sexta-feira, 15 de junho de 2018

227. Conservar amigos e amores ou dizer sempre a verdade?


Jober Rocha*






                                    Creio que esta dúvida, que ora na maturidade me ocorre, é, também, compartilhada por muitos dos meus leitores.
                                                Filosoficamente, podem ser distinguidos cinco conceitos de verdade: Verdade como correspondência, como revelação, como conformidade a uma regra, como coerência e como utilidade.
                                                 Os dois primeiros são os mais difundidos, porém, ficaremos, apenas, com o primeiro deles, isto é, o conceito de verdade como correspondência.
                                           Como dizia Platão, em seu tempo: “Verdadeiro é o discurso que diz as coisas como são; falso ou mentiroso é aquele que as diz como não são”.
                                           Ou como dizia Aristóteles, no tempo dele: “Negar aquilo que é e afirmar aquilo que não é, é falso ou mentiroso; enquanto afirmar o que é e negar o que não é, é a verdade”.
                                           O conhecimento e o uso que se faz da verdade, segundo este conceito aqui adotado, possuem diversas nuances que valem a pena ser exploradas, o que procuraremos fazer a continuação.
                                                   Quando somos jovens e pouco sabemos a respeito das coisas e das pessoas, o nosso grande objetivo na vida, de uma maneira geral, é o de sermos apreciados e queridos, por aqueles com quem convivemos, em razão daquilo que pensamos ser e do que dizemos e fazemos. Naquela oportunidade, conhecer pessoas que nos apreciem e valorizem; bem como, fazer e cultivar amigos, passa a ocupar um tempo muito expressivo de nossas, até então, curtas e inexperientes existências.
                                                  Com o passar dos anos e o natural acumulo de conhecimentos e experiências que com eles chegam (trazendo juntos, também, as desilusões, os sofrimentos, os desapontamentos, os desenganos e os desencantos), a própria Arte de Viver se encarregará de nos mostrar que as coisas que víamos e com as quais convivíamos e aquelas outras que imaginávamos, quase sempre não eram e nem seriam jamais, exatamente, tudo aquilo que pensávamos.
                                                   Percebemos que tanto os amigos quanto os amores, vêm e vão em nossas vidas; alguns deixando inesquecíveis saudades e outros inolvidáveis mágoas ou tristezas.
                                                Reconhecemos, por vezes, até com certa satisfação, que jamais fomos aquilo tudo que pensávamos ser e que, felizmente, em algum ponto do caminho, os nossos destinos cambiaram, tomando novos rumos que nos conduziram a outros portos, sem dúvida, tão ou mais seguros e promissores que aqueles dos quais havíamos partido anteriormente.
                                             Não digo portos mais felizes, por que a felicidade sempre a carregamos (ou não) junto de nós. Assim, ela estará presente (ou não) aonde quer que estejamos; pois ela faz parte (ou não) da bagagem interior que transportamos para onde quer que sigamos e jamais a encontraremos vagando, solitária, a procura de uma carona, pelos diferentes caminhos que venhamos a percorrer nestas nossas existências terrenas.
                                            Quando somos jovens, a conquista e a manutenção de amigos e de amores faz com que, por inúmeras vezes, evitemos dizer a verdade, sufocando-a em nossas gargantas, pois ela não é tão importante, para nós, como são os amigos ou os amores que queremos preservar a todo custo. Em algumas situações, apenas nos calamos sobre a verdade que conhecemos; mas, em outras, a substituímos pelas mentiras que criamos.
                                                Mais à frente, ao sermos eventualmente traídos em nossas amizades, ou em nossos amores, que julgávamos tão importantes na juventude e, até mesmo, eternos, percebemos que o compromisso com a verdade deveria ter prevalecido; pois nenhuma obra construída sob o alicerce da mentira tem a tendência de permanecer de pé por muito tempo.
                                                Reconheço, todavia, que, durante a existência, estamos sempre raciocinando em termos da Análise Custo versus Benefício. Se o benefício de uma mentira, para nós, naquele momento em que a formulamos, for maior do que seu custo, é evidente que a tendência dos seres humanos será a de aceita-la e propaga-la como se verdadeira fosse; a não ser em uns poucos casos de pessoas consideradas totalmente virtuosas e de um comportamento excepcional, incapazes de mentir, que constituem, evidentemente, pontos fora da Curva Normal que descreve o comportamento humano.
                                             Ocorre que, no tempo presente, raciocinamos estaticamente e não de forma dinâmica, como deveríamos, caso conhecêssemos o futuro. A mentira de baixo custo, hoje, pode nos custar muito caro mais à frente, embora não nos venhamos a dar conta disto nos atos de cria-la e de divulga-la.
                                                 O conhecimento da verdade, por outro lado, significa poder de dominação sobre aqueles que a desconhecem e, em decorrência, os poderosos guardam as suas com sete chaves.
                                                     A verdade, portanto, ao mesmo tempo que liberta aqueles que chegam a conhece-la (e que, até então, a desconheciam e, por isto, eram dominados antes de serem por ela libertos), aprisiona aqueles que se escondiam sob a capa da mentira (e que, até então, por serem os únicos a conhecerem a verdade, eram os dominadores, que propagavam a mentira para os dominados); razão pela qual, a tendência geral dos poderosos é mantê-la sempre oculta.
                                                 Constata-se, também, que muito daquilo que é tido como verdadeiro tanto no campo das Ciências, da Filosofia, da Religião, da Política, etc., não passa de uma verdade relativa, válida, quando muito, sob certas circunstâncias ou condicionantes.
                                                Compreende-se, ademais, que Ciência, Filosofia, Religião e Política, são utilizadas como instrumentos de dominação da raça humana e, em vista disto, as verdades que postulam devem ser vistas com certas reservas.
                                             Assim, muito do que, ao longo do tempo, escreveram os cientistas, os filósofos, os religiosos e os políticos, acabou sendo depositado na lixeira da História e ridicularizado pelas gerações que se seguiram.
                                                       Basta ver as explicações de médicos da Idade Média sobre as causas das doenças que acometiam os indivíduos. Basta contemplar as explicações religiosas sobre a origem da vida e sobre a criação do Universo; bem como, a Cosmogonia dos povos primitivos.
                                                       Basta, também, observar as ideologias políticas, criadas para justificar a dominação dos opressores sobre os oprimidos. Mesmo os filósofos, tradicionalmente comprometidos com a busca da verdade, através do conhecimento, têm esposado, muitas vezes, teorias que não correspondem à essa verdade que tão incansavelmente procuram.
                                                        Muito do que estes próprios filósofos ou pensadores nos legaram do passado, nestes dias presentes tem, apenas, interesse histórico e ilustrativo; tendo servido, em determinadas épocas e locais, apenas para justificar pontos de vista das elites dominantes acerca da supremacia de determinadas raças; de formas de governo mais adequadas para determinados países; de ideologias e sistemas econômicos melhores do que outros; etc.
                                                  Na idade madura, entretanto, quando a maioria das ilusões que tínhamos, sobre amigos e amores, já se perderam, passamos a ver o mundo (mesmo não nos dando conta disto de forma consciente, em nosso no dia a dia) como descrito por Kant em sua obra “Crítica da Razão Prática”: “A mais impressionante realidade em toda a nossa experiência é, precisamente, o nosso senso moral, o nosso sentimento inevitável, diante da tentação, de que isto ou aquilo é errado. Podemos ceder; mas, apesar disto, o sentimento lá está”.
                                                      Embora o filósofo considere que esse senso moral é inato aos seres humanos, em minha modesta opinião ele se acentua com a maturidade; existindo, com certeza, na juventude, porém, sendo vencido na ocasião, facilmente, pelas paixões. Assim, mentir na juventude torna-se muito mais fácil do que mentir na velhice, da mesma forma que os comportamentos viciosos são mais comuns de serem encontrados na juventude do que na maturidade.
                                                         Imagino serem estas as razões pelas quais nós, os velhos, somos mais autênticos ao dizermos, sempre ou quase sempre, aquilo que pensamos e a evitarmos a mentira como argumento para conservarmos amigos e amores ao nosso lado.



_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

                                                                            

terça-feira, 12 de junho de 2018


226. As Obras-Primas

 

Jober Rocha*


                                           Dizem os dicionários que o termo obra-prima, originalmente, referia-se a uma peça de arte manufaturada, produzida por um artesão que pretendesse ascender à posição de mestre na sua profissão e, por conseguinte, na corporação a que pertencia, seja de ourivesaria, de tapeçaria ou uma outra qualquer.
                                                            Na atualidade, porém, o termo é empregado para definir qualquer obra de arte considerada extraordinária, quase sempre se referindo a melhor obra do artista; já que, estas são tão raras que os melhores artistas não costumam produzir mais do que uma em suas vidas.
                                                              Evidentemente os gostos variam, mas as obras-primas costumam ser admiradas por todos que as contemplam, leem ou ouvem (ou as percebem através do olfato, do paladar e do tato, pois existem obras-primas na culinária, na perfumaria, etc.) em qualquer época; isto é, são atemporais e universais.
                                                           Extrapolando aquelas obras-primas de natureza artísticas, sob o meu ponto de vista, elas existem também nos campos da Ciência e da Filosofia. Tais obras, assim consideradas, possuem algo intrínseco de divino e este alento divino está presente, segundo penso, não apenas em algumas obras de arte excepcionais, mas, também, em algumas obras científicas e filosóficas.
                                                           As obras-primas costumam culminar os trabalhos dos seus autores, pois são frutos do pendor natural, da experiência profissional, da maturidade e (por que não?), certamente, de uma pequena ajuda divina em reconhecimento ao valor do seu autor.
                                                       Essa ajuda, mesmo que os leitores não creiam nela, pode se dar, segundo penso, através da inspiração, que dirigiria o raciocínio e a habilidade do autor para determinada ideia, objetivo ou conclusão.
                                                   Quantos de nós já não sonharam, durante a noite, com a resposta para problemas que ainda vivenciavam ao irem para a cama dormir? Quantos não tiveram uma intuição para  a solução de questões que os atormentavam durante vários dias?
                                                               Raramente alguém produz uma obra-prima logo ao se iniciar em uma profissão, pois, caso contrário, a partir de então só decairia na mesma; posto que, ninguém consegue produzir, sempre, apenas obras-primas.
                                                              As obras-primas são assim classificadas, em comparação às demais obras de seus autores; porém, creio que pode existir também uma única obra-prima que se destaque, ao se comparar obras de autores distintos, sobre uma mesma arte e motivo ou sobre determinados assuntos científicos ou filosóficos.
                                                           O fato é que determinadas obras nos mantém extasiados ao contemplá-las, ouvi-las ou lê-las. A pergunta que nos vêm a mente, na ocasião, é a de como alguém, de natureza humana, teve a inspiração e a habilidade de construí-la tão bem, posto que parece uma obra divina?
                                                                Esta questão nos ocorre, certamente e principalmente, ao ouvirmos determinadas melodias, ao contemplarmos certas obras de artistas plásticos e ao lermos determinados textos literários, científicos ou filosóficos.
                                                              No meu caso, especificamente, considero as obras Thais Meditation, de Jules Massenet (1842-1912) e Variation 18 Rhapsody on Themes of Paganini, de Rachmaninoff, como sendo as principais obras-primas da música clássica. Relativamente à escultura, minhas preferências recaem sobre a Pietà e sobre David, de Michelangelo Buonarotti (1475-1564).    O David é uma das esculturas mais famosas do mestre renascentista. O trabalho retrata o herói bíblico com realismo impressionante, sendo considerada uma das mais importantes obras do Renascimento e do próprio autor. A escultura encontra-se em Florença, na Itália, cidade que originalmente encomendou a obra. Ao término da sua escultura diz-se que o autor, maravilhado com o produto final, olhou-a e disse: - Parla! (- fala!).
                                                             Com respeito à Literatura, o romance de aventuras Guerra e Paz, de Liev Tolstoi (1828-1910), para mim, pode ser considerado a principal obra-prima.
                                                                 Em filosofia, creio que as três críticas de Immanuel Kant (1724-1804), Crítica da Razão Prática, Crítica da Razão Pura e Crítica do Juízo (ou do Julgamento), foram as obras-primas.
                                                                  Evidentemente, a todo momento estão surgindo novas obras ao redor do mundo e torna-se muito difícil, senão impossível, conhece-las todas, afim de separarmos as melhores e, dentre estas, elegermos aquelas que consideraríamos como verdadeiras obras-primas.
                                                                   No entanto, sempre que tomamos contato com uma destas obras, algo dentro de nós logo se manifesta, chamando a nossa atenção. É como se, também, fôssemos tocado pela mesma centelha divina que inspirou o seu autor a produzi-la.
                                                                     A própria genética é pródiga em produzir obras-primas, à revelia dos seres humanos e, talvez, também com a interferência divina, pois, ao combinar os genes de homens e mulheres, durante a procriação, costuma, por vezes, produzir seres maravilhosos e belos que se destacam dos demais, sob os nossos pontos de vista estéticos e psicológicos. Tais seres podem ser considerados como verdadeiras obras-primas da Natureza, o mesmo ocorrendo com algumas espécies animais e vegetais de rara beleza e perfeição.
                                                               Tratar-se-ia do belo como perfeição sensível; isto é, do prazer que acompanha a atividade sensível. Segundo Kant, em Crítica do Juízo, “aquilo que agradaria universalmente e sem conceitos”. Segundo o mesmo autor, na obra citada: “Cada um chama de agradável o que o satisfaz; de belo o que lhe agrada; de bom o que aprecia ou aprova, aquilo a que confere um valor objetivo. O prazer também vale para os animais irracionais; a beleza, só para os seres humanos em sua qualidade de racionais; mas, não só por isso, por serem, também, ao mesmo tempo, animais”.
                                                          Mas, voltando ao cerne da questão, da mesma forma que as religiões afirmam que o Criador, de tempos em tempos, envia às suas criaturas emissários (ou profetas) encarregados de explicar e divulgar as coisas do espírito e da eternidade (como fizeram Moisés, Cristo, Maomé, Sidarta Gautama, Confúcio, etc.); bem como, para corrigir eventuais desvios das suas criaturas com relação a estes temas, creio que o Criador também é responsável por estas obras–primas que, de tempos em tempos, surgem pelas mãos de artistas, de cientistas e de filósofos. 
                                                          Quando menos seja, tais autores, com certeza, receberam suas inspirações de origem divina; posto que, foram os únicos capazes, como dizia Friedrich Nietzsche, de respirar ares de altitudes que os mortais comuns não conseguem atingir... 


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.


sexta-feira, 8 de junho de 2018

225. A Ineptocracia brasileira


Jober Rocha*

 


                                      Os dicionários definem a Ineptocracia como o sistema de governo onde os menos capazes de liderar são eleitos pelos menos capazes de produzir e no qual os membros da sociedade, com menos chance de se sustentarem ou de obterem sucesso, são recompensados com bens e serviços pagos pela riqueza confiscada de um número cada vez menor de produtores, acrescida dos impostos cobrados, cada vez de um número maior de cidadãos.
                                                        Muitos leitores brasileiros já terão percebido ser este o sistema de governo dominante em nosso país, em que pese se sobrepor ao mesmo o sistema conhecido como Cleptocracia (um termo de origem grega, que significa, literalmente, governo de ladrões, cujo objetivo seria o do roubo do capital financeiro de um país e do seu patrimônio).
                                                            Tratar-se-ia, assim, daquilo que na Teoria Matemática dos Conjuntos é definido como sendo dois Conjuntos Iguais; isto é, quando todos os elementos de um conjunto pertencem também ao outro. A intercessão entre estes dois conjuntos (ineptocracia e cleptocracia) seria completa; ou seja, estariam eles superpostos.
                                                        A ideia não é recente, até porque já foi apontada anteriormente pela escritora e filósofa Ayn Rand, ao afirmar:
- Quando você perceber que, para produzir, precisa de obter a autorização de quem não produz nada; quando você comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais do que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que a sua sociedade está condenada.
                                                         Nosso país, ao longo das duas últimas décadas, foi tomado de assalto por estes nefastos sistemas ineptocratas e cleptocratas, que tanto prejuízo nos causaram. Inicialmente, tais grupos de assalto a invadirem as nossas defesas democráticas, poderiam, eventualmente, até ser independentes um do outro, tratando-se de conjuntos disjuntos (quando não se interceptam; isto é, quando, matematicamente falando, os elementos de um conjunto nada têm a ver com os do outro); porém, em razão das idiossincrasias e dos jeitinhos brasileiros, os dois conjuntos acabaram se juntando, como a pólvora e a centelha, para detonar a grande explosão de incompetência e ganância que quase destruiu o país e que desorganizou totalmente as nossas instituições, de tal sorte que necessitaremos de muitos anos para nos recuperar, caso isto ainda seja possível.
                                                        Todos os meus leitores, brasileiros ou não, já tomaram conhecimento da Operação Lava a Jato, que desbaratou os esquemas de desvio de recursos públicos promovido ao longo das duas últimas décadas, por políticos, executivos e empreiteiros de obras. Muitos envolvidos foram condenados e alguns estão presos. Dezenas de outros inquéritos policiais estão, ainda, em andamento e deverão produzir seus frutos nos próximos anos, caso a avassaladora onda moralizadora que domina a atualidade brasileira, e é conduzida por um ex - capitão do Exército Brasileiro e hoje deputado federal chamado Jair Bolsonaro, candidato a Presidência da República, se mantenha no futuro. Se nas próximas eleições a esquerda venal alcançar, de novo, o poder, todo o esforço da Lava a Jato poderá ir por água abaixo com a libertação ou o indulto presidencial dos criminosos já presos e com o fim dos inquéritos ainda em andamento.
                                                              O fato é que não se pode conduzir os destinos de um país continental como o nosso, que aspirava a ser uma potência mundial, com pessoas incompetentes na direção e na gerência das instituições governamentais. Da mesma forma, não se pode estender os frutos do progresso e do desenvolvimento a todos os cidadãos, com uma elite cleptocratica que os desvia, inexoravelmente, para os seus próprios bolsos.
                                                                 No Brasil atual, os analistas honestos não veem traços de democracia e sim da social democracia. Em nosso país a ineptocracia e a cleptocracia buscam beneficiar o Estado e não a sociedade, proteger a corrupção e a impunidade e não os cidadãos. As nossas leis são ineficazes, defendem e abrigam o sistema e os corruptos. Trata-se de um sistema controlador, manipulador e quase tirano.
                                                          Qualquer observador pode constatar que o povo brasileiro perdeu muito da sua honra e do seu patriotismo, talvez pelas políticas gramscistas que foram maquiavelicamente adotadas nas duas últimas décadas, com o intuito de corromper a nossa sociedade. Muitos brasileiros já deixaram o país e inúmeros outros planejam fazê-lo tão logo possam.
                                                      O gramscismo, todos sabem, se trata de uma mudança na cultura da sociedade em direção ao socialismo, para, mais tarde, poder ser feita uma revolução comunista e, através dela, os esquerdistas assumirem o poder. A coisa é planejada e executada de tal forma que o povo, inocente e despolitizado, pense que é a sociedade que está mudando e quer o comunismo, quando, na realidade, são eles que estão preparando todos para uma revolução, através da qual se perpetuarão no poder, extinguindo a democracia e suprimindo as liberdades individuais.
                                                       No nosso caso, a ineptocracia e a cleptocracia estavam ideologicamente atreladas à doutrina comunista, já que em regimes totalitários torna-se mais fácil a dominação popular e a manipulação dos recursos do Estado em benefício próprio.
                                                             Felizmente para os cidadãos de bem, e infelizmente para eles, a trama foi descoberta e uma equipe patriótica composta por delegados, promotores e juízes, através de um competente e incansável trabalho de investigação, conseguiu levar muitos deles as barras dos tribunais e ao cárcere.
                                                              Todavia, o mal já havia sido feito. O país já estava à beira da falência, com estatais quebradas, Estados da Federação falidos (sem conseguir pagar salários ao funcionalismo), patrimônios públicos alienados para empresas estrangeiras, empresas privadas fechadas, forças armadas sucateadas, milhões de desempregados (13,7% ou cerca de 14 milhões de trabalhadores).
                                                             Trata-se, agora, de tentar evitar que o mal se mantenha ou se propague. Nossas próximas eleições presidenciais, em outubro deste ano, serão cruciais para o destino do país.
                                                         A eventual vitória da esquerda selará, definitivamente, o nosso destino de país e de povo subdesenvolvidos. Este é o exemplo que vemos na Venezuela, país vizinho que implantou um regime socialista bolivariano e cujos habitantes, em decorrência, hoje passam fome, estão desempregados, a inflação é monumental, e aqueles cidadãos que conseguem e podem fogem para os Estados brasileiros do Norte e do Nordeste, onde pedem asilo político.
                                                         Um simples exemplo deste caos mencionado, neste nosso país comandado pela mencionada ineptocracia, pode ser visto, por exemplo, ao contemplarmos as notícias do dia, de hoje mesmo, na imprensa brasileira e que são:

. Mercado brasileiro de soja permanece travado e sofrendo com o retrocesso do tabelamento dos fretes;
. Dólar dispara em meio a pessimismo com eleições; isto é, a provável vitória de Bolsonaro, candidato moralizador, nas pesquisas;
. Brasil em alerta para surto de dengue, zika e chicungunha;
. O Pré-sal brasileiro foi vendido a preço de banana;
. A China impõe medidas antidumping sobre a importação de frangos brasileira. Vai impor tarifas de 34% ao frango brasileiro;
. Um Partido político pede a soltura de ex dirigente, preso por corrupção, alegando que se não o soltarem o caos social vai aumentar;
. O Presidente da República é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal - STF, investigado por suspeitas de ter recebido suborno para promulgar decretos que beneficiariam empresários do setor portuário e favorecer empresa empreiteira do setor de construção de obras públicas;
. Dos vinte e seis Estados da Federação, dezoito dão prejuízos e oito dão lucros;
. Em meio ao caos, a família imperial do Brasil sonha em voltar a reinar. Com 77 anos, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, príncipe imperial do Brasil, acredita que o caos vivido pelo país só tem uma solução: a volta de sua família ao poder;
. Distribuidores brasileiros de combustível afirmam, acerca da imposição do controle de preços no país: A Venezuela começou assim;
. O voto impresso, que havia sido aprovado pelo congresso, é suspenso pelo Supremo Tribunal Federal. Considerado como principal medida para garantir a lisura das eleições, sem ele a possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas é imensa, razão pela qual só é adotado em três países no mundo: Brasil, Cuba e Venezuela. A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais defendeu a inspeção dos votos, afirmando que o sistema eletrônico está sujeito a falhas e o voto impresso aumentaria substancialmente a segurança dos pleitos.
. Da malha ferroviária brasileira, com 28 mil quilômetros de extensão, cerca de 30 por cento estão inutilizados e, destes, 23 por cento sem condições de serem novamente colocados em operação;
. Um senador brasileiro (e o Brasil possui 81) recebe, mensalmente, os seguintes benefícios: R$ 34 mil de salário; R$ 4 mil de auxílio moradia; R$ 15 mil para despesas diversas; até R$ 6 mil para despesas de correios; até R$ 24 mil para passagens aéreas; 25 litros de gasolina por dia; após completar seis meses de mandato tem direito a plano de saúde ilimitado e vitalício, para ele e a família; após seis meses de mandato pode se aposentar com o salário integral; pode indicar 52 pessoas para assessores, sem a necessidade de concurso e sem experiência prévia. As despesas totais do senado divididas pelos 81 senadores, evidenciariam que cada um deles custa aos cofres da nação cerca de R$ 30 milhões por ano. Este montante que custa um senador daria para custear os salários de 250 médicos ou 550 policiais ou 650 professores por um ano.
Verifiquemos, agora, os deputados. Cada um dos deputados brasileiros custa cerca de R$ 2 milhões por ano. São, no total, 515 deputados a um custo aproximado de R$ 1 bilhão por ano. Grande parte destas benesses e ‘mordomias’ mencionadas vigoram, também, nos demais poderes da república. Para fechar um orçamento deficitário, ao invés de efetuar cortes de pessoal e de benesses, as autoridades aumentam a carga tributária, já uma das mais elevadas do mundo.
. Uma proposta tramitando em regime de urgência na Câmara dos Deputados aprovou a PLP 137/2015, que prevê a criação de mais de 200 novos municípios. Isto representará 200 novos prefeitos e vice-prefeitos, além de vereadores, prefeituras, assembleias legislativas, motoristas, funcionários, secretários, guardas municipais, assistentes, assessores, etc.

                                               Estas foram algumas das notícias da imprensa de hoje. E as de ontem? E as de amanhã? O que o futuro nos reservará?
                                              Que falta nos faz Michel de Nostradamus...


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

224. Atualizando fábulas antigas


Jober Rocha*



                                        As fábulas são composições literárias curtas, escritas em prosa ou versos, em que os personagens são animais falantes que apresentam características antropomórficas.
                                                             Muito presente na literatura infantil e tão ao gosto de Esopo, escravo grego que a desenvolveu; La Fontaine, grande divulgador das fábulas de Esopo; Sá de Miranda; Diogo Bernardes; Bocage e Monteiro Lobato, são elas, também, uma das melhores maneiras de fazer com que as pessoas reflitam sobre um determinado pensamento.
                                                                Assim além de ser uma ótima forma de entretenimento, a moral da história acaba sendo o momento perfeito para dar uma lição aos leitores, ensinando-lhes os valores morais tão escassos em qualquer época, notadamente na atual.
                                                                  Em vista disso, resolvi adaptar algumas das antigas fábulas mais conhecidas, para os dias de hoje, e as narrarei a continuação, substituindo, entretanto, os animais por personagens.
                                                         Que os leitores avaliem a pertinência da ideia e, também, se os jovens atuais poderão delas extrair algumas lições morais, que os induzam a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa.

1.    Fábula do trabalhador e do político
  
Uma vez, ao chegar o inverno, um político que estava morto de fome (coisa está que só ocorre em fábulas) se aproximou à porta de um trabalhador, em um longínquo país, pedindo comida. Face ao seu pedido, o trabalhador respondeu fazendo a seguinte pergunta:
- Por que durante o verão você não fez uma reserva de alimentos como eu fiz?
O político respondeu:
- Estive cantando alegremente o tempo todo e desfrutando do verão plenamente, viajando pelo país e pelo exterior em companhia de um amigo empreiteiro de obras públicas. Se soubesse como seria duro o inverno...!
O trabalhador, então, lhe disse:
- Enquanto eu trabalhei duro durante o verão inteiro, para ter as provisões e poder passar o inverno tranquilamente, você perdeu o tempo todo cantando e viajando a passeio com seu benfeitor empreiteiro. Assim, que você agora continue cantando, dançando e viajando! E que não seja reeleito nas próximas eleições...

Moral: Quem quiser passar bem pelas privações, enquanto for jovem e puder trabalhar, mesmo sendo um político, deve aproveitar melhor o seu tempo. Existe tempo para se divertir (passeando com os gordos salários dos três poderes da república) e para trabalhar como qualquer cidadão comum pagador de impostos.

2. A fábula do empreiteiro e do edital de concorrência

 
Um empreiteiro, morto de vontade de fornecer para o Estado, viu, ao passar diante do prédio de um Ministério, na capital federal de um distante país, pendurados no quadro de avisos, editais de concorrências públicas, alguns deles de valores bastante expressivos e, o mais importante de tudo, sem ninguém a contemplá-los.
Não pensou duas vezes: depois de certificar-se que o caminho estava livre de intrusos, resolveu apanhar o seu alimento; isto é, surripiar os editais ali afixados, para que nenhum outro empreiteiro participasse daquelas concorrências, por desconhecê-las, e ele fosse o único participante das licitações.
Usou de todos os seus dotes, conhecimentos e artifícios para apanhar os editais, mas, como estavam muito alto e fora do seu alcance (e ademais sob a vigilância constante de um guarda), acabou cansando-se em vão e nada conseguiu, desistindo da empreitada.
Desolado, cansado, faminto, frustrado com o insucesso de sua tentativa, suspirando, encolheu de ombros e deu-se por vencido.
Deu meia volta e foi saindo, desapontado, dizendo:
“Os editais, afinal, estão verdes, não me servem…”
Quando já estava indo embora, um pouco mais à frente, escutou um barulho, como se alguma coisa tivesse caído no chão. Voltou correndo pensando serem os editais.
Mas, quando chegou lá, sua decepção foi total. Era apenas uma folha de papel que havia caído do quadro de avisos. O empreiteiro, desolado, virou as costas e foi-se embora de novo.

Moral: É fácil desdenhar daquelas concorrências públicas das quais não conseguimos participar pelas mãos de algum político amigo...

3. A fábula do político e do eleitor

Próximo da capital federal, de um determinado país distante, um eleitor estava bebendo água em um riacho. O terreno era inclinado e, por esta razão, havia uma forte correnteza. Quando o eleitor parou de beber e levantou a cabeça, avistou um político também bebendo da água.
- Como é que você tem a coragem de sujar a água que eu bebo - disse o político, que estava alguns dias sem receber propina e procurava algum eleitor desavisado para matar a sua raiva.
- Senhor - respondeu o eleitor - não precisa ficar com raiva porque eu não estou sujando nada. Daqui de onde bebo, uns vinte passos mais abaixo, é impossível acontecer o que o senhor está falando.
- Você agita a água - continuou o político ameaçador - e sei que você andou falando mal de mim no ano passado.
- Não é verdade - respondeu o eleitor – pois no ano passado eu ainda não tinha vindo do Norte do país para a capital federal. O político pensou um pouco e disse:
- Se não foi você foi seu irmão, o que dá no mesmo.
- Eu não tenho irmão - disse o eleitor - sou filho único.
- Alguém que você conhece, algum outro eleitor, um trabalhador de obras ou um dos vigias que cuidam dos edifícios em construção aqui na capital, e é preciso que eu me vingue.
Então ali, dentro do riacho, no fundo daquela mata, o político saltou sobre o eleitor, agarrou-o bem forte com as mãos e o levou para a sede do partido, para doutriná-lo em um lugar mais sossegado, sabendo que, por ter foro especial, nada lhe aconteceria em razão daquela violência contra o eleitor.

Moral: A razão do político mais forte, e que possui foro especial ou privilegiado, é sempre a melhor.


4. A fábula do ministro e do secretário

Certo dia em uma determinada capital federal de um longínquo país, durante o expediente, estava um ministro a dormir a sesta quando um simples secretario começou a arrumar a mesa de trabalho deste.
O ministro, acordando do longo sono, colocou ambas as mãos no pescoço do secretário, abrindo a bocarra e preparando-se para espinafrá-lo.
- Perdoa-me! - Gritou o secretário.
- Perdoa-me desta vez e eu nunca o esquecerei. Quem sabe se um dia não precisarás de mim?
O ministro ficou tão divertido com esta ideia que levantou a pata e o deixou partir.
Dias depois o ministro caiu numa armadilha montada pelos investigadores da Polícia Federal, que apuravam corrupção no ministério. Como os policiais o queriam oferecer vivo ao Ministério Público, amarraram-no a uma árvore e partiram à procura de um meio para o transportar (vale lembrar que, em razão de uma greve de caminhoneiros, a polícia estava sem combustível naquela ocasião).
Nisto, apareceu o secretário, vindo não se sabe de onde. Vendo a triste situação em que o ministro se encontrava, roeu, disfarçadamente, as cordas que o prendiam.
E foi assim que um simples secretário, pequenino, salvou a vida e a reputação de um ministro, todo poderoso na corte.

Moral: Não devemos subestimar os outros, mesmo que eles tenham a estatura e fraqueza de um rato e nós tenhamos o tamanho e o poder de um leão.


5. A fábula do juiz e do prisioneiro mentiroso

- Nobre Juiz, encarregado de promover a justiça nos ares, nos mares e no território deste imenso país, por favor, não venha a mandar investigar os meus pimpolhos!
Assim implorou um dia um político, contumaz mentiroso, preso em uma cela na masmorra do castelo de um distante país, ao Meritíssimo juiz, de uma vara federal que o havia mandado prender.
Pensando um pouco, o juiz, que tinha bom coração, declarou: - Sim, respeitarei os teus ‘corujinhos’.
- Basta que os mostres ou me descrevas como são.
Com medo de exibir o seu apartamento tríplex, onde vivia com a família, o político se explicou: - São os filhotes mais lindos e rechonchudos do mundo, bem como os mais pobres!
E lá se foi o preso, continuar a ler o seu livro de cabeceira na prisão, enquanto o juiz foi analisar depoimentos e fazer o cruzamento de informações.
Em pouco tempo o juiz encontrou indícios do envolvimento de diversas pessoas, ligadas ao citado político, em atos de corrupção.
Ao invadir o luxuoso tríplex, com a equipe de policiais e procuradores, o juiz encontrou três jovens feios, porém muito bem vestidos e ostentando joias caríssimas, jogando cartas e bebendo uísque. Tendo olhado bem para eles, pensou consigo mesmo:
- Essas miniaturas de dinossauro sem penas não podem ser os filhos do político que está preso!
E, assim, mandou que os prendessem e interrogassem.
 Quando o político soube da prisão, soltou gritos desesperados e pediu ao carcereiro para falar com o juiz.
Este, ao encontra-lo na cela, replicou:
- Você disse que os seus filhos eram os mais lindos e os mais pobres do mundo!
- Se tivesse sido honesto comigo e falado a verdade, na certa eu os teria poupado!

Moral: Quem ama o feio (e costuma mentir para todo mundo), o bonito lhe parece (mas perde toda a credibilidade).


6. A fábula do Conselho dos Políticos

Os políticos corruptos, de determinado país distante, resolveram organizar um conselho com a intenção de decidir qual seria a melhor estratégia para que pudessem saber, com antecedência, quando o pior inimigo deles, nesse caso a Polícia Federal, estivesse por perto.
Dentre as muitas ideias que foram apresentadas, uma delas, que logo foi aprovada por unanimidade, sobressaia entre as demais. Ela sugeria que votassem, rapidamente, uma lei obrigando os agentes policiais federais a usarem um sino ou um guizo pendurado no pescoço.
Assim, ao escutarem o tilintar do mesmo, todos os políticos poderiam correr, a tempo e em segurança, para seus esconderijos.
De fato, aquele extraordinário plano, por aclamação, agradou a todos ali presentes. Mais do que isso, sentiram-se orgulhosos e extasiados por serem capazes de conceber tão criativa e prática solução.
E eis que um velho e sábio político nordestino ali presente (que já se encontrava em seu sétimo mandato), então, questionou: 

- Meus amigos, percebo que o plano é realmente muito bom; mas, caso eles não queiram colocar os sinos, quem dentre nós irá prende-los nos pescoços dos policiais?

Moral: Se um bom conselho político não se mostra viável, trata-se apenas de um mal conselho político...


7. A fábula do empresário avarento


Um empresário avarento, de um determinado país distante, tinha enterrado um pote de ouro num lugar secreto do seu jardim. E todos os dias, antes de dormir, ele ia até aquele local, desenterrava o pote e contava cada moeda de ouro para ver se estava tudo lá.
Ocorre que de tanto repetir aquelas viagens ao mesmo ponto, um político vizinho que já o observava há bastante tempo, curioso para saber o que o empresário avarento estava escondendo, veio na calada da noite e, secretamente, desenterrou o tesouro levando-o consigo.
Quando o empresário avarento descobriu sua grande perda, foi tomado de aflição e desespero e caiu em prantos.
 Ele gemia e chorava, enquanto puxava os poucos cabelos que ainda lhe restavam, maltratados pela absoluta falta de cuidados. Alguém que passava pelo local, ao escutar seus lamentos, quis saber o que acontecera.
- Meu ouro! Todo meu ouro... - chorava inconsolável o avarento.
- Alguém o roubou de mim!
- Seu ouro? Ele estava nesse buraco? Por que você o colocou aí? Por que não o deixou num lugar seguro, como dentro de casa, onde poderia mais facilmente pegá-lo quando precisasse comprar alguma coisa? – Questionou o passante.
- Comprar? - Exclamou furioso o Avarento.
- Você não sabe o que diz. Ora, eu jamais usaria aquele ouro. Nunca pensei de gastar dele uma peça sequer... - exclamou o avarento.
Então, o estranho pegou uma grande pedra e, jogando-a dentro do buraco vazio, disse:
- Se é esse o caso, enterre então essa pedra. Ela terá o mesmo valor que tinha para você aquele tesouro que perdeu...

Moral: O Valor de qualquer coisa é definido por sua utilidade; razão pela qual, não se deve querer ganhar dinheiro a qualquer preço, como fazem os corruptos, as custas da própria honra e dignidade pessoal.



8. A fábula do jovem estagiário

Um jovem estagiário de alguma coisa, ao encontrar caído ao solo por onde passava um crachá de deputado, resolveu então colocá-lo sobre o próprio peito e entrar em um prédio público qualquer, em um país distante e isolado do resto do mundo.
Feito isso, vagava pelos corredores do prédio, divertindo-se com a impressão que causava aos passantes que ia encontrando pelo caminho. Falava alto, tentando intimidar os presentes, como se uma autoridade fosse.
Por fim, ao deparar-se com um velho pensionista que por ali passava tentou, também, amedrontá-lo. Mas o pensionista, velho frequentador daquele prédio aonde ia regularmente fazer prova de que ainda continuava vivo, tão logo escutou o som de sua voz e depois de examiná-lo de cima a baixo, deu dois passos para trás e exclamou com indisfarçável ironia:
- O senhor quer saber de uma coisa? Eu certamente teria me assustado com a sua presença, pensando tratar-se de uma autoridade; isto, se antes não tivesse escutado o seu inconfundível Zurro, comum a maioria dos políticos deste país, e visto o seu crachá, que apenas veio confirmar o meu julgamento inicial...

Moral
: Um tolo pode se esconder por detrás das aparências e dos cargos que eventualmente venha a ocupar; mas, logo, as suas palavras acabarão por revelar a todos quem ele verdadeiramente é...


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.