quinta-feira, 5 de novembro de 2020

 405. Ensaio sobre uma possível Teoria da Evolução da Alma - Parte 3


Jober Rocha*



         Em 1937, o economista britânico Ronald Coase, em seu artigo ‘Nature of Firms’ estabeleceu o conceito de Teoria da Firma, da qual fazia parte a Teoria da Produção que desenvolveu o conceito de Função de Produção e sua expressão matemática.

          A Função de Produção indica qual a quantidade máxima, de determinado produto, que pode ser produzida, dada uma determinada quantidade de fatores produtivos e uma determinada tecnologia de produção. 

                Caso a ‘Curva do Destino’ (proposta) possa ser estimada através de métodos econométricos, talvez a aplicação da Teoria da Produção a esta função, adaptando-a aos novos conceitos, possa ensejar o surgimento de uma ‘Teoria da Evolução da Alma’.

                A referida teoria poderia permitir, da mesma forma que a Teoria da Produção, a análise dos vários aspectos relativos à Função de Evolução Incremental da Alma ou a Curva do Destino, cuja definição seria: “A Curva do Destino é aquela que indica qual a quantidade incremental máxima de evolução da alma humana, que pode ser obtida dada uma determinada quantidade de fatores de evolução interagindo em um determinado individuo”.

             Esta Teoria poderia ser formulada com base na seguinte figura:

 

       

Fatores de Evolução Variáveis: São todos aqueles fatores responsáveis pelo incremento na evolução da alma humana, já mencionados no capitulo VII.

Processo de Transformação: O processo de transformação varia de um individuo para outro e é representado pela maneira como cada indivíduo é influenciado pelos fatores variáveis de evolução, de modo a apresentar um incremento na evolução da sua alma; 

Ambiente Externo e Interno: São representados por todos os elementos de ação direta ou indireta, internos ou externos ao indivíduo, que podem influir sobre os fatores variáveis;

Incremento na Evolução da Alma: Incremento evolutivo obtido pela alma nesta existência;

Retroalimentação: Constituem as informações obtidas durante toda a vida do individuo, que tornam possível monitorar o desempenho do Sistema Evolutivo e decidir se são necessárias ou não mudanças corretivas. Tais mudanças seriam comunicadas ao individuo através do mecanismo da consciência (quando uma voz interior lhe indicaria a necessidade de mudança de rumos). O individuo poderia ouvir esta voz e seguir sua orientação ou não.

              Da mesma forma que para uma função de Produção, para a função multidimensional (no hiperespaço) de Evolução Incremental da Alma ou ‘Curva do Destino’, segundo nossa hipótese teórica, também vigoraria a ‘Lei dos Rendimentos Decrescentes’ ou ‘Lei das Proporções Variáveis’, que poderíamos denominar, neste caso, de “Lei do Incremento na Evolução da Alma Decrescente”. Esta lei seria expressa por:

          “Aumentando-se a quantidade de um Fator de Evolução Variável (conhecimento, saúde, riqueza, estado emocional, etc.), permanecendo fixa a quantidade dos demais fatores, o Incremento na Evolução da Alma, a principio, crescerá a taxas crescentes. A seguir, após certa quantidade utilizada (ou atingida) do fator variável, o Incremento passará a crescer a taxas decrescentes. Continuando o aumento da utilização do fator variável, o Incremento na Evolução da Alma decrescera.”. 

                 Tal fato indicaria a necessidade de uma combinação harmônica entre os fatores de evolução da alma; pois, a prevalência de um deles, sobre os demais, afetaria negativamente o Incremento na Evolução da Alma.  A partir de um determinado ponto, maior quantidade de riqueza, por exemplo, poderia afetar de modo negativo o incremento na evolução da alma. Da mesma forma, ocorreria o mesmo com todos aqueles fatores (ou variáveis), estatisticamente significantes, incluídos na função pelo pesquisador, que se mostrassem importantes para a análise do fenômeno em pauta.

                     A ‘Curva do Destino’ representaria, assim, a maneira como os Fatores de Evolução (Xi) deveriam ser combinados, de modo a dar origem a um Incremento na Evolução da Alma (Y). Sua análise permitiria conhecer alguns interessantes indicadores, quais sejam: A evolução média de um dos fatores (EM) poderia ser calculada como o quociente entre a quantidade incremental obtida de Evolução da Alma e a quantidade utilizada do fator em questão. Algebricamente: EM (Xi) = Y/Xi

          A Evolução Média do fator Xi indicaria qual a quantidade de unidades de Incremento na Evolução da Alma seria devida ao fator Xi.

                    A Evolução Marginal de um fator (EMg) seria calculada como o quociente entre a Variação Incremental na Evolução da Alma (Y) e a Variação na Quantidade Utilizada do fator em Questão (Xi). Alternativamente, poder-se-ia pensar na Evolução Marginal de um fator Xi como sendo a derivada da ‘Curva do Destino’ Y = f(X1, X2...Xn)  em relação a Xi, ou seja:

EMg (Xi) =   @Y/ @ Xi  =  @  f(Xi,X2...Xn)/ @ Xi

          A Evolução Marginal de Xi mediria a quantidade de unidades de Incremento na Evolução da Alma (Y), que aumentaria com o acréscimo de uma unidade do fator Xi.

          A ‘Curva do Destino’ representaria, também, as possibilidades de evolução máxima do Incremento na Alma Humana, utilizando, de modo ótimo, os fatores Xi e poderia, também, ser dividida em ‘Estágios de Evolução’.

                   No Estágio I o Incremento na Evolução da Alma cresceria a taxas crescentes e decrescentes, até o ponto onde a Evolução Marginal do fator variável Xi se igualaria a Evolução Média deste fator, em seu ponto máximo.

                     No Estágio II o Incremento na Evolução Total da Alma cresceria a taxas decrescentes até o seu ponto máximo, sendo a Evolução Marginal do fator variável Xi, sempre decrescente, até o ponto onde ela se igualaria a zero.

          No Estágio III o Incremento na Evolução da Alma seria decrescente, sendo a Evolução Marginal do fator variável Xi, decrescente e negativa.

                    A ‘Curva do Destino’, por outro lado, poderia ser influenciada por Fatores Fixos e Fatores Variáveis.

                 Os Fatores Variáveis poderiam ser, por exemplo: O estágio de desenvolvimento intelectual, alcançado pelo individuo, no tempo T; os estágios de desenvolvimento físico e material, alcançados pelo individuo, no tempo T e o estágio de desenvolvimento emocional, alcançado pelo individuo, também no tempo T. Isto poderia ser levantado mediante testes aplicados por profissionais das respectivas áreas.

                        Os Fatores Fixos poderiam ser as chamadas variáveis ‘Dummy’, representando o numeral um quando ocorrerem e zero quando não ocorrerem.

                            Não caberia falar, como na Função de Produção, em Taxa Marginal de Substituição entre Fatores, entendida esta como: “O quanto o individuo estaria disposto a trocar, de um Fator de Evolução por outro, a fim de manter o seu mesmo grau de Incremento na Evolução da Alma e permanecendo, ainda, na mesma Curva do Destino”, porque o Incremento na Evolução da Alma pressupõe uma combinação harmônica entre os fatores de evolução e não a substituição técnica entre eles. As Elasticidades de Substituição entre os Fatores de Evolução deverão ser, neste caso, zero ou próximas de zero.

                      A ‘Curva do Destino’ poderia ensejar, ainda, com base em uma adaptação da Teoria da Firma, o enunciado de uma “Lei do Retorno”, cujo conceito poderia definir: “a forma como o Incremento na Evolução da Alma se comportaria, na medida em que fossem sendo agregadas maiores quantidades dos Fatores Variáveis (conhecimentos, saúde física, bens materiais, etc.)”. 

               Assim, o ‘Retorno de Escala’ seria constante, quando, ao aumentarmos Z vezes os Fatores Variáveis responsáveis pelo Incremento na Evolução da Alma, este Incremento também aumentasse Z vezes; isto é: Se  Y = f(X1...Xn),  então  f(ZX1...ZXn)  é igual a Z f(X1...Xn). Neste caso a soma das Elasticidades da Evolução da Alma, com relação aos fatores, seria igual à unidade.

                   O ‘Retorno de Escala’ seria crescente, quando, ao aumentarmos Z vezes os Fatores Variáveis responsáveis pelo Incremento na Evolução da Alma, este Incremento aumentasse mais do que Z vezes; isto é: Se Y = f(X1...Xn), então  f(ZX1...ZXn)  é maior que Z f(X1...Xn). Neste caso a soma das Elasticidades de Evolução da Alma, com relação aos fatores, seria maior que a unidade.

               O ‘Retorno de Escala’ seria decrescente, quando, ao aumentarmos Z vezes os Fatores Variáveis responsáveis pelo Incremento na Evolução da Alma, este incremento aumentasse menos do que Z vezes, isto é: Se Y = f(X1...Xn), então  f(ZX1...ZXn) é menor do que Z f(X1...Xn). Neste caso a soma das Elasticidades de Evolução da Alma, com relação aos fatores, seria menor que a unidade.

                   Por sua vez, não há como se falar em Curva de Indiferença de Evolução, para o incremento na evolução da alma; posto que, não existem combinações alternativas, entre as variáveis (ou fatores), que pudessem ser utilizadas pelo individuo para influenciar o referido incremento, de modo a manter a alma no mesmo nível de evolução. Os fatores não são substitutos entre si; mas, sim, necessitam ser combinados, harmonicamente, para proporcionar o incremento desejado.

              Da mesma forma não há, também, como se falar em Iso incremento de Evolução; isto é, em uma curva que representasse várias combinações de variáveis ou fatores, responsáveis pelo incremento na evolução da alma, que resultassem a mesma quantidade de incremento. As variáveis independentes ou fatores de incremento não são substituíveis uns pelos outros, tecnicamente, para propiciar mais evolução. Mais saúde ou mais riqueza, não substituiria mais conhecimentos, relativamente ao incremento na evolução da alma.

                  A figura a seguir representa (de forma simplificada, no plano xq de duas dimensões) uma Função de Produção (ou, no caso presente, uma Função Multidimensional de Evolução Incremental da Alma Humana ou a ‘Curva do Destino’). Nesta adaptação da Função de Produção para a ‘Curva do Destino’, no eixo dos Y (ou q) ter-se-ia o Incremento na Evolução da Alma e, no eixo dos X, os Fatores Variáveis de Evolução (Xi). O traçado da Função representaria, assim, a própria ‘Curva do Destino’, de uma maneira simplificada, em um plano de duas dimensões.

           Formato típico da ‘Curva do Destino’ ou Função de Evolução Incremental da Alma (q), da curva de Evolução Média (Pme) e da curva de Evolução Marginal (PMg).




                    A imagem acima mostra o formato normalmente apresentado pela ‘Curva do Destino’, pela curva de Evolução Média e pela curva de Evolução Marginal, no curto prazo. A sua característica parabólica é resultado da aplicação da ‘Lei do Incremento na Evolução da Alma Decrescente’ (que estabeleci) ou das ‘Proporções Variáveis’. No longo prazo, o formato dessas curvas dependerá da ‘Lei do Retorno’, conforme veremos na imagem a seguir:

 


Tipos de Retornos de Escala

                    O conceito de retornos de escala, conforme já visto, define a forma como o incremento na evolução da alma aumenta, a medida que  vão se agregando mais fatores de evolução.

          Na formulação matemática da função poderiam ser testadas equações com várias variáveis, de qualquer um dos inúmeros tipos existentes na matemática, para os quais vigorassem a Lei dos Rendimentos Decrescentes ou das Proporções Variáveis.

          O método quantitativo a ser utilizado poderia ser o dos Mínimos Quadrados, ordinário ou bi-etápico (utilizando séries temporais ou cortes seccionais). O importante seria definir corretamente as variáveis e estabelecer a melhor forma possível de coletá-las. A utilização dos modernos computadores simplificaria bastante o trabalho de ajuste das diversas funções possíveis, objetivando selecionar a mais adequada. A parte mais difícil seria a da coleta das informações necessárias para a estimação da função. A constante da curva; isto é, sua ordenada com relação à origem dos eixos das variáveis, poderia ser constituída pela soma de características trazidas pelo individuo quando do seu nascimento. Cada indivíduo possuiria, assim, uma curva distinta, que poderia partir de um patamar (ordenada com relação à origem dos eixos) diferente do dos demais.

          Se atentarmos para o antigo ditado popular: “Deus escreve certo por linhas tortas”, veremos que, empírica e intuitivamente, imaginou-se a comunicação determinística (Deus escreve certo) entre o Criador e suas criaturas, sendo feita através de curvas (por linhas tortas). Teoricamente descartamos, também, a equação de uma reta porque para esta não vigoraria a “Lei dos Rendimentos Decrescentes ou das Proporções Variáveis”.

                     A função a ser definida poderia, portanto, possuir qualquer forma. Aquela, dentre as equações estimadas, que melhor representasse o fenômeno em questão poderia ser a adotada para efetuar análises e previsões. Poder-se-ia, estimada a função, calcular o seu limite e a existência de pontos de inflexão.

                     Nos pontos de derivada zero, poderiam ser determinados máximos e mínimos. Em um ponto de derivada primeira nula, se a derivada segunda fosse positiva, estaríamos diante de um mínimo, e se fosse negativa de um máximo. 

                        Quais poderiam ser os significados metafísicos deste máximo e deste mínimo, com respeito ao incremento na evolução da alma nesta existência terrestre? O limite matemático da Curva do Destino, o que poderia significar? Que a vida do individuo chegaria ao fim naquele ponto, já que não evoluiria mais nesta existência? Um ponto de inflexão, onde a curva mudasse de concavidade ou de convexidade, poderia significar a ocorrência de algum evento bom ou mal para a evolução da alma do indivíduo? Poderia indicar que a partir daquele ponto sua evolução estaria crescendo ou decrescendo? Poder-se-ia confirmar ou prever, através da análise da ‘Curva do Destino’, a data de acontecimentos importantes, tanto passados quanto futuros para o progresso intelectual, físico, material ou emocional do indivíduo?

                 A integral múltipla da Curva do Destino - variando de zero até determinados valores de cada um dos fatores de evolução, obtidos no ato da coleta dos dados da série temporal, poderia indicar o incremento total na evolução da alma do indivíduo, nesta encarnação, desde o seu nascimento até aquela data?

          Estimadas as funções e determinada, dentre todas as formas matemáticas testadas, aquela que mais se adaptaria ao fenômeno estudado, fazendo uso dos cálculos diferencial e integral, poderiam ser obtidas respostas para questões metafísicas até então não respondidas? A utilização de métodos como a Econometria (desenvolvida para a quantificação e o estudo dos fenômenos econômicos) e a Sociometria (desenvolvida para a quantificação e análise dos fenômenos sociológicos), na determinação e no estudo da função matemática a ser estimada, poderia vir a ensejar o desenvolvimento de um novo método, o da ‘Metametria’, para estudar os fenômenos da Metafísica? 

              Cada um dos seres individuais teria, portanto, uma função que melhor se adaptaria a sua evolução e que, certamente, poderia ter uma forma distinta da dos demais seres, com diferentes coeficientes e constantes. As funções poderiam ser homogêneas ou não, com elasticidades do incremento na evolução da alma constantes ou variáveis.

                   Com a função determinada matematicamente poder-se-ia, finalmente, fazer previsões de uma forma científica sobre o incremento na evolução da alma de cada indivíduo; isto é, sobre o cumprimento de sua missão antecipadamente programada (ou de seu destino) nesta existência, sem a necessidade de recorrer aos astros, à numerologia, às cartomantes, ao tarô, às ciganas e aos magos? 

                      Poder-se-ia (quem sabe?) prever a data em que a missão do individuo nesta vida chegaria ao seu final, já que toda função possui um limite matemático? Da mesma forma poder-se-ia, talvez, pela analise do comportamento da curva, confirmar acontecimentos passados ou prever acontecimentos futuros?

                   Uma investigação sobre o tema proposto consumiria tempo, além de recursos físicos e financeiros; porém, poderia ser um importante passo dado na direção do entendimento da evolução espiritual, através de encarnações sucessivas, tão instigante mistério divino a desafiar nosso entendimento metafísico.

          O assunto envolve conhecimentos relativos aos campos da Filosofia, da Religião, do Esoterismo e das Ciências (Matemática, Psicologia, Estatística, Física, Economia, Informática, além de outras), dificultando, sobremaneira, o entendimento do problema e o seu possível equacionamento.

          Por outro lado, muitos considerarão esta hipótese como uma afronta ou mesmo como uma heresia, por tentarmos penetrar nos domínios da Religião com técnicas próprias da Ciência.

          Dirão, certamente, que, com o nosso orgulho, tentamos vencer o abismo infinito que nos separa de Deus, ao qual conhecemos por suas obras e que, tão somente, o nosso orgulho pretende definir.

                 Para refutarmos esta crítica basta que nos lembremos de que a Ciência não foi inventada por nós, seres humanos; mas, sim, pelo nosso Criador. Nós apenas a descobrimos com a nossa inteligência, perseverança, espírito contestador, inquiridor e inovador, atributos que recebemos deste mesmo Criador. Se Ele tem nos permitido, até agora, descobrir, por intermédio da Ciência, parte dos segredos de ordem Física de sua criação, não há porque supor que com os segredos de ordem Metafísica será diferente.

          Talvez, simplesmente, nosso estágio de evolução, intelectual e cultural, ainda não permita que vislumbremos o portal que nos possibilitará penetrar nestes mistérios.

          A hipótese por nós levantada, entretanto, não é, totalmente, descartável. Voltaire, em 1752, afirmava que: - “Poderíamos, ainda, acrescentar aos objetos da Metafísica até mesmo os princípios matemáticos de pontos sem extensão, linhas sem largura, superfícies sem profundidade, unidades divisíveis ao infinito, etc.” Evidentemente que se princípios matemáticos podem ser considerados como fenômenos metafísicos, estes, por sua vez, poderão ser submetidos à análise da Matemática.

                      Devemos tem em mente que o Criador, que tudo sabe, ao dar-nos a capacidade de pensar, questionar, investigar e inquirir sabia que, um belo dia, nossas atenções se voltariam para Ele e que não descansaríamos enquanto não entendêssemos (de uma forma que satisfizesse plenamente a nossa inesgotável curiosidade) o mistério da criação, fazendo uso de todas essas ferramentas intelectuais e emocionais com que, graciosa e amorosamente, Ele nos presenteou desde o inicio da nossa vida sobre a face do planeta.   Pode ser que ainda se passem muitos séculos antes que o consigamos; mas, graças a estes instrumentos de analise que nos foram dados, até lá, certamente, viveremos e morreremos tentando.

                    Sem dúvida poderão faltar, no atual ‘estado das artes e das ciências’, mecanismos adequados para coleta de observações sobre as variáveis que parecem importantes para o incremento na evolução da alma do ser humano, enquanto encarnada e pertencente a este universo físico.  Entretanto, isto não quer dizer que em um futuro próximo tal quantificação não seja possível. Alguém já disse que tudo aquilo que o ser humano um dia for capaz de imaginar, em outro será capaz de realizar. A falta de informações atuais sobre a quantificação das variáveis, entretanto, não invalidaria a teoria proposta, já que qualquer fenômeno verificado em nosso mundo físico possui uma equação que o descreve e com a evolução da alma não seria diferente. Embora a alma se trate de um fenômeno Metafísico, ela evolui neste mundo físico. Apenas depois de desencarnada evoluirá em um mundo Metafísico. Confio na capacidade dos Matemáticos, Economistas, Estatísticos, Sociólogos, Filósofos e Religiosos para, futuramente, definirem as variáveis dependentes da equação matemática, que são importantes para a evolução da alma. Confio também nos estatísticos e matemáticos para definirem qual a melhor equação matemática da curva que mais se ajusta ao fenômeno em questão.

                  Como todo fenômeno ocorrendo neste mundo em que vivemos, a evolução da alma de todos os seres humanos possuirá uma equação que a represente, desconhecida atualmente, mas, com certeza, conhecida no futuro.

          Reconheço que muitos não concordarão com os conceitos e hipóteses, aqui formulados; entretanto, estes não serão nem melhores, nem piores que quaisquer outros que possam ser sugeridos alternativamente; pois, na ausência de uma explicação científica adequada para os fenômenos metafísicos que se apresentam em nosso universo, permaneceremos, sempre, no campo das ideias e das hipóteses, argumentando apenas com a ajuda da Filosofia e da Religião (ou seja, dos dogmas e da fé neste caso). Lembremo-nos, entretanto, que o mais difícil de tudo, para nós seres humanos, tem sido entender e explicar aquelas coisas simples, que sempre nos acostumamos a observar diariamente com nossos próprios olhos.

          Finalmente, após haver chegado a este ponto e esgotados todos os possíveis argumentos, faço minhas as palavras de Voltaire, em seu ‘Tratado de Metafísica’: -“Não consigo avançar mais nessas trevas. Detenho-me quando me falta a luz de meu archote”.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.


quarta-feira, 4 de novembro de 2020


404. Ensaio sobre uma possível Teoria da Evolução da Alma- Parte 2


 Jober Rocha*


         O filósofo Ludwig Wittgenstein disse em uma de suas obras que filosofar é como tentar descobrir o segredo de um cofre: cada pequeno ajuste no mecanismo parece levar a nada. Apenas quando tudo entra no lugar a porta se abre.  A empreitada a que me propus é idêntica à tentativa de abrir um cofre que esteve fechado desde o início da criação humana. Cada ajuste pertence a um ramo do conhecimento. Existe o primeiro ajuste religioso, o segundo filosófico e o terceiro científico, como todo cofre que só abre sua porta após três movimentos: o primeiro para a esquerda, o segundo para a direita e o terceiro, novamente, para a esquerda.                           

            Considerando que o judaísmo, o catolicismo, o islamismo e o protestantismo creem todos na imortalidade do espírito e tendo em mente, segundo rezam estas doutrinas, que o período em que o ser humano passa encarnado é de apenas uma gota no oceano da sua existência espiritual eterna, alguns leitores poderiam levantar as seguintes questões: Qual a necessidade do espírito encarnar esta única vez? Apenas uma única encarnação, de uns poucos anos, seria suficiente para que o espírito obtivesse toda a evolução de que necessitaria (considerando que este não encarnaria já evoluído, mas encarnaria ignorante e simples, segundo preconizam estas doutrinas)? E se não conseguisse obter essa evolução, em sua única passagem por este mundo, por escolhas erradas feitas em razão, talvez, do que consideraria como seu livre arbítrio?   Não teria outras oportunidades, amorosa e compreensivelmente concedidas pelo Criador?  Não seria, talvez, um menosprezo, pelos desígnios desconhecidos do mundo espiritual, achar que apenas uma breve passagem pelo mundo material seria suficiente para que o espírito evoluísse tudo aquilo de que necessitaria? Ocorre, ainda, que, sendo Deus o único ser não criado, e tendo ele criado todos os demais seres, como se explicaria o fato de haver criado espíritos já evoluídos (os anjos, que não necessitariam encarnar na Terra) e espíritos ainda não evoluídos (nós outros, que teríamos de encarnar para evoluir)? Teria o Criador adotado dois pesos e duas medidas para suas criaturas? Por que não sermos, todos nós, espíritos de luz ou, todos nós, espíritos sem luz? Será que o fato de possuir luz (ou evolução) não seria, apenas, uma quantidade maior de encarnações vivenciadas?

          Por sua vez, ao pregar o juízo final (quando os mortos ressuscitariam) não estariam, todas estas religiões, aceitando implicitamente a ideia da reencarnação, pois os mortos ao ressuscitarem passariam, sem dúvida, na ocasião, a ter uma alma, já que não há corpo humano vivo sem uma? Esta alma, certamente, não seria a sua própria (e não outra), que teria deixado o mundo espiritual para penetrar no mundo material novamente; isto é, reencarnando em um corpo de matéria?

                        Por outro lado, alguns leitores poderiam, também, questionar: - Se acreditarmos que a ressurreição dos mortos refere-se apenas a ressurreição do espírito e não a do corpo físico (até porque a dimensão espiritual onde, certamente, encontraremos o Criador e os demais Espíritos de Luz, não deverá ser uma dimensão material, de modo a que nela possam habitar corpos físicos ressuscitados convivendo com espíritos); ou seja, que tão somente os espíritos dos mortos iriam reviver na ocasião do juízo final, não estaríamos diante de uma contradição, já que o espírito, segundo afirmam, é imortal?

                      Pelo exposto, constata-se que todas as religiões creem na existência de uma alma (ou de um espírito) e que esta é parte integrante do ser humano. Várias acreditam na existência do destino (ou carma) ou na predestinação para a salvação.  Todas acreditam na evolução da alma (ou espírito). Algumas creem na reencarnação, outras não. A ‘Curva do Destino’, a rigor, iria ao encontro, basicamente, do preconizado pelo budismo, pelo espiritismo, pelo hinduísmo, pelo confucionismo e pelo taoísmo religiões estas que creem no determinismo e na reencarnação e, apenas, parcialmente, ao pregado pelo Islamismo no que tange a existência do destino.

                       As correntes filosóficas e os principais filósofos que estudaram o assunto, por sua vez, alternam-se, aceitando ou não o determinismo, reconhecendo ou não o livre-arbítrio. As culturas mais antigas, orientais, sob a influência do budismo e do hinduísmo, optaram por uma visão determinística da existência humana, que beneficiaria a evolução da alma.

                     As culturas ocidentais, sob a influência do judaísmo/ catolicismo/protestantismo, optaram por uma visão de livre-arbítrio, que beneficiaria a satisfação dos desejos do ego.   Estas duas visões parecem justificar o estagio de desenvolvimento econômico e científico mais elevado no ocidente que no oriente.

                             No próprio ocidente cristão os países de religião protestante, que consideram ademais a importância do sucesso material para a entrada no reino dos céus, desenvolveram-se mais (econômica e cientificamente) que aqueles de religião católica, para os quais a riqueza importa menos quando se trata de fazer parte deste reino. Em Mateus, 19,16 a 22, Jesus diz: “... um rico dificilmente entrará no reino dos céus... é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no reino de Deus”.

                           Em que pesem possíveis erros de tradução e de interpretação daquilo que disse Jesus, pode-se notar, no entanto, a importância crucial que a escolha, dentre um destes dois tipos de visão (determinística ou de livre-arbítrio), teve, até agora, na história do desenvolvimento econômico e científico da civilização humana.

                        O próprio trato com a natureza e a visão acerca do meio ambiente, têm sido influenciados por estes dois tipos de maneira de encarar a vida. A ideia filosófica, básica, sobre Deus, das culturas orientais, é a de que este é imanente a nós e a todos os demais seres; enquanto a cultura ocidental o considera como um ser transcendental e distante de nós.     A ideia de Deus imanente em todos os seres fortaleceu-se de tal modo no oriente, que acabou por surgir á ideia de que tudo é Deus, o que se denominou de panteísmo. Conforme o panteísmo, todos os seres e toda a existência de Deus são concebidos como um todo. Deus é a cabeça da totalidade e o mundo é seu corpo. As mais importantes religiões orientais (hinduísmo e budismo) são panteístas. O panteísmo oriental acentua o caráter intrinsecamente religioso da natureza; isto é, toda ela está animada pelo alento divino e, por isso, é como se fosse o corpo da divindade que, como tal, deve ser respeitada e venerada.

                          No ocidente, os críticos do panteísmo o acusam de ser uma espécie de ateísmo que nega a personalidade de Deus, como externo ao próprio universo. O catolicismo afirma que o panteísmo questiona não somente a fé católica, mas, segundo ele, o bom senso e a sã razão. Com efeito, para o catolicismo, Deus não poderia (nem parcialmente) identificar-se com o mundo, pois, por definição, é absoluto, necessário e ilimitado; ao passo que o mundo é relativo, contingente e limitado. Além disto, afirma que não pode haver evolução ou progresso em Deus, pois toda evolução pressupõe ou aquisição ou perda de perfeição; o que, em qualquer caso, implica em imperfeição, o que é absurdo em Deus.

                             Assim, para o catolicismo, Deus é, essencialmente, distinto do homem, do mundo e da realidade, visíveis, já que é absoluto e eterno, ao passo que as criaturas sensíveis são relativas, transitórias e temporárias. As principais religiões e doutrinas religiosas ocidentais são monoteístas (catolicismo, protestantismo e espiritismo).

                           Por sua vez, a crença politeísta das populações indígenas da América do Norte, Central e do Sul manteve preservada a natureza no novo continente, até a chegada do colonizador europeu. Considerando que a natureza era povoada de deuses (Deus das águas, dos animais, da terra, das colheitas, do sol, do ar, etc.), destruí-la era destruir os deuses ou destruir aquilo que a eles pertencia.

                        O Sistema Capitalista, que se iniciou no ocidente com a revolução industrial, trouxe ao mundo a ideia de que a redenção da humanidade estaria no crescimento econômico e no progresso, atendendo aos anseios do ego. Mais qualidade e quantidade de bens duráveis, bens de consumo de todo tipo, bens de produção, etc.

                            Na ânsia pela produção destes bens, muitas vezes supérfluos, que, supostamente, visariam atender as necessidades dos seres humanos, a natureza é vista como uma fonte de recursos inesgotável e, muitas vezes, gratuita.   Com isto, a pilhagem, a destruição e o desperdício, em escala mundial, têm se intensificado em nome do progresso.

                         Muito desta destruição atual se deve à maneira como os seres humanos encaram a natureza. Ao considerá-la, em razão de crenças religiosas, como tendo sido criada por Deus apenas para a satisfação de nossos desejos, como acontece no ocidente, passamos a consumi-la sem culpa, sem remorsos e sem cuidados.

                    Caso vigorassem aqui visões panteístas ou politeístas da divindade, certamente, o consumo do meio ambiente seria menor; já que, filosoficamente, pensaríamos diferente com relação à natureza da divindade.

                    A globalização da economia, com a expansão do Sistema Capitalista para o oriente, tem feito (e continuará fazendo) com que aumente a destruição do meio ambiente e que o consumo da natureza, nesta parte do globo terrestre, cada vez mais, deixe de ser feito de maneira sustentável.

                         Com base no que dizem as religiões e a filosofia, podemos, então, estabelecer as seguintes hipóteses: 1. A existência humana é determinística e Deus está em toda a natureza (Budismo, Hinduísmo, Sufismo, Confucionismo, Taoísmo e Xintoísmo); 2. A existência humana é determinística e Deus está fora da natureza (Islamismo, Espiritismo); 3. A existência humana possui total livre-arbítrio e Deus está em toda a natureza (nenhuma religião comunga com esta hipótese, pois, aparentemente, se trataria de uma contradição religiosa); e 4. A existência humana possui total livre-arbítrio e Deus está fora da natureza (Catolicismo, Protestantismo).

                        Cada uma destas hipóteses implicaria em uma maneira diferente, para seus seguidores, de encarar a vida e os demais fenômenos metafísicos.

                          A primeira hipótese seria a que mais nos aproximaria do Criador (que estaria na própria natureza) e, portanto, implicaria em uma menor necessidade da intermediação por parte de organizações religiosas entre Deus e os homens, além de induzir a uma maior pratica das chamadas virtudes, por parte dos cidadãos, em razão da visão determinística da existência.

                         A última delas seria a que mais nos distanciaria do Criador, criando, assim, uma necessidade maior da presença de instituições religiosas para servir de ponte entre o Criador e as criaturas e induziria a uma maior pratica dos chamados vícios (pecados), por parte dos cidadãos, em razão da visão religiosa de livre arbítrio e do constante apelo do Sistema Capitalista para a satisfação dos desejos do ego. Em que pesem os avanços obtidos pela ciência, de um modo geral, nós ainda estamos bem longe de poder encontrar explicações para os fenômenos metafísicos que, há milênios, ocupam constantemente o pensamento daqueles que se interessam pelo assunto. As teorias religiosas, filosóficas e cientificas têm-se sucedido, umas as outras, em um perpétuo embate ideológico pela primazia da posse sobre a verdade metafísica. A maior parte delas tenta esconder seu total desconhecimento sobre como as coisas ocorrem naquela realidade, através de textos muitas vezes rebuscados, ininteligíveis ou herméticos.

                          Pelo que podemos deduzir, com base em todas as informações a que até agora tivemos acesso, parece que tem sido constantemente negado ao ser humano, desde o inicio dos tempos até os dias atuais, o conhecimento irrefutável de como as coisas se passariam no território em que penetramos após a morte. As únicas instituições a se aventurarem a alguma incursão a respeito, neste campo, são as religiosas, que, todavia, o fazem não através de uma comprovação científica, mas, sim, da chamada ‘revelação’, que necessita da fé para se transformar em verdade aceita. Considerando que a espécie humana é portadora de características muito especiais, que lhe conferem um lugar de destaque entre as demais espécies, através do seu desenvolvimento intelectual e do acumulo de conhecimento proporcionado pelo progresso das ciências, chegaremos, com certeza, a descobrir como as coisas ocorrem do outro lado; mesmo porque, em conformidade com o nosso ponto de vista, grande parte dos fenômenos metafísicos de hoje serão, apenas, simples fenômenos físicos amanhã. Pelo fato de desconhecermos, no presente, as verdadeiras explicações para estes fatos, os colocamos para além da Física. Entretanto, todos eles não passariam de simples fenômenos pertencentes ao campo das ciências, conforme constataremos, com certeza, futuramente.

               Miriam Patitucci em seu trabalho “A Matemática da Reencarnação”, fornece algumas interessantes estatísticas sobre o fenômeno da reencarnação:

* Existem cerca de 30 bilhões de espíritos, encarnados e desencarnados, ligados ao planeta Terra; sendo, destes, 6,9 bilhões encarnados (1/5) e 23,1 bilhões desencarnados (4/5);

* Dentre os espíritos encarnados, 4 bilhões são de almas doentes em processo de reeducação, 2 bilhões são de almas em busca de recuperação e 500 milhões são de almas missionárias coletivas para o progresso e bem-estar social.

* Dentre os espíritos desencarnados, 12 bilhões encontram-se, ainda, em lutas e sofrimentos, sem condições de reencarnar.  Seis bilhões se encontram em tarefas regenerativas e 5,5 bilhões constituem espíritos elevados, guias espirituais, espíritos superiores, avatares, auxiliares galácticos, etc., em sua maioria liberados de reencarnações.

* Dentre os espíritos desencarnados, ¼ não têm mais condições de reencarnar e serão enviados, compulsoriamente, para planetas mais atrasados. ¼ constituem espíritos evoluídos que não reencarnam mais e trabalham pelo progresso espiritual da terra. ¼ são formados por espíritos que ainda terão uma chance de reencarnar (são os refratários que se negam a reencarnar por mais de 2 ou 3 séculos). ¼ são formados por espíritos em regeneração.

* Uma estimativa da evolução da população encarnada e desencarnada, desde o início da era cristã, é a seguinte:

Ano 0 (Jesus Cristo)

300 milhões de encarnados

19,5 bilhões de desencarnados

Ano 476 D.C.(Inicio da Idade Média)

200 milhões de encarnados

19,8 bilhões de desencarnados

Século XV (Início dos descobrimentos)

500 milhões de encarnados

19,5 bilhões de desencarnados

Século XX (1900)

1,6 bilhões de encarnados,

18,4 bilhões de desencarnados.

Século XXI  (2000)

6,5 bilhões de encarnados,

23,5 bilhões de desencarnados.

Seres em processo de dor e doenças do espírito e do corpo:

*  16 bilhões (encarnados e desencarnados), sendo:

 4 bilhões (encarnados),

 12 bilhões (desencarnados).

Existiria, assim, uma média de três espíritos em crise, para cada alma encarnada em sofrimento.

*  Dos 16 bilhões mencionados, em processo de dor e doenças, tem-se:

 4 bilhões de enfermos buscando o bem,

 4 bilhões de criaturas perversas que, deliberadamente, agem mal,

 8 bilhões em estado de apatia, indiferença, indecisão e desânimo.

Estatísticas do Brasil:

*  191,5 milhões de encarnados,

*  766 milhões de desencarnados.

 Em uma residência com 5 espíritos encarnados, transitarão cerca de 20 espíritos desencarnados.


                  Alguns autores estimam o número médio de encarnações a que cada ser humano foi submetido, até o presente, da seguinte forma:

                       Suponhamos que todos nós já tenhamos vivido na Terra desde o surgimento dos primeiros homens, na pré-história, e consideremos, por hipótese, que todos nós tenhamos passado por um mesmo número de encarnações, apenas neste planeta.

                         Existe um total de cerca de seis bilhões de espíritos encarnados, atualmente, no nosso planeta (efetivo total da população mundial). Alguns estudos apontam para cerca de 120 bilhões de nascimentos de seres humanos, ocorridos no planeta Terra, desde o surgimento do homem primitivo até o presente.

                    Dividindo-se este número pelo número atual de habitantes, chegaremos a um total de 20 encarnações, em média, para cada habitante existente na atualidade, supondo, conforme já dito, que todos reencarnaram no mesmo planeta, a Terra.

             Evidentemente, esta hipótese considera que a evolução alcançada por todos os espíritos tenha sido a mesma, até o presente, o que não deve ser verdade. Como se trata de um valor médio, do qual não conhecemos a variância nem o desvio padrão, alguns indivíduos poderão ter tido muito mais encarnações e outros muito menos, que as vinte consideradas.

(Continua)

 

_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

 403. Ensaio sobre uma possível Teoria da Evolução da Alma - Parte 1


Jober Rocha*



                              O presente estudo, que pretendo desenvolver com maior profundidade futuramente, abrange dois universos distintos do pensamento humano: o da Ciência e o da Filosofia.
                                 Para o primeiro, torna-se obrigatória a separação entre o observador e o fenômeno observado. Para o segundo essa separação não é necessária.
                                   Um segundo paradigma, da Ciência, é o da obrigatoriedade de tratar de fenômenos observáveis, evidentes ou comprováveis, segundo um rito que permitiria as suas reproduções, por quem quer que, porventura, estudasse os fenômenos em questão.
                    Finalmente, seria necessário – para que fosse possível tratar matematicamente suas conclusões – que os fatores que influem em suas representações fossem mensuráveis, com mecanismos que independessem dos observadores que os medissem. Acreditamos que estes três paradigmas estejam presentes na parte cientifica deste trabalho; isto é, no que respeita a formulação de uma função matemática explicativa da evolução da alma humana, que é o nosso objetivo presente.
                              No que respeita a parte filosófica das hipóteses desenvolvidas no trabalho, estas pressupõem a existência de três fatores: de um determinismo para a vida dos seres humanos, da existência real da reencarnação e da necessidade de evolução espiritual.  Muitos leitores poderão não concordar com estas pressuposições, por razões filosóficas ou mesmo religiosas. Todavia, elas são aceitas por parcela substancial da raça humana e, ademais, como bem disse um filosofo: “A crença ou não, nesses pressupostos não impede que eles existam verdadeiramente e que continuem a existir”. Tais hipóteses pressupostas, embora ainda não sejam comprovadas pela Ciência oficial, são aceitas, filosófica e religiosamente, por enorme contingente de pessoas em todo o mundo (pelos Budistas, pelos Espíritas, pelos Hinduístas, etc.).
                                Alguns dirão, no entanto, que enquanto a alma e a reencarnação não forem fenômenos observáveis, qualificáveis e reprodutíveis, não pertencerão e não serão aceitos como fenômenos do campo das Ciências Físicas. A estes diremos nós que, da mesma forma que Fibonacci, no ano de 1.200 d.C, encontrou uma sequência numérica (Espiral de Fibonacci) e um número (PHI) que se apresentam idênticos em milhares de fenômenos da Natureza, indicando a existência de uma inteligência por detrás de todos estes fenômenos, a descoberta de uma função matemática que descrevesse o incremento na evolução da alma humana, cujas variáveis independentes fossem correlacionadas à variável dependente e estatisticamente significantes segundo critérios matemáticos, poderia constituir-se em uma prova científica, evidente, dos pressupostos considerados aqui neste estudo.
                                   Assim, a vida do ser humano, como nós a consideramos na hipótese desenvolvida ao longo deste nosso trabalho e fazendo eco com as palavras de Platão, seria programada antecipadamente ao seu nascimento.
                                Segundo a minha hipótese, portanto, o incremento na evolução da alma humana (considerando esta o espírito enquanto encarnado) ocorrido nesta vida, desde o nascimento até a morte do corpo físico, transcorreria em conformidade com uma curva matemática pré-determinada (a que denomino de Curva do Destino), que poderia ser expressa por intermédio de uma função matemática, cuja equação poderia ser determinada através de Métodos Econométricos, a partir de variáveis previamente selecionadas. 
                                      A predeterminação desta função começaria, dentre outros aspectos, pela família na qual o espírito encarnaria, pela aparência e características do seu corpo físico, além de sua inteligência potencial e de seu caráter; frutos, estes últimos, do seu estagio de evolução espiritual anterior (isto é, em vidas passadas). Isto poderia constituir uma possível explicação para o fato de dois indivíduos, concebidos pelos mesmos pais, com o mesmo DNA, submetidos a uma mesma educação e vivendo juntos no mesmo local, apresentarem, todavia, comportamentos e caracteres inteiramente distintos, bem como destinos completamente diferentes. Da mesma forma, poderia explicar mudanças extraordinárias ocorridas na vida de qualquer indivíduo, atribuídas, normalmente, à sorte ou ao azar. Os aspectos determinísticos mencionados seriam, portanto, pré-requisitos que o individuo traria, consigo, para iniciar o trajeto pré-determinado pela ‘Curva do Destino’, buscando incrementar a evolução da sua alma, e constituiriam a ordenada com relação à origem dos eixos das variáveis, ou, em outras palavras, o termo constante da equação. 
                                  Determinada a equação da curva, através de técnicas matemáticas (utilizando Métodos Econométricos), poder-se-ia constatar o incremento já alcançado pela alma e efetuar previsões sobre o seu incremento futuro, a ser atingido ainda nesta encarnação, mediante a utilização do Cálculo  Integral e Diferencial.  A maneira pela qual o individuo, por sua vez, saberia se procede em conformidade com o traçado da própria curva de evolução, determinada previamente para si, seria, tão somente, ouvir a voz da razão em todas as decisões que tomasse; isto é, nunca praticar nenhuma ação que contrariasse a sua consciência. A consciência seria, assim, o mecanismo engenhosamente planejado pelo Criador para manter a criatura humana sempre sobre a sua ‘Curva do Destino’; já que, encarnados, perderíamos a memória do destino que (ainda sob a forma espiritual) aceitamos, previamente, para nossa futura existência; como também não nos recordaríamos de quem fomos e do que fizemos em nossas encarnações anteriores, para que nosso passado (eventualmente mau) não interferisse em nosso presente (eventualmente bom).
                                       No entanto, o ser humano, segundo a teoria aqui formulada, teria liberdade de decisão ou Livre-Arbítrio como querem alguns, apenas, no momento presente e em determinadas condições, para mudar o traçado da sua ‘Curva do Destino’. Isto ocorreria quando, conduzido por suas paixões (ou pulsões), tomasse decisões contrárias a sua consciência; isto é, decisões que não fossem fruto de seu raciocínio e de sua identidade sensível que, em última análise, representariam a própria voz da razão.
                                       Nestas ocasiões ele teria, então, a possibilidade de modificar o seu destino (ou a conformação da sua curva), escapando à predeterminação da sua evolução e dando origem a uma nova curva, diferente da anterior e na qual poderia evoluir de outra forma (conforme o traçado desta nova curva que elegeu por sua própria escolha, ao dar vazão as suas paixões após encarnado).
                                     Esta nova forma de evoluir significaria a vigência de novos eventos (intelectuais, físicos, materiais e emocionais) na vida do individuo, diferentes dos anteriormente programados. Isto pode parecer bastante paradoxal, já que, normalmente, entendemos que as paixões aprisionam ou escravizam o individuo e, neste caso, ele estaria sendo libertado de seu destino previamente traçado, justamente por elas.
                                    O paradoxo se desfaz quando observamos que a ‘Curva do Destino’ original, eleita pelo ser humano quando em sua forma espiritual (contando com o aconselhamento dos chamados espíritos de luz - ou benfeitores espirituais - mencionados pelas religiões), seria “a melhor curva possível”, dentre as disponíveis, para o resgate do seu carma e para uma evolução máxima de sua alma na presente vida. Qualquer que seja a conformação de uma nova curva, fruto da própria escolha do individuo já encarnado e em virtude de suas paixões, esta deverá proporcionar uma evolução da alma menor que a prevista pela ‘Curva do Destino’ original. Assim, conforme a nossa hipótese, toda vez em que o ser humano tomasse uma decisão contrária à voz da sua consciência, apenas para satisfazer suas paixões ou interesses inconfessáveis, sairia da sua curva inicial e passaria para outra, na qual sua evolução seria menor, seria nula ou, até mesmo, regrediria.
                                      Gottfried Leibnitz, filósofo, matemático e geômetra (1646/1716) chegou bem próximo desta hipótese, ao afirmar, no final do século XVII: “Deus não podia fazer por nós mais do que fez, ao dar-nos este mundo; já que este era o melhor dos mundos possíveis”. Leibniz, coincidentemente, foi o criador do termo função, que usou para descrever uma quantidade relacionada a uma curva.
                                   Poderíamos questionar sobre a razão pela qual as religiões e as organizações esotéricas, afirmam que devemos ter como meta vencer as nossas paixões; já que estas são, comprovadamente, molas impulsoras que lançam o ser humano para novas direções, capazes de mudar o seu destino e o do próprio mundo.   Certamente, isto poderia ser, talvez, devido ao fato de inconscientemente seus idealizadores, filósofos ou pensadores, haverem intuído que através da aceitação do livre curso das paixões estaríamos nos distanciando do destino previamente traçado para nós; destino este que maximizaria o incremento da evolução da nossa alma nesta vida. 
                                         As guerras que ao longo da história humana mudaram o destino das pessoas e das nações, sem dúvida, tiveram sua origem em decorrência de paixões humanas ou pulsões. Ambição, ganância, ódio, orgulho, luxúria, dentre outras, têm revolucionado a vida na face do planeta, desde o surgimento do ser humano até os dias atuais, causando mortes, sofrimentos e destruição.
                                     A própria conformação atual dos países, suas dimensões, situações econômicas, políticas, militares e sociais são, evidentemente, tanto fruto de decisões racionais, quanto de decisões apaixonadas daqueles que, até então, foram os detentores do poder ou dos que, através de golpes ou revoluções, vieram a substituí-los em tão desgastante tarefa. Muitos acontecimentos tiveram seu início a partir de mudanças voluntárias nas ‘Curvas do Destino’ de seus principais agentes causadores e protagonistas.  Nenhuma programação determinística, objetivando a evolução da alma, conduziria o ser humano para as guerras ou para praticar o mal. Estas seriam frutos de suas próprias decisões (ou livre-arbítrio), conforme sempre pregaram as religiões através da noção do pecado.
                                       Nossa teoria, com relação à prática do bem, entretanto, propõe um enfoque diferente; isto é, que esta prática já faria parte da programação determinística do indivíduo, na qualidade de filho do Criador - fonte de todo o bem. Agir bem não seria fruto de escolha individual; posto que, todo ser humano estaria programado para assim o fazer, da mesma forma como ocorre com os animais - estes, embora por vezes ferozes e violentos, não possuem o mal em sua natureza.
                                        O livre-arbítrio do ser humano, em ultima análise, seria apenas para praticar o mal, isto é, as más ações; pois, apenas estas seriam contrárias à sua consciência. Toda vez que o individuo praticasse uma ação, consciente de que deveria praticá-la (ou, em outras palavras, ouvindo a sua consciência), esta seria uma boa ação e ele estaria seguindo, portanto, o traçado de sua curva pré-determinada e não utilizando o seu livre-arbítrio.  Toda vez que praticasse uma ação, consciente de que não deveria praticá-la, mas não evitando fazê-lo (em outras palavras, usando o livre-arbítrio para contrariar a voz da sua consciência), estaria praticando uma má ação e saindo da curva pré-programada. Os atos individuais seriam em si mesmos neutros. O que caracterizaria um ato como bom ou mau, como determinístico ou como de livre-arbítrio, seria, portanto, a intenção deliberada de sua pratica, violando (pelo livre-arbítrio) ou não (pelo determinismo) a voz da consciência. O argumento de que a consciência, de cada individuo, poderia se manifestar de modo diferente da dos demais, fazendo com que o certo para uns fosse o errado para outros, pode ser desfeito ao atentarmos que existem valores que são comuns para toda a raça humana. As religiões destacam, e todos nós intimamente sentimos que: “não devemos fazer ao próximo aquilo que não desejamos que nos façam”. Ora, se fizermos a alguém aquilo que não desejamos para nós, saberemos, previamente, que estamos agindo de modo errado e, portanto, fazendo uso do livre-arbítrio para contrariar nossa consciência.
                                     Immanuel Kant em ‘Critica da Razão Prática’ afirma que a religião não pode ser baseada na ciência nem na teologia, mas sim na moral.                                      “Temos de encontrar uma ética universal e necessária; princípios ‘a priori’ de moral, tão absolutos e certos quanto a matemática. Temos de mostrar que a razão pura pode ser prática; isto é, pode, por si só, determinar a vontade, independentemente de qualquer coisa empírica, que o senso moral é inato, e não derivado de experiência. O imperativo moral de que precisamos, como base da religião, deve ser um imperativo absoluto, categórico”.
                             “A mais impressionante realidade em toda a nossa experiência é, precisamente, o nosso senso moral, nosso sentimento inevitável, diante da tentação, de que isto ou aquilo está errado. Podemos ceder; mas, apesar disto, o sentimento lá está.”(grifo meu).
                                 “E uma boa ação é boa não porque traz bons resultados, ou porque é sabia, mas porque é feita em obediência a esse senso íntimo do dever, essa lei moral que não vem de nossa experiência pessoal, mas legisla imperiosamente e ‘a priori’ para todo o nosso comportamento, passado, presente e futuro”. (grifo meu).
                                  Aquele que só age por impulso das paixões, movido pelos interesses egoístas imediatos, fazendo uso do que considera seu livre-arbítrio, embora possa, em razão disto, desfrutar, momentaneamente, de riquezas, prazeres e sensações agradáveis, julgando-se um privilegiado com relação aos demais, certamente deverá ter a evolução espiritual prejudicada nesta existência; podendo, inclusive, até mesmo ser colhido nas malhas da ‘lei dos homens’ e ter de ajustar contas com a ‘justiça humana’.
                                   Entretanto, sendo o Criador fonte de todo o amor, de todo o bem e de todas as virtudes, como se justificaria que suas criaturas fossem portadoras de paixões, de vícios e de maus sentimentos?    Teria o Criador (nosso pai), também, tais características, já que suas criaturas (seus filhos) possuem estes distintivos?
                                 Em minha maneira de ver a questão a evolução social da raça humana seguiria, sempre, um processo dialético, em razão dos conflitos que surgem entre os indivíduos, comunidades, nações, etc., motivados por interesses antagônicos ou divergentes (frutos certamente do egoísmo) e que precisariam ser solucionados. Com a evolução espiritual não seria diferente. Esta, por sua vez, também seguiria este processo dialético de evolução.
                                       O Criador, que nunca necessitou evoluir, não teria necessidade de conter, em si, sentimentos opostos ou Maniqueístas. Tais sentimentos pertenceriam apenas aos seres criados e foram instaurados, em nosso espírito pouco evoluído, como parte do instrumental necessário para vencermos nossos conflitos interiores e exteriores (frutos todos do egoísmo), que precisariam, também, ser solucionados em busca da evolução espiritual. Se nossos espíritos fossem totalmente evoluídos (quando o Ego já teria sido fatalmente eliminado) não teríamos conflitos a solucionar e, portanto, não faríamos mais uso do processo dialético, nem possuiríamos mais sentimentos opostos.
                                       As religiões, ou doutrinas, que definem o Criador como uma Entidade ao mesmo tempo boa e má (presenteando e castigando); o fazem, tão somente, para inspirar medo nos rebanhos e poderem mantê-los por perto, sob o controle dos seus pastores e demais intermediários que afirmam falsamente fazerem a ponte entre a criatura e o Criador. 
                                    Vista sob esta ótica, a ‘Curva do Destino’ original teria a trajetória calcada em uma vida com justiça (e até mesmo virtuosa), objetivando a maior evolução possível para a alma.   Tanto é assim que nossa consciência nunca nos indicaria, deliberadamente, o caminho da injustiça, da maldade ou dos vícios.
                                   Todos os que enveredam por estes caminhos sabem, no íntimo, que estão percorrendo um caminho errado; isto é, que deixaram de seguir uma orientação vinda de dentro de seu próprio ser. Mais a frente, passada a influência da paixão, fatalmente haverão de buscar consolo, perdão e expiação, através do mecanismo do arrependimento. 
                                    Desta forma, quer seja em razão da pouca evolução espiritual, ou até mesmo de certos distúrbios de ordem psíquica ou emocional que podem acometer os indivíduos, as paixões aflorariam e, dado o inter-relacionamento entre pessoas, fatos e acontecimentos, muitas vezes os seres humanos deixariam, voluntariamente, a sua ‘Curva do Destino’. 
                                       Por haver tomado decisões contrarias a sua consciência, decisões estas que, embora eivadas de paixões, lhe pareceriam fruto da sua ‘total liberdade de decidir’, o individuo partiria para uma nova curva, onde seu crescimento intelectual, físico, material e emocional, seria diferente e, consequentemente, também o incremento na evolução da sua alma; posto que, a partir de então, os eventos da sua vida não seriam mais os mesmos.
                                    A mudança voluntária na ‘Curva do Destino’ de um individuo, em razão do livre curso de suas paixões, poderia influenciar a mudança, voluntária, na curva de outros indivíduos, desde que estes, por razões análogas, se deixassem contaminar pelo mesmo sentimento, haja vista o poder de influencia (ou magnetismo) existente entre os seres humanos.
                                   A rigor, esta mudança (julgada, por nós, voluntária) poderia, também, ser ocasionada por fatores que fugiriam ao controle racional e consciente do individuo (como nos casos de distúrbios psíquicos ou emocionais mencionados), permitindo, da mesma forma, o afloramento das paixões. Ninguém, em sã consciência, preferiria praticar o mal ao invés de praticar o bem.
                                    Por qualquer que tenha sido o motivo, entretanto, deixada a ‘Curva do Destino’ inicial, jamais se retornaria à mesma, em virtude dos conceitos de necessidade e de fatalidade, mencionados por Leibniz como ‘Principio da Razão Suficiente’. A interação existente entre os seres vivos e os acontecimentos estaria, constantemente, mudando os cenários da evolução social e espiritual da raça humana, fazendo com que, ao se afastar do traçado da sua curva, fosse impossível a ela retornar, em razão dos novos eventos que ocorreriam na vida de cada indivíduo.
                                              Uma vez mudada a curva, entretanto, a nova curva também poderia ser mudada pelas mesmas razões, e assim sucessivamente, conduzindo o individuo para uma trajetória evolutiva bastante diferente da inicialmente programada, muitas vezes distanciando-se totalmente dela. Quanto mais o individuo se deixasse levar pelas paixões, ao conduzir sua existência, mais se afastaria da ‘Curva do Destino’ original. Um único e eventual afastamento, de pequena importância, relativa esta à magnitude do ‘efeito cascata’ (quando um efeito gera outros, sem parar, sempre aumentando) ocasionado e ao número de seres humanos atingidos por este, manteria a nova curva com um traçado ainda próximo do anterior. Um único e eventual afastamento, de grande importância (relativa esta à magnitude do ‘efeito cascata’ ocasionado e ao número de indivíduos afetados por este), poderia implicar em um novo traçado totalmente distinto para a sua nova curva. A afirmação popular de que “as oportunidades não voltam mais” é a constatação empírica de nossa formulação teórica, significando que devemos fazer o máximo na atual encarnação para dela sair vitorioso; isto é, aproveitando as oportunidades que nos foram dadas por nossa ‘Curva do Destino’.
                                   Poder-se-ia argumentar que a existência do determinismo retiraria a criatividade humana. Isto poderia ocorrer, talvez, caso tivéssemos previamente o conhecimento dos eventos pelos quais teríamos de passar, o que não temos. Ademais, praticando o bem de forma constante, em conformidade com o determinismo, estaríamos em paz com a nossa consciência e nos manteríamos, sempre, evoluindo espiritualmente. Para aqueles que, no entanto, argumentam da forma anterior, vale lembrar que muito da criatividade humana é, infelizmente, voltada à prática do mal (novamente aqui, em virtude das paixões – do egoísmo, da cobiça, do orgulho, da luxúria, etc.).
                               Cabe, ademais, outra observação: a tese e a antítese, que constituem a formulação dialética da evolução (seja do espírito, seja da sociedade como um todo), funcionariam, sempre, como uma fonte de atrito a conter a síntese resultante. Se não existisse a contradição, isto é, se houvesse apenas uma vertente impulsora a manifestar-se, a evolução (ou a concretização de qualquer objetivo) desta única vertente tenderia a ocorrer mais rapidamente e em maior intensidade; posto que, não haveria nenhuma oposição à sua realização.
                                        Talvez, se nos mantivéssemos sempre sobre a ‘Curva do Destino’ ouvindo o que nos diz a voz da consciência, antes de tomarmos as nossas decisões, a nossa alma pudesse evoluir mais rapidamente. Ao dispor do livre-arbítrio para deixar a ‘Curva do Destino’, criamos a antítese, que agiria como um freio sobre a nossa tese determinística de ouvir a consciência em busca da evolução, fazendo com que esta fosse inferior àquela que poderia ter sido na ausência da contradição.  
                                    O determinismo, que valeria para a evolução da alma encarnada, continuaria sempre existindo em outras encarnações futuras, apenas modificando nossa trajetória evolutiva seguinte (estabelecendo uma nova ‘Curva do Destino’, para fazer frente a uma nova realidade), em razão do estagio de desenvolvimento por nós alcançado na encarnação imediatamente anterior. Assim, a saída da ‘Curva do Destino’ original, por quem quer que seja, em razão de suas paixões (em que pesem, muitas vezes, estas poderem contribuir para modificar positiva ou negativamente a face do planeta, como diversas vezes ocorreu no passado da espécie humana), contribuiria para que sua alma ou evoluísse menos que o anteriormente previsto, que não evoluísse ou, até mesmo, que regredisse, formando um novo carma e, consequentemente, uma nova ‘Curva do Destino’ para a próxima de inúmeras outras encarnações que ainda poderiam advir. A quantidade total de encarnações pelas quais o espírito deveria passar seria aquela necessária para que completasse integralmente a sua evolução.
                                       Poder-se-ia, ainda, questionar: - Que evolução seria esta e qual o nível ótimo de evolução?
                                       A evolução, conforme a entendo neste trabalho, seria o processo através do qual o espírito se aproximaria cada vez mais do Todo (do Criador), deixando para trás a individualidade. O seu nível ótimo seria aquele atingido quando a individualidade se extinguisse. Podemos notar que, normalmente, ao ouvir falar em livre arbítrio, vem-nos à mente a ideia de total liberdade de realização da vontade humana; isto é, da liberdade de satisfação dos desejos do ego. Ora, quanto mais atendêssemos aos desejos do ego, maior seria a nossa individualidade e menor a evolução da nossa alma. Em contraposição, quanto mais evoluída a nossa alma, maior seria a nossa comunhão com o Todo e menor nossa preocupação com a individualidade, não havendo, pois, necessidade de satisfazer os desejos do ego; já que este não mais existiria ou não se faria prevalecer. Assim, vê-se que o determinismo está para uma alta evolução espiritual, como o livre-arbítrio está para uma baixa evolução. A alma evoluída não necessitaria mais do livre-arbítrio, pois não possuiria mais vontade a ser satisfeita; já que, da mesma forma que o Criador, seria apenas AMOR INCONDICIONAL.
                                           Poder-se-ia, ademais, questionar sobre a necessidade, a finalidade e a veracidade da hipótese das múltiplas encarnações, como também questionar sobre a necessidade, a finalidade e a veracidade da hipótese contrária; isto é, a da não reencarnação. Apenas o Criador, no entanto, saberá dos motivos que o levaram a criar espíritos não evoluídos, que teriam a eternidade toda para evoluir.   Cientificamente, no entanto, toda evolução pressupõe um processo cumulativo de experiências e de aquisição de conhecimento e, em assim sendo, a evolução tem de ser conquistada e não outorgada. No caso do espírito, o mérito da sua evolução caberia, exclusivamente, ao próprio espírito.
                                           Embora cada indivíduo possua uma ‘Curva do Destino’, própria para aquela encarnação na qual esta vivendo, nada indica que esta curva tenha de ser, obrigatoriamente, seguida à risca. A evolução individual não possui, assim, prazo marcado para se concretizar. Quem não evoluir o necessário nesta vida, evoluirá em outras. Entretanto, sempre que a evolução ocorresse em um universo material (aonde quer que este possa estar localizado no Cosmos), no qual vigorassem leis físicas e matemáticas, ela poderia ser descrita por uma equação matemática; já que todo fenômeno possui uma equação que o descreve, embora muitas vezes a desconheçamos, como no caso presente.
                                          A hipótese subjacente ao conceito de carma, ou do determinismo que o resgataria, adotada pelo budismo, pelo hinduísmo e pelo espiritismo, é a de que a alma humana não evolui tudo aquilo de que necessita em apenas uma encarnação, em oposição ao considerado pelas doutrinas do cristianismo, do islamismo, do judaísmo e do protestantismo, que julgam como suficiente apenas uma encarnação. A hipótese das múltiplas encarnações tenderia, assim, a minimizar o papel das instituições religiosas junto a seus adeptos (até porque em uma próxima encarnação o espírito poderia não ter nenhuma religião ou vir a ter outra diferente da que teve na encarnação passada). A hipótese de apenas uma única encarnação tenderia, por sua vez, a maximizar o papel da instituição religiosa junto aos seus adeptos; pois, estes, além de não terem outra chance, não poderiam arriscar-se a escolher um caminho errado para chegar ao Criador, caminho esse que a instituição religiosa, ou esotérica, normalmente, afirma somente ela conhecer.
                                            Os critérios, ou fatores, de evolução aos quais todos nós estaríamos atrelados (e que seriam: o crescimento harmônico das capacidades intelectual, física, material e emocional do individuo; ou, como diriam os budistas, do seu corpo físico, do seu corpo astral de luz e energia vital e do seu corpo mental ou causal de consciência) não são excludentes entre si, visto que o criador tanto estabeleceu leis universais (para serem por nós descobertas pelo estudo das ciências), quanto colocou matéria na natureza (para ser, por nós mesmos, transformada e consumida em nosso próprio benefício); bem como deu-nos atributos emocionais e de caráter pertencentes à alma (capazes de fazer-nos agir com justiça, de nos emocionarmos, de sabermos que o bem é melhor do que o mal, de combatermos as injustiças; bem como, de possuirmos inúmeros outros atributos emocionais).
                                         Como tudo na natureza tem sua função e seu objetivo, tais fatos parecem indicar que o desenvolvimento destes critérios, fatores ou planos, são de fundamental importância para o incremento de evolução da alma humana. Assim, não evoluiria mais rapidamente aquele individuo que apresentasse a prevalência de um dos critérios sobre os demais. A evolução da alma do ser humano resultaria de uma combinação harmônica dos vários fatores de evolução. O monge que se isola durante anos na caverna, meditando, objetivando se tornar o mais sábio dos gurus; por não haver combinado harmonicamente os fatores de evolução da alma, não evoluirá mais rapidamente que o pai de família, ao trabalhar para manter a sua prole e progredir financeira e culturalmente. Da mesma forma, o pesquisador científico que, como o monge isolado em seu laboratório, tenta descobrir as leis e os segredos que a natureza, judiciosamente, teima em esconder, não evoluiria mais rapidamente que os outros dois. Por sua vez, o ‘novo rico’, orgulhoso e arrogante, poderia ter sua evolução retardada por não haver assimilado, com sabedoria, a necessária harmonia que deve existir entre os fatores responsáveis pelo incremento da evolução espiritual. A prevalência de um dos fatores sobre os demais indicaria, sempre, a existência de certa dose de individualismo egoísta, que retrasaria a evolução. 
                                    Se houvesse sido desejo do Criador poderíamos evoluir, exclusivamente, sob a forma espiritual. Não seria necessário, assim, que, precisando evoluir, existíssemos em um universo de matéria regido por leis inexoráveis. Poderíamos existir, apenas, sob a forma espiritual, forma esta, aliás, na qual passamos ou passaremos a maior parte de nossa existência imortal, segundo afirmam as religiões. Parece, tendo em vista o ambiente no qual o Criador nos fez existir quando encarnados, que a evolução da nossa alma depende, fundamentalmente, de uma harmônica evolução intelectual, física, material e emocional, em um corpo humano vivendo em um mundo material. As limitações de um corpo físico, aliada as dificuldades de sobrevivência em uma natureza, muitas vezes, inóspita e os conflitos existentes entre os seres da própria espécie e das demais, parece ser de suma importância para a evolução espiritual. Nosso corpo e nossa alma, constituída esta pelo espírito quando encarnado e abrangendo nossa inteligência, nossa vontade, nossa razão, nossas emoções e nosso conhecimento, existem, de maneira real, no universo em que vivemos e, portanto, suas existências constituem fenômenos universais.
                                    Milhares são os depoimentos de indivíduos que passaram por Experiências de Quase Morte – EQM (ou que vivenciaram experiências extracorpóreas), a atestarem a existência da alma, corroborando o que já diziam, desde milênios, as crenças religiosas. 
                                 Todo fenômeno no universo pode ser representado por uma equação matemática. O crescimento físico de todos os seres possui uma curva que o descreve, chamada comumente de superfície de resposta (como o individuo se desenvolve em resposta a ingestão de alimentos, por exemplo).
                                   Da mesma forma, a evolução da alma humana como um fenômeno congregando os aspectos já mencionados, certamente, teria também a sua equação própria, que poderia ser denominada de ‘Curva do Destino’ ou ‘Função multidimensional de Evolução da Alma’.
                                       A definição precisa das variáveis explicativas do fenômeno dependeria da argúcia com que pudéssemos analisá-lo.
                                       A formulação aqui apresentada, como uma primeira aproximação, se trata, apenas, de uma simples tentativa de entender o problema e de buscar explicitá-lo sob a forma matemática.
                                             Por outro lado, para um bom entendimento, quando falamos em livre-arbítrio estamos nos referindo ao fato de os indivíduos julgarem ter o poder de escolher suas ações, perceberem este fato e acreditarem que estas ações não são condicionadas por fatores antecedentes, mas, sim, por sua vontade.
                                          Quando nos referimos ao determinismo estamos nos referindo aos conceitos mecanicistas e teleológicos, isto é, todos os acontecimentos, inclusive vontade e escolha humanas, são motivados por eventos anteriores ou posteriores; ou seja, por relações de causalidade. 
                                        A presente teoria, que pretendo aprofundar posteriormente, apresenta, assim, possíveis explicações de ordem filosófica e científica, certamente inéditas, para questões metafísicas, até então, tidas e explicadas como fenômenos religiosos.


_*/ Economista e doutor pela Universidade de Madrid, Espanha.