domingo, 21 de janeiro de 2018


163. Qual é o caminho, afinal?**




Jober Rocha*





                                 Todos nós, logo que atingimos a idade da razão, buscamos um caminho filosófico que, conjugando nossas preocupações de ordem metafísicas às nossas características psicológicas e sociais, permita que vivamos nossas vidas sem nos desesperarmos por desconhecer as respostas às três questões fundamentais da existência humana, formuladas, há muito, pelos primeiros filósofos gregos e jamais respondidas, nem pelos oráculos nem pelos adivinhos, relativas ao caminho que nos conduzisse a sanar à eterna dúvida acerca de: quem somos nós, de onde viemos e para onde vamos?
                                                Muito já se escreveu, no Ocidente, tentando mostrar qual seria esse caminho; tanto filosoficamente quanto religiosamente (no judaísmo, no islamismo e no cristianismo); mas, como sempre se tratou de escritos feitos por mãos humanas, sem a participação direta do Criador (que a respeito deste tema jamais proferiu uma única palavra; embora os humanos vinculados a correntes religiosas, que sobre o assunto deixaram algo por escrito, quase sempre, alegassem terem sido inspirados por Ele), a credibilidade daquilo que escreveram não tem sido suficiente para encerrar satisfatoriamente e em definitivo as discussões sobre a matéria.
                                              No Oriente, a predominância histórica das religiões sobre a Filosofia, bem como a utilização de línguas com estruturas totalmente diferentes em relação às línguas ocidentais, por exemplo, gerou uma visão de mundo oriental bem distinta em relação à visão de mundo ocidental. A filosofia oriental, talvez em razão do panteísmo que caracteriza as religiões ali difundidas (Hinduísmo, Budismo, Taoismo e Xintoísmo), por sua vez, também não marca de modo tão nítido as oposições que caracterizam a cultura ocidental, como, por exemplo, os conceitos de inteligível versus sensível; os de divino versus humano; os de cultura versus natureza; os de mente  versus corpo; os de espírito versus matéria e os de lógico-racional  versus estético-intuitivo. O presente ensaio, portanto, refere-se, tão somente, a visão ocidental do caminho incessantemente procurado.
                                                O fato é que, na medida em que o tempo tem avançado, ao invés de nos aproximarmos da verdade; isto é, do conhecimento que as respostas a estas três perguntas anteriores encerram, parece que nos afastamos, cada vez mais, dela. 
                                                 As populações ocidentais da atualidade ou tornaram-se tão materialistas que as respostas a tais perguntas já não mais lhes interessam e nem mesmo importam conhecer, ou tornaram-se tão fanáticas e radicais que aceitam as respostas simples (e de certa forma infantis) fornecidas por teólogos e pensadores religiosos que, sempre, falaram por si mesmos, ao apontar o caminho a seguir; embora, frequentemente, se utilizem do nome do Criador para dar credibilidade a tudo àquilo que dizem. No entanto, intimamente, o que todos os humanos sempre desejaram e ainda desejam, é atingir a felicidade, mesmo que seja a custa de desconhecer as respostas a estas três perguntas mencionadas anteriormente. 
                                                Os verdadeiros filósofos, em geral, identificam a denominada felicidade com a obtenção do conhecimento; os religiosos a identificam com uma vida virtuosa que conduza a uma convivência próxima do Criador em nova existência, após a morte. Os cientistas religiosos talvez a identifiquem com um pouco de ambas e os cientistas ateus com o sucesso financeiro e profissional.
                                             A Filosofia ocidental, ao longo da sua história, tem apontado alguns desses caminhos que poderiam ser trilhados pelos seres humanos, desejosos de atingir a felicidade mesmo sem conhecer a verdade. Todos os caminhos para a felicidade, apontados por ela, adquiriram adeptos, uns mais e outros menos; todavia, parece que consistiram em simples modismos, pois, com o decorrer do tempo, foram perdendo seguidores até passarem a fazer, apenas, parte da História da Filosofia. Em continuação apresentarei, superficialmente, alguns dos mais conhecidos; posto que vários destes caminhos já foram tratados em textos anteriores deste mesmo blog. Creio que esta apresentação inicial é importante, para que os leitores compreendam as conclusões a que cheguei ao final do texto.
                                     Uma das primeiras sendas para encontrar a felicidade, apontadas pela Filosofia, consistiu no Epicurismo, que se tratava de um sistema filosófico proposto pelo filósofo Epicuro (341 a.C - 271 a.C), conhecido como “Profeta do prazer e da amizade”, que pregava ‘a procura dos prazeres moderados, para atingir um estado de tranquilidade e de libertação do medo, com a ausência de sofrimento corporal, pelo conhecimento do funcionamento do mundo e da limitação dos desejos’. Quando os desejos fossem exacerbados, segundo ele, 'poderiam ser fonte de perturbações constantes, dificultando o encontro da felicidade, que consistiria em manter a saúde do corpo e a serenidade do espírito'.
                                                A finalidade da filosofia de Epicuro não era teórica, mas bastante prática. Ela buscava, sobretudo, ‘encontrar o sossego necessário para uma vida feliz e aprazível, na qual os temores perante o destino, os deuses ou a morte, estariam definitivamente eliminados’.  Epicuro defendia que 'nada estava além dos nossos sentidos e que não existiria nenhuma realidade que não pudesse ser entendida com auxílio dos nossos cinco sentidos, princípio este denominado naturalismo radical'. 
                                                 Epicuro pregava, ainda, que 'os deuses existiam, mas não estavam preocupados conosco’. Se os deuses não se encarregavam de nosso destino, benção ou maldição; caberia a nós mesmos esta responsabilidade. A felicidade ou o sofrimento dependeria, portanto, das escolhas de cada um. 
                                                   Em sua época, e mesmo posteriormente, Epicuro possuía muitos discípulos e seguidores.
                                                 Outro caminho proposto pela escola helenística, na mesma época, foi o Estoicismo, criado por Zenão de Citio (334-262 a.C), que apresentava uma visão unificada do mundo, consistindo de uma lógica formal, uma física não dualista e uma ética naturalista.  Os estoicos enfatizavam a ética como o foco principal do conhecimento humano. O estoicismo ensinava o desenvolvimento do autocontrole e da firmeza, como um meio de superar emoções destrutivas. Defendia que ‘tornar-se um pensador claro e imparcial, possibilitava compreender a razão universal (logos)’. Um aspecto fundamental do estoicismo envolvia a melhoria da ética do indivíduo e de seu bem-estar moral: 'A virtude consistia em um desejo que estava de acordo com a natureza'. Este princípio também se aplicava ao contexto das relações interpessoais; ‘libertar-se da raiva, da inveja e do ciúme e aceitar, até mesmo, os escravos como iguais aos outros homens, porque todos os homens são igualmente produtos da natureza’.
                                         A ética estoica defendia uma perspectiva determinista. Um estoico virtuoso alteraria a  vontade própria para se adequar ao mundo e permanecer, nas palavras de Epiteto, ‘doente e ainda feliz; em perigo e ainda assim feliz; morrendo e ainda assim feliz; no exílio e feliz; na desgraça e feliz’; assim afirmando um desejo individual ‘completamente autônomo’ e, ao mesmo tempo, um universo que é ‘um todo rigidamente determinista’.
                                                O estoicismo acabou por tornar-se a filosofia mais popular entre as elites educadas do mundo helenístico e do Império Romano.
                                             Outro dos caminhos consistia no Ceticismo, proposto por Pirro de Elis (360-275 a.C), que era tanto uma escola de pensamento filosófico quanto um método que atravessava disciplinas e culturas. Muitos céticos examinavam criticamente os sistemas de significado de sua época, e este exame muitas vezes resultava em uma posição de dúvida. 
                                                 O cético era aquele que, insatisfeito com as irregularidades do mundo em que vivia, saia procurando explicações que o levassem a verdades sobre como entender e resolver estas irregularidades. De posse da verdade o cético esperaria alcançar, enfim, paz de espírito. Porém nenhum sistema filosófico que ele havia estudado tinha sido capaz de lhe proporcionar qualquer certeza absoluta sobre os objetos de estudo. Ainda por cima, para todo sistema dogmático que afirmava ter descoberto a verdade, havia sempre outro sistema dogmático, oposto ao primeiro e igualmente convincente (antilogia), que também dizia ter encontrado a verdade. Diante destas contradições e incertezas, e dada, até então, a impossibilidade de alcançar uma explicação absolutamente verdadeira, o cético decidia-se por suspender seus juízos sobre o que quer que fosse, encontrando, com isso, a paz de espírito, que antes ele esperava alcançar através da posse da verdade. 
                                                 Outro caminho proposto foi o Cinismo, criado por Antistenes (445-365 a.C). Para os cínicos, ‘o propósito da vida era viver na virtude, de acordo com a Natureza’.
                                               O cinismo se espalhou durante a ascensão do Império Romano, no século I, quase se tornando um movimento de massas, e, assim, os cínicos eram encontrados pedindo dinheiro e pregando ao longo das cidades do império. A doutrina finalmente desapareceu no final do século V, embora alguns afirmem que o cristianismo primitivo adotou muitas de suas idéias ascéticas e retóricas.  
                                                      Por volta do século XIX, a ênfase sobre os aspectos negativos da filosofia cínica, levou ao entendimento moderno de cinismo; ou seja, significaria uma disposição de descrença na sinceridade ou bondade das motivações e ações humanas, e como uma caracterização das pessoas que desprezam as convenções sociais. Para encorajar as pessoas a renunciarem aos desejos criados pela civilização e convenções, os cínicos, de então, empreenderam uma cruzada de escárnio anti-social, buscando, assim, demonstrar as frivolidades da vida social. 
                                                      O cinismo foi uma das filosofias mais marcantes de toda a época helenística. O cinismo oferecia às pessoas a possibilidade de felicidade e liberdade do sofrimento em uma época de incertezas. Embora nunca tenha havido uma doutrina cínica oficial, os princípios fundamentais do cinismo podem ser resumidos da seguinte forma: 

1. O objetivo da vida era a felicidade e a clareza ou lucidez - significando libertação da nebulosidade, que, por sua vez, significava ignorância, inconsciência, insensatez e presunção.
2. A arrogância era causada por falsos julgamentos de valor, que causavam emoções negativas, desejos não naturais e um caráter vicioso.
3. O desenvolvimento humano dependia de auto-suficiência e indiferença para com as vicissitudes da vida 
4. Evoluía-se através de práticas ascéticas que ajudavam o indivíduo a tornar-se livre de influências - tais como riqueza, fama ou poder - que não tinham valor na natureza. 
5. A sabedoria maior consistia na ação, não apenas no pensar.
                                             Assim, um cínico não tinha bens e rejeitava todos os valores convencionais de dinheiro, fama, poder ou reputação. Viver de acordo com a Natureza requeria, apenas, as necessidades básicas para a existência e qualquer um poderia tornar-se livre, ao libertar-se de todas as necessidades resultantes das convenções.  

                                                      Vê-se, portanto, que tanto o povo quanto a elite do Império Romano já dispunham, desde aquela época, de conceitos filosóficos orientadores de seus pensamentos em busca da felicidade, conceitos estes que eles mesclavam com crenças religiosas sobre deuses, espíritos e demônios.
                                                         Com o fim do mundo helênico e o advento da Idade Média, a busca do caminho da felicidade desapareceu do horizonte da Filosofia. Estando relacionada à vida do homem neste mundo, ela não interessou aos filósofos cristãos que passaram a exercer influência sobre o pensamento dos europeus, a partir de então, como Agostinho de Hipona (354 d.C.- 430 d.C.), mais conhecido como Santo Agostinho; Anselmo de Canterbury (1033 - 1109) ou Tomás de Aquino (1225 - 1274); todos eles tornados santos, posteriormente, pela Igreja católica. Para a filosofia cristã, mais do que a felicidade, o que contava era a salvação da alma (que, implicitamente e sem que a primitiva psicologia se apercebesse, tratava da futura felicidade, não mais do corpo porém do espírito).
                                                 Alguns filósofos voltaram a se debruçar sobre o tema da felicidade na Idade Moderna. John Locke (1632 - 1704) e Leibniz (1646 - 1716), na virada dos séculos XVII e XVIII, e a identificaram com o prazer, um ‘prazer duradouro’. Algumas décadas depois, o filósofo iluminista Immanuel Kant (1724 - 1804), na obra ‘Crítica da Razão Prática’ definiu a felicidade como ‘a condição do ser racional no mundo, para quem, ao longo da vida, tudo acontece de acordo com o seu desejo e vontade’.

                                                  Outro caminho, cuja origem pode ser encontrada em Platão e no Cristianismo, consiste no Niilismo; muito embora, uma das primeiras menções ao termo tenha sido feita durante a Revolução Francesa para se referir àqueles que não eram nem a favor nem contra a revolução.
                                                A palavra Niilismo traduz um conceito que, por estar relacionado à Ética e à Moral (além de abranger restritamente a Filosofia e a Literatura), passou a alcançar também diferentes áreas do conhecimento humano, como a Ciência, a Arte, a Política, as Teorias Sociais, etc. Trata-se de um sentimento (ou de uma percepção) que acomete o indivíduo com relação à ausência de finalidade e de respostas ao porque da sua existência; isto é, refere-se à própria desvalorização do motivo de existir. Tal sentimento faz que os valores humanos sejam depreciados e os princípios que norteiam a vida social se dissolvam. 
                                           Um dos principais filósofos a estudar o Niilismo foi o alemão Friedrich Nietzsche (1844 - 1900); embora, depois dele, outros tantos tenham se ocupado deste tema (Spengler, Max Weber, Heidegger, Sartre e Albert Camus, por exemplo).
                                                Com relação a ausência de caminhos, que conduzam a explicações  ao ponto de responder de forma convincente as três perguntas formuladas no início (não respondidas, até hoje, de maneira comprovada, pela Religião e pela Filosofia) destaca-se, também, o  Ateísmo, num sentido amplo, que seria a ausência de qualquer crença  na existência de divindades. O ateísmo consistiria, portanto, no oposto ao teísmo, que, em sua forma mais geral, seria a crença de que existe, ao menos, uma divindade. Os ateus tendem a ser céticos com relação à afirmações sobrenaturais, citando, em defesa de suas convicções, a falta de evidências empíricas que provem as suas existências. Entretanto, segundo estudos realizados, apenas cerca de três por cento da população mundial se diz ateia. Com certeza existem ateus espiritualistas e, neste caso, o percentual mencionado deve ser mais elevado.
                                                  Por outro lado, da mesma forma que existem filósofos que acreditam em um Criador, há também filósofos que são ateus. Filósofos como Ludwig Feuerbach (1804-1872) e Sigmund Freud (1856-1939), sempre afirmaram que Deus e outras crenças religiosas seriam invenções humanas, criadas para atender às várias necessidades psicológicas e emocionais dos indivíduos.  
                                                  Freud estabeleceu o ‘Princípio do Prazer’, que, traduzido em outras palavras, seria  o desejo de gratificação imediata que acompanharia todos os indivíduos em suas ações. Tal desejo conduziria o ser humano a buscar o prazer e a evitar a dor, mais ou menos na mesma linha de raciocínio de alguns filósofos gregos mais antigos.  
                                                O ‘Princípio de Prazer’, por ele estabelecido, opor-se-ia ao ‘Princípio de Realidade’, que se caracterizaria pelo adiamento da gratificação do prazer. O ‘Principio da Realidade’ faria parte do amadurecimento normal do indivíduo, ao aprender a suportar a dor e adiar a gratificação do prazer. Ao fazer isso, ele passaria a reger-se menos pelo ‘Princípio do Prazer’ e mais pelo ‘Principio da Realidade’, embora, subjacente aos seus atos reinasse o prazer.
                                                  Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), influenciados pela obra de Feuerbach, argumentaram que a crença em Deus e na religião são funções sociais, utilizadas por aqueles no poder, para oprimir a classe trabalhadora. De acordo com Mikhail Bakunin (1814-1876), considerado um dos pais do Anarquismo, "a ideia de Deus implica a abdicação da razão e da justiça humanas; é a negação mais decisiva da liberdade humana, e, necessariamente, termina na escravização da humanidade, na teoria e na prática." Ele inverteu o famoso aforismo de Voltaire de que se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo, escrevendo que "se Deus realmente existisse, seria necessário aboli-lo”.
                                                  Em sua tese de doutorado pela Universidade Federal de Pernambuco, cujo título é ‘A Crítica da Religião em Marx: 1840-1846’, Romero Junior Venâncio Silva, destaca como primeiro aprendizado fundamental com os textos de Marx, a partir de 1840, que: 
                                         “Toda religião, qualquer religião que possamos imaginar, é uma realidade situada num contexto humano específico: um espaço geográfico, um momento histórico e um meio ambiente social concreto e determinado. Uma consequência obvia: toda religião é sempre uma invenção de seres humanos em determinado momento histórico. Uma religião que não seja de determinados seres humanos é algo inexistente, uma pura fantasia da imaginação”.
                                                         Em que pese todo o arcabouço filosófico – religioso – ateísta, descrito, tentando encontrar um caminho que explicasse e respondesse as três velhas questões da humanidade, creio que nenhuma das teorias existentes, até o momento, foi suficiente para satisfazer e acalmar a ânsia daqueles mais curiosos, como eu mesmo.
                                                          Ocorre que, sendo eu um ateísta espiritualista, deparei-me, no ano de 2005, com uma situação inusitada, que descreverei a seguir e que me deu a plena convicção da existência de uma continuação da vida, após a chamada morte:               "Durante a realização de uma cirurgia, que durou cerca de sete horas, vi-me, tão logo me colocaram na mesa de cirurgia, deixando o meu corpo, vendo a sala do alto e seguindo sozinho por um longo túnel. Ao final deste túnel me encontrei em um local todo de mármore, com belos jardins floridos e, pasmem (como eu também fiquei pasmado na ocasião), onde estavam inúmeros parentes e amigos já falecidos, ao lado de outras pessoas que eu desconhecia. O ambiente era de puro sentimento de amor, alegria e felicidade. Minha primeira reação foi a de pensar: -  Então a vida, realmente, continua. Estão todos vivos aqui!"
                                               "Não posso precisar quanto tempo estive ali, sentindo meus poros irradiarem amor e felicidade; mas, de repente, fui puxado por trás de forma firme e contínua". 
                                                "Reparei, então, que havia um cordão em volta da minha cintura; cordão este que havia sido puxado por alguém detrás de mim, não sei por quem. Vim caindo de costas por dentro do túnel inicial, até, finalmente, desabar em cima de algo. Abri meus olhos e deparei com enfermeiros retirando-me da maca e colocando-me no leito do CTI, onde passei a noite. Meu primeiro pensamento, logo a seguir (ainda me lembro bem dele), foi: - Voltei de novo para esta merda!"
                                                Desde então,caros leitores, convenci-me de que existe, realmente, a continuação da vida. Não sei onde e nem como esse processo é executado e com qual finalidade, mas lá o ambiente que pude perceber era de intenso amor, como jamais vi ou senti igual em toda a minha vida. Essa constatação permaneceu muito viva em minha mente durante meses seguidos e afastou o receio que eu tinha da morte. Evidentemente que ninguém deseja morrer, deixando pendentes tantos assuntos terrenos. Entretanto, posso afiançar com toda a convicção que: existe vida após a morte. Vida baseada, exclusivamente, em amor. Esta vida possui uma ordem e seres que a dirigem, não sei com qual finalidade. O fato de alguém possuir ou não alguma religião não me pareceu importante, pois jamais tive qualquer uma e me senti imensamente querido por todos que lá estavam.

                                                     Voltando, agora, ao questionamento do início deste ensaio: “Quem somos nós, de onde viemos e para onde vamos?”. Embora seja opinião de vários  filósofos de que, nós humanos e nossos cérebros, jamais estaremos em condições de compreender os mistérios da criação, creio, com respeito às três questões mencionadas no início, que posso afirmar com convicção que nós somos uma das inúmeras manifestações de vida, criadas e espalhadas pelo Universo. Viemos de um Principio Criador, que criou a nós e a tudo o mais existente no Universo. Vamos em direção à evolução, quer seja ela material ou espiritual.
                                                             Quanto ao porque disto tudo, a única explicação lógica que me ocorre é a seguinte: O Principio Criador, certamente, já existia antes da Criação do Universo. Que motivo o terá levado a criar um Universo, com várias espécies diferentes, em vários locais da sua criação? A única resposta que encontro é a da solidão e do tédio que, em determinada ocasião, pode ter passado a dominar este principio criador. De que valeria tudo poder, sem a presença de seres inteligentes que compartilhassem parte deste poder de criação? De que valeria tudo poder, sem nada poder em um Universo inexistente. Veja o leitor que solidão e tédio não são virtudes nem vícios, são, apenas, estados da alma ou condições do espírito. 
                                                            Da mesma forma que a solidão e o tédio podem ocorrer conosco, seres criados que carregam em si parte do Criador; com toda a certeza eles, também, poderão ocorrer com o Criador de todas as coisas e que tudo pode, pois da mesma forma que Ele está presente em nós, nós estamos presentes Nele. Qualquer ser inteligente ao criar alguma coisa, coloca nesta criação parte de si mesmo; isto é, as suas emoções, o seu estado de espírito no momento, as suas preocupações e temores, os seus anseios e esperanças, as suas habilidades; em suma, o seu próprio Eu interior. O Criador, da mesma forma, também deve possuir em Seu íntimo estes estados da alma (a solidão e o tédio) que inseriu em todas as suas criaturas; até porque, como Ele poderia entender e julgar as Suas criaturas sem possuir, Ele mesmo, a capacidade de entender as decisões destas, seus sentimentos e seus valores? 
                                                               Não devemos confundir solidão com o simples fato de estarmos sós; posto que, a primeira é um estado da alma (espírito enquanto encarnado) ou uma condição espiritual (dos espíritos enquanto desencarnados) e a segunda é uma realidade concreta.
                                                           O Criador de todas as coisas, não sendo uma Entidade material, mas, sim, espiritual, embora não possua vícios e possua todas as virtudes, também poderá possuir estas condições espirituais de solidão e tédio, comuns às almas e aos espíritos. 
                                                           Creio, assim, terem sido estes os sentimentos que motivaram o Princípio Criador a encetar esta monumental obra de criação do Universo conhecido, pois, se o Principio Criador já existia antes e existia só, alguma razão lógica deve ter havido para que desejasse deixar de ser só, ao encetar a magnífica obra da Sua criação. Se Ele estivesse totalmente feliz com Sua condição de ser só, não teria a necessidade de criar aquilo que não existia (e se não existia, era porque não havia sido necessário, até então). 
                                                           A razão última desta magnífica e monumental criação, portanto, em meu ponto de vista, sempre foi tão simples que jamais os seres humanos dela se deram conta; isto é, a solidão do Criador. Por outro lado, como em um jogo que nunca terminará, a possibilidade e a necessidade de evolução material e espiritual da criação forneceria o meio de minorar, ou eliminar, o eventual tédio do Criador (e também das suas próprias criaturas); posto que, a cada dia, estas condições materiais e espirituais estariam se modificando e tornando o Universo dinâmico e sempre diferente daquilo que fora anteriormente. Podemos imaginar como seriam tediosas as nossas existências, se jamais houvesse a possibilidade da evolução material e espiritual.


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

_**/ Ensaio



sexta-feira, 12 de janeiro de 2018


162.  A burocracia no Brasil: ou a eliminamos de vez ou ela comprometerá, inexoravelmente, o nosso futuro** 


Jober Rocha*



                              A maioria dos dicionários sintetiza o termo burocracia como sendo um conceito administrativo amplamente usado e caracterizado, principalmente, por um sistema hierárquico, com alta divisão de responsabilidades, onde seus membros executam, invariavelmente, regras e procedimentos padrões, como engrenagens de uma máquina. O termo também é usado com um sentido pejorativo, significando uma administração com muitas divisões, regras e procedimentos redundantes, desnecessários ao funcionamento do sistema.
                                 A burocracia pode se instalar, na administração publica e privada, de forma natural (primeiro sentido do dicionário) ou de maneira forçada (segundo sentido, pejorativo).
                                No primeiro destes casos ela costuma se instalar por necessidade, quando os agentes públicos e privados, considerados em princípio como de índole honesta, se defrontam com empregados e com um público, eventualmente, desonestos. Neste caso, se torna necessário o estabelecimento de normas, de procedimentos vários, de fiscalização e de controle, tendentes a evitar as fraudes, os desvios, os furtos, os desfalques, as malversações, as falsificações, etc.
                                        No segundo destes casos (sentido pejorativo) ela é imposta quando os agentes públicos e privados, considerados de índole desonesta, buscam estabelecer um ‘modus operandi’ que lhes permita ganhar muito dinheiro de maneira fácil. Assim, criam dificuldades para o público alvo obter o bem ou serviço que demandam, de modo a poder vender-lhe facilidades, através dos trabalhos prestados por prepostos e escritórios, que, dominando todo o emaranhado de normas existentes, regulamentos, portarias, formulários, taxas e impostos (desnecessários e artificialmente criados), conseguem, de maneira fácil e expedita, mediante um régio pagamento, obter o produto final desejado pelo cliente, representado pelo serviço que é prestado pela respectiva entidade pública ou privada.
                             O primeiro dos casos costuma ocorrer, com freqüência, no âmbito de entidades ou empresas privadas. O segundo dos casos ocorre, frequentemente, no âmbito de entidades do setor público federal, estadual e municipal.
                               Durante o último dos governos militares, na presidência do general João Figueiredo, que percebeu os entraves causados pelos dois tipos de burocracia ao desenvolvimento brasileiro, foi criado o Ministério Extraordinário da Desburocratização, que existiu de 1979 a 1986 e que tinha como objetivo primordial diminuir o impacto e as consequências da estrutura burocrática, historicamente existente,na economia e na vida social do país. Os ministros que ocuparam esta pasta foram, respectivamente, Hélio Beltrão, João Geraldo Piquet Carneiro e Paulo Lustosa.
                              Durante a vigência do Ministério da Desburocratização foram criados os Juizados de Pequenas Causas e o Estatuto da Microempresa, dois marcos na história da desburocratização brasileira.
                                              No primeiro ano da criação do ministério, em 1979, foi promulgado o Decreto 83.740, que instituiu o Programa Nacional de Desburocratização, ‘destinado a dinamizar e simplificar o funcionamento da Administração Pública’.
                                          Com base nesse decreto, o ministro Hélio Beltrão conseguiu abolir dos órgãos da Administração Federal, direta e indireta, a exigência de apresentação de atestados de vida, residência, pobreza, dependência econômica, idoneidade moral, de bons antecedentes e o reconhecimento de firmas em cartório.
                                             Ao ser extinta a pasta, em 1986, no início do governo Sarney, foram as suas atribuições absorvidas pelo Ministério da Administração e Reforma do Estado.
                                          Infelizmente, desde então, como uma erva daninha que resiste a aplicação do herbicida, a burocracia tem criado raízes e se proliferado, notadamente a partir dos governos de esquerda que assumiram o poder no país desde o ano de 2003.
                                         Considerado como “entulho autoritário”, herdado do regime militar, o presidente Lula revogou o Decreto nº 83.740, de 1979, substituindo-o pelo Decreto nº 5.378, de 2005, que instituiu o “Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização – GESPÚBLICA e o Comitê Gestor do Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização”. Nada foi realmente realizado, a não ser a volta da desconfiança sobre os cidadãos, com o retorno do reconhecimento de firmas e dos atestados de vida e outros; bem como, do velho método de criar dificuldades para vender facilidades. 
                                          Não é a toa que a corrupção de agentes públicos campeou, desde então, aumentando o já elevado Custo Brasil (assim chamado o acréscimo aos custos normais dos bens e serviços, em decorrência da corrupção dos agentes públicos, da ignorância generalizada, da falta de infraestrutura, de logística, da falta de normas apropriadas, da falta de treinamento dos agentes públicos, etc.).  Na atualidade, inúmeros inquéritos policiais e processos criminais correm na justiça, relativos ao período destes governos de esquerda, contra ex-administradores de diversas entidades públicas responsáveis por desvios de recursos, concorrências fraudulentas, concussão, etc. 
                                            As dificuldades criadas para negociar com o poder público (comprar ou vender bens e serviços) eram e, ainda, são tantas, que só aqueles que conhecem o chamado ‘caminho das pedras’ conseguem atravessar o pântano de leis, decretos, regulamentos, normas, portarias, taxas, impostos, etc, artificialmente criados para dificultar ao cidadão comum acessar aquilo que deseja e obrigá-lo a contratar intermediários ou escritórios especializados em ‘azeitar’ a máquina pública, para que os interesses de seus clientes sejam concretizados.
                                           Este caminho das pedras é informação vendida a peso de ouro, como os antigos mapas que, durante a época das descobertas marítimas, eram negociados pelos cartógrafos reais europeus com os pilotos de caravelas e demais naus de longo curso, que se arriscavam pelo Oceano Atlântico e pelo Pacífico tentando descobrir novos caminhos marítimos para as Índias, Malaca, Cipango (Japão), Catay (China), Ofir (onde se localizariam as Minas do Rei Salomão) e para o Rio da Prata, a caminho das minas de ouro e prata do Peru.   
                                                O Presidente Temer, em 2017, promulgou o Decreto nº 9.094, que dispôs sobre a ‘simplificação do atendimento prestado aos usuários dos serviços públicos, ratificou a dispensa do reconhecimento de firma e da autenticação em documentos, produzidos no País, e instituiu a Carta de Serviços ao Usuário’, além de revogar o decreto do ex-presidente Lula, de 2005.
                                                Ocorre que em nosso país o tecido social está esgarçado de tal forma (como diria o Datena, conhecido apresentador de TV), em razão de todo um trabalho ideológico desenvolvido pela esquerda Fabiana no poder nas últimas décadas, e que, mediante uma transvaloração de valores (implantada através da adoção do denominado comportamento politicamente correto), tem feito com que grande parte do povo brasileiro seja complacente e aceite, pacificamente, a corrupção de agentes públicos e dos políticos, a malversação de recursos, o pagamento de propina, a compra de mercadorias roubadas e contrabandeadas vendidas nos chamados camelódromos, o roubo de carga e a sua distribuição nas favelas da periferia das cidades, dentre outros. 
                                        Tanto é assim que os roubos perpetrados por autoridades dos três poderes já são chamados por muitos de ‘malfeitos’ e de ‘erros’ e não mais de crimes. Tanto é assim que muitas autoridades e membros de partidos políticos acham normal o desvio de recursos públicos para as campanhas eleitorais e para a manutenção dos seus respectivos partidos. Tanto é assim que muitos consideram normal, nas diversas instâncias da administração pública, o desvio de material, a fraude nas licitações, o nepotismo, a concussão, o apadrinhamento. O argumento utilizado para tanto, denotando que se trata de atitude quase generalizada, é o seguinte: - Se eu não fizer, outro fará em meu lugar!
                                              A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também já chegou a fazer um estudo sobre o custo da corrupção no Brasil, onde projetou que até 2,3% do PIB nacional são perdidos por ano com práticas corruptas. No documento, a entidade destacou que o custo extremamente elevado dessas ações ilícitas prejudica o aumento da renda per capita, o crescimento e a competitividade do país, compromete a possibilidade de oferecer à população melhores condições econômicas e de bem-estar social e às empresas melhores condições de infraestrutura e um ambiente de negócios mais estável.
                                             A Operação Lava Jato identificou a cifra de R$ 38 bilhões como sendo o valor desviado dos cofres públicos nos governos Lula e Dilma. Evidentemente esse valor deverá ser muito maior, posto que nem todas as operações fraudulentas e os desvios de recursos, ocorridos nestes governos, foram identificados. Muito desvio, simplesmente, não foi ainda descoberto.
                                            Segundo declarações do presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, Edson Vismona, ‘quando empresas passam a se valer de brechas para ganharem mais negócios, elas desvirtuam o ambiente corporativo, praticam uma concorrência desleal e distorcem a competitividade. Empresas que usam mecanismos tais como o do pagamento de propinas, não são competentes; pois elas estão fraudando a concorrência. Elas pervertem o mercado, estimulam a ineficiência e trazem grandes prejuízos ao erário e ao cidadão’. 
                                           Algumas entidades já levantaram os efeitos negativos exercidos pela burocracia brasileira, aí incluída a corrupção dos agentes públicos. Dentre os principais, destacam-se: fica mais difícil às empresas e aos governos brasileiros, em suas três instâncias, tomarem créditos externos; fica mais difícil os empresários estrangeiros investirem no país; os negócios se reduzem, comprometendo o emprego e a renda da população; a concorrência desleal, através da fraude nas licitações, distorce a competição e impede inovações nas empresas, pois estas não são mais necessárias; os bens e serviços passam a possuir sobre-preços (incorporados para pagar a burocracia e as propinas dos agentes públicos venais) e as empresas tornam-se ineficientes, pois não necessitam competir entre si, já que as concorrências são fraudadas. 
                                            A população recebe menos bens e serviços, do que poderia receber; pois, parte dos recursos de imposto que paga vai para os bolsos dos agentes públicos corruptos, sob a forma de propinas ou de mordomias indevidas. Por outro lado, os bens e serviços prestados ao estado são de baixa qualidade, pois, como se trata de ‘uma ação entre amigos’, normalmente não existe fiscalização do poder público sobre a qualidade dos bens e serviços entregues.
                                              Outro ralo, por onde escorre dinheiro público, muitas vezes visando a interesses inconfessáveis, são as renuncias fiscais, os perdões milionários de dívidas, as liberações de emendas sem qualquer interesse maior público subjacente.
                                             Ocorre que a única forma de evitar a corrupção, na forma como ela é processada em nosso país, é a transparência e a desburocratização nas atividades dos três poderes do Estado e em seus três níveis. Fazer como fazem os países do Primeiro Mundo. Todo cidadão é responsável pela veracidade das suas declarações prestadas ao Estado e, em caso de fraude, a aplicação pura e simples de penas elevadas para os infratores. Fim das certidões; das firmas reconhecidas; das cópias autenticadas; da necessidade de contratação dos serviços de intermediários para obter certidões de organismos públicos; do pagamento de taxas de expediente abusivas. O estabelecimento de prazos para a entrega de certidões e despachos, bem como o fim da morosidade judicial. A utilização em grande escala da internet para as solicitações junto ao Estado, concorrências, etc. Quanto mais impessoal seja o contato entre o público e o Estado, melhor e menor a possibilidade de corrupção por parte dos agentes públicos. 
                                          Da mesma forma, com mais transparência, menos exigências e punições bem mais severas para fraudadores e corruptos (posto que, a corrupção de agente público passaria a ser crime hediondo), ao mesmo tempo em que diminuirá a burocracia forçada ou pejorativa, também tenderá a diminuir a burocracia natural, pois as razões pelas quais ela foi implantada tenderão a desaparecer.
                                         Outro aspecto da Administração Pública que necessitaria ser atacado são as mordomias indevidas, concedidas aos políticos e membros do executivo e do judiciário por eles mesmos, advogando em causa própria. Tais favorecidos possuem, em razão destas mordomias (carros blindados, casa, segurança, passagens aéreas, diárias, cartões corporativos, auxílios moradia, auxílios creche, planos de saúde, auxílios para compra de roupas, verbas de gabinete, aposentadoria integral após dois mandatos de quatro anos cada, etc. etc. etc.), renda real que rivaliza ou é superior a dos empresários donos das maiores empresas brasileiras. 
                                     Só que as mordomias empresariais são pagas pelos próprios empresários e a dos servidores da república pelos altos impostos extorquidos do sofrido povo brasileiro. No mundo inteiro, notadamente nos países democráticos do Primeiro Mundo, os servidores públicos dos três poderes não possuem as mordomias que aqui são concedidas e eles vivem, exclusivamente, dos salários que recebem. 
                                       Por outro lado, a corrupção deveria ser crime inafiançável e o de mais longa pena no Código Penal, pois se trata de um crime hediondo e contra a humanidade. Leis recentes de acesso a informação e de combate a corrupção, a par do desmantelamento da chamada ORCRIM – Organização Criminosa que, segundo os promotores da Operação Lava Jato, operava dentro dos últimos governos, já começam a fazer efeito, frente à população brasileira. Todavia, aqui no Brasil ainda ocorrem fatos, acho que únicos no mundo, em que políticos, condenados e presos, continuam recebendo seus salários integrais; pessoas presas se candidatam a cargos públicos, são eleitas e vão tomar posse, conduzidas por policiais; políticos presos são liberados, na parte da manhã, para comparecer às assembleias legislativas e câmara dos deputados, voltando à noite para dormir no presídio.
                                          A burocracia em nosso país só acabará quando todos a considerarem como ‘inimiga pública número um’ do nosso desenvolvimento econômico e social. Quando a burocracia pejorativa for punida com a execração popular e com altas penas de prisão. Quando o povo tiver enraizada a consciência de que ele é o patrão e os agentes públicos os empregados da edificação do país. Quando o judiciário estiver sempre do lado do povo. Quando a totalidade dos políticos procurar a política para ajudar no desenvolvimento do país e não para se enriquecer ilicitamente, como fazem alguns.
                                     Quanto mais cedo isto ocorrer, mais rapidamente sairemos da triste situação em que nos encontramos. Se isto, eventualmente, não chegar a ocorrer estaremos comprometendo, inexoravelmente, o nosso futuro. A decisão sobre o que fazer e sobre como fazer, cabe, exclusivamente, ao povo brasileiro...


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

_**/ Ensaio

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018


161. Sobre a transvaloração de valores na atualidade**




Jober Rocha*




                            Um dos conceitos importantes surgidos desde o século XIX, sob os pontos de vista filosófico, sociológico e psicológico, segundo a minha modesta maneira de ver a questão, trata-se do que diz respeito a transvaloração de valores, enunciada pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900).
                                  Dentre os poucos filósofos que se ocuparam da genealogia da moral; isto é, da forma como a moral se origina, Friedrich Nietzsche foi o que apresentou as idéias mais revolucionárias sobre o tema, algumas delas já apresentadas em texto anterior, neste blog. 
                                         Em sua obra ‘Genealogia da Moral’, o filósofo faz uma crítica à moral vigente em sua época, buscando responder a perguntas tais, como: - Sob quais condições o homem inventou os juízos de valor contidos nas palavras bem e mal? Que valores possuem tais juízos? Eles estimularam ou impediram o desenvolvimento da Humanidade até os dias atuais? São eles sinais de indigência, de empobrecimento ou de degeneração da vida humana?
                                         Nesta sua obra, o autor distinguia duas classes de seres humanos: a dos senhores e a dos escravos (a aristocracia e a plebe ou o povo). Pertencentes à classe dos senhores, segundo ele, duas categorias distintas competiriam entre si pelo poder: a dos guerreiros ou a dos militares (esta praticava as virtudes do corpo e conduzia às coisas da guerra) e a dos sacerdotes (esta praticava as virtudes do espírito e conduzia às coisas divinas). 
                                      Desta competição e rivalidade entre as duas categorias, surgiriam duas morais distintas: a dos senhores, oriunda dos guerreiros, e a dos escravos, oriunda dos sacerdotes; já que estes, na luta pelo poder, acabaram por aliar-se aos escravos (povo) para, sobrepujando os guerreiros, vir a ocupar o lugar antes pertencente aos senhores. 
                                        Os sacerdotes, no decorrer da História, através de um trabalho de transvaloração de valores (conceito este formulado, pela primeira vez, por Nietzsche), conseguiram fazer prevalecer, sobre a moral dos senhores, a moral dos escravos (do povo), que passou a ser aquela mesma cultivada, aperfeiçoada e difundida pela religião cristã.
                                  Em outro livro seu, ‘O Anticristo’, Nietzsche condenava a religião cristã pelos meios de que se utilizava; dentre eles, o aviltamento e a autoviolação do homem por meio do conceito de pecado. 
                                   Segundo ele, “para dominar a massa era necessário fazê-la infeliz, criando os conceitos de pecado, de culpa e de castigo”. Assim, o homem deveria sofrer de modo a que sempre tivesse necessidade do sacerdote. Desta forma, segundo o filósofo, por meio da invenção do pecado era que o sacerdote dominaria senhores e escravos.
                                     Nietzsche afirmava que: “O pecado tem sua origem no sentimento de culpa, instigado nas massas pelos sacerdotes”. Segundo ele, “os sacerdotes, ao serem questionados pelos pobres de espírito (os seres mais fracos perante a Natureza) sobre as razões de seus sofrimentos, indicariam, como resposta, que eles deveriam buscá-la em si mesmo, em uma culpa anterior, e que deveriam entender o seu sofrimento como uma punição”
                                         Assim, o doente foi transformado em pecador e, para expiar seus pecados, teria que viver atrelado ao sacerdote; pois só ele poderia levá-lo ao reino dos céus, onde se livraria de todos os sofrimentos.
                                     Os argumentos utilizados por Nietzsche para defender os seus pontos de vista, contrários à moral implantada pela religião cristã, eram os de que a análise do que é bem ou é mal, estabelecida pela religião, iria contra os valores naturais e nobres daqueles que, por seus atributos naturais e seu comportamento guerreiro, desde tempos imemoriais, detinham o poder e a posse dos bens terrenos. 
                                        Ao estabelecer, a partir de sua impotência e do seu ressentimento, a valoração dos conceitos de bem e de mal, que beneficiariam os chamados escravos ou o povo em geral (utilizando-se de critérios considerados divinos), em detrimento dos senhores, a religião praticou uma transvaloração destes valores, convertendo em mal aquilo que antes era bem e em bem o que antes era mal. 
                                      Para o filósofo, vontade e poder não se separam. Os fracos, segundo ele, a partir do estabelecimento destes valores morais com base na religião, ocultariam a impotência com a máscara do mérito e da bondade. A baixeza transformar-se-ia em humildade, a covardia em paciência. Os fracos, ainda segundo Nietzsche, seriam, conforme esta transvaloração, os justos que odiariam a injustiça oriunda dos fortes. 
                                           Assim, a moral estabelecida com base em critérios religiosos e não mais em critérios de ordem natural, como nos primórdios, seria, para o filósofo, algo contra a Natureza do ser humano, negando a realidade da vida e justificando-se em critérios supostamente divinos. 
                                           A classe dominante, a partir de então, pela aceitação e pela adoção desta nova moral estabelecida pela religião (posto que, a religião cristã penetrou de tal forma na vida ocidental, que o Papa passou a coroar os reis e imperadores, mantendo ascendência sobre eles e sobre a nobreza das cortes), veio a sofrer de má consciência e criou a ilusão de que deter o poder, acumular riqueza e possuir o mando era algo considerado errado perante a religião cristã (religião basicamente dos pobres e sofredores, que nela viam a redenção de suas condições miseráveis em uma nova vida no ‘Reino dos Céus’). 
                                               Para Nietzsche a vida humana consistia, apenas, em vontade de poder, de dominação e, em última instância, em vontade de potência. A nova moral induzida pela religião veio, tempos depois, contribuir, junto com outras causas, para a queda do feudalismo, das monarquias e de impérios.
                                             As verdadeiras virtudes, para o filósofo, eram: o orgulho, a alegria, a saúde, o amor sexual, a amizade, a veneração, os bons hábitos, a vontade inabalável, a disciplina intelectual e a vontade de poder. Ele era contrário a qualquer tipo de igualitarismo e, até mesmo, à ideia do Imperativo Categórico de Immanuel Kant. Como ateu, ele era contra o estabelecimento da moral por critérios religiosos.
                                   Segundo Nietzsche não existiria uma moralidade na própria natureza do homem, conforme afirmava Kant, mas, apenas, no seu sentido social e cultural. Assim, a moral não teria a sua fundamentação em paradigmas metafísicos; mas, seria construída pelos seres humanos através do próprio movimento da História.
                                             Os argumentos de Nietzsche foram utilizados pelos nazistas, na época da Segunda Guerra Mundial, para defender as teses de supremacia racial alemã, o que fez com que alguns leitores, com pouca leitura, considerassem erroneamente Nietzsche como um precursor do nazismo.

                                                Voltando, agora, a nossa atualidade, vemos que o termo ‘Comportamento Politicamente Correto’, muito usado pelas esquerdas mundiais hoje em dia, objetiva o estabelecimento de uma nova moral, não mais determinada por critérios de ordem religiosa, como aquela até então vigente,  mas, sim, por critérios de ordem política e ideológica; até porque, o grande poder de que dispunham as religiões ocidentais cristãs tem sido substancialmente reduzido, no presente, principalmente naqueles países, como o Brasil, onde a esquerda fabiana assumiu o comando já há algum tempo e o Estado passou a se dizer laico; como também em razão dos inúmeros escândalos envolvendo sacerdotes católicos e protestantes e a aplicação dos recursos financeiros tanto do Vaticano quanto de igrejas protestantes, para operações suspeitas de serem ilegais (segundo notícias da imprensa). 
                                                 A mesma transvaloração apontada por Nietzsche com respeito à implantação da moral religiosa, sem dúvida, esta ocorrendo hoje com respeito ao estabelecimento daquilo que é considerado ‘o comportamento politicamente correto’, em tempos de uma nova moral sendo implantada pelo socialismo fabiano, a serviço da Nova ordem Mundial.  
                                            O chamado Socialismo Fabiano tem este nome em homenagem a Quintus Fabius Maximus, político, ditador e general da República Romana (275 - 203 a.C.), que conseguiu derrotar Aníbal na Segunda Guerra Púnica, adotando a estratégia de não fazer confrontos diretos e em larga escala (nos quais os romanos já haviam sido derrotados em anteriores combates travados contra Aníbal), mas, sim, de incorrer apenas em pequenas e graduais ações, as quais ele sabia que podia vencer, não importando o tanto que ele tivesse de esperar.  Fundada exatamente no ano da morte de Karl Marx, com o intuito de promover as idéias deste filósofo alemão por meio do gradualismo, a chamada ‘Sociedade Fabiana’ almejava condicionar a sociedade por meio de medidas socialistas disfarçadas.                                                  Ao atenuar e minimizar seus objetivos, a Sociedade Fabiana tinha o intuito de não incitar a reação dos inimigos do socialismo, tornando-os menos combativos. É o que ocorre em alguns países, na atualidade, com a implantação, pela esquerda, do chamado ‘decálogo de Antonio Gramsci’ (1891-1937). O gramscismo contagiou países da Europa e hoje está sendo aplicado na América do Sul.
                                             A finalidade da sua implantação é a de tentar transformar países democráticos ou não em repúblicas socialistas sob a inspiração da cartilha de Gramsci, que segue a orientação do socialismo Fabiano quanto a maneira de ser implementada.
                                                 Seus objetivos são: obter a hegemonia na sociedade civil, na sociedade política (Estado), estabelecer o domínio do intelectual coletivo (partido, classe) e silenciar os intelectuais independentes.
                                            O método utilizado para sua implementação (encontrado em “A Cartilha de Antonio Gramsci”, de Manoel Soriano Neto) os leitores brasileiros logo reconhecerão como sendo aquele, atualmente, aplicado em nosso país, mediante uma transvaloração de valores, como já explicado anteriormente no presente texto:
                                                “Realizar a transformação intelectual e moral da sociedade pelo abandono de suas tradições, usos e costumes, mudando valores culturais de forma progressiva e continuar introduzindo novos conceitos que, absorvidos pelas pessoas, criam o ‘senso comum modificado’, gerando uma consciência homogênea construída com sutileza e sem aparente conteúdo ideológico, buscando a identificação com os anseios e necessidades não atendidas pelo poder público.”
                                           Na Europa atual invadida por levas de refugiados islâmicos, com certeza, após a implantação da Sharia (código de leis do islamismo; já que em várias sociedades islâmicas atuais, ao contrário da maioria dos países ocidentais, não há uma separação clara entre a religião e o Estado ou entre a religião e a justiça) nas comunidades aonde os refugiados se instalarem, os costumes daquele país e a moral vigente serão, inexoravelmente, modificados com o passar do tempo, pela aplicação do gramscismo e do islamismo, através da esquerda socialista árabe e européia. 
                                                     Em muitos aspectos, certamente, estes novos conceitos de moral que surgirão nos países europeus, ocupados pelos refugiados, atenderão aos preceitos religiosos do islã e à doutrina marxista da esquerda fabiana européia. Estejam todos certos de que, muito em breve, a poligamia, os casamentos de adultos com crianças, as uniões entre pessoas do mesmo sexo, os conflitos de origem religiosa, a censura e as proibições de toda ordem e o aumento da violência serão acontecimentos comuns na vida diária dos europeus.
                                                   Acredito mesmo que essa imigração em massa, de muçulmanos para a Europa, tenha sido incentivada e aceita pelas elites mundiais, em decorrência de dois aspectos de interesse da Nova Ordem Mundial: o primeiro diz respeito à unificação das religiões (uma das propostas da NOM já aceita pelo papa católico). 
                                                 Os muçulmanos vivem, realmente, a religião em todos os aspectos das suas vidas, sendo capazes de morrer por ela, ao passo que os cristãos atuais não vivem a sua religião da mesma forma. Estes (que na atualidade são em muito menor número do que os muçulmanos) têm sido submetidos a muita literatura e filmes que destacam o papel do Império Romano na criação de uma religião estabelecida sobre bases fraudulentas, desde o início. 
                                                  Por outro lado, o Vaticano tornou-se uma empresa envolvida em inúmeros escândalos, desde o financiamento de atividades criminosas da Máfia e de outras organizações criminosas, através do Banco do Vaticano, até diversos casos de pedofilia envolvendo sacerdotes, casos estes que consumiram vultosos recursos da igreja em indenizações, pagas nos USA para encerrar os inquéritos em andamento. A islamização da Europa, no contexto da implantação de uma única religião mundial, seria mais simples de ser implantada, com o tempo, do que a cristianização dos países árabes.
                                                  O segundo aspecto diz respeito à reativação do mercado consumidor europeu, estagnado desde muito. Em breve os refugiados estarão trabalhando e consumindo, reativando as economias europeias deprimidas,
                                                       Voltando a transvaloração de valores, como exemplo de que a moral, até então vigente, está sofrendo uma transvaloração de seus valores, vemos que a Mídia mundial, sustentada por verbas públicas e comprometida com os detentores do poder interessados no estabelecimento desta Nova Ordem Mundial, não cansa de destacar e incentivar determinados comportamentos considerados imorais (contrários aos bons costumes tradicionais) e amorais (afastados de quaisquer preocupações de ordem moral), com base na moral tradicional estabelecida pela religião cristã. 
                                                 No caso do Brasil, muitos vícios já são considerados virtudes e muitas virtudes consideradas vícios. Leis são feitas pelo parlamento brasileiro para proteger ou acobertar comportamentos viciosos ou, até mesmo, criminosos. 
                                                    Muitos comportamentos imorais, antiéticos, delituosos ou criminosos já são tolerados ou aceitos pelas pessoas, pouco faltando para que sejam considerados comportamentos normais. Ao se referir aos delitos perpetrados pelos governantes, e objetos de processos judiciais, fala-se em ‘malfeitos’ e em ‘erros’, e não mais em crimes. 
                                                Muitos intelectuais, empresários e militares, membros todos eles de uma elite patriótica e voltada para o nosso desenvolvimento sócio-econômico em bases democráticas e capitalistas, já começam a ter receio de se expressar ou de proceder de maneira considerada politicamente incorreta, temerosos de alguma represália ou, até mesmo, por acreditarem, já influenciados pela Mídia, que esta maneira de se expressar ou de proceder é realmente errada (da mesma forma como chegaram a acreditar os senhores de antanho, quando da implantação da moral religiosa, segundo Nietzsche). 
                                                Por vezes, ao vermos artistas, intelectuais, políticos, autoridades públicas, etc. fazendo determinadas afirmações, totalmente imorais e antiéticas, como se fossem as coisas mais normais e naturais, nós percebemos que, realmente, a moral em nosso país está mudando. 

                                          Como bem destacou o filósofo Nietzsche, através do seu conceito da transvaloração dos valores, o bem pode passar a ser considerado mal e o mal passar a ser considerado bem por aqueles que, ambicionando o poder, conseguem ver os seus conceitos de moral vitoriosos, implantados e aceitos pelas populações.


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

_**/ Ensaio
              

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

160. A Nova Ordem Mundial e o controle das águas e dos alimentos** 


Jober Rocha*



                             A denominada Nova Ordem Mundial, como os leitores já sabem, consiste em um rompimento radical na forma e conteúdo das relações internacionais entre as nações. Promovido, de forma velada, pelas elites que comandam os destinos do planeta, a NOM seria implantada e coordenada, de comum acordo, pelas autoridades dos países mais desenvolvidos militar e economicamente, que indicariam qual o rumo a ser seguido pelos demais países. Por detrás destas autoridades estariam as elites empresariais (e suas famílias), que desde há muito conduzem os destinos do planeta de forma velada e através de seus prepostos.
                         Na agenda da NOM estão incluidos: implantação de um governo mundial, de uma moeda única, de uma única religião, de forças armadas de âmbito mundial, de uma única língua, da extinção dos países e respectivo sentido de patriotismo, da redução drástica de enormes contingentes populacionais e das taxas de natalidade, da criação de foros internacionais para deliberar e julgar sobre as questões jurídicas, do desarme das populações e, finalmente, da obrigatoriedade de todos os cidadãos, do planeta, implantarem, sob a pele, um chip, que conteria todas as suas informações pessoais e funcionais, sem o qual eles estariam impossibilitados de se utilizar dos serviços públicos (transportes, saúde, etc.) e bancários (contas correntes, cartões de crédito, investimentos, etc.). 
                                    Tais medidas não objetivariam a melhoria das condições de vida das populações mundiais, mas, tão somente, a manutenção do domínio das elites sobre uma crescente população mundial, que necessitaria ser reduzida face à escassez de recursos naturais e ambientais e ao crescente progresso tecnológico, no que respeita a robótica, a inteligência artificial e a informática (que irão gerar enorme desemprego nos próximos anos). Se nada for feito em seu benefício, as atuais elites acabarão por perder o domínio que possuem sobre os indivíduos e sobre a economia e as relações sociais.
                              Essas medidas ambicionadas, embora pareçam impossíveis de serem implantadas a nível planetário, aos poucos, estão sendo levadas à termo por organismos internacionais, países isolados, estados e diversas entidades públicas e privadas, em um processo que poderíamos denominar de “comer pelas beiradas”. Leis, decretos, portarias, etc. são, diariamente, promulgadas em diversos países do mundo, quase sempre a revelia das populações, estabelecendo proibições, limitações e novos modos de conduta a serem seguidos, visando, todos eles, a facilitar a implantação desta NOM e de seus objetivos.
                                Recentemente, por proposta do deputado paulista Antônio Feliciano Filho, a câmara aprovou a PL 87/2016, que trata da proibição do consumo de carne nas segundas feiras em todos os restaurantes de órgãos públicos (repartições, escolas, hospitais, presídios, quartéis, etc.) do Estado de São Paulo. O argumento utilizado a nível mundial é o de atender a causa do sofrimento animal, aos praticantes do vegetarianismo e à redução do CO2 responsável pelo efeito estufa (cujo grande emissor, supostamente, seria os rebanhos animais e não os veículos automotores). 
                                  Muitos brasileiros não verão nada de mais nesta medida de proibição proposta pelo deputado através de lei; mas ela não é nem original, pois faz parte da campanha encabeçada por Paul McCartney no Reino Unido e denominada ‘Meat Free Mondays’, que já alcançou 44 países e cujo objetivo de cobertura é “a mobilização das pessoas para uma alimentação com menos sofrimento animal e impactos negativos no planeta”. As cidades de Ghent, na Bélgica, e São Francisco, na Califórnia, já aprovaram leis semelhantes e fazem parte do programa capitaneado por McCartney. Posteriormente, a medida, caso não seja vetada pelo governador de São Paulo, poderá ser estendida para outros dias da semana, para os produtos lácteos também e para outros Estados da Federação.
                             Ao mesmo tempo, um tribunal na Flórida, USA, recentemente declarou ilegal cultivar a sua própria comida no quintal das residências, fazendo hortas. Os proprietários e inquilinos poderiam plantar, apenas, flores e árvores que não dessem frutos; mas estavam proibidos de plantar árvores frutíferas e vegetais para alimento. A multa para os infratores é de US$ 50,00 por dia. Em alguns países, como a Espanha, por exemplo, é proibido captar água de chuva. Em outros, cavar poços artesianos para obter água. O argumento é de que a água é monopólio do Estado e, por estar no subsolo ou no espaço (caso da chuva), não pertenceria ao proprietário do terreno onde fosse encontrada.
                                  Em março de 2012 o presidente dos USA emitiu uma ordem executiva denominada Defesa Nacional de Prevenção de Recursos, segundo a qual o presidente teria autoridade para assumir o controle sobre todos os recursos do país, no que respeita a trabalho, alimentação, indústria, etc., desde que fosse feito para promover a defesa nacional; frase esta tão vaga que poderia significar, praticamente, qualquer coisa.
                                    Empresas de engarrafamento de água e de bebidas estão se apropriando, através da compra em leilão ou do arrendamento, de reservatórios de água subterrâneos, ao mesmo tempo em que indústrias de todos os tipos contaminam rios, lagos e lagoas com seus resíduos e substâncias químicas, utilizados nos processos industriais, sem nenhuma despesa com os custos de tratamento de seus efluentes.
                                     Mas o que estaria por detrás destas medidas mencionadas, que, a par de imporem novas regras comportamentais aos seres humanos, querem impedir os indivíduos de comer carne, de ingerir os demais produtos de origem láctea e de produzir sua própria comida e água?

                                     Em primeiro lugar, creio que o objetivo destas medidas seria desviar o foco do assunto principal, que seria a implantação da NOM com redução drástica da população mundial (em razão do esgotamento dos recursos naturais e ambientais decorrentes de uma população mundial de cerca de sete bilhões de seres humanos consumindo e eliminando dejetos), através de uma ‘estória de cobertura’ formulada para justificar os argumentos para a implantação da NOM, estória esta que seria a seguinte: 

1. Para combater o efeito estufa (causador do aquecimento das águas marítimas, que acarretariam o degelo polar e a elevação do nível dos mares, com alagamentos de cidades litorâneas) através da redução da emissão de gases, seria necessário reduzir ou eliminar a produção de carne bovina e produtos lácteos, responsável, supostamente, por aproximadamente 20% ou mais das emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa.

                             “O degelo polar, como decorrência do efeito estufa, é contestado por vários cientistas que o atribuem a um fenômeno natural que ocorre na Terra em determinadas épocas do período geológico”. 

2. Segundo a ONU (organismo a serviço da NOM), um granjeiro pode alimentar trinta pessoas, durante um ano, com um hectare de terreno, produzindo, apenas, vegetais, frutas e cereais. Produzindo ovos, leite e carne, na mesma área, o número de pessoas que poderia alimentar cairia para cinco a dez por ano. Assim, do ponto de vista, do bem estar mundial, seria mais conveniente substituir a produção de carne e derivados lácteos pela de vegetais, cereais e frutas. 
                              "Caso a NOM não consiga se implantar e reduzir a população de forma rápida, uma substituição das áreas destinadas à produção de carne e de produtos lácteos pela produção de vegetais, cereais e frutas tornar-se-ia mandatória, pois se espera que grassará a fome em todo o mundo, caso a população continue crescendo às atuais taxas. Veja bem que esta preocupação da NOM nada tem a ver com o bem estar da população mundial (que ela quer ver sendo reduzida), mas, apenas, com evitar o caos provocado pela fome e a conseqüente convulsão social que se seguiria mundialmente”.  

3. O desenvolvimento do veganismo (promovido por diversas Organizações Não Governamentais), movimento a respeito dos direitos dos animais (que nada tem a ver com vegetarianismo) e que afirma, por razões supostamente éticas, que os veganos são contra a exploração dos animais. O boicote a atividades e produtos que são contra os direitos dos animais é uma das principais ações praticadas por quem adere a este movimento, que, segundo muitos, é uma obrigação moral de todos os seres humanos; especialmente daqueles que dizem reconhecer que os animais têm direitos.
                                   “Ocorre que, desde os primórdios do homem sobre a face do planeta, o consumo da carne animal tem feito parte da dieta alimentar dos seres humanos. Graças a esta dieta, a espécie humana conseguiu sobreviver e se multiplicar, chegando ao estágio de desenvolvimento que apresenta nos dias atuais”. 
                                   “O veganismo estaria, pois, a serviço da NOM; na medida em que forçaria o consumo, por parte dos seres humanos, da proteína de origem vegetal em detrimento da proteína de origem animal”. 
                                “Quando pensamos em uma alimentação equilibrada e um corpo saudável, não podemos deixar de lado as proteínas, que participam de todas as estruturas do corpo, além de contribuírem para a formação dos músculos e muitas outras funções do sistema nervoso e de defesa”.“Quando ingeridas, as proteínas são quebradas em aminoácidos. “Proteínas e aminoácidos são usados para quase todas as funções metabólicas do corpo; entretanto, diferentes proteínas podem variar enormemente no tipo de aminoácidos que contêm”. 
                               “Enquanto proteínas animais tendem a conter um bom equilíbrio de todos os aminoácidos que precisamos, algumas proteínas vegetais são pobres em certos aminoácidos”. 
                                 “Por exemplo, algumas proteínas vegetais chaves são, frequentemente, pobres em metionina, triptofano, lisina e isoleucina”.

 4. O controle estatal sobre as fontes de abastecimento de água, por sua vez, objetivaria, segundo a estória de cobertura divulgada, as suas preservações. 
                         “Ocorre que os países, notadamente os subdesenvolvidos do Terceiro Mundo e seus Estados, componentes das suas Federações, pouco ou nenhum controle exercem sobre os mananciais que possuem; constantemente poluídos por efluentes industriais e por dejetos oriundos do lixo urbano”. 
                                       “Assim, uma eventual proibição governamental de captação das águas da chuva e do subsolo, nas propriedades particulares, objetivaria, tão somente, impedir aos seres humanos as suas sobrevivências individuais, de maneira independente do Estado. Da mesma maneira, funcionaria a proibição da construção de hortas e pomares residenciais”

5. O controle sobre a posse de armas de fogo, por sua vez, é feito sob a argumentação de que objetivaria a redução da violência.
                             “Ocorre que o verdadeiro motivo deste controle é impedir que uma população armada faça frente a um Estado autoritário, muitas vezes ilegítimo, que deseja perpetuar-se no poder na defesa de uma elite nacional corrupta e a serviço da NOM”.

                                  Em segundo lugar estas proposições formuladas pela NOM, poderiam estar atreladas a um protocolo estabelecido por entidades extraterrestres, objetivando permitir a nossa integração, como raça cósmica, a alguma federação interplanetária porventura existente. Na atualidade, é impossível negar a existência de seres extraterrestres que nos visitam constantemente, tantas são as fotografias, filmes, depoimentos e imagens de radar de aeronaves e de aeroportos, que comprovam a veracidade destes eventos. Segundo informações divulgadas por ufólogos, tais seres, que já teriam mantido contatos com as autoridades dos principais países, teriam as suas sociedades organizadas da forma holográfica (onde as informações disponíveis seriam do conhecimento de todos) e não da forma piramidal como a nossa, onde todas as informações disponíveis seriam do conhecimento, apenas, daqueles poucos que estivessem no topo da pirâmide.
                                       A nossa integração a esta federação poderia facilitar-nos obter conhecimentos científicos e tecnológicos importantes, razão pela qual as nossas elites buscariam atender ao protocolo extraterrestre, mantendo o controle sobre os seres humanos e sobre a economia do planeta. Este protocolo objetivaria, basicamente, fazer com que a raça humana se unisse em torno de um projeto comum do interesse de todos, e acabasse, de uma vez por todas, com a competição nefasta que, na posse do conhecimento da fissão e da fusão nuclear, coloque em risco a nossa vida e a vida de outras raças e de outras civilizações existentes no Universo. As elites dominantes estariam, pois, tentando se adequar ao protocolo extraterrestre, sem perder o controle sobre a população do planeta; caso o excesso populacional e a carência de recursos naturais e ambientais conduzissem a uma convulsão social mundial.
                                      O fato é, acreditem ou não, que decisões importantes que influenciarão a vida humana no planeta, nos próximos séculos, estão sendo tratadas hoje sem a participação da maioria dos seres humanos, considerados pelas elites mundiais como escravos em uma servidão consentida, sobre a qual, não tendo ciência de sua existência, não oferecem nenhuma resistência.


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

_**/ Ensaio



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018


159. O planeta das manipulações**


Jober Rocha*



                             Quer acreditemos quer não, vivemos, desde longa data, em um planeta onde a Ciência, a Religião, a Filosofia, as Ideologias, a Política e a Mídia, são manipuladas em favor das classes dominantes, conhecidas e desconhecidas, de modo a que tenhamos visões errôneas e distorcidas da realidade em que vivemos. O objetivo é fácil de perceber: evitar que em alguma ocasião futura, tais classes viessem a perder o domínio que possuem sobre a espécie humana e sobre os negócios, de toda a ordem, que sempre foram realizados em nosso planeta.
                    Em que época precisa esta manipulação da espécie começou, eu não saberia dizer; mas, é coisa muito antiga e data, certamente, do tempo em que alguns indivíduos perceberam que possuíam a característica de serem mais inteligentes do que os demais a sua volta. 
                             Inicialmente o domínio de uns sobre os outros pode ter sido exercido em virtude da força bruta e da coragem individual, mas, depois, com toda a certeza, passou a ser feito em razão da inteligência. Esta mesma inteligência aproveitando-se da natural ingenuidade e da predisposição mística da maioria dos indivíduos, em razão do desconhecimento da origem dos fenômenos que ocorriam a sua volta, criou os deuses e as religiões (através dos quais se estabeleceram os primeiros mecanismos de dominação, entre os integrantes da espécie, sem a necessidade de recorrer ao uso da força).

                       Quando falei, anteriormente, em classes dominantes conhecidas e desconhecidas estava me referindo ao fato de que, desde tempos muito antigos, por razões várias, os senhores do mundo se utilizaram de administradores e de prepostos para conduzirem os seus negócios terrenos. 
                            Com o passar dos tempos diversas sociedades secretas foram sendo criadas com o objetivo de influenciar e comandar as decisões daqueles que, para as populações mundiais, passavam como sendo os governantes de direito dos povos e das nações; mas, que, na realidade, eram apenas prepostos dos governantes de fato, que, por razões várias, não desejavam ser identificados. 
                                Algumas dessas sociedades, embora consideradas secretas e tendo o acesso vedado ao público, em geral, e aos homens comuns, em particular, são conhecidas (Skul and Bones, Maçonaria, Ordem Rosacruz, O.T.O - Ordo Templi Orientis, Illuminati, Thule, Sociedade Teosófica, Ordem dos Assassinos, Mão Negra, Grupo Bilderberg, Carbonários, etc.); porém, com toda a certeza, existem outras, ainda, completamente veladas e desconhecidas. 
                               Muitas destas sociedades tiveram papel relevante em inúmeros episódios da História Mundial, como a queda de monarquias e de impérios; revoltas, revoluções e guerras; bem como na implantação de novas ideologias e de novos Sistemas Econômicos. Ocorre que estes episódios sempre se trataram de disputas ocorridas entre as elites; mas, que, no entanto, foram vendidas aos povos, pela Mídia da época, como sendo movimentos do interesse e em benefício das populações, notadamente daquelas mais pobres.
                              E, assim, chegamos aos dias atuais, onde, mais do que nunca, tudo a nossa volta consiste em manipulação por parte dos prepostos dos senhores mundiais.
                                  Inúmeras vezes os cidadãos comuns, de quaisquer países ditos democráticos, se deparam com ações partidas de autoridades dos três poderes; ações estas que, além de serem reconhecidamente inconstitucionais, sobrepassam as autoridades daqueles que as tomaram e se constituem em uma interferência indevida de um poder na esfera de atuação de outro. 
                                A coisa é muito séria para ser atribuída, apenas, a ignorância jurídica de quem propôs a referida ação, tantos são os órgãos de assessoria que proliferam na Administração Pública e com os quais contam as autoridades. No entanto, em que pese uma ou outra voz isolada discordante, a ação tomada prossegue e a medida, seja ela qual for, é finalmente implantada e aceita, definitivamente, pelas autoridades dos três poderes; demonstrando que todas seguiam uma mesma orientação partida de seus verdadeiros senhores. 
                                Uma portaria ministerial, muitas vezes, passando por cima de leis existentes estabelecendo em contrário, vem modificar alguns direitos e deveres, e passa a vigorar no âmbito da Administração Pública (sendo adotada, a partir de então, na esfera administrativa e a revelia da lei já existente).
                          Outras vezes, acontece de diversos países distintos promulgarem leis idênticas e com os mesmos objetivos, em determinada época, deixando claro, para quem tem olhos para ver, a existência prévia de ordens emanadas de senhores mundiais que exercem influências supranacionais.
                                Aos que não creem em manipulação, vejam, no tocante ao esporte, os recentes episódios referentes à compra de votos pelo C.O.B. para a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e a compra de votos para a escolha do país sede da Copa do Mundo de Futebol. Compram-se também resultados de lutas, de corridas de automóveis, de eleições presidenciais, de concorrências públicas, de sentenças, etc.
                                Mais recentemente, a chamada Nova Ordem Mundial (por inúmeras vezes, mencionada nos discursos de diversos ex-presidentes norte-americanos e europeus; bem como, em pronunciamentos de representantes das principais igrejas mundiais), tem buscado com o apoio de organismos internacionais, implantar ações de caráter mundial, como por exemplo: a criação de um governo mundial; de uma única religião; de uma única moeda; de um único território (abolindo países e fronteiras); de um marco controlando a internet até então livre; de uma única língua e da obrigatoriedade de todos os cidadãos do planeta terem um chip, contendo informações pessoais, implantado no corpo (de modo a poderem ser monitorados a distância). 
                               Quais serão os objetivos e alcances destas medidas nós ainda não sabemos, pois elas não são discutidas nos parlamentos, nem submetidas à vontade popular através de plebiscitos. Podemos imaginar que se trata, como sempre, das elites que dominam o planeta se antecipando ao esgotamento dos recursos naturais e a superpopulação mundial. 
                              Essas medidas, como outras já implantadas de caráter redutor da natalidade e da vida humana (como produtos cancerígenos vendidos no comércio; os abortivos; os fármacos preventivos da gravidez; a produção de vírus em laboratórios e as suas liberações no meio ambiente; os chamados Chemtrails que consistem em pulverizações aéreas de substâncias químicas lesivas a saúde e a vida; a contaminação proposital das águas e das lavouras) objetivariam a obtenção de uma drástica e rápida redução populacional, necessária em decorrência do imenso desenvolvimento da robótica, da Inteligência Artificial e da informática, esperado para os próximos anos e que provocarão desemprego em massa; a par de transformar, definitivamente, os seres humanos que restarem em escravos destas elites mundiais, de conformidade com uma servidão consentida já pressentida e mencionada no século XVI por Étienne de la Boétie  (advogado francês que ocupou o cargo de conselheiro do Parlamento de Bordeaux), que, bem antes de J.J. Rousseau, já havia escrito sobre os tiranos e a servidão. 
                             Em seu ‘Discurso da Servidão Voluntária’, escrito entre 1546 e 1548, Étienne afirmou: 

“É incrível ver como o povo, quando é submetido, cai de repente num sono tão profundo de sua liberdade, que não consegue despertar para reconquistá-la. Serve aos senhores tão bem e de tão bom grado que se diria, ao vê-lo, que não só perdeu a liberdade, mas ganhou a servidão”. 
 “É verdade que no início serve-se obrigado e vencido pela força. Mas os que vêm depois servem sem relutância e fazem voluntariamente o que seus antepassados fizeram por imposição. Os homens nascidos sob o jugo, depois alimentados e educados na servidão, sem olhar mais à frente, contentam-se em viver como nasceram e não pensam que têm outros bens e outros direitos, a não ser os que já encontraram. Chegam finalmente a persuadir-se de que a condição de seu nascimento é natural”. 
“Os homens submissos, desprovidos de coragem guerreira, perdem também a vivacidade em todas as outras coisas, têm o coração tão fraco e mole que não são capazes de qualquer grande ação. Os tiranos sabem muito bem disso. Por isso, fazem o possível para torná-los ainda mais fracos e covardes”. 
“A inclinação natural do povo ignorante, cujo número é cada vez maior nas cidades, é desconfiar daquele que o ama e acreditar naquele que o engana. Não penseis que um pássaro caia mais facilmente no laço ou um peixe, por gulodice, morda mais cedo o anzol, que todos esses povos que se deixam atrair prontamente pela servidão, pela menor doçura que os façam provar. É realmente assombroso ver como se deixam ir tão rapidamente ao menor afago que lhes seja dispensado”. 
“O teatro, os jogos, as farsas, os espetáculos, os gladiadores, os animais ferozes, as medalhas, os quadros e outras drogas semelhantes, eram para os povos antigos a isca da servidão, o preço da sua liberdade, os instrumentos da tirania. Os tiranos antigos empregavam esses meios, essas práticas, esses atrativos para entorpecer seus súditos sob o jugo. Assim os povos, embrutecidos, achando belos esses passatempos, entretidos por um prazer vão, que passava rapidamente diante de seus olhos, se acostumavam a servir tão ingenuamente, e até pior, quanto as criancinhas que aprendem a ler vendo as imagens brilhantes dos livros coloridos” 
“Os tiranos de Roma recorreram também a outro meio: dar com frequencia festas às decurias públicas, iludindo como podiam essa canalha que se entrega ao prazer da boca, mais que a qualquer outra coisa. O romano mais sensato e esperto não deixaria sua tigela de sopa para recuperar a liberdade da República de Platão. Os tiranos distribuíam em profusão um quarto de trigo, um sesteiro de vinho e um sestércio, e então dava dó ouvir gritar: ‘Viva o Rei!’ Os imbecis não percebiam que recuperavam apenas uma parte do que era seu, e que mesmo a parte que recuperavam, o tirano não pudera dar-lhes se, antes, não a tivesse tirado deles mesmos. O que hoje apanhava o sestércio e se empanturrava no banquete público, bendizendo a generosidade de Tibério ou de Nero, no dia seguinte, obrigado a abandonar seus bens à cobiça, seus filhos à luxúria, seu próprio sangue à crueldade desses imperadores magníficos, não dizia palavra, mudo como uma pedra e imóvel como um tronco. O povo ignorante sempre foi assim: entrega-se com paixão ao prazer que não pode receber honestamente e é insensível ao erro e à dor, que não pode suportar sem se aviltar”. 
 “Os primeiros reis do Egito nunca se mostravam em público sem levar ora um gato, ora um ramo, ora um fogo sobre a cabeça, e desse modo se mascaravam e se fingiam de mágicos. Com essas formas estranhas, inspiravam certa reverência e admiração a seus súditos, que só deveriam rir e zombar deles, se não fossem tão estúpidos ou submissos. É realmente lamentável ouvir falar de quantas coisas os tiranos do passado se valeram para consolidar sua tirania, e de quantos meios mesquinhos se serviam, encontrando sempre o populacho tão bem disposto em relação a eles que caia em sua rede mesmo quando mal soubessem armá-la. Eles sempre tiveram facilidade em enganá-lo e nunca o sujeitaram melhor do que quando mais zombavam dele”. 
“Os próprios tiranos achavam estranho que os homens pudessem suportar um homem que os maltratasse. Por isso, se cobriam de bom grado com o manto da religião e, se possível, queriam tomar emprestada alguma amostra da divindade para manter sua vida malvada”.
                           Voltando ao que eu dizia no início, o aperfeiçoamento do conhecimento sobre os seres humanos, através do desenvolvimento da Psicologia, da Medicina, das técnicas de Marketing, das Pesquisas de Mercado, do Cálculo de Probabilidades, da Teoria dos Jogos, da Estatística, da Informática, da coleta de informações dissimuladas e secretas sobre os indivíduos, etc., têm possibilitado, cada vez mais, fazer com que os indivíduos não se deem conta de que muitas de suas idéias, pensamentos e convicções não lhes pertencem, mas foram inculcadas em suas mentes de forma sutil e sub-reptícia, através do uso de conhecimentos científicos voltados para o mal e utilizados de forma a que eles não percebam as manipulações a que são submetidos.
                                O que fazer então? - perguntarão os perspicazes leitores.
                               Creio que reconhecer a existência do problema já é um primeiro passo. Evitar esta manipulação, todavia, é algo quase impossível, principalmente em razão da forma como ela veio se estruturando, ao longo do tempo, na vida das pessoas; seja através das ciências, das religiões, da arte, da política, da filosofia, das ideologias, da moral e dos costumes, das relações de trabalho, dos sistemas econômicos, do arcabouço jurídico e institucional, das relações sociais, etc. 
                                 Quando todos estes aspectos falam, sempre, através de uma única linguagem e caminham, somente, para um único objetivo, estabelecidos sutilmente pelos senhores do planeta, fica muito difícil (senão impossível), àqueles que estão inseridos no sistema de dominação implantado mundialmente, imaginar que pode existir outra verdade diferente daquela que aprenderam até então.
                                  As tradicionalmente históricas ações da censura; da contra-informação e da desinformação planejadas; da Mídia venal e tendenciosa; das falsas pesquisas de opinião; das eleições fraudadas; das notícias mentirosas; das organizações criminosas mancomunadas entre si, no meio político e empresarial; das instituições religiosas transformadas em empresas, que somente visam o lucro para seus dirigentes; faz com que dificilmente consigamos livrarmo-nos dos laços que nos mantém atados a uma determinada forma de entender a vida e suas relações; bem como de perceber quem nós somos, de onde viemos e para onde vamos.
                                Creio que a vida humana no nosso planeta só poderá tomar outra direção na qual, eventualmente, terá chances de estruturar-se de maneira diferente e chegar a conhecer outras verdades, no caso de ocorrerem, isolados ou simultaneamente, os seguintes fatos: contatos, pacíficos ou não, com entidades extraterrestres oriundas de outros sistemas solares ou de outras dimensões; ocorrências de grandes cataclismos que eliminem enormes contingentes populacionais (aí incluída, também, grande parte das elites dominantes), fazendo com que a vida humana seja sensivelmente reduzida; mas, sem que se perca o conhecimento científico e tecnológico, até então, acumulado.
                    O fato é que, a continuar o atual modelo de desenvolvimento adotado no planeta, em que os países competem entre si por maiores populações; maiores PIB’s; maiores forças armadas; maiores parcelas do comércio mundial; maiores consumos de produtos, bens e serviços; maiores consumos do meio ambiente e dos recursos naturais; chegaremos, fatalmente, a uma nova e terrível guerra mundial. As teorias econômicas, até então formuladas, estiveram sempre preocupadas em estudar o crescimento e o desenvolvimento dos países, os quais, evidentemente, não poderão ser constantes e perenes. 
                       Talvez tenha, realmente, chegado a hora de estabelecerem, de forma pacífica, um governo mundial com redução de custos globais; com redução de forças armadas globais; com redução da população global; com redução dos consumos individuais, coletivos, meio-ambientais e referentes aos recursos naturais, sem que tenhamos de caminhar, inexoravelmente, para uma Terceira Guerra Mundial Nuclear.

                                      É possível que, se extinguidas ou unificadas aquelas características que, tradicionalmente, desuniram os seres humanos (línguas, moedas, territórios, nacionalidades religiões, patriotismo, etc.), contando com uma população menor, porém, dispondo de alto nível tecnológico, possamos nos unir e deixemos de ser habitantes de um planeta onde somos diariamente manipulados, de forma mesquinha, pelas elites dominantes e venhamos a nos transformar, definitivamente, em uma espécie livre e com ambições cósmicas.


_*/ Economista e Doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

_**/ Ensaio