridades do Poder Judiciário e do Ministério Público, passam a acreditar que os criminosos são vítimas indefesas de uma sociedade injusta que os explora e persegue), etc. 
                                             Muitos não percebem que estas mudanças de comportamento em nossa sociedade não surgiram por acaso, de uma hora para outra, mas foram fruto de ações programadas por ideólogos, por exemplo, como Antônio Gramsci. Para Gramsci a implantação do comunismo deveria ser feita pela via pacífica, através do entorpecimento da consciência e da massificação dos indivíduos de forma lenta, gradual e subliminar.
                                                Este objetivo seria alcançado mediante a hegemonia e a ocupação de espaços. A hegemonia consistiria na criação de uma mentalidade uniforme sobre certas questões, de modo que o povo acreditasse correto determinado critério, determinada medida, determinada análise. Assim, quando o golpe para a implantação do comunismo fosse desfechado, ninguém se oporia a ele, pois estaria inteiramente convencido de que a mudança seria para melhor. O chamado comportamento Politicamente Correto teria, pois, esta finalidade de preparar as mentes e os corações para o dia do desfecho final.
                                                O atual governo tem trabalhado no sentido de combater o narcotráfico e suas facções criminosas; bem como, tem buscado limitar ou impedir a ação dos intelectuais orgânicos, disseminadores da ideologia marxista junto às escolas e universidades. Da mesma forma tem trabalhado junto a mídia, fechando as torneiras das verbas públicas que durante os governos de esquerda inundavam as contas de muitos jornalistas e artistas com o objetivo de que estes fizessem a divulgação e a apologia da ideologia marxista, o panegírico dos governos e de suas autoridades e omitissem os fatos desabonadores destes mesmos governos e de seus dirigentes, envolvendo o desvio de recursos públicos, a corrupção generalizada e as inúmeras concorrências fraudadas e superfaturadas objetos de inquéritos no âmbito da Operação Lava a Jato.
                                            Resta, a meu ver, uma ação mais eficaz e contundente do governo com respeito àqueles falsos profetas, simples cidadãos comuns que têm enriquecido de forma desmesurada às custas da credulidade, da inocência e do misticismo da nossa gente, dentre estas destacando-se os mais jovens.
                                            Vamos salvar as nossas crianças, como já disse tanta gente de bem neste país; inclusive o próprio presidente por diversas vezes e em distintas circunstâncias e lugares.


_*/ Economista e doutor pela universidade de Madrid, Espanha. Membro titular da Academia Brasileira de Defesa – ABD e do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos – CEBRES.

sábado, 11 de janeiro de 2020

349. O Nó Górdio na Política** 


Jober Rocha*



                                     Segundo os dicionários, o nó górdio consistiria em uma lenda a envolver o rei da Frígia, na antiga Ásia Menor, e Alexandre, o Grande, alguns séculos depois. O termo é, normalmente, usado como uma metáfora para qualquer problema insolúvel; isto é, problema que, aparentemente, não teria solução, mas que poderia ser resolvido facilmente por algum ardil astuto de alguém que "pensasse fora da caixa".
                                               A lenda conta que o rei da Frígia morreu sem deixar herdeiro e que, ao ser consultado o Oráculo, este anunciou que o seu sucessor chegaria à cidade num carro de bois. A profecia foi cumprida por um camponês de nome Górdio que, tendo chegado em um carro de bois, foi coroado rei. Este, para não esquecer de seu passado humilde, colocou a carroça com a qual ganhou a coroa no templo de Zeus e a amarrou em uma coluna com um enorme nó. 
                                              O nó, na prática, era impossível de desatar e por isso ficou famoso e conhecido como Nó Górdio. Segundo o oráculo, quem desatasse o Nó Górdio dominaria o mundo.
                                             Cinco séculos depois Alexandre, o Grande, ouvindo essa lenda ao passar pela Frígia, foi até o templo de Zeus observar o Nó Górdio. Após muito analisar, desembainhou sua espada e cortou o nó. 
                                             Alexandre, poucos anos depois deste fato, tornar-se-ia se o senhor de toda a Ásia Menor.
                                    A teoria da separação dos poderes, de Montesquieu, na qual se baseia a maioria dos Estados ocidentais modernos, afirma a distinção dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário) e suas limitações mútuas. 
                                                O objetivo dessa separação proposta seria o de evitar que o poder se concentrasse nas mãos de uma única pessoa, para que não houvesse abuso como aqueles ocorridos nos Estados Absolutistas, por exemplo, em que todo o poder concentrava-se nas mãos dos reis.
                                            Cada um desses Poderes teria, portanto, sua atividade principal e outras atividades secundárias. 
                                           Por exemplo, ao Legislativo caberia, principalmente, a função de produzir leis e fiscalizá-las, administrando e julgando em segundo plano. 
                                              Ao Judiciário caberia a função de zelar pelo Direito, nos casos concretos, pacificando a sociedade em face da resolução dos conflitos, sendo suas funções secundárias e atípicas as de administrar e legislar. 
                                                 Ao Executivo caberia a atividade administrativa do Estado, isto é, a implementação daquilo que determina a lei, atendendo às necessidades da população em termos de infraestrutura, saúde, educação, segurança e cultura; sendo suas funções secundárias as de legislar e julgar.
                                              A Constituição Federal do Brasil, em vigor desde 1988, em seu artigo 2º dispõe sobre a corrente tripartite, ao prever que “são poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.
                                              Ainda mais, como cláusula pétrea, seu artigo 60, § 4º, III, estabelece: “Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: [...] a separação de poderes”
                                                 Estes dois artigos mencionados, a luz da antiga lenda frígia, constituiriam, pois, um Nó Górdio a desafiar aventureiros e cleptocratas, obcecados por galgar o poder objetivando receber tudo aquilo que de bom, segundo eles, viria junto com este.
                                                Mas, da forma como rezava a antiga lenda, apenas um ardil astuto poderia desfazer este nó, fazendo com que os três poderes, constitucionalmente independentes e harmônicos, na realidade, nada mais se tornassem do que uma simples lenda.
                                                  Bastava, para tanto, que eventuais integrantes de dois dos poderes se unissem, de forma esperta, para dividir entre eles o poder que antes pertencia aos três poderes.
                                              E como proceder, a partir desta união de ideias, para implementar a decisão tomada? Simples. Um dos poderes, aquele que produz as leis, buscaria legislar sobre quase todas as atividades principais e secundárias do poder que administra o Estado, cerceando, assim, as atividades do seu responsável.
                                                    Ao poder que deveria julgar sob a luz do Direito os casos concretos, mediante casuísmos e interpretações esdruxulas, caberia, pois, impedir ao administrador do Estado de agir contra os interesses, confessáveis ou não, dos membros dirigentes dos  dois poderes em conluio, alegando inconstitucionalidades. Ademais, os integrantes em conluio dos dois poderes se protegeriam mutuamente; os de um deles postergando, retardando ou deixando prescrever ações judiciais contra membros do outro poder e os membros deste fazendo leis que beneficiassem os integrantes do outro.
                                                    Estaria, pois, desfeito o Nó Górdio inicial, criado pela Constituição Federal acerca da independência dos poderes e, infelizmente, estabelecido um outro Nó Górdio, criado agora por eventuais integrantes, em conluio, dois dos poderes da República. Este novo nó, aparentemente, seria quase impossível de ser desatado. 
                                               Como impedir que integrantes de apenas dois dos poderes da república mandassem no país e ditassem as regras, à revelia de milhões de eleitores que elegeram um único presidente, justamente, para que só ele fizesse isto e em consonância com o seu Programa de Governo, pelo qual havia sido eleito?
                                                            Poderiam os eventuais integrantes em conluio dos outros dois poderes impedir o presidente de cumprir com o seu Programa de Governo, programa este que representava a vontade nacional de mais da metade da população e que, por isto mesmo, o havia conduzido ao cargo máximo da nação? 
                                                     Evidentemente que não poderiam; pois a Constituição Federal de 1988 ainda permanece em vigor e fala em independência e harmonia de poderes. 
                                               O que poderia ocorrer é que as coisas seguiriam sendo feitas à revelia das diversas manifestações populares em contrário, que levariam às ruas milhões de pessoas. Algumas autoridades em conluio, dos dois poderes mencionados, simplesmente, não escutariam os apelos populares e seguiriam com aquilo que vinham fazendo; isto é, cerceando o poder do presidente, praticamente de mãos atadas após ter sido eleito. 
                                                Este novo Nó Górdio, à primeira vista, pareceria mesmo impossível de ser desfeito. Todavia, lembremo-nos nesta nossa hipótese de que o presidente é um militar e que para o gênio militar nada é impossível, como bem demonstrou o general Alexandre, no passado, cortando o nó com a sua espada... 


-*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha. Membro efetivo da Academia Brasileira de Defesa – ABD e do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos – CEBRES. 
_**/Publicado pela Academia Brasileira de Defesa - ABD, em 06.02.2020


domingo, 5 de janeiro de 2020

348. Olha o Maniqueísmo aí, gente!


Jober Rocha*



                              O Grêmio Recreativo e Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira, cujas cores tradicionais são o verde e o rosa, sempre que desfila durante o carnaval do Rio de Janeiro é precedido do grito de algum carnavalesco que brada ao microfone: - Olha a Mangueira ai, gente!
                                             As cores do Maniqueísmo, ao invés do verde e rosa da Escola de Samba Mangueira, são o branco e o preto, muitas vezes, encontrados nos mosaicos dos pisos das catedrais e sempre presente na sala dos passos perdidos dos templos maçônicos.
                                          Segundo encontramos nos dicionários, o Maniqueísmo é uma filosofia religiosa e dualística fundada e propagada pelo profeta persa e filósofo cristão do século III, Mani, Manes ou Maniqueu, e as suas ideias sincretizavam elementos do zoroastrismo, do hinduísmo, do budismo, do judaísmo e do cristianismo.  O filósofo dividia o mundo, simplesmente, em duas partes, uma boa (Deus) e outra má (Demônio), razão do branco e do preto como suas cores.
                                              Mani acabou por ser crucificado no final do século III e seus adeptos, depois de inicialmente aceitos, acabaram sendo perseguidos por todo o Império Romano. Todavia, em que pese tudo isto, o Maniqueísmo permaneceu vivo como religião e doutrina filosófica até meados da Idade Média.
                                            A matéria física da qual os seres humanos são formados, segundo o profeta e filósofo persa, era intrinsecamente má e o espírito, etéreo, eterno e divino, em oposição a matéria, era intrinsecamente bom. Com a popularização do termo ao longo da história, no entanto, maniqueísta passou a adjetivar toda doutrina fundada em dois princípios opostos, um do bem (que tratava da parte boa) e outro do mal (que cuidava da parte má).
                                             Esse dualismo de princípios se opunha ao monismo. O primeiro deles afirmava que a mente e o corpo eram duas substâncias diferentes convivendo juntas e o segundo dizia que a mente e o corpo eram, na realidade, uma única substância.
                                                 O Dualismo atual, por extensão do dualismo de Mani, tornou-se, assim, um conceito religioso e filosófico que admite a coexistência de dois princípios necessários e complementares, embora tratando-se de duas posições ou de duas realidades contrárias entre si, como o espírito e matéria, o corpo e a alma, o bem e o mal e que estejam, um e outro, em eterno conflito.
                                                    Este conceito é similar ao conceito taoista de Yin e de Yang, surgido muito antes das teorias de Mani, entre os anos 770 e 221 a.C., onde yin e yang são duas energias cósmicas opostas e complementares que, embora conflitantes, estão presentes em todas as coisas no Universo. Yin significa escuridão, sendo representado pelo lado pintado de preto, e yang é a claridade, o lado pintado de branco. Mani, sem dúvida alguma, deve ter-se baseado neste princípio mais antigo ao estabelecer os fundamentos da sua doutrina.
                                                        Neste particular, e considerando tudo o que até agora foi mencionado, vê-se que a moderna ideologia marxista também copiou e adotou uma nova forma de dualismo ideológico, sem a conotação religiosa de Mani. 
                                                  Nada mais vivo e atual do que o dualismo marxista e ateu, principalmente aquele estimulado pelos postulados de Antônio Gramsci (1891-1937) ao buscar alterar, aos poucos, as estruturas que compõem os pilares de sustentação da sociedade, desde os valores morais e sociais, até os políticos, dividindo os seres humanos e suas relações psicossociais entre dualismos tais, como esquerda e direita, nós e eles, heterossexuais e homossexuais, pobres e ricos, crentes e ateus, brancos e negros, comunistas e fascistas, etc.
                                                      Estas criações gramscistas fazem parte daquilo que o filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900), alguns anos antes de Gramsci formular seus postulados, definiu como Transvaloração de Valores e que, modernamente, tem sido colocada em prática através do conhecido Comportamento Politicamente Correto, onde a genealogia da moral, ao invés de ser baseada em princípios religiosos tradicionais, passou a ser baseada em princípios políticos e ideológicos de esquerda.
                                                     Ocorre que, de tanto propalar e difundir o dualismo como marco de separação entre eles (os comunistas/socialistas, os bons, os justos, os preocupados com a melhoria das condições sociais do povo) e nós (os capitalistas/fascistas, os burgueses maus, os exploradores do povo, os patrões capitalistas selvagens), aqueles ativistas, militantes e ideólogos marxistas passaram a raciocinar e a agir também de forma dual em suas próprias vidas particulares; isto é, pregando o marxismo e se dizendo marxistas, em teoria, ao falar para as populações pobres e crédulas dos países subdesenvolvidos, mas, na prática, gostando de viver bem, de acumular dinheiro ilícito e de gastá-lo em companhia dos companheiros de partido e das elites ricas dos países capitalistas, que costumam frequentar viajando pelos continentes em seus jatos particulares. 
                                                    Isto é o que tem sido visto por todos nós, de forma costumeira, através da mídia nacional e internacional. Políticos, desportistas, artistas, empresários e ideólogos, todos se dizendo de esquerda e oriundos dos países subdesenvolvidos, gastando o dinheiro público desviado dos governos a que serviram, que comandaram ou que ainda comandam (sendo que muitos destes políticos e governantes chegaram ao poder de forma fraudulenta, em eleições viciadas) nos países ricos do primeiro mundo, consumindo nababescamente em restaurantes caríssimos, em hotéis de luxo, comprando objetos de consumo nos ricos magazines, desfilando com veículos que custam milhares de dólares, possuindo mansões no exterior e desfrutando de gordas contas correntes em paraísos fiscais, fruto de recursos desviados ou de propinas recebidas de empresários amigos, nas concorrências fraudulentas por estes vencidas em vendas e em obras para os governos dos referidos políticos. 
                                                     Ninguém gosta de exibir mais poder e riqueza do que os pequenos títeres venais da esquerda mundial, notadamente aqueles que pertencem às cleptocracias governantes dos países de esquerda mais pobres da América Latina e da África.
                                                        São todos eles maniqueístas sem se darem conta, na medida em que acham que a sociedade humana está dividida segundo os seus conceitos distorcidos e egoístas do que deva ser considerado bom e mau, e na medida em que em suas práxis diárias contrariam tudo aquilo que costumam pregar na teoria marxista, que querem fazer-nos crer ser verdadeira (por ter sido escrita de forma ininteligível e incompreensível, para eles, por Karl Marx) e o único caminho que conduziria ao paraíso terrestre da massa trabalhadora. 
                                                     Não mencionam que nos países marxistas, os trabalhadores continuam sendo aquilo que sempre foram, isto é, simples trabalhadores. Nem dizem que o patrão Estado costuma ter um coração mais duro do que o do patrão burguês. Não falam, também, que nos países capitalistas a ascensão social costuma ocorrer com bastante frequência em qualquer estrato social; fato este que só ocorre esporadicamente nos países comunistas.
                                                 Como vivemos no País do Carnaval, toda vez que um governante de esquerda assumisse o poder no Brasil e iniciasse o desfile de posse com a faixa presidencial atravessada no peito e em pé no Rolls-Royce (usado pela primeira vez por Getúlio Vargas, nas comemorações do Dia do Trabalho, em 1953), acenando para o povo presente na Praça dos Três Poderes da Capital Federal, algum assessor ou porta-voz da presidência deveria pegar o microfone e, com a melhor dicção possível, gritar em alto e bom som para o público: -  Olha o Maniqueísmo ai, gente!


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

347. Queimando as elites em esfinge**


 Tradicionais leniências do nosso sistema judiciário



Jober Rocha*


                         É sobejamente conhecido dos historiadores a tradicional leniência das nossas autoridades, desde os tempos do Brasil-Colônia até os dias atuais, com respeito aos criminosos oriundos das classes de renda mais alta, envolvidos em crimes financeiros e em desvio de recursos públicos.
                                      A mesma leniência não costumava existir no reinado, no império e na república, quando se tratava daqueles criminosos de renda mais baixa, isto é, da gente do povo. Hoje em dia, no entanto, com a ideologia marxista permeando as decisões da justiça, muitos juristas consideram todos os criminosos, tanto os de classe de renda mais alta quanto os de classe de renda mais baixa, como pobres coitados que, através da violação de injustas leis, encontraram uma forma de contestar o odiento sistema capitalista selvagem que os oprime e lhes suga o sangue, expropriando daqueles que têm a posse dos bens e do próprio Estado espoliador, aquilo tudo que, por direito, a eles, os mais carentes, pertenceriam.
                                    O crime para aqueles que assim pensam (e que não são poucos) deveria, pois, receber penas mais brandas, como a progressão de regime; penas alternativas pecuniárias; proibição do uso de algemas; saídas temporárias para comemorar dias santos e feriados; audiências de custódia que constrangem e humilham os policiais; prisão domiciliar; limite de pena para presos idosos; regime semiaberto; manutenção do mandato popular para políticos condenados, que seriam parlamentares, durante o dia, e presidiários durante a noite; uso de tornozeleira eletrônica que possibilitaria a libertação do preso, com algumas restrições de se ausentar do Estado; redução de pena por bom comportamento; etc.
                                       Antigo livro denominado ‘A Arte de Furtar’, atribuído ao jesuíta Padre Manuel da Costa (1601-1667), é uma das obras literárias emblemáticas do período da Restauração e o ponto mais alto da literatura portuguesa de costumes dos séculos XVI à XVIII. 
                                            A sua redação ocorreu, como se depreende do texto, em 1652, ou seja, ainda em vida de D. João IV, ao qual foi oferecida pelo autor, embora apenas tenha sido impressa quase um século depois. O livro faz um inventário das numerosas formas de roubo, notadamente nas colônias, e desmascara as múltiplas espécies de ladrões, para que os leitores deles se acautelem e o rei lhes dê "o castigo que merecem".
                                         A roubalheira e a corrupção eram tão gerais, segundo o autor, que ele não aceitava que ninguém lhe arguisse a obra, à exceção do rei e do príncipe herdeiro, já que todos os restantes lhe eram suspeitos. Assim, do clero à burguesia, passando pelos militares e pela nobreza, a todos vai o autor descobrindo as "unhas" e as "traças de ladrões", excetuando convenientemente "os ministros que assistem a El-Rei" de Portugal. O rei, evidentemente, pouca atenção deu ao livro, pois estas ações tipificadas na obra eram características das elites nobres, sustentáculo da monarquia e do próprio Rei.  
                                                 Segundo nos narra Laurentino Gomes em sua obra 1808, D. João VI ao embarcar com a corte para o Brasil trouxe consigo todo o tesouro português e dois de seus principais assessores, já então acusados de corrupção e roubos na ocasião: O Visconde de Rio Seco (Joaquim José de Azevedo) que no Rio de Janeiro acumulou imensa fortuna como tesoureiro-mor e Bento Maria Targini, que comandava o Erário Real. Ambos, que já eram ricos em Portugal, enriqueceram de forma desmesurada no Brasil, sob os auspícios do monarca.
                                                  Ao retornar de volta para Portugal em 1821, D. João VI raspou os cofres do Banco do Brasil e levou embora o que restava do tesouro real que havia trazido para a colônia em 1808. “A realeza que acabava de viver na corrupção, fizera um verdadeiro assalto ao erário brasileiro”, segundo o historiador Oliveira Lima, citado no livro mencionado.
                                                       Conforme nos conta Laurentino em seu livro, versos populares satirizavam a roubalheira da época, como este: 

“Quem furta pouco é ladrão
Quem furta muito é barão
Quem mais furta e esconde
 Passa de barão a visconde”.

                                          Chegando a Lisboa, vários integrantes da comitiva real, que embarcaram de volta, no Rio de janeiro, junto com D. João VI, foram impedidos de desembarcar acusados de corrupção e roubo na administração dos cofres públicos do Rio de Janeiro, dentre eles o famoso e já citado Visconde de Rio Seco.
                                           Outra semelhança do Brasil de então com os recentes governos brasileiros das últimas décadas, foi o fato de D. João VI pagar uma pensão anual a Hipolito José da Costa, brasileiro que vivia na Inglaterra e era dono do jornal Correio Brasiliense, editado em Londres em virtude da censura existente no Brasil. Hipolito, inicialmente, escrevia contra D. João e seu reinado. 
                                          Depois de procurado por emissários do rei, estabeleceu-se um “sistema de relações promiscuas entre o seu jornal e o governo no Brasil. Por um acordo secreto D. João começou a subsidiar Hipolito na Inglaterra e a garantir a compra de um determinado número de exemplares do Correio Brasiliense, com o objetivo de prevenir qualquer radicalização nas opiniões expressas no jornal” – afirma Laurentino Gomes em sua obra 1808. 
                                          Cerca de duzentos anos depois, a mesma tática continuava sendo usada pelos governantes de esquerda para comprar o apoio da mídia, visando esconder fatos importantes que os denegrissem e para ressaltar notícias medíocres que os enalteciam.
                                                Tratava-se aquela de uma corte perdulária e voraz, com a pratica da caixinha nas concorrências e nos pagamentos dos serviços públicos. “Cobrava-se uma comissão de 17% sobre todos os pagamentos ou saques do tesouro público, como extorsão velada. Se o interessado não pagasse o processo parava.  Era uma corte de muita corrupção e peculato”, segundo Oliveira Lima, citado no livro de Laurentino Gomes.
                                        Episódio anterior, marcado pelos historiadores, passou-se com um administrador português chamado Francisco de Castro Morais. Este foi governador e capitão-geral da capitania do Rio de Janeiro, de 1697 a 1699, da capitania de Pernambuco, de 1703 a 1707 e, novamente da capitania do Rio de Janeiro, de 1710 a 1711. Era governador da cidade do Rio de janeiro durante as invasões francesas de Duclerc (1710) e de René Duguay-Trouin (1711) em busca de saque e de resgate no Rio de janeiro, conhecido, na ocasião como um entreposto do ouro que afluía em quantidade das montanhas da região das Minas Gerais.
                                             Na segunda invasão, comandada por Duguay Trouin, o governador desguarneceu antecipadamente as fortalezas e movimentou as tropas de defesa da cidade em direção oposta à dos invasores, permitindo a fácil tomada da cidade, em um ato reconhecido pelos habitantes, de então, como de alta traição.
                                                Segundo comentário do historiador Ione de Andrade “entre o governador e sua família, bem como entre os demais chefes políticos e religiosos da praça carioca e os franceses, reinou, durante as negociações para o resgate da cidade (600 mil cruzados em ouro, 200 bois e 100 caixas de açúcar), uma tal cordialidade que hoje temos a impressão de que o episódio da invasão foi, na verdade, pretexto para que, no engenho jesuíta chamado Engenho Novo, se encontrassem os representantes de duas organizações mercantis, a fim de negociarem livremente a venda e compra de um próspero entreposto, situado à beira-mar”.
                                                 Denunciada a atuação do governador carioca às autoridades portuguesas, foi feita uma devassa por uma comissão vinda de Portugal que concluiu pela culpabilidade de Castro Morais no favorecimento a Duguay Trouin e na facilitação da invasão dos franceses.
                                                    Sua pena foi ser condenado a ‘queima em esfinge’, pena esta imposta na ocasião aos crimes das altas autoridades e de seus familiares.
                                               A dita pena consistia em confeccionar-se um boneco com as feições do condenado, tipo físico semelhante e vestido com roupas por ele usadas, ao qual era ateado fogo (como nas tradicionais malhações e queimas de judas, ainda comuns no Brasil durante a páscoa). Tratava-se, pois, de um simulacro de punição, para não pensarem que o crime compensava e que o criminoso saia sempre impune.
                                               Após a queima em esfinge, o ex governador foi enviado exilado para as Índias portuguesas, onde ficou por pouco tempo, e terminou seus dias em 1738, na cidade de Chaves, em Portugal.
                                                   Como mencionam alguns historiadores que se ocuparam do período, a corrupção generalizada nos altos postos da mais importante cidade do Brasil no século XVIII, acabou por convencer a coroa portuguesa da necessidade de dar mais atenção à sua colônia. 
                                             Outro episódio histórico, onde ficou bem claro a leniência das autoridades com muitos dos presos condenados, foi o da conhecida Conjuração Mineira ou Inconfidência Mineira.
                                                    Segundo o historiador Marcos Correia, como também na opinião do historiador maranhense Austregésilo Cerqueira Nunes, Tiradentes não teria morrido enforcado em 1792, como um dos principais responsáveis pela Inconfidência Mineira. A opinião dominante é a de que Tiradentes teria sido beneficiado por um dos juízes da Devassa, o poeta Cruz e Silva, que tinha sido amigo de muitos dos inconfidentes. De acordo com Correa, Tiradentes teria salvado a vida de Cruz e Silva, que, como ele, também era maçom. Um ladrão e bêbedo contumaz, preso na mesma ocasião, teria assumido a identidade de Tiradentes na forca em troca de dinheiro e de proteção à sua família. Ambos possuíam estatura parecida, estavam barbados, cabeludos e esfarrapados, podendo passar um pelo outro perante o público que assistiu ao enforcamento.
                                              Conforme as versões dominantes, Tiradentes teria, a seguir, sido banido para Angola, de onde seguiu posteriormente para Lisboa. Esteve em Paris em 1793. Segundo consta, existe, na Torre do Tombo, em Portugal, uma carta do desembargador Simão Sardinha, na qual este diz ter-se encontrado na Rua do Ouro, em dezembro de 1792, com alguém parecido com Tiradentes, a quem conhecera no Brasil, e que saiu correndo quando o viu. Tiradentes teria voltado ao Brasil em 1806, onde faleceu em 1818.
                                                De acordo com o que mencionam alguns historiadores, dentre estes Cerqueira Nunes, “entre os figurões coloniais da Inconfidência o próprio governador-general, Visconde de Barbacena, estaria envolvido até o pescoço na conspiração, motivo pelo qual teria demorado tanto para denunciar o complô ao vice-rei, seu próprio tio. O principal delator, Joaquim Silvério dos Reis, tio-avô do intrépido Duque de Caxias, estando endividado teria delatado os inconfidentes em troca do perdão da sua dívida”. A maçonaria, a qual muitos dos réus e juízes pertenceriam, teria obrado no sentido de abrandar e diminuir penas e absolver participantes da conjuração.
                                             Mais recentemente, os brasileiros foram surpreendidos com o episódio conhecido como Operação Lava a Jato, em que diversos políticos, empresários e executivos foram acusados de corrupção ativa e passiva e condenados em primeira instância, notadamente o ex presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, que foi considerado culpado e recorreu, em Segunda Instância, ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, em Porto Alegre. A sua condenação foi confirmada por este segundo tribunal, sendo a pena aumentada de 9 anos e meio para 12 anos e 1 mês.
                                                   Mencionaremos apenas este caso, por ser um dos que mais se destacou dentre todos os outros. Deixaremos de mencionar os milhares de outros casos de menor monta ocorridos em administrações federais, estaduais e municipais, ao longo das últimas décadas, em que os réus foram simplesmente absolvidos ou tiveram seus processos arquivados por falta de provas, por decurso de prazo ou por prescrição.
                                             A defesa do ex-presidente, no caso mencionado, chegou a protocolar cerca de 78 questionamentos judiciais no âmbito de um único processo, que acabou levando o ex presidente à condenação e a prisão, ainda, em segunda instância. Além deste processo, pelo qual foi condenado, Luiz Inácio Lula da Silva responde a mais oito outros processos.
                                                   O Supremo Tribunal Federal, no entanto, de forma casuística segundo especialistas em Direito Constitucional, mudou o entendimento do dispositivo constitucional que permitia a prisão do réu após condenado em segunda instância, por três vezes desde a Constituição de 1988; isto é, em 2009, 2016 e recentemente em 2019. Dos onze ministros que integram o STF, sete deles foram nomeados pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef, ambos do Partido dos Trabalhadores.
                                                    No mês de novembro de 2019, o STF decidiu derrubar a possibilidade de prisão em segunda instância, isto é, decidiu que a prisão do réu sem esgotar todos os recursos jurídicos seria inconstitucional. Por esta razão, Luiz Inácio Lula da Silva foi solto no dia seguinte ao da votação e responderá aos recursos, ainda possíveis no âmbito do processo em que figura como réu condenado, em liberdade. A decisão do supremo beneficiou com a liberdade, além de Lula, todos os demais condenados envolvidos na Operação Lava a Jato e já julgados, condenados e presos. Ademais disso, beneficiou, ainda, milhares de outros condenados presos em primeira e segunda instâncias, cujas condenações não tivessem transitado em julgado e ainda coubesse recursos ao STF.
                                                         Por outro lado, foram estabelecidos Acordos de Leniência, firmados entre o Ministério Público Federal e as empresas envolvidas em episódios de corrupção no âmbito da operação Lava a Jato. Segundo estes acordos as empresas devolveriam ao Estado parte dos recursos roubados. Tais valores, a serem devolvidos, foram considerados recordes mundiais em razão dos seus montantes. Os pactos firmados entre as partes deveriam ser submetidos aos juízos competentes para homologação. As empresas beneficiadas comprometiam-se a “prevenir a ocorrência de novos ilícitos e privilegiar, em grau máximo, a ética e a transparência na condução de seus negócios, a partir de então”.
                                                   Conforme ficou amplamente evidenciado neste texto, os leitores puderam perceber a contumaz leniência com que são tratados os casos de desvios de recursos públicos em nosso país, praticados pelas elites e por seus representantes, desde os tempos da sua descoberta em 22 de abril de 1500. 
                                                  Comparando as nossas penas com aquelas descritas por Dante Alighieri (1265-1321), em seu poema ‘A Divina Comédia’ (publicado pela primeira vez em 1555 e onde o poeta fornece uma descrição dos sofrimentos impostos, no Inferno, aos espíritos daqueles condenados por vícios, crimes e pecados, de muito menor monta que os que foram julgados e condenados no âmbito da nossa humana Operação Lava a Jato), podemos aquilatar como a nossa justiça tem sido tolerante e leniente com os membros da elite que, no dizer de muitos deles, apenas cometeram ‘malfeitos’; malfeitos estes, que, no entanto, a par de enriquecer suas respectivas contas correntes em paraísos fiscais, deixaram morrer à míngua milhares, senão milhões, de cidadãos brasileiros que alimentaram com seus impostos essa tradicional ‘farra do boi’, onde o personagem principal, o boi, após ser torturado, acaba por findar seus dias em espetos de churrasco, queimado de verdade e não apenas em esfinge...


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha. Membro efetivo da Academia Brasileira de Defesa - ABD e do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos – CEBRES. 
_**/ Publicado pela Academia Brasileira de Defesa - ABD, em 06.02.2020



terça-feira, 31 de dezembro de 2019


346. Armas: as grandes educadoras das populações bárbaras

Jober Rocha*



Bárbaro é um termo utilizado para se referir a uma pessoa tida como não-civilizada. O termo também pode se referir individualmente a uma pessoa bruta, cruel, belicosa e insensível.
Segundo os historiadores, foram chamados de bárbaros os povos de origem germânica que, entre 409 e 711, nas migrações dos povos bárbaros, invadiram o Império Romano do Ocidente, causando sua queda em 476 d.C.
De uma maneira geral, os bárbaros formavam hordas armadas que invadiam territórios ocupados por outros povos, de forma violenta e feroz, matando pessoas e dizimando e destruindo tudo o que se lhe opunha resistência.
Os povos chamados bárbaros, dentre os quais destacamos os hunos, os vândalos, os francos, os godos, os visigodos, os ostrogodos, os anglos, os saxões, etc. foram inicialmente contidos pelo império romano em virtude da supremacia deste em armas, em técnicas de combate e em logística. As razões posteriores da queda do Império Romano são atribuídas pelos modernos historiadores, notadamente a: baixa eficácia numérica dos exércitos romanos; deficiências de saúde e do efetivo da população romana; perda da força da Economia; baixa competência dos imperadores; mudanças religiosas ocorridas, revoltas constantes dos povos submetidos e deficiente administração civil. Tais fatores determinantes foram agravados pelas invasões barbaras, evidentemente.
Desde então, seja na paz ou na guerra, as armas passaram a desempenhar papel fundamental na solução dos conflitos, seja como fator de dissuasão, seja como fator defensivo ou ofensivo.
Coletivamente, aqueles povos mais e melhor armados passaram a ser respeitados pelos demais povos menos e pior armados, notadamente após o domínio da energia nuclear. No campo individual, a posse de uma arma supre as deficiências físicas naturais existentes entre os indivíduos. O porte de uma arma tende, pois, a igualar os seres humanos, embora a destreza no manejo da mesma seja um fator diferencial importante.
A partir, portanto, da fabricação e da utilização de armas, as pendências e os conflitos deixaram de ser, sempre, vencidos pelos mais fortes fisicamente. Os mais fracos também passaram a poder disputar, de igual para igual, os seus direitos reais ou presumidos.
Neste contexto, a parcela de qualquer população que se encontre desarmada será, sempre, vítima potencial ou efetiva da parcela desta população que se encontra armada. A solução mais correta e igualitária, até então utilizada, tem sido aquela adotada em países desenvolvidos como os USA e Canadá, por exemplo, onde todos os cidadãos possuem o direito constitucional de adquirir armas e munições para sua defesa pessoal, familiar e de seus bens.
Conforme qualquer habitante das grandes cidades brasileiras sabe, nas periferias onde dominam as facções criminosas do tráfico de drogas, nenhum cidadão ousa desafiar as ordens dos chefes do tráfico. Qualquer desafio significa a morte. Isto se deve não por que a população periférica seja inteiramente composta por covardes, mas, sim, em virtude das quadrilhas que dominam estas áreas estarem todas fortemente armadas. As armas, conforme podemos constatar, são, pois, as grandes educadoras a dizerem o que pode e o que não pode ser feito por aqueles que não as possuem. Os cidadãos desarmados, mesmo armados de bons argumentos, têm que se render aos maus argumentos daqueles indivíduos bem armados. Esta regra, a meu ver, poderia ser formulada como a ‘Primeira Lei  Fundamental da Educação Psicossocial’, a ser ensinada nas escolas do país pelos professores ideologicamente submissos aos postulados marxistas e defensores do Estatuto do Desarmamento em vigor.
Notícia recente na mídia informa sobre a ocorrência no domingo, 29 de dezembro de 2019, de um atentado em igreja no Estado Norte Americano do Texas, que deixou duas pessoas mortas e uma gravemente ferida. Fiéis armados, segundo a nota, reagiram ao agressor, matando-o e impedindo que a tragédia tomasse proporções maiores.
O agressor foi prontamente abatido por um dos fiéis, logo após ter começado a atirar dentro da igreja West Freeway Church of Christ (Igreja de Cristo em West Freeway), localizada em White Statement, próxima a Fort Worth.
Professores de escolas e universidades, médicos em hospitais, sacerdotes em igrejas, naquele país, foram autorizados a portar armas para as suas defesas e de terceiros, nestes locais de grandes aglomerações e sujeitos a atentados promovidos por terroristas e maníacos.
Se o fato tivesse ocorrido no Brasil, por exemplo, o número de vítimas teria sido muitas vezes maior, pois, aqui, portar armas é proibido para a população civil. Os únicos que são vistos portando armas, ostensivamente ou não, de uma maneira geral, são os policiais; os magistrados e membros do Ministério Público; os agentes da ABIN; os guardas municipais das capitais ou nas cidades com mais de 50 mil habitantes; a polícia legislativa da Câmara e do Senado; os seguranças de autoridades públicas; os militares em serviço; diversas entidades pessoas jurídicas e os membros de facções criminosas que dominam os morros e as periferias das grandes cidades.
Antes e durante o regime militar que governou o Brasil, de 1964 até 1985, a compra e a venda de armas e munições eram liberadas ao público civil, com um mínimo de exigências.
O famigerado Estatuto do Desarmamento instituído pela Lei 10826 de 23 de dezembro de 2003, durante o governo Lula, regulamentada pelo decreto 5123 de 1º de julho de 2004 e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte, veio dispor sobre o registro, a posse e a comercialização de armas de fogo e munição, de forma restritiva.
Pouco depois, no ano de 2005, o governo promoveu um referendo popular para saber se a população concordaria com o artigo 35 do referido estatuto, que tratava sobre a proibição da venda de arma de fogo e munição em todo o território nacional. Realizado o referendo o artigo foi rejeitado por 63,94% dos votos "NÃO" contra 36,06% dos votos "SIM". Mesmo assim, a venda de armas e munições foi dificultada ou proibida em uma campanha desfechada pelas esquerdas visando desarmar a população, com vistas a minimizar a eventual resistência armada popular à implantação do Socialismo Bolivariano no país, constante do programa de governo do Partido dos Trabalhadores e incentivado pelo Foro de São Paulo, nos moldes daquele regime marxista implantado na Venezuela e em outros países do Continente.
As pesquisas e os estudos que subsidiaram a proibição do comercio de armas e munições no Brasil foram sempre tendenciosos e seguiram na contramão das pesquisas sérias conduzidas nos Estados Unidos e na Europa. Para estas pesquisas externas, a posse de armas pelas populações civis era fator inibidor da criminalidade e poupador de vidas humanas, conforme centenas, senão milhares, de ocorrências registradas ao redor do mundo e analisadas por entidades públicas e privadas, sérias, demonstraram.
A ideologia, no entanto, falou mais alto no Brasil e, à revelia de estudos sérios e confiáveis conduzidos por entidades especializadas no assunto, o que prevaleceu foi a opinião de políticos a serviço da ideologia marxista, que viam no desarmamento da população a chave para inibir uma eventual reação popular contra a substituição do regime democrático capitalista por um regime comunista autoritário e de partido único, conforme previsto nos planos do Partido dos Trabalhadores, no poder desde o ano de 2003 com a posse de Luís Inácio da silva.
Um major do Corpo de Fuzileiros navais dos USA, chamado L. Caudill em um texto denominado ‘As armas são a civilização’, declarou:
“As pessoas só têm duas maneiras de lidar umas com as outras: pela razão ou pela força. Se você quer que eu faça algo para você, você terá, ou de me convencer via argumentos, ou de me obrigar a me submeter à sua vontade pela força. Todas as interações humanas caem em uma dessas duas categorias, sem exceções. Razão ou força, só isso”.
“Quando eu porto uma arma, você não pode lidar comigo pela força. Você precisa usar a razão para tentar me persuadir, porque eu tenho meios de anular suas ameaças ou o uso da força”.
“Quem advoga o banimento das armas de fogo está optando automaticamente pela lei do mais jovem, pela lei do mais forte, pela lei do bando, e isso é o exato oposto de uma sociedade civilizada. Um marginal, mesmo armado, só consegue ser bem sucedido em uma sociedade onde o Estado lhe garantiu o monopólio da força”.
“Portanto, a sociedade mais civilizada é aquela onde todos os cidadãos podem estar igualmente armados e só podem ser persuadidos, nunca forçados“- conclui L. Caudill.
Alguns historiadores afirmam que Samuel Colt, inventor e fabricante norte-americano de armas de fogo, ao produzir o revolver de seis tiros, em 1836, teria declarado:
“Deus fez os homens diferentes; Sam Colt tornou-os iguais”! (God made men different; Sam Colt made them equal).
Outros historiadores mencionam que a frase realmente dita por Samuel foi: “Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais”!
Segundo os historiadores, Benjamin Franklin, inventor e homem de Ciência, teria dito em determinada ocasião:
“Quando todas as armas forem propriedade do governo, este decidirá de quem são todas as outras propriedades”!
O fato é que as armas de qualquer tipo, notadamente as armas de fogo, desde que foram inventadas, sem dúvida alguma diminuíram as diferenças físicas entre as pessoas e, como já dito anteriormente, seu uso generalizado deu lugar a persuasão nas soluções sobre assuntos contraditórios, eliminando, gradativamente, o uso da força e contribuindo para fazer ideias e interesses conflitantes, finalmente, se harmonizarem de forma pacífica.
Em muitos países e em épocas diversas, autoridades autocráticas, ilegítimas, absolutistas, venais, etc., adotaram o procedimento de proibir o porte e o uso de armas pelos cidadãos, sejam elas quais fossem. Temiam que armas em mãos das populações pudessem ser usadas contra as próprias autoridades, em razão de seus reconhecidos desmandos, injustiças flagrantes praticadas, atos de tirania exercidos e de suas crescentes impopularidades junto ao povo.
 Em resposta a tais proibições, surgiram as artes marciais, conhecidas como ‘as artes dos pés e das mãos’ ou ‘o caminho suave’. Os seus praticantes conseguiam suprir a falta de armas, com a rapidez e a violência de determinados golpes de pés e mãos, usados para a defesa e para o ataque. Em determinadas épocas, foram introduzidas nas artes marciais algumas técnicas de defesa e de ataque com armas brancas de vários tipos e aplicações distintas; bem como, a utilização de bastões de madeira de diversos tamanhos e configurações.
Quanto mais democrática e livre seja qualquer sociedade, mais direitos possuem os seus cidadãos, dentre eles, destacando-se, o direito inalienável de defender a si próprio, à sua família, os seus bens e as suas propriedades.
Quem pensa de forma diferente está comprometido ideologicamente com regimes totalitários de natureza marxista; ou faz parte de facções criminosas; ou pertence a movimentos terroristas; ou integra uma elite cleptocrática que se locupleta financeiramente em razão da inocência, do servilismo, da covardia e da despolitização da população, ou, finalmente, é um completo idiota que não tem a menor percepção do que ocorre a sua volta, seja em termos políticos, econômicos, militares e psicossociais.
Voltando as palavras de L. Caudill: “Quando eu porto uma arma não é porque estou procurando encrenca; é exatamente por que quero ser deixado em paz. A arma na minha cintura significa que eu não posso ser forçado a nada, somente persuadido. Eu não porto uma arma porque tenho medo, mas, sim, porque ela me permite não ter medo. Ela não está lá para intimidar os que querem interagir comigo pela razão, mas para desencorajar os que pretendem fazê-lo pela força. A arma remove a força da equação … e é por isso que portar uma arma é um ato civilizado”!
No caso do nosso país, como bem entendeu o presidente Bolsonaro e sua equipe, a única solução efetiva, a curto e médio prazo, visando reduzir os índices de criminalidade insuportáveis causados por décadas de leniência oficial com respeito às facções criminosas surgidas espontaneamente ou incentivadas pela esquerda (todas elas representando braços armados dos governos de esquerda que visavam a implantação de um governo comunista no país e que possuem armas de guerra em quantidades surpreendentes, como também munições à vontade) é a liberação para que todos os cidadãos brasileiros possam adquirir armas e munições no comércio, como sempre puderam fazer antes dos nefastos e incompetentes governos de esquerda assumirem o poder.
É do conhecimento geral a impossibilidade efetiva das nossas polícias protegerem a integridade física e patrimonial dos cidadãos, em razão dos seus reduzidos efetivos e das carências técnicas, financeiras e administrativas que apresentam. Por este motivo, cabe ao próprio cidadão providenciar a sua defesa, a da sua família e a dos seus bens e propriedades. Para que isto seja feito, ele necessita, evidentemente, de uma arma; pois aqueles que o afrontarão estarão fortemente armados.
Um dos maiores exércitos do mundo, praticamente indestrutível em uma guerra de ocupação tradicional, consiste na legião de atiradores desportivos, colecionadores e caçadores dos USA. Possuem treinamento, armamento e munição capaz de fazer frente a qualquer exército invasor que tente dominar o território norte-americano.
Desde os primórdios da colonização daquele país, as armas de fogo desempenharam um papel crucial na conquista do território e no estabelecimento do direito à propriedade e a segurança individual e coletiva, igualando os cidadãos e fazendo a lei valer para todos.
As próprias autoridades norte-americanas, na atualidade, incentivam à produção e o comércio de armas e munições, desburocratizando todo o processo, bem como oferecem subsídios à construção de 'bunkers' (abrigos fortificados) em localidades isoladas no campo, para que a população tenha meios de resistir a uma eventual invasão partida de algum país hostil ou a uma catástrofe ou calamidade em que os poderes públicos sejam impossibilitados de agir e se instaure o caos e a convulsão social.
Nosso país, como sempre, está na contramão da história e totalmente despreparado para situações como as descritas. Nossas autoridades, em sua grande maioria, são despreparadas para os cargos que ocupam e trabalham, normalmente, contra os interesses populares. São, todavia, profissionais em maquinações lesivas à Economia; à Política em seu melhor sentido e ao desenvolvimento das Forças Armadas, consideradas inimigas e não compatíveis (em efetivos e equipamentos) com a sexta economia mundial, lugar que hoje em dia ocupamos no Concerto das Nações.
Que nos espelhemos naqueles países que respeitam as leis; onde ninguém pode argumentar que está acima delas; onde as penas dos condenados são cumpridas de forma integral; onde a liberdade de pensamento e de imprensa existe realmente; onde a maioria da população é composta de pessoas patriotas que amam seu país e respeitam as suas autoridades que nada mais são do que servidores públicos; onde todos os cidadãos, apesar de poderem contar com uma organização policial e judiciária de primeiro mundo, possuem a plena liberdade de providenciar a sua própria defesa, de seus familiares e de suas propriedades.
Que tenhamos sempre em mente uma frase que alguém já disse e que será sempre atual: - Quando a presa está armada o predador dorme com fome!


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha. Membro titular da Academia Brasileira de Defesa – ABD e do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos. CEBRES